Prólogo
Dante Miller
Maike_ Não vai mesmo no aniversário da Stacey?
Dante_ Não vai dar, cara, sabe que não posso sair à noite.
Maike_ Não dá para a senhora Johnson ficar com a sua irmãzinha ao menos essa noite?
Dante_ Ela está doente.
Maike_ E o seu pai? Será que ele não pode ficar com a Apple? Você só tem quinze anos, cara, não é justo ter toda essa responsabilidade nas suas costas.
Dante_ A vida não é justa, Maike, ao menos não para mim.
Maike _ Vai acabar perdendo a gatinha, sabe que ela gosta de você, não é?
Eu sabia, afinal, perdi a minha virgindade com a garota aos quatorze, mas foi porque ela insistiu, que garoto no auge da sua puberdade ia resistir a uma b****a à sua disposição?
Mas para mim foi só isso, uma aventura de dois adolescentes começando a conhecer os seus corpos e o prazer que um pode proporcionar ao outro.
A Stacy é bonita e legal, mas não tenho tempo para garotas, não com a vida de merda que eu tenho.
Aos doze anos, perdi a minha mãe, ela morreu no parto da minha irmãzinha.
Desde então, cuido dela e sou provedor da nossa casa, já que meu pai não passa de um viciado de merda, que não está nem aí para nada, ele só quer saber de se drogar.
Poucos meses depois da morte da minha mãe, arranjei um emprego de ajudante em uma oficina perto de casa e tenho trabalhado lá nesses últimos anos.
Todos os dias, depois que saio da escola, vou para a oficina e só volto para casa às sete da noite. Isso só é possível porque a senhora Johnson cuida da Apple para mim.
Ela era a melhor amiga da minha mãe e, desde a morte dela, a senhora Johnson tem nos ajudado como pode, principalmente cuidando da Apple. Hoje, no entanto, por estar doente, ela não pôde ficar com minha irmãzinha e precisei implorar para o meu pai ficar com ela.
Chega a ser absurdo ter que implorar para um pai cuidar da própria filha, mas essa é a realidade em que vivo.
Após me despedir do Maike, que ainda insistiu mais um pouco para eu ir à tal festa, segui da escola para a oficina, como sempre, e trabalhei até às sete.
Antes de ir para casa passei no mercado e comprei o leite e o cereal que a Apple gosta, além de outros alimentos, a nossa dispensa estava vazia e foi preciso pegar um adiantamento para abastece-la.
Apple só tem três aninhos e está em fase de crescimento, precisa se alimentar bem.
Ao entrar em casa escutei o choro abafado dela, quase como se estivesse sem fôlego, achei aquilo estranho e fiquei preocupado, entrei no quarto dela e a cena que vi revirou o meu estomago, aquele monstro estava com seu p*u imundo na boca da minha irmãzinha, uma fúria nunca antes sentida surgiu em mim e eu vi tudo escuro naquele momento.
Práticava jiu-jistu e Judo, entre outras lutas desde os cinco anos, quando minha mãe me levou ao centro comunitário do bairro pela primeira vez, nunca parei de frequentar aquele lugar e só não disputava campeonatos porque precisava trabalhar e cuidar da Apple, mas ainda assim consegui me tornar faixa preta nas duas modalidades, eu era bom, o melhor, segundo os professores.
Talvez por conta disso, tinha uma condição fisico bem acima da média para os meus quinze anos.
Era alto e forte, mais até do que o homem aqueroso a minha frente, e tudo o que eu aprendi nesse anos foi posto em prática nesse momento.
Sem pensar em mais nada avancei para cima do verme que eu chamava de pai e comecei a espanca-lo não lhe dando qualquer chance de defesa, bati como nunca antes, deixando o meu ódio, meu nojo e minha ira falarem mais alto.
Continuei batendo mesmo depois que ele parou de se mexer, mesmo depois que ele parou de respirar e mesmo depois que seu rosto estava destruído e o miolos do seu cérebro estavam esmagados no chão, meus punhos estavam cheios de sangue e ainda assim a raiva não havia ido embora.
Ouvi o choro sofrido da minha irmãzinha que me fez voltar a realidade e eu pude enxergar o que tinha feito.
Droga! Não me arrependia de tê-lo matado, se pudesse fazer esse desgraçado resucirar só para espanca-lo ate á morte novamente eu faria.
O problema eram as consequências do que havia acabado de fazer, matei o meu próprio pai, provavelmente seria preso por isso, ninguém ia acreditar na minha versão, que eu fiz isso para livrar a minha irmã de um p******o asqueroso que estava abusando dela.
Porra Apple só tem três anos!
Talvez a senhora Johnson pudesse ficar com minha irmãzinha caso eu fosse preso, mas ela andava doente e já estava com seus sessenta anos.
E se ela morresse? O que aconteceria com Apple? Eles provavelmente a mandariam para algum orfanato como se não tivesse ninguém por ela.
Não, eu não podia ser preso, precisava pensar rápido, tinha que fazer alguma coisa.
Sempre foi considerado um garoto inteligente, tanto é que estava sendo incentivado pelos meus professores a tentar uma bolsa de estudo e segundo eles tinha grandes chances de conseguir pois minhas notas são excelentes.
Isso foi algo que a minha mãe me ensinou enquanto era viva, ela dizia que conhecimento é a única coisa que ninguém poderia tirar da gente.
Além disso, ela acreditava que só com uma boa formação eu poderia ter um futuro digno e sair da pobreza em que viviamos e eu acreditei nela, tanto que tenho me dedicado com afinco aos meus estudos.
E agora era hora de pôr em prática toda essa inteligência de que fazia mamãe se orgulhava em mim.
Olhei para todos os lados analisando o cenário a minha frente enquanto minha irmã chorava.
Havia uma garrafa de alguma bebida ao lado de uma vela acesa sobre a mesa de cabeceira ao lado do berço da Apple.
Com uma ideia surgindo em minha mente corri até o banheiro e lavei minhas mãos sujas de sangue, também troquei de roupa e voltei para o quarto, já tinha tirado Apple de lá e a deixado n a sala após acalma-la agora precisava preparar tudo para encobrir o crime que eu havia acabado de cometer.
Dei um jeito de colocar o corpo daquele verme em ângulo que parecesse que ele estava bêbado e havia caído e derrubado a vela no chão.
Despejei também a bebida sobre ele e deixei a garrafa ao seu lado.
Com tudo pronto esperei o fogo se alastrar para só então pegar a Apple e sair dali gritando por ajuda.
Mas já era tarde demais a casa estava em chamas e não havia como salvar meu pai que supostamente havia ficado preso entre as chamas.
Deixei tudo para trás, e essa era a minha única dor, saber que a única foto da minha mãe que ainda existia se queimou junto com aquele verme.
Fiquei ali, inerte olhando a casa desabar até restar somente as sinzas enquanto os bombeiros tentavam inutilmente apagar o incêndio.
Meu crime nunca seria descoberto, eu havia salvado não só a minha irmã, mas livrado o mundo de um p******o miserável.
Esse era um segredo que eu carregaria comigo para o túmulo, mas do qual nunca me arrependeria. . .