Quinze anos depois. . .
Mia Robert
Jason_ Me desculpe, Mia, eu realmente não queria fazer isso, mas não tenho escolha, o movimento está cada vez menor e nosso caixa está no vermelho há meses, não tenho mais como te pagar.
Mia_ Eu entendo, Jason, não se preocupe, sei que não está fazendo isso porque quer.
Jason_ E não estou mesmo, você é uma ótima funcionária, a melhor que eu já tive em anos.
Mia_ O que vai fazer agora? Vai ficar trabalhando sozinho na floricultura?
Jason_ Não, eu já resolvi, vou fechar a loja e vender o prédio, amo esse lugar e as minhas flores, mas já estou velho e meus filhos não demonstram interesse em assumir o negócio.
Mia_ É realmente uma pena.
Digo com pesar.
Jason_ É sim, e me dói ter que desfazer da minha amada floricultura, mas não há o que fazer. Aqui está seu salário, mais uma bonificação pelo ótimo trabalho prestado e uma carta de recomendação que espero que possa te ajudar a encontrar um novo emprego.
Com um sorriso triste, estendo a mão e pego o envelope que ele me entrega.
Mia_ Obrigada, Jason, de verdade, foi muito bom trabalhar aqui por todo esse tempo, vou sentir falta desse lugar.
Jason_ Eu que agradeço o tempo e o amor que dedicou à minha amada floricultura.
Levanto-me e estendo a mão para o senhor já de idade com quem trabalhei por três anos, desde que saí do orfanato.
Emocionado, ele me puxa para um abraço carregado de carinho e afeto que faz transbordar as lágrimas que eu estava fazendo o possível para segurar.
Mia_ A gente se vê, Jason.
Jason_ Boa sorte, menina, e se precisar de alguma ajuda, não hesite em me procurar.
Balanço a cabeça concordando e saio do lugar onde trabalhei por três anos. Aqui desenvolvi o meu amor pelas flores e conheci pessoas maravilhosas, James e Joany, sua esposa, eles se compadeceram da minha história e me acolheram com muita gentileza.
Mas agora acabou, eles não podem mais continuar com a floricultura e eu preciso seguir em frente, porque as contas não param de chegar, tenho aluguel, água e luz para pagar, além de outras despesas.
Se pelo menos a Nataly, minha colega de quarto me ajudasse com as despesas.
Mas não, todo o dinheiro que ela ganha é para bancar o vício a namorado drogado dela.
Sei que devia manda-la embora da minha vida já que ela não me ajuda em nada e eu praticamente tenho que sustenta-la, mas a Nataly é o mais próximo de uma família que eu tenho.
Nós fomos entregues ainda bebê no orfanato no mesmo dia e crescemos juntas.
Sempre fomos muito unidas, talvez pela dor do abandono ou porque buscavamos afeto uma na outra.
Ao completamos dezoito anos, saímos daquele inferno que chamavam de orfanato e fomos morar juntas, era o sonho da independência e da liberdade. Estaríamos enfim longe daquele lugar horrivel carregado de dor e sofrimento, onde nos obrigavam a trabalhar como adultos e a comida era sempre regrada, sem contar os castigos e as constantes surras.
Começamos a nossa nova vida cheias de sonhos e planos, mas com o tempo Nataly foi mudando, talvez por conta das companhias com que andava, ou porque essa era a sua verdadeira natureza que longe do orfanato e de toda a opressão veio a tona, o fato é que ela mudou demais, é como se eu nem a conhecesse mais.
Ela m*l para em casa e nunca me ajuda a pagar as contas, nem mesmo paga pela própria comida, quando aparece sempre com o Rick seu manorado eles limpam a minha geladeira e os armarios, muitas vezes me deixando sem comida pelo resto do mês, até mesmo dinheiro se eu deixar fácil eles pegam.
Não sei porque faz isso, Nataly tem um emprego, ela é garçonete tem um bom salário, sem contar as boas gorjetas.
Já pensei mil vezes em me mudar e deixar ela por sua conta mas não consigo, sei lá é como se estivesse abandonando alguém que já foi abandonada o suficiente nessa vida, além disso, é ela é como uma irmã para mim.
Caminho para casa com o envelope no bolso da calça jeans surrada, parece que ele está pesando uma tonelada, talvez porque eu saiba que seja qual for a quantia que tem dentro dele, ela é tudo que eu possuo para me manter até conseguir um novo emprego.
Chego em casa e mais uma vez Nataly não está, então aproveito para esconder o envelope no fundo falso do armário, o único lugar onde ela não o encontrará.
Antes confiro o valor que James me deu e fico grata por ver que ele me pagou o equivalente a dois salários.
Vai dar para pagar o aluguel e as demais despesas por dois meses, espero conseguir um novo emprego durante esse período.
Após guardar o dinheiro vou tomar um banho e colocar uma roupa confortável.
Escolho um dos meus blusões desbotados e vou fazer o jantar.
Quando estou terminando de preparar uma macarronada que decidi fazer por ser mais fácil e rápido, Nataly chega em casa.
Mia_ Que milagre você por aqui.
Digo com ironia.
Nataly_ A nao começa Mia, estive fora esses dias porque estava trabalhando, peguei um extra e estava ficando no alojamento do bar mesmo para economizar tempo.
Mia_ É bom que você esteja ganhando mais dinheiro mesmo, porque vou precisar que me ajude com as despesas, estou desempregada, a floricultura fechou e o Jason me despensou.
Nataly_ Eu sinto muito por você, mas não posso ajudar.
Mia_ Como não pode ajudar? Você mora aqui também!
Digo indignada.
Nataly_ Eu sei, mas estou endividada até o pescoço.
Mia_ Que tanto de dividas são essas que você arrumou Nataly?
Nataly _ Nada que seja da sua conta, olha, eu só vim tomar um banho e trocar de roupa, preciso voltar para trabalhar no turno da noite é quando ganho as melhores gorjetas.
Diz e sai andando em direção ao quarto dela, mas para por um instante e me olha como se tivesse encontrado a solução para todos os meus problemas.
Nataly_ Ei, porque não vem trabalhar comigo? Da para ganhar um grana legar lá no bar, bem mais do que ganhava naquela floricultura sem graça.
Mia_ Eu, naquele lugar cheio de gente m*l encarada e perigosa que você disse que frequenta lá?
Nataly _ Não é tão r**m assim, basta servir os clientes e fingir que não vê as lutas ilegais que ocorrem por lá
Mia_ Tô fora, prefiro um trabalho sem graça mas seguro do que ficar correndo risco de morte todos os dias. . .