CAPÍTULO 24: (Ponto de Vista de Bernardo) Eu estava sentado na escuridão do meu carro, estacionado a uma distância estratégica dos portões de ferro da mansão Albuquerque. A fumaça de um cigarro que eu raramente acendia subia em espirais lentas, iluminada apenas pelo painel digital do painel. Meus lábios ainda retinham o gosto dela. O gosto de chuva, de raiva e daquele calor absurdo que ela tentava esconder debaixo de todo aquele orgulho de ex-bolsista. *Ela correspondeu.* Por mais que Raissa estufa o peito, por mais que me olhasse com aqueles olhos azuis cheios de gelo e dissesse que eu tinha um preço, a verdade ficou escancarada no segundo em que a prensei contra aquele pilar no píer. Eu senti o tremor no corpo dela. Senti as mãos dela tremerem antes de se firmarem no meu peito.

