## CAPÍTULO 13: O Baile de Outono e a Máscara de Vidro
O ginásio do Colégio Saint-Valéry havia sido completamente transformado para o tradicional Baile de Outono. Painéis de folhagens secas em tons de cobre, dourado e vinho cobriam as paredes de pedra. Lustres de cristal rústicos pendiam do teto alto, projetando uma luz quente e âmbar sobre a pista de dança de madeira polida. A elite jovem do país desfilava em trajes de gala que custavam pequenas fortunas.
Raissa parou na entrada do salão, respirando fundo.
Graças às habilidades incomparáveis de Helena, ela usava um vestido longo de cetim verde-esmeralda. O modelo tinha um caimento fluido, com um decote sutil em "V" e as costas parcialmente abertas. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque elegante, deixando alguns fios ondulados soltos para moldar seu rosto aristocrático. Ela não usava joias chamativas, apenas sua medalha de ouro envelhecido escondida sob o tecido do vestido e a sua beleza natural, que parecia brilhar com luz própria.
— Você está simplesmente espetacular — elogiou Lucas, aproximando-se com um sorriso caloroso. Ele usava um smoking preto impecável que destacava seus olhos dourados. — Se o Bernardo tentar qualquer gracinha hoje, prometo que uso minhas aulas de esgrima para te defender.
Raissa riu de verdade, sentindo a tensão em seus ombros dissipar-se um pouco.
— Obrigada, Lucas. Você é um cavaleiro de armadura brilhante muito eficiente.
Ao lado deles, Alice, vestindo um terno feminino preto com detalhes em roxo escuro, deu um sorriso cúmplice. No entanto, os olhos de Alice varriam o salão por outro motivo: ela sabia que a Sra. Beatriz e o Sr. Arthur Albuquerque, pais de Victória, também estavam presentes na área VIP reservada aos grandes doadores da escola.
### O Confronto Silencioso
Não demorou para que a presença de Raissa causasse um alvoroço silencioso no salão.
Do outro lado da pista de dança, Bernardo observava cada movimento dela. Vestindo um terno sob medida cinza-escuro, ele segurava um copo de uísque com os nós dos dedos brancos de tanta força. Ao ver Raissa sorrindo para Lucas, sentindo a proximidade entre os dois, o peito de Bernardo apertou em um espasmo de pura agonia física. O ciúme possessivo rugia em seu sangue como um animal enjaulado.
> *Como ela ousa olhar para ele daquele jeito?*, pensava Bernardo, os olhos cinzentos escurecendo de fúria silenciosa. *Ela deveria estar me olhando. Deveria estar me odiando, me desafiando... qualquer coisa, contanto que fosse comigo.*
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Victória, que usava um vestido vermelho-fogo e tentava em vão chamar a atenção de Bernardo a noite toda, percebeu a direção do olhar dele. O ódio em seu peito transbordou.
— Ela realmente não tem vergonha — sibilou Victória, alto o suficiente para que algumas pessoas ao redor ouvissem. — Uma bolsista maltrapilha tentando se infiltrar na nossa festa com um vestido que provavelmente foi costurado com trapos velhos.
Antes que Victória pudesse continuar sua humilhação pública, a música lenta do salão mudou para uma valsa moderna e envolvente.
Lucas curvou-se elegantemente diante de Raissa, estendendo a mão.
— Concede-me esta dança, senhorita?
Raissa sorriu e aceitou, deixando-se guiar até o centro da pista de dança.
### O Estopim
Ver Raissa nos braços de Lucas foi o limite para Bernardo. O orgulho frio que ele ostentava desmoronou em questão de segundos. Ignorando Victória, ignorando os olhares dos pais de todos os alunos influentes e as regras sociais que sempre seguiu, ele marchou em direção ao centro da pista.
Sua presença exalava tanto perigo que os outros casais se afastaram instintivamente.
Bernardo parou exatamente ao lado de Lucas e Raissa. Sem dizer uma palavra a Lucas, ele fixou seus olhos cinzentos e tempestuosos em Raissa, estendendo a mão de forma autoritária.
— Minha vez — disse Bernardo, a voz um barítono baixo e rouco, mas que carregava uma promessa perigosa de violência se fosse contrariado.
Lucas travou o corpo, o olhar dourado faiscando de indignação.
— Ela está dançando comigo, Castiglione. Saia daqui.
— Eu não perguntei a você, Dumont — rebateu Bernardo, sem desviar os olhos de Raissa. Sua respiração estava acelerada e havia uma vulnerabilidade desesperada oculta em seu olhar possessivo que Raissa nunca tinha visto antes. — Dança comigo, Raissa. Ou eu juro que acabo com essa festa agora mesmo.
Raissa olhou para Bernardo, sentindo a eletricidade estática estalar entre eles. A tensão s****l e o ódio mútuo que os cercavam pareciam isolar os dois do resto do salão. Ela sabia que ele estava fora de si pelo ciúme.
Olhando nos olhos cinzentos dele, ela viu o fogo sob o gelo. E, contra toda a sua lógica e bom senso, seu coração deu um salto violento dentro do peito.