Permissão para pensar nela

1179 Words
Dominic Green Problema. Era isso que ela era. É isso que ela sempre foi, segundo o que ouvi dos boatos na agência sobre quem seria minha nova parceira. Quando Stan me contratou, eu imaginei que trabalharia sozinho, já que minha última parceria não deu muito certo. Robert e eu nos conhecemos ainda no treinamento, nos identificamos logo de cara. Ele não se importou com meu jeito reservado, e sua personalidade extrovertida era meu oposto perfeito. Éramos uma dupla com equilíbrio... Até aquele fatídico dia. Estávamos trabalhando em uma missão perigosa há meses, tínhamos tudo planejado para pegarmos o alvo no dia seguinte. Eu o deixei em sua casa e fui para a minha, mesmo ele insistindo que eu dormisse lá por conta do horário. Não prendemos ninguém no dia seguinte, Robert não acordou no dia seguinte. Ele dorme até hoje. Entraram no seu quarto no meio da madrugada e deram uma pancada muito forte na sua cabeça enquanto ele dormia. Acharam que ele tinha morrido, mas ele sofreu um traumatismo craniano e entrou em coma. Isso foi há um mês, e a todo momento eu ainda me pergunto: "E se eu tivesse ficado com ele naquela noite, será que ele estaria ao meu lado hoje?" Esse "e se" é o que me atormenta dia após dia. Foi por isso que quando Stan disse que eu teria uma parceira, e mais, que eu iria ser de certa forma responsável por ela, me surpreendi. E que baita surpresa Miranda se provou. Seu jeito tão único, peculiar e sarcástico, combinado com sua aparência avassaladora e postura determinada, me desarmaram desde o primeiro momento. Se eu fosse definir Miranda com apenas uma palavra seria: intensa. Miranda era pura energia prestes a entrar em combustão a qualquer momento. E com um chute poderoso, diga-se de passagem, quando a vi no ginásio treinando, eu soube na mesma hora que ela era uma mulher que eu não gostaria de irritar. O tempo passou, e achei que se eu conhecesse Miranda e visse que ela era uma garota normal, minha fascinação sumiria. Mas não, a cada dia eu queria mais, e inacreditavelmente nada que eu obtivesse não era o suficiente. Eu estava atraído por Miranda. Isso era fato, mas poderia ser também um segredo. Ela era minha parceira, minha experiência com Robert me mostrou que quando você se deixa envolver, corre o risco de se machucar. Eu prefiro manter as coisas o mais profissional possível. Assim seria melhor para nós dois. O único problema era que a morena parecia não pensar o mesmo que eu. Veja bem, eu não sou cego, eu vejo o jeito como ela me olha, eu consigo identificar aquele sorriso travesso que pode despedaçar o coração de alguém facilmente. Miranda também sente atração por mim. Ela me provocava sempre que tinha oportunidade e, às vezes, até mesmo sem perceber ou intencionar. Como, por exemplo, quando mencionou sua futura nudez na banheira de nossa casa. Eu já tinha sua beleza me golpeando todas as vezes que nos víamos, não precisava da imagem mental de Miranda nua na banheira, a apenas um corredor de distância de mim. Dirigir naquele momento foi uma tarefa pra lá de difícil. Assim que chegamos na agência, saí do carro sem nem olhar para trás. Mal educado? Talvez. Desesperado? Com certeza. *** - E então, como foi? - perguntou Stan quando me chamou sozinho em seu escritório. - Como o planejado. - respondi profissionalmente. - Vimos o alvo, nos aproximamos dele e da sobrinha, e fomos convidados para o aniversário do Pavlov semana que vem. Apenas teve uma pequena alteração na rotina do Victor, fora isso, correu tudo bem. Stan me encarou com um mínimo sorriso. - Eu quanto à Miranda? - Miranda. Tudo parecia se resumir a ela no fim das contas. - Miranda se comportou na medida do possível - e então eu me senti uma babá dando explicações sobre o comportamento de uma criança. O que, se pararmos para analisar, era isso que mesmo que eu estava fazendo. Stan assentiu sem mais perguntas. - Estou dispensado? - perguntei sem saber mais o que dizer. - Ah, claro - respondeu Stan rapidamente, e quando eu estava saindo da sala, ele me chamou novamente. - Agente Green - me virei. - Só tenha paciência, Miranda tem muitos defeitos, é jovem e quer abraçar o mundo, mas tem um talento extraordinário. Ela só precisa de alguém que veja isso. - Assenti. Eu sabia de tudo isso já. Como também sabia que essa rixa entre os dois era só fachada. Stan cuidava de Miranda como se fosse sua filha. - E se um dia você contar a alguém que eu disse isso sobre ela, você não terá um emprego te esperando no dia seguinte, estamos entendidos? - Perguntou já fechando a cara. Típico. - Sim, senhor - disse, dando um sorriso mínimo. Eles nunca iriam mudar. - Sendo assim, já pode ir. - E ele me dispensou com um gesto de mão. Enquanto saía do escritório de Stan, não pude deixar de relembrar suas palavras em minha mente. "Miranda tem muitos defeitos, é jovem e quer conquistar o mundo, mas possui um talento extraordinário. Ela apenas precisa de alguém que consiga enxergar isso." As palavras de Stan ecoaram em mim. Talvez houvesse mais em Miranda do que eu conseguia perceber, algo que eu ainda não compreendia completamente. Enquanto percorria os corredores movimentados da agência, eu não conseguia afastar a imagem do sorriso travesso de Miranda e de suas brincadeiras provocativas. Havia algo nela que despertava minha curiosidade e me deixava intrigado. A atração mútua entre nós era inegável, mas eu lutava para manter uma postura profissional e não me deixar envolver emocionalmente. No entanto, à medida que o tempo passava, eu começava a questionar minhas próprias convicções. Será que eu estava resistindo à possibilidade de um relacionamento com Miranda apenas por medo de me machucar novamente? O fantasma da tragédia que aconteceu com Robert ainda assombrava meus pensamentos, e eu temia que me envolver romanticamente pudesse levar a consequências semelhantes. Mas eu não podia negar... A presença de Miranda era avassaladora. Seu carisma, energia e habilidades excepcionais despertavam uma mistura de admiração e atração em mim. Eu estava diante de uma encruzilhada, dividido entre manter uma relação estritamente profissional ou arriscar-me a explorar algo mais profundo com ela. Enquanto ponderava sobre essas questões, algo me ocorreu: talvez Stan estivesse certo. Talvez Miranda precisasse de alguém que visse além de suas imperfeições, alguém que pudesse enxergar o seu verdadeiro potencial. E se eu fosse esse alguém? E se eu conseguisse desvendar os mistérios por trás da fachada intensa de Miranda e descobrir a mulher extraordinária que ela poderia se tornar? Ainda que não estivesse disposto a ceder a tentação eu poderia muito bem ser um bom parceiro e ajudar seu lado profissional. Decidi que era hora de dar uma chance a Miranda e nossa parceria e com isso descobrir o que o destino reservava para nós. *** Se está gostando da história curta o livro e deixe um comentário, ajuda muito! Obrigada!
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