Permissão para ir ás compras

1177 Words
Miranda Newman No dia seguinte a nossa reunião com Stan a equipe de preparação para o casamento falso já estava nos esperando. Eles nos apresentaram ao nosso instrutor de atuação, um renomado especialista em disfarces e comportamento humano. Durante os próximos dias fomos submetidos a um intenso treinamento. Aprendemos a construir uma história de amor convincente, repleta de detalhes sobre nosso passado, nossos gostos e até mesmo as dificuldades que enfrentamos juntos. Tivemos aulas de dança para aperfeiçoar a nossa sintonia como casal e ensaiamos incansavelmente as expressões faciais e os gestos que demonstrariam um amor genuíno. Dominic pisou várias vezes no meu pé, o cara parecia uma tábua de madeira rígida, não tinha o menor ritmo para dançar. Conforme os dias passavam, algo curioso começou a acontecer. As fronteiras entre o que era real e o que era parte do disfarce começaram a se confundir. Parecia que Domic me tolerava um pouco melhor quando não estava interpretando, uma certa camaradagem se instalou. Já era hora também, não aguentava mais aquela expressão de quem tomou chá azedo. Durante um dia de treinamento porém eu não aguentei e acabei pegando no seu pé. Dominic estava determinado a aperfeiçoar seus gestos amorosos para a nossa missão juntos. No cenário tranquilo de uma das salas de reunião da agência Dominic posicionou-se em frente a mim, segurando uma rosa vermelha em suas mãos. Ele ensaiava gestos românticos, praticando diferentes maneiras de me oferecer a flor. - Non, non, entrega suave – instruía nosso professor de atuação. Pierre era um francês bonitão na casa dos quarenta que me deixaria toda acesa se não fosse gay. Na realidade ele parecia gostar muito mais de Dominic. O que era hilário considerando o agente fechado que ele era. Concentrado, Dominic praticava sua expressão facial, tentando transmitir paixão e amor através de seus olhos. Ele fez uma pose dramática, esticando o braço com a rosa em direção ao meu peito, pronto para realizar seu gesto perfeito. Nesse momento, eu que estava observando a rosa amassar na sua mão, não consegui conter a risada ao ver Dominic se esforçando intensamente. Eu me aproximei dele, tentando segurar o riso. - O que você está fazendo, parceiro? - perguntei, segurando o riso. Dominic, um tanto surpreso por ser tirando do seu momento, olhou para mim com uma expressão zangada. - Estou tentando aperfeiçoar meus gestos amorosos para a missão. Quero que pareçam autênticos e apaixonados - respondeu ele, levantando as sobrancelhas em uma tentativa de parecer sério. Eu não consegui mais me conter e comecei a rir abertamente, segurando a barriga. Dominic olhou para mim com uma expressão de confusão. - O que há de tão engraçado? - perguntou ele indignado com o sotaque britânico soando mais forte tornando difícil entender suas palavras. Eu me recompus, ainda com um sorriso brincalhão no rosto. Pierre permanecia em silêncio ao nosso lado nos observando com olhos curiosos. - Dominic, você está exagerando! É como se você estivesse em um filme romântico r**m! Você não precisa ser tão dramático para demonstrar seu amor. Apenas seja um cara normal, pelo amor de Deus! – falei ainda rindo. Dominic fez uma pausa, olhou para a rosa em suas mãos e, finalmente, deixou escapar um suspiro frustrado. - Você está certa, Miranda. Acho que me empolguei um pouco demais. Vou deixar fluir naturalmente - concordou ele, falando formalmente como um bom britânico. Em seguida ele entregou a rosa na minha mão de uma forma muito menos engessada com uma leve carícia em meus dedos fazendo meu estômago apertar. Pierre entrou em êxtase. Nós rimos um pouco mais naquele dia e pensei que a missão não poderia ser tão r**m assim. - Vamos pombinhos, hora de escolher a coleira! - gritou Stan entrando na sala com palminhas. Pierre imadiatamente se ajeitou em sua melhor pose durona. Não era muito, mas servia ao seu propósito: impressionar Stan. - Coleira? - Perguntou Dominic confuso com seu sotaque carregado. Sua expressão era adorável. Revirei meus olhos para Stan. - É... E eu quero uma com um brilhante bem bonito já que é a agência que vai estar pagando - falei enquanto observava minhas unhas fingindo indiferença. Stan riu. - Nos seus sonhos, Newman... Nos seus sonhos - debochou - Vão logo e parem de perder tempo - apressou ele nos enxotando dali. Despedi-me de Pierre e reboquei um Dominic ainda confuso atrás de mim. Paramos no vestiário. - Apenas espere aqui que vou me trocar bem rapidinho - Avisei. Nunca que eu iria atrás da minha aliança de casamento usando calça esportiva. Peguei um vestido leve de verão que realçava minhas curvas e que sempre deixava na agência para emergências. Dominic arregalou os olhos quando me viu. É isso aí, parceiro. Sua futura esposa de mentira é uma tremenda de uma gostosa! Fomos no carro de Dominic até o centro da cidade e resisti a vontade de ir na Tiffany's. Eu sei que Stan cortaria minha cabeça se eu sequer pisasse lá. Entramos em uma loja tradicional e rapidamente fomos atendidos. - Em que posso ajudar? - Perguntou a vendedora olhando para Dominic um pouco demorado demais. - Estamos procurando alianças de casamento - falei formalmente. - Certo, já sabem que estilo querem? - perguntou ela continuando a olhar para Dominic e sorrindo amplo. Alô! Eu tô bem aqui! Que garota m*l educada. - Eu não sei baby... - Me esfrego em Dominic que fica rígido - O que você pensou para colocar nesse belo dedo? - Pergunto estendendo minha mão na sua cara e dando um leve beijo na sua bochecha. Dominic fica vermelho igual um pimentão. A vendedora parece sem graça. Finalmente se tocou. - Só um instantinho para eu conversar com a minha noiva - Ele pede me arrastando dali. Quando estamos do lado de fora da loja Dominic se afasta puxando a ponta do nariz. É um gesto que notei que ele faz quando está nervoso. Incrivelmente acontece muito quando eu estou por perto. - Explique-se... O que diabos foi isso? - Ele pergunta. - Eu não sei do que você está falando... - desconverso inocente. Dominic revira os olhos. - Agente Newman... - Arqueio minha sobrancelha... Quando voltei a ser agente Newman? - Miranda - ele corrige - O que foi isso, parceira? - ele zomba. - Uma amostra. Olha isso pode até não ser real, mas é o que vai acontecer quando qualquer mulher der em cima de você na maior cara de p*u. Não tô me casando para receber fama de chifruda ainda que seja um chifre falso - Dominic parece exasperado. Sem me responder ele entra de novo na loja e eu sigo atrás. Quando paramos na frente da vendedora ele me dá um semi abraço e acaricia minha cintura. Sorrio satisfeita. - Quero um par de alianças tradicionais, nada muito espalhafatoso e com um corte elegante - ele fala sucinto. A vendedora assente obedientemente e vai buscar alguns modelos. - Olha só, alguém sabe o que quer... - admiro. Dominic me encara com olhos escuros. - Você não faz ideia.
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