Permissão para casar

903 Words
Miranda Newman Quando o dia do casamento chegou eu me perguntava se as emoções que estávamos vivendo eram apenas parte da encenação ou se havia algo mais profundo acontecendo. A conexão que desenvolvemos era real? Seria possível que, no meio dessa farsa, nós dois tivéssemos encontrado uma verdadeira parceria? Eu estava sentada em frente ao espelho, com uma pilha de maquiagem e produtos de beleza espalhados diante de mim. Me sentia nervosa e ansiosa, mas também animada pela perspectiva de me redimir nessa missão. Eu me olho no espelho, ajustando um cacho de cabelo que cai no meu rosto. Pergunto-me se Dominic está se preparando também, e se ele está tão nervoso quanto eu. Ouço uma batida na porta e, sem esperar por uma resposta, Dominic entra no quarto. Ele está vestindo um terno preto elegante e parece mais bonito do que nunca. - Você está linda - ele diz, sorrindo. Sorrio. - Oh meu Deus, Dominic Green está me elogiando? Alguém chame as autoridades o apocalipse está próximo! – debochei com mão no peito em um gesto dramático. Dominic revirou os olhos para minha performance. - Obrigada, parceiro – agradeci sincera um momento depois - Você também não tá de se jogar fora – elogiei lhe lançando um olhar lascivo de propósito. Dominic fez uma careta. Eu adorava irritar meu parceiro. Dominic se aproximou e ajustou a mesma mecha de cabelo teimosa que caiu de novo no meu rosto. - Você está pronta para isso? - ele pergunta, com um olhar de preocupação em seu rosto. Engoli em seco, sentindo um nó em sua garganta com sua proximidade. - Eu acho que sim – eu respondi, um pouco hesitante - É só que...é tudo tão estranho e minha carreira depende dessa missão - Dominic colocou as mãos em meus ombros, olhando-me nos olhos. - Eu sei - ele diz, com um toque de... Carinho? - Vai dar tudo certo, vamos fazer isso da melhor maneira possível – ele finalizou me tranquilizando. Acenei com a cabeça em concordância, sentindo-me mais calma com as palavras de Dominic. Eu sorri para ele, agradecida por ter alguém com quem possa contar em meio a toda a confusão. - Vamos lá – eu falo pegando minha arma e prendendo no coldre acoplado em minha coxa. Domic desvia o olhar e eu reviro o meu. Tão certinho... - Vamos fazer isso – ele responde me seguindo. O salão estava decorado com flores brancas e douradas, com um arco de flores na entrada para a cerimônia. Eu estava vestida com um vestido branco esvoaçante, com meu cabelo solto em ondas. Nós estávamos de pé lado a lado, olhando para frente, enquanto o juiz de paz começava a cerimônia. Eu olhei de soslaio para Dominic e sorri, mas ele permaneceu com uma expressão fechada. Eu tentei puxar conversa, mas ele apenas respondeu com monossílabos. Que belo marido foram me arrumar. Estava começando a me sentir frustrada com a falta de resposta de Dominic, então eu decidi provocá-lo um pouco. - Você sabe, Dominic, esse terno está te deixando ainda mais carrancudo do que o normal - falei com um sorriso travesso. Dominic me olha, franzindo a testa. - Eu prefiro ser carrancudo a parecer uma palhaça como você - respondeu ele com sarcasmo. Eu ri do seu mau humor. - Vamos parceiro, não é todo dia que alguém se casa comigo, você deveria se sentir o homem mais sortudo do planeta! - - Ah é, grande sorte a minha... Estar preso com você - ele debochou. Nós até poderíamos precisar manter as aparências durante a missão, mas as vezes eu gostava da nossa pequena guerra de vontades. Enquanto o juiz de paz fazia a leitura dos votos, Dominic e eu trocamos olhares rápidos, sorrindo um para o outro. Embora a situação fosse um pouco incomum, eu estava me divertindo com o papel de casal recém-casado. - Eu vos declaro marido e mulher... Pode beijar a noiva - finalizou o juiz. Dominic me olhou por um momento antes de juntar seus lábios nos meus. Foi um beijo rápido e sem graça. Eu esperava poder tirar uma casquinha mas infelizmente isso não aconteceu. Ouvi os convidados que eram em sua maioria funcionários da agência aplaudirem e os cliques da câmera do fotógrafo contratado. Dominic e eu mantivemos nossas mãos juntas enquanto caminhávamos pelo corredor, recebendo cumprimentos de amigos e familiares fictícios. Enquanto o jantar estava sendo servido nós nos sentamos juntos na mesa de honra. Eu olhou de soslaio para Dominic, mordendo o lábio inferior, esperando que ele começasse a conversar. Mas, novamente, ele parecia distante, focado em sua missão. - Você sabe, Dominic, essa missão é muito importante. Mas, se pudéssemos, poderíamos ao menos fingir que estamos nos divertindo um pouco? É o nosso casamento, haverão fotos depois, seria incrível se meu noivo não saísse com cara de que alguém cuspiu na sua comida - pedi em um tom de voz baixo apontando para o fotógrafo. Dominic me olhou, parecendo considerar suas palavras. - Talvez possamos encontrar um tempo para nos divertir um pouco mais tarde - cedeu com um meio sorriso. Eu sorri de volta, sabendo que havia conquistado uma pequena vitória. Eu tinha esperança de que, no final da missão, talvez Dominic se abrisse um pouco mais e pudesse relaxar comigo. A música começou a tocar e Dominic me pediu para dançar. Agora sim, vamos aproveitar nosso casamento falso.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD