Capitulo 1
Estou aprisionada há 2556.75 dias.
Não me resta nada além de um pequeno caderno e um lápis curto que me fazem companhia. O espaço é pequeno, nada mais que 12 metros quadrados. Há coisas em minha cabeça, como letras, números e imagens, essas as quais eu vi desde a última consulta.
Eles vem todo dia de manhã, me entregam comida pela portinhola da porta. É um método para não entrarem em contato comigo. Não sei o que sou e, o que tenho, mas deve ser algo importante para todo o caos que faziam.
Eu escutava os gritos pelos corredores, sabia que não estava sozinha, não se importavam com o que eu escutava, eram informações inúteis e não era como se uma criança como eu pudesse fazer algo contra.
Um toque ecoou pelo quarto, e a portinhola se abriu, era hora da comida. Me levantei da cama de ferro e me abaixei para segurar a bandeja. Suspirou a colocando na mesa, como sempre fazia, não estava com fome.
Pressiono a palma contra a porta de ferro e sinto o frio agarrar minha mão com um toque familiar. Os passos se distanciaram, sentiu sua primeira oportunidade do dia indo embora.
Pego meu caderno quase inutilizável, com as pouquíssimas páginas para que pudesse fazer alguma coisa, e o observo. Mudo de idéia rapidamente. Abandono o esforço necessário para pensar em algo apenas para desenhar e me sento-me nas molas cobertas por tecido branco em que sou forçada a dormir. Espero. Penso em como eu vivia antes de vir para aqui. Não há lembranças, não conseguia lembrar de algo, nada. Espero tempo demais e finalmente caio no sono.
Os tremores no quarto balançam a cama, jogam meu corpo no chão enquanto gemo de dor pelo impacto. Não era assim que eu planejava passar a tarde de mais um dia entediante. Bato na porta de ferro com força pedindo ajuda para entender o que estava acontecendo.
Burra, como eu pude pensar que alguém iria me escutar diante de todo esse tempo?
O silêncio reside no meu quarto, minhas costas doem enquanto lentamente escorregam pela porta. Meus olhos estão semifechados, e minhas mãos protegendo minhas pernas agachadas.
A tranca do lado de fora destrava, meus olhos se abrem pelo susto por alguém ter vindo me tirar desse local. Me afasto em busca de alguma ajuda caso me ataquem, enquanto ando recuo. A porta se abre em um baque, a visão que tenho é de um cientista com seu janelo. Sua feição é desesperada, sua respiração está desregulada provavelmente pela pressa.
— Venha! — chamou-me com as mãos, com receio se aproximou de mim enquanto eu me afastava mais dele. — Pegue suas coisas, tem uma saída, venha rápido!
Os corredores eram extensos e estavam mais sombrios, o sangue nas paredes exalava terror, se sentiu covarde por ter medo daquele lugar.
Parou de andar, se virando em direção ao cientista, se arrependeu de olhá-lo, com um taco de beisebol na mão se apresou em usá-lo para desmaiar na criança. Sentiu sua cabeça girando, enquanto o olhava com desprezo, não deveria ter confiado em qualquer um..:
Meus olhos se abrem, minha cabeça dói assim como meu corpo. Percebo o céu azul pontilhado no horizonte, levando meu ar juntamente com minhas forças. As folhas secas fizeram cócegas no meu corpo, me sobre saltando. Dois pares de olhos me encaram, minhas órbitas viraram com esforço finalmente percebendo que era uma garota. Esta não é uma garota comum, mas sim a garota. A mesma garota que eu via no véu, a mesma garota que desenhava. Segurando meu caderno, enquanto sua expressão mudava.
Tentei tirá-lo de suas mãos, mas sou jogada com força em uma árvore batendo minhas costas. Gemo de dor, fechando os olhos no processo. Franzo as sombracelhas quando meu caderno é jogado para mim e ela adentra na floresta. Na qual estávamos.
Me pergunto se deveria a seguir, ou traçar meu próprio caminho e a deixar. Não iria ser fácil para mim, não lembro a última vez que tentei usar meus poderes, apenas quando entrei no tanque — por ter sido um caos. Esquecer daquele dia era quase uma missão impossível, já que o mesmo terminou em soldados me vigiando 24 horas.
Passando por cima do medo e do orgulho me levando correndo para conseguir a alcançar no meio de todas aquelas árvores. Sollaria estava um pouco tonta e não tinha nada a perder.
As vezes me pego questionando de como é a vida dos civis, os quais tem uma vida comum, onde vão a escolas, obtém o máximo de conhecimento necessário para conviverem em um sociedade unida, e depois arranjarem um emprego fútil para morrer, as pessoas chorariam em seu funeral, que provavelmente foram pagas para estarem ali sobre o seu túmulo. Essa era a vida de qualquer morador comum em Hawkins. Como os da lanchonete, a qual estavamos prestes a roubar. E sim, pensava isso para não me sentir culpada depois que já estivesse longe o suficiente daquele lugar.
O cheiro de batata frita estava muito apetitoso, e me fazia querer come-lo. Engatinhando sob o chão sem ninguém me observar, olhei para trás vendo a garota seguir meu exemplo. Com as mãozinhas pequenas ela pegou a porção de batatas fritas em cima da mesa, o colocou no chão começando a comer, peguei um o observando, não sentia fome, mas infelizmente era o único método de continuar sobrevivendo. Um grito cortante ecoou atraindo nosso olhar. O homem correndo na nossa direção me assustou, me levantei às pressas fazendo o mesmo, mas dessa vez para fora da lanchonete.
Com o balde de batatas a garota também começou a correr, vendo que ela não conseguiria chegar lá fora à tempo voltou pegando em sua mão. Sendo pega de surpresa o homem puxou a menina, disposta a defender a mesma empurrou-a para trás se colocando em sua frente.
─ Acham que vão me roubar criancinhas?! ─ falou ele puxando Sollaria e olhando para ambas, quando finalmente percebeu a presença de duas garotas soltou ela confuso. ─ Que diabos?
O homem havia nós recebido bem, tinha começado a fritar hambúrgueres enquanto ficávamos ouvindo uma música chata, na minha opinião.
Quando acabou colocou eles em duas cestas e na nossa frente. Eleven pegou-o e começou a comer, fiquei apreensiva, podia ter algum veneno ou drogas, sabe-se lá o que ele colocou.
Ficou encarando Eleven comer e de vez em quando me olhava.
─ Nossa... Seus pais não te dão comida não? ─ Perguntou a Eleven.
Que pais? Pensei confusa.
─ Foi por isso que fugiram? ─ Ele fez de novo outra pergunta.
Onze apenas continuou comendo e eu o olhando com cara de tacho.
─ Eles... Machucaram vocês? Foram pro hospital, se assustaram, saíram correndo e acabaram vindo para cá? ─ Ele continuou. ─ Oh...
Tomou o sanduíche da mão da garota ao meu lado, fazendo eu ficar em alerta.
─ Eu vou devolver, aí vocês podem comer o quanto quiserem, podem tomar até um sorvete, mas vão ter que responderem perguntas primeiro, combinado? ─ Falou ele. ─ Legal nós vamos começar pela parte fácil.
Estendeu as mãos em direção a cada uma.
─ É... Meu nome é Hammond, Benny Hammond. ─ Ele segurou as mãos.
Apertei a mão dele forte, o que rendeu uma careta vindo dele.
─ Calma, tudo bem, calma. ─ Balançou elas em sintonia. ─ É um prazer conhecer vocês, e o nome das duas é?
O homem respirou fundo, sem querer virando o braço de Eleven, mostrando a tatuagem 011, ela se esquivou assim como eu.
─ É onze? ─ Perguntou. ─ O que significa? Significa o que?
─ Não.
─ Ah olha só, ela fala, a outra garotinha também fala?
─ Não te interessa. ─ Tentou ser educada.
─ É, então vão ficar sem comida. ─ Falou pegando as cestas.
─ Onze e Doze. ─ A garota disse fazendo Benny virar para nós.
─ É, e significa o que?
Ela apenas apontou para o seu pescoço e sibilou um “Onze” e depois apontou para mim e falou “Doze”.
─ Ta certo, come aí. ─ Colocou os sanduíches na mesa. ─ Se não comer pode ficar fraca.
Levantou e se dirigiu a cozinha, falar em um telefone algo que não conseguia ouvir.
Eleven me encorajou a comer dizendo que não tinha nada no hambúrguer.
O ventilador quebrado fazia ruídos estranhos. Onze o segurou com a mente fazendo-o parar, e voltou a comer como se nada tivesse acontecido.
Enquanto ele lavava as cestas, eu e El comíamos sorvete sentadas em cima de uma mesa.
─ Adoraram esse sorvete né? ─ Perguntou com a mão na cintura.
El sorriu.
─ Você fica linda sorrindo. ─ Disse para Onze. ─ Sorrindo, hum.
Batidas na porta atraem meu olhar.
─ Ok, fiquem sentadinhas aqui, seja quem for eu vou mandar embora. ─ Disse ele indo atender a porta.
“Calma, calma” falou da sala. Olhávamos para a porta, era uma mulher, ele a chamou para entrar. Um tiro. Um barulho de tiro ecoou e Benny foi ao chão.
Puxei Eleven da mesa, e saímos correndo, ele estava morto, a moça havia o matado. Corremos entre prateleiras, um moço com uma arma entra na nossa frente. Pego uma lata de comida enlatada e jogo na cabeça deles, com a força da mente, On joga as prateleiras neles.
Entramos no mato, correr, andar, respirar fundo. Estávamos muito a fundo na floresta, a chuva encharcou nossas roupas, passos e vozes ficavam mais próximas da gente.
Lanternas apontadas para nós, apertei a mão dela mais forte. Quem eram os garotos a nossa frente?.:
Meus olhos se abrem, minha cabeça dói assim como meu corpo. Percebo o céu azul pontilhado no horizonte, levando meu ar juntamente com minhas forças. As folhas secas fizeram cócegas no meu corpo, me sobre saltando. Dois pares de olhos me encaram, minhas órbitas viraram com esforço finalmente percebendo que era uma garota. Esta não é uma garota comum, mas sim a garota. A mesma garota que eu via no véu, a mesma garota que desenhava. Segurando meu caderno, enquanto sua expressão mudava.
Tentei tirá-lo de suas mãos, mas sou jogada com força em uma árvore batendo minhas costas. Gemo de dor, fechando os olhos no processo. Franzo as sombracelhas quando meu caderno é jogado para mim e ela adentra na floresta. Na qual estávamos.
Me pergunto se deveria a seguir, ou traçar meu próprio caminho e a deixar. Não iria ser fácil para mim, não lembro a última vez que tentei usar meus poderes, apenas quando entrei no tanque — por ter sido um caos. Esquecer daquele dia era quase uma missão impossível, já que o mesmo terminou em soldados me vigiando 24 horas.
Passando por cima do medo e do orgulho me levando correndo para conseguir a alcançar no meio de todas aquelas árvores. Sollaria estava um pouco tonta e não tinha nada a perder.
As vezes me pego questionando de como é a vida dos civis, os quais tem uma vida comum, onde vão a escolas, obtém o máximo de conhecimento necessário para conviverem em um sociedade unida, e depois arranjarem um emprego fútil para morrer, as pessoas chorariam em seu funeral, que provavelmente foram pagas para estarem ali sobre o seu túmulo. Essa era a vida de qualquer morador comum em Hawkins. Como os da lanchonete, a qual estavamos prestes a roubar. E sim, pensava isso para não me sentir culpada depois que já estivesse longe o suficiente daquele lugar.
O cheiro de batata frita estava muito apetitoso, e me fazia querer come-lo. Engatinhando sob o chão sem ninguém me observar, olhei para trás vendo a garota seguir meu exemplo. Com as mãozinhas pequenas ela pegou a porção de batatas fritas em cima da mesa, o colocou no chão começando a comer, peguei um o observando, não sentia fome, mas infelizmente era o único método de continuar sobrevivendo. Um grito cortante ecoou atraindo nosso olhar. O homem correndo na nossa direção me assustou, me levantei às pressas fazendo o mesmo, mas dessa vez para fora da lanchonete.
Com o balde de batatas a garota também começou a correr, vendo que ela não conseguiria chegar lá fora à tempo voltou pegando em sua mão. Sendo pega de surpresa o homem puxou a menina, disposta a defender a mesma empurrou-a para trás se colocando em sua frente.
─ Acham que vão me roubar criancinhas?! ─ falou ele puxando Sollaria e olhando para ambas, quando finalmente percebeu a presença de duas garotas soltou ela confuso. ─ Que diabos?
O homem havia nós recebido bem, tinha começado a fritar hambúrgueres enquanto ficávamos ouvindo uma música chata, na minha opinião.
Quando acabou colocou eles em duas cestas e na nossa frente. Eleven pegou-o e começou a comer, fiquei apreensiva, podia ter algum veneno ou drogas, sabe-se lá o que ele colocou.
Ficou encarando Eleven comer e de vez em quando me olhava.
─ Nossa... Seus pais não te dão comida não? ─ Perguntou a Eleven.
Que pais? Pensei confusa.
─ Foi por isso que fugiram? ─ Ele fez de novo outra pergunta.
Onze apenas continuou comendo e eu o olhando com cara de tacho.
─ Eles... Machucaram vocês? Foram pro hospital, se assustaram, saíram correndo e acabaram vindo para cá? ─ Ele continuou. ─ Oh...
Tomou o sanduíche da mão da garota ao meu lado, fazendo eu ficar em alerta.
─ Eu vou devolver, aí vocês podem comer o quanto quiserem, podem tomar até um sorvete, mas vão ter que responderem perguntas primeiro, combinado? ─ Falou ele. ─ Legal nós vamos começar pela parte fácil.
Estendeu as mãos em direção a cada uma.
─ É... Meu nome é Hammond, Benny Hammond. ─ Ele segurou as mãos.
Apertei a mão dele forte, o que rendeu uma careta vindo dele.
─ Calma, tudo bem, calma. ─ Balançou elas em sintonia. ─ É um prazer conhecer vocês, e o nome das duas é?
O homem respirou fundo, sem querer virando o braço de Eleven, mostrando a tatuagem 011, ela se esquivou assim como eu.
─ É onze? ─ Perguntou. ─ O que significa? Significa o que?
─ Não.
─ Ah olha só, ela fala, a outra garotinha também fala?
─ Não te interessa. ─ Tentou ser educada.
─ É, então vão ficar sem comida. ─ Falou pegando as cestas.
─ Onze e Doze. ─ A garota disse fazendo Benny virar para nós.
─ É, e significa o que?
Ela apenas apontou para o seu pescoço e sibilou um “Onze” e depois apontou para mim e falou “Doze”.
─ Ta certo, come aí. ─ Colocou os sanduíches na mesa. ─ Se não comer pode ficar fraca.
Levantou e se dirigiu a cozinha, falar em um telefone algo que não conseguia ouvir.
Eleven me encorajou a comer dizendo que não tinha nada no hambúrguer.
O ventilador quebrado fazia ruídos estranhos. Onze o segurou com a mente fazendo-o parar, e voltou a comer como se nada tivesse acontecido.
Enquanto ele lavava as cestas, eu e El comíamos sorvete sentadas em cima de uma mesa.
─ Adoraram esse sorvete né? ─ Perguntou com a mão na cintura.
El sorriu.
─ Você fica linda sorrindo. ─ Disse para Onze. ─ Sorrindo, hum.
Batidas na porta atraem meu olhar.
─ Ok, fiquem sentadinhas aqui, seja quem for eu vou mandar embora. ─ Disse ele indo atender a porta.
“Calma, calma” falou da sala. Olhávamos para a porta, era uma mulher, ele a chamou para entrar. Um tiro. Um barulho de tiro ecoou e Benny foi ao chão.
Puxei Eleven da mesa, e saímos correndo, ele estava morto, a moça havia o matado. Corremos entre prateleiras, um moço com uma arma entra na nossa frente. Pego uma lata de comida enlatada e jogo na cabeça deles, com a força da mente, On joga as prateleiras neles.
Entramos no mato, correr, andar, respirar fundo. Estávamos muito a fundo na floresta, a chuva encharcou nossas roupas, passos e vozes ficavam mais próximas da gente.
Lanternas apontadas para nós, apertei a mão dela mais forte. Quem eram os garotos a nossa frente?Capitulo 1
Estou aprisionada há 2556.75 dias.
Não me resta nada além de um pequeno caderno e um lápis curto que me fazem companhia. O espaço é pequeno, nada mais que 12 metros quadrados. Há coisas em minha cabeça, como letras, números e imagens, essas as quais eu vi desde a última consulta.
Eles vem todo dia de manhã, me entregam comida pela portinhola da porta. É um método para não entrarem em contato comigo. Não sei o que sou e, o que tenho, mas deve ser algo importante para todo o caos que faziam.
Eu escutava os gritos pelos corredores, sabia que não estava sozinha, não se importavam com o que eu escutava, eram informações inúteis e não era como se uma criança como eu pudesse fazer algo contra.
Um toque ecoou pelo quarto, e a portinhola se abriu, era hora da comida. Me levantei da cama de ferro e me abaixei para segurar a bandeja. Suspirou a colocando na mesa, como sempre fazia, não estava com fome.
Pressiono a palma contra a porta de ferro e sinto o frio agarrar minha mão com um toque familiar. Os passos se distanciaram, sentiu sua primeira oportunidade do dia indo embora.
Pego meu caderno quase inutilizável, com as pouquíssimas páginas para que pudesse fazer alguma coisa, e o observo. Mudo de idéia rapidamente. Abandono o esforço necessário para pensar em algo apenas para desenhar e me sento-me nas molas cobertas por tecido branco em que sou forçada a dormir. Espero. Penso em como eu vivia antes de vir para aqui. Não há lembranças, não conseguia lembrar de algo, nada. Espero tempo demais e finalmente caio no sono.
Os tremores no quarto balançam a cama, jogam meu corpo no chão enquanto gemo de dor pelo impacto. Não era assim que eu planejava passar a tarde de mais um dia entediante. Bato na porta de ferro com força pedindo ajuda para entender o que estava acontecendo.
Burra, como eu pude pensar que alguém iria me escutar diante de todo esse tempo?
O silêncio reside no meu quarto, minhas costas doem enquanto lentamente escorregam pela porta. Meus olhos estão semifechados, e minhas mãos protegendo minhas pernas agachadas.
A tranca do lado de fora destrava, meus olhos se abrem pelo susto por alguém ter vindo me tirar desse local. Me afasto em busca de alguma ajuda caso me ataquem, enquanto ando recuo. A porta se abre em um baque, a visão que tenho é de um cientista com seu janelo. Sua feição é desesperada, sua respiração está desregulada provavelmente pela pressa.
— Venha! — chamou-me com as mãos, com receio se aproximou de mim enquanto eu me afastava mais dele. — Pegue suas coisas, tem uma saída, venha rápido!
Os corredores eram extensos e estavam mais sombrios, o sangue nas paredes exalava terror, se sentiu covarde por ter medo daquele lugar.
Parou de andar, se virando em direção ao cientista, se arrependeu de olhá-lo, com um taco de beisebol na mão se apresou em usá-lo para desmaiar na criança. Sentiu sua cabeça girando, enquanto o olhava com desprezo, não deveria ter confiado em qualquer um..:
Meus olhos se abrem, minha cabeça dói assim como meu corpo. Percebo o céu azul pontilhado no horizonte, levando meu ar juntamente com minhas forças. As folhas secas fizeram cócegas no meu corpo, me sobre saltando. Dois pares de olhos me encaram, minhas órbitas viraram com esforço finalmente percebendo que era uma garota. Esta não é uma garota comum, mas sim a garota. A mesma garota que eu via no véu, a mesma garota que desenhava. Segurando meu caderno, enquanto sua expressão mudava.
Tentei tirá-lo de suas mãos, mas sou jogada com força em uma árvore batendo minhas costas. Gemo de dor, fechando os olhos no processo. Franzo as sombracelhas quando meu caderno é jogado para mim e ela adentra na floresta. Na qual estávamos.
Me pergunto se deveria a seguir, ou traçar meu próprio caminho e a deixar. Não iria ser fácil para mim, não lembro a última vez que tentei usar meus poderes, apenas quando entrei no tanque — por ter sido um caos. Esquecer daquele dia era quase uma missão impossível, já que o mesmo terminou em soldados me vigiando 24 horas.
Passando por cima do medo e do orgulho me levando correndo para conseguir a alcançar no meio de todas aquelas árvores. Sollaria estava um pouco tonta e não tinha nada a perder.
As vezes me pego questionando de como é a vida dos civis, os quais tem uma vida comum, onde vão a escolas, obtém o máximo de conhecimento necessário para conviverem em um sociedade unida, e depois arranjarem um emprego fútil para morrer, as pessoas chorariam em seu funeral, que provavelmente foram pagas para estarem ali sobre o seu túmulo. Essa era a vida de qualquer morador comum em Hawkins. Como os da lanchonete, a qual estavamos prestes a roubar. E sim, pensava isso para não me sentir culpada depois que já estivesse longe o suficiente daquele lugar.
O cheiro de batata frita estava muito apetitoso, e me fazia querer come-lo. Engatinhando sob o chão sem ninguém me observar, olhei para trás vendo a garota seguir meu exemplo. Com as mãozinhas pequenas ela pegou a porção de batatas fritas em cima da mesa, o colocou no chão começando a comer, peguei um o observando, não sentia fome, mas infelizmente era o único método de continuar sobrevivendo. Um grito cortante ecoou atraindo nosso olhar. O homem correndo na nossa direção me assustou, me levantei às pressas fazendo o mesmo, mas dessa vez para fora da lanchonete.
Com o balde de batatas a garota também começou a correr, vendo que ela não conseguiria chegar lá fora à tempo voltou pegando em sua mão. Sendo pega de surpresa o homem puxou a menina, disposta a defender a mesma empurrou-a para trás se colocando em sua frente.
─ Acham que vão me roubar criancinhas?! ─ falou ele puxando Sollaria e olhando para ambas, quando finalmente percebeu a presença de duas garotas soltou ela confuso. ─ Que diabos?
O homem havia nós recebido bem, tinha começado a fritar hambúrgueres enquanto ficávamos ouvindo uma música chata, na minha opinião.
Quando acabou colocou eles em duas cestas e na nossa frente. Eleven pegou-o e começou a comer, fiquei apreensiva, podia ter algum veneno ou drogas, sabe-se lá o que ele colocou.
Ficou encarando Eleven comer e de vez em quando me olhava.
─ Nossa... Seus pais não te dão comida não? ─ Perguntou a Eleven.
Que pais? Pensei confusa.
─ Foi por isso que fugiram? ─ Ele fez de novo outra pergunta.
Onze apenas continuou comendo e eu o olhando com cara de tacho.
─ Eles... Machucaram vocês? Foram pro hospital, se assustaram, saíram correndo e acabaram vindo para cá? ─ Ele continuou. ─ Oh...
Tomou o sanduíche da mão da garota ao meu lado, fazendo eu ficar em alerta.
─ Eu vou devolver, aí vocês podem comer o quanto quiserem, podem tomar até um sorvete, mas vão ter que responderem perguntas primeiro, combinado? ─ Falou ele. ─ Legal nós vamos começar pela parte fácil.
Estendeu as mãos em direção a cada uma.
─ É... Meu nome é Hammond, Benny Hammond. ─ Ele segurou as mãos.
Apertei a mão dele forte, o que rendeu uma careta vindo dele.
─ Calma, tudo bem, calma. ─ Balançou elas em sintonia. ─ É um prazer conhecer vocês, e o nome das duas é?
O homem respirou fundo, sem querer virando o braço de Eleven, mostrando a tatuagem 011, ela se esquivou assim como eu.
─ É onze? ─ Perguntou. ─ O que significa? Significa o que?
─ Não.
─ Ah olha só, ela fala, a outra garotinha também fala?
─ Não te interessa. ─ Tentou ser educada.
─ É, então vão ficar sem comida. ─ Falou pegando as cestas.
─ Onze e Doze. ─ A garota disse fazendo Benny virar para nós.
─ É, e significa o que?
Ela apenas apontou para o seu pescoço e sibilou um “Onze” e depois apontou para mim e falou “Doze”.
─ Ta certo, come aí. ─ Colocou os sanduíches na mesa. ─ Se não comer pode ficar fraca.
Levantou e se dirigiu a cozinha, falar em um telefone algo que não conseguia ouvir.
Eleven me encorajou a comer dizendo que não tinha nada no hambúrguer.
O ventilador quebrado fazia ruídos estranhos. Onze o segurou com a mente fazendo-o parar, e voltou a comer como se nada tivesse acontecido.
Enquanto ele lavava as cestas, eu e El comíamos sorvete sentadas em cima de uma mesa.
─ Adoraram esse sorvete né? ─ Perguntou com a mão na cintura.
El sorriu.
─ Você fica linda sorrindo. ─ Disse para Onze. ─ Sorrindo, hum.
Batidas na porta atraem meu olhar.
─ Ok, fiquem sentadinhas aqui, seja quem for eu vou mandar embora. ─ Disse ele indo atender a porta.
“Calma, calma” falou da sala. Olhávamos para a porta, era uma mulher, ele a chamou para entrar. Um tiro. Um barulho de tiro ecoou e Benny foi ao chão.
Puxei Eleven da mesa, e saímos correndo, ele estava morto, a moça havia o matado. Corremos entre prateleiras, um moço com uma arma entra na nossa frente. Pego uma lata de comida enlatada e jogo na cabeça deles, com a força da mente, On joga as prateleiras neles.
Entramos no mato, correr, andar, respirar fundo. Estávamos muito a fundo na floresta, a chuva encharcou nossas roupas, passos e vozes ficavam mais próximas da gente.
Lanternas apontadas para nós, apertei a mão dela mais forte. Quem eram os garotos a nossa frente?Capitulo 1
Estou aprisionada há 2556.75 dias.
Não me resta nada além de um pequeno caderno e um lápis curto que me fazem companhia. O espaço é pequeno, nada mais que 12 metros quadrados. Há coisas em minha cabeça, como letras, números e imagens, essas as quais eu vi desde a última consulta.
Eles vem todo dia de manhã, me entregam comida pela portinhola da porta. É um método para não entrarem em contato comigo. Não sei o que sou e, o que tenho, mas deve ser algo importante para todo o caos que faziam.
Eu escutava os gritos pelos corredores, sabia que não estava sozinha, não se importavam com o que eu escutava, eram informações inúteis e não era como se uma criança como eu pudesse fazer algo contra.
Um toque ecoou pelo quarto, e a portinhola se abriu, era hora da comida. Me levantei da cama de ferro e me abaixei para segurar a bandeja. Suspirou a colocando na mesa, como sempre fazia, não estava com fome.
Pressiono a palma contra a porta de ferro e sinto o frio agarrar minha mão com um toque familiar. Os passos se distanciaram, sentiu sua primeira oportunidade do dia indo embora.
Pego meu caderno quase inutilizável, com as pouquíssimas páginas para que pudesse fazer alguma coisa, e o observo. Mudo de idéia rapidamente. Abandono o esforço necessário para pensar em algo apenas para desenhar e me sento-me nas molas cobertas por tecido branco em que sou forçada a dormir. Espero. Penso em como eu vivia antes de vir para aqui. Não há lembranças, não conseguia lembrar de algo, nada. Espero tempo demais e finalmente caio no sono.
Os tremores no quarto balançam a cama, jogam meu corpo no chão enquanto gemo de dor pelo impacto. Não era assim que eu planejava passar a tarde de mais um dia entediante. Bato na porta de ferro com força pedindo ajuda para entender o que estava acontecendo.
Burra, como eu pude pensar que alguém iria me escutar diante de todo esse tempo?
O silêncio reside no meu quarto, minhas costas doem enquanto lentamente escorregam pela porta. Meus olhos estão semifechados, e minhas mãos protegendo minhas pernas agachadas.
A tranca do lado de fora destrava, meus olhos se abrem pelo susto por alguém ter vindo me tirar desse local. Me afasto em busca de alguma ajuda caso me ataquem, enquanto ando recuo. A porta se abre em um baque, a visão que tenho é de um cientista com seu janelo. Sua feição é desesperada, sua respiração está desregulada provavelmente pela pressa.
— Venha! — chamou-me com as mãos, com receio se aproximou de mim enquanto eu me afastava mais dele. — Pegue suas coisas, tem uma saída, venha rápido!
Os corredores eram extensos e estavam mais sombrios, o sangue nas paredes exalava terror, se sentiu covarde por ter medo daquele lugar.
Parou de andar, se virando em direção ao cientista, se arrependeu de olhá-lo, com um taco de beisebol na mão se apresou em usá-lo para desmaiar na criança. Sentiu sua cabeça girando, enquanto o olhava com desprezo, não deveria ter confiado em qualquer um.Capitulo 1
Estou aprisionada há 2556.75 dias.
Não me resta nada além de um pequeno caderno e um lápis curto que me fazem companhia. O espaço é pequeno, nada mais que 12 metros quadrados. Há coisas em minha cabeça, como letras, números e imagens, essas as quais eu vi desde a última consulta.
Eles vem todo dia de manhã, me entregam comida pela portinhola da porta. É um método para não entrarem em contato comigo. Não sei o que sou e, o que tenho, mas deve ser algo importante para todo o caos que faziam.
Eu escutava os gritos pelos corredores, sabia que não estava sozinha, não se importavam com o que eu escutava, eram informações inúteis e não era como se uma criança como eu pudesse fazer algo contra.
Um toque ecoou pelo quarto, e a portinhola se abriu, era hora da comida. Me levantei da cama de ferro e me abaixei para segurar a bandeja. Um toque ecoou pelo quarto, e a portinhola se abriu, era hora da comida. Me levantei da cama de ferro e me abaixei para segurar a bandeja. um pouco de medo.