02

4781 Words
Quando começamos a nos despedir de todos, se passam de quatro da madrugada. Não posso calcular quantos abraços e beijos recebi após sair do quarto. Kloe e Miller não se importaram em esconder a preocupação e a felicidade em me ter novamente. Uma breve despedida para cada um dos amigos e familiares antecipa a entrada deles no elevador. -"Me ligue se precisar de algo" Kloe diz enquanto segura minhas mãos. Vejo em seus olhos o quão duro é para ela toda esta situação. -"eu irei, heroína" brinco. E com um sorriso de canto, ela adentra o elevador. Glenda caminha em nossa direção, também pronta para se despedir e partir para sua casa. Imagino que ela estava esgotada. -"Christopher, Vic" ela sorri para ambos. Christopher está atrás de mim, com uma mão em minha cintura e a outra no próprio bolso da calça. Não vejo, mas deduzo que ele sorri de volta para Glenda. -"cuide dela, querido" ela pede. -"sem sombra de dúvidas" Glenda foi cuidadosa e atenciosa, assim como Carrick. Kloe me fez milhares de perguntas, mas Elliot à interferiu, dizendo que não era o momento. Vovó e vovô Trevelyan mostraram amor por mim, foi bom ver como essa família me acolhe, como se compensasse a falta que meus pais me fazem. Quando todos estão devidamente posicionados no elevador, as portas começam a fechar. Alguns acenam um "adeus" com as mãos, e eu faço o mesmo para acompanhar. -"Que dia…" Christopher suspira. Eu me viro para ele e, quando nossos olhares se cruzam, é como se chamas ardentes queimassem sobre mim. Finalmente somos só eu e Christopher, como eu amo que seja. Ele não está próximo como eu gostaria. Alguns mínimos centímetros me incomodam. E, em retrospecto, percebo que ele me evitou durante grande parte da noite. -"oi" sussurro, por não ter algo melhor formulado. -"oi" ele responde. Tento me aproximar com um passo, e vejo todo seu corpo ficar tenso com a aproximação. Ele chega a prender a respiração, suponho que inconscientemente. -"o que…" sou incapaz de completar. Ele está se distanciando de mim! O que toda essa merda o fez pensar? -"nada" Christopher responde a pergunta que não fiz. Seco. Estou estática sem a noção do que fazer em seguida. O que há de errado comigo desde que ele me encontrou? Ou desde que saímos do quarto… Estamos em silêncio, tão distantes quanto poderíamos em um dia como este. Tento me lembrar do que pode ter acontecido durante o jantar, quando ele começou a se distanciar gradualmente. Nada, nada aconteceu. -"Você precisa descansar" ele finalmente diz algo. E tudo que penso é que ele quer se livrar desta situação desconfortável. -"nós precisamos" antes que eu possa filtrar, as palavras já foram ditas. Christopher solta, lentamente, a respiração que prendia. Ainda não posso deduzir o que lhe deixou alheio à mim, mas penso que minhas últimas palavras o tocaram de maneira especial. Estendo minha mão para que ele pegue e possamos voltar para o quarto, o lugar onde nossa bolha particular normalmente é intacta. Por favor, aceite! Ele suspira antes de se decidir, e acaba aceitando a mão estendida. A eletricidade corre sob nossas peles quando entram em contato uma com a outra. É inevitável que sintamos a conexão quando nos tocamos, porque somos ligados assim, inexplicavelmente engatilhados. Ao chegar no quarto, Christopher solta minha mão e parte para o banheiro em silêncio. Eu me deito na cama despreocupada com a roupa inapropriada que visto. Todo cansaço deste dia fodido me atinge como um trem de carga em alta velocidade. Eu não tive tempo para relaxar desde que saí desta cama pela manhã. Cubro o rosto com ambas as mãos, buscando forças divinas para conversar com meu marido antes de dormir. O que eu faço com você, cinquenta? Christopher sai do banheiro vestindo a calça do seu pijama. Ele parece muito quente, visualmente. Mas sei como meu marido está emocionalmente, e não chega perto de estar morno. Reúno todas minhas forças para sentar na cama e puxá-lo para um diálogo. Será que ele está processando tudo pelo que passou, e não consegue me incluir nestas reflexões? Se este for o caso, talvez ele não queira conversar agora. -"Christopher…" chamo suavemente quando ele se aproxima do lado da cama que costuma dormir. Longe de mim! -"Você passou por muita coisa, Victoria. É melhor dormir" ele dispara. -"nós passamos, Christopher. Você queria estar comigo novamente, e eu estou aqui agora. Sejamos adultos para resolver o que temos pendente e encerrar este dia" digo no mesmo tom ríspido que ele. -"Não temos pendências. Basta dormir e o dia estará encerrado" Quando me aproximo dele rastejando pela cama até o alcançar na lateral da mesma, Christopher se afasta. -"o que há de errado, Christopher?" pergunto. Minha voz soa mais falha e reprimida do que eu gostaria. Merda! -"Não era o que queria?" Ele responde no mesmo segundo. -"afastar você? Claro que não!" não preciso de segundos para lhe responder, pois sei exatamente o que eu quero. Eu quero o meu marido. -"Antes de sairmos do quarto, você me olhou como se desejasse quilômetros entre nós. Eu entendi que não estava pronta para a i********e que temos, mesmo com todo o sexo. Mas depois estava abraçando Juan" e antes mesmo de obter uma resposta, Christopher continua: -"o que nós fizemos, Victoria? Nós apenas trepamos?" -"Christopher…" eu deslizo as mãos pelo meu cabelo antes de iniciar. Eu realmente não vejo o fim desta noite! -"Eu tive um momento de fraqueza, não sei. Eu me senti desprotegida, mas estar com você mudou isso. Nós fizemos amor, Christopher. A i********e que temos me faz sentir em casa, e foi isso o que aconteceu" paro por um momento, tanto para pensar nas próximas palavras quanto para lhe deixar absorver o que eu já disse. -"Eu fui educada com Juan e todos os outros que se preocuparam comigo. Não me senti mais confiante com ele, se é o que pensa. Eu só fui grata" Quando termino, vejo a expressão do meu marido mudar. Não sei para qual direção seus pensamentos estão indo, mas lhe dou tempo de pensar sobre tudo. Ele permanece imóvel, Viclisando cada traço do meu rosto. Sem pistas sobre o que este brilhante cérebro está desenrolando. Volto a me aproximar, como das duas últimas falhas vezes. Ele não se move, o que pode ser muito bom. Ao alcançá-lo, minha primeira ação é beijar sua mandíbula e subir os beijos até a região da sua boca bem esculpida. Tudo o que nos aconteceu...nós precisamos superar! Beijo o canto da sua boca, pedindo silenciosamente para continuar. -"Você é meu lugar seguro" sussurro olhando em seus olhos, que visivelmente suavizam-se. Christopher acaricia meu rosto com as costas dos dedos. Ele gosta de se sentir meu protetor, e eu posso dizer que tem sido muito eficaz. Ele usa a proximidade que eu criei e sela nossos lábios com um beijo doce, porém cheio de sentimentos amargos sendo expelidos. -"Eu amo você, linda" são suas palavras antes de aprofundar o beijo. Lento, intenso e forte. ●●● Desperto sentindo meu corpo balançar conforme algo move-se na cama. Abro os olhos e vejo Christopher inquieto durante seu sono. Espero alguns segundos para decidir se devo acordá-lo ou se seu sono irá tomar um rumo tranquilo. Mas sei qual das opções escolher quando seus lábios murmuram algo que não consigo decifrar e ele sorri. Bons sonhos, Blanc? -"hum" ele suspira. Está realmente confortável com o sono? Talvez eu devesse o acordar. Olho o relógio de cabeceira, que indica 8:45. Tarde para seu relógio biológico, mas não para quem dormiu pouco. Christopher volta a dizer algo. Ele parece muito falante, como não é de costume. Bem, vou acordá-lo deste sono conversador. Beijo sua têmpora com suavidade. Não quero que ele se assuste comigo. -"linda" chamo, ainda com os lábios próximos a sua pele quente. -"Ellen..." seus lábios dizem perfeitamente o nome dela, sílaba pós sílaba. Mas que p***a? ** POV CHRISTOPHER Seguro Victoria em meus braços, sentindo seu aroma doce e refrescante. E o que me deixa encantado é sentir, também, meu perfume exalando em seu corpo. É como se ela tivesse um pouco de mim. Esta sensação de paz, depois de rastejar pelo inferno, é o que me faz derivar no sono. Minha mulher está bem, e posso dizer que nada me faria mais feliz do que esta confirmação. Nós merecemos este descanso. "O gramado está muito verde, refletindo o verão ensolarado e colorido. A grama é macia, e por isso me deito e aproveito o momento confortável de uma tarde preguiçosa. Tão macia...eu poderia dormir aqui. Olho ao redor em busca da única coisa que poderia fazer este momento ficar perfeito. E lá está ela, no balanço florido e cheio de vida. Linda! Vic está usando um belo vestido, tão verde quanto a grama do prado. Tudo ao meu redor expira calor, vida e cores. E o que não poderia faltar em suas mãos está lá também. Um belo livro de capa dura. Vicliso todo seu corpo, e ele não é mais o mesmo. Minha mulher está grávida. Oh Deus, sim! Ela está grávida. Olá, babies. Eu não me sinto desesperado com a confirmação de que seremos três? Não, definitivamente não. Eu me sinto renovado com esta visão, com esta vida. Me levanto da grama macia, pois quero sentir outra maciez. Caminho até Vic, que ainda não me viu. É como se estivéssemos em mundos diferentes por uma fração de segundos. Ela sorri antes mesmo de me olhar, mas sei que está me sentindo. O sorriso doce e travesso ao mesmo tempo, indicando nossa inexplicável conexão. Fecho os olhos para somente absorver a intensidade do momento. A primeira sensação é perfeita; brisa fria com cheiro doce e selvagem, aroma de Victoria mesclado à grama recém cortada e flores silvestres. Eu quero mais disso! Abro os olhos lentamente, e o que se desenrola aos meus olhos não me agrada. Não há luz, não há cor, não há Vic… Algo dói em mim, mas não sei dizer o quê. Angústia, desespero, medo. O pior de mim está florescendo dos meus poros, levando o sentimento de segundos atrás. Que p***a de lugar é este? Olho ao meu redor e não vejo o que busco. Está tão escuro e deprimente que eu poderia dizer que estou no inferno. A única coisa que capta minha atenção é um gemido sôfrego e solitário. Minhas lembranças rapidamente voltam para momentos onde eu punia minhas submissas, e elas expeliam o mesmo som. Tento me desvencilhar do pensamento, mas não consigo! Tudo em minha mente gira em torno do homem fodendo mulheres para o próprio prazer, punindo e fazendo sofrer. Monstro! Caminho, mesmo no escuro, para não morrer afogado em pensamento sombrios. Eu preciso de luz, da mulher que afasta a escuridão e deixa o monstro trancado. -"Vic!" Grito a plenos pulmões. Ela precisa vir! Eu preciso que ela esteja comigo. Mas nada além do silêncio preenche o espaço entre mim e meu demônio interior, querendo e conseguindo me puxar para baixo. Não posso ver, não ouço, não sou ouvido quando grito, não sei para onde caminhar. Por que estou tão solitário, p***a? -"Vic, por favor" desta vez, minha voz é falha como uma súplica. Ela ainda está no prado, com todas cores e cheia de vida? Sou eu o monstro sozinho e infeliz que precisa ficar longe dela? Aquela realidade é perfeita demais para mim? Paro de caminhar quando percebo que não adianta. A verdade em todas minhas perguntas, que claramente poderiam ser afirmações, me atropela. Este é meu inferno pessoal, e tudo que mereço está aqui. Quando penso em difundir todas as minhas esperanças em pesadelos reais, ouço um doce som. Tão doce que penso sentir em meus lábios. É ela, e só pode ser ela! Permaneço estático, em busca de um indício de sanidade que mostre minha lucidez. Se não me engano, e não me engano, era sua voz. Um chamado? Uma súplica? -"Victoria" tento, realmente implorando por uma resposta. Apenas o frio que me consome, só de pensar em estar sozinho, é assustador. Este lugar escuro, sem ela, é um inferno. Mas para a contemplação das minhas preces, uma espécie de porta se abre no que parece ser o fim de um corredor. Tateio as paredes para entender a dimensão do local. Não se parece com um quarto, e sim com um corredor extenso. Apenas a tênue luz que emVic da porta entreaberta ilumina o longo corredor. Seria bizarro se não estivesse louco para adentrar aquela porta e checar se minha garota está lá. Caminho em passos lentos. p***a, estou com medo! Não do que posso encontrar, mas do que posso não encontrar. Ela realmente está lá? -"Christopher…" desta vez, não tenho dúvidas sobre minha lucidez. Não é uma ilusão do c*****o. É ela! É minha mulher me chamando! Troco os passos cautelosos por uma corrida. Sei onde encontrar minha tábua de salvação agora. Seu canto de sereia me seduz até a porta, e não hesito em abrir, empurrando-a com toda força. Antes de enxergar o cômodo, ouço o familiar som de um chicote estalando sobre uma pele receptiva, e é o suficiente para fazer meu sangue congelar. Evito qualquer pensamento antes de realmente ver que merda está acontecendo, e não me agrado em p***a nenhuma. Vejo seu corpo nu sobre o concreto. Aparentemente sem vida, recebendo chicotadas repetidas. Não consigo desviar os olhos da visão mais perturbadora da minha existência, nem mesmo para ver quem lhe bate. Porra! Tento me mover, realmente tento. E o pior é falhar, não podendo me deslocar e segurar seu corpo mortificado. Me sinto tão culpado quanto quem tirou sua vida. Minha vida! -"Vic…" é tudo que consigo dizer, em uma voz arrastada. Meu corpo treme e a garganta fecha. E sim, c*****o, eu quero chorar! Eu quero chorar até que minha dor seja suficiente para que Vic não precise sentir. -"Para, p***a!" Grito ao ver mais uma chicotada acertar Victoria. Ela está morta, e eu estou inerte. Sou a p***a de um inútil vendo a mulher perder a vida em sua pele que costumava ser imaculada. Só então sou capaz de ver o destruidor da coisa mais preciosa em mim. Ellen! Ela está vestida como uma dominatrix, toda em couro preto. A visão do que deveria ser sensual me deixa pálido. Ela machucou Vic, a minha Vic! -"É assim que você gosta" Ellen garante. Arrisco olhar para minha garota mais uma vez, na esperança de que agora esteja bem. E ela continua machucada, jogada da pior forma no chão. Balanço a cabeça para responder Ellen, mesmo sabendo que não fez uma pergunta. -"Você gosta da pele vermelha" ela continua, como se tivesse me acusando, e então desliza o chicote pela pele de Victoria. Tudo que mais quero é segurar meu amor em meus braços, mas estou simplesmente fixado no chão enquanto Ellen destrói sua vida. -"Eu! Não ela! Eu, por favor, faça isso comigo." Peço. Que se f**a! Estou chorando tanto que sinto os soluços presos em minha garganta. Sei que ela estará mole e sem vida quando a tocar, mas estar parado enquanto Ellen o faz... é devastador. Ela me ignora e levanta o chicote mais uma vez. Meu coração para por um segundo, com medo de que possa machucar mais. -"Ellen!" Grito. Parece que estou em uma dimensão paralela, apenas assistindo o espetáculo horripilante, incapaz de impedir o que quer que façam. Ela estala o chicote no chão, e tudo que se ouve no cômodo é meu suspiro de alívio, agradecendo internamente por não atingir Vic. -"Você gosta de machucar, Christopher. Gosta do que está acontecendo, mas não tem coragem de admitir, nem para si mesmo" ela diz friamente, palavra após palavra. Que merda é essa? Vic não move um músculo no chão, e ela diz que gosto? Que monstro doente e fodido ela pensa que sou? -"Não sou eu matando Victoria, linda…" desta vez, sua frase é seguida por um sorriso. Não é... não é Ellen machucando Victoria? -"Ellen…" digo, mas isso porque não tenho mais consciência das palavras que saem dos meus lábios. Estou atordoado demais para me esclarecer, acho. Uma imagem intrigante me chama atenção, logo em frente. Não Victoria esticada no chão, nem Ellen segurando o chicote, mas o meu próprio reflexo espelhado em um vidro sujo. Aos poucos, toda dor da perda me abandona. Me sinto como um monstro doentio e fodido, como eu mesmo descrevi. Não sinto dor, apenas um aperto no coração, algo como arrependimento. Cerro os olhos para enxergar melhor o vidro, e me arrependo profundamente por isso. Não é mais a imagem de Ellen machucando Vic… Sou eu!" Acordo completamente assustado, espantado mesmo. c*****o! Meu corpo está banhado em suor, mas sinto muito frio. Na verdade, me sinto gelado. Olho ao redor do quarto em busca da única coisa que faria eu me sentir melhor. Ela não está aqui! Fecho os olhos e tento recuperar os dez segundos perdidos de respiração. Mas não adianta, porque ela não está aqui para me garantir que foi a p***a de um sonho. -"Vic" m*l reconheço minha voz ao chamar. Estou com medo de ser o monstro destruidor do pesadelo, medo de que ela não esteja comigo, de qualquer forma. Eu quero uma prova de que ainda tenho minha garota! Dez. Nove. Oito. Sete. Seis. Cinco. Quatro. Três. Dois. Um. Zero. Controlo minha respiração, mesmo não tendo uma resposta dela. As cortinas estão fechadas, mas consigo ver os raios de sol infiltrando o tecido. Não está escuro, e não estou sozinho… Está tudo bem com Vic e nosso filho. Não! Sem filho. Não temos um filho ainda. Quer dizer, não temos um filho em geral. Foi apenas um sonho, claro. Me levanto e caminho até o closet, torcendo para que ela esteja lá. Bem, ela também pode estar na cozinha com Gina, tomando seu chá e conversando distraidamente. Este pensamento me acalma. Felizmente, eu a encontro fechando a porta de um dos armários, segurando o vestido que escolheu. Vic veste apenas um conjunto rendado de calcinha e sutiã vermelho. Linda pra c*****o. A visão dela leva todas minhas preocupações para longe, pois sei que minha vida está segura à poucos metros de mim. Faço uma avaliação mental da situação. Pra onde ela pensa que vai? Primeiro, não irá sair de casa até eu me enterrar nela. Segundo, não irá sair de casa até eu ter certeza da sua segurança. E terceiro, ela simplesmente não irá sair de casa! -"Vic" digo, mesmo tendo certeza que ela já notou minha presença. Ela se vira, em toda sua elegância e irritação. Oh, irritação? -"sim" Vic é quase fria ao responder, se não fosse pelo azul vívido e traíra em seus olhos. Se ela quiser me irritar, está no caminho certo. Tive a p***a do pior pesadelo do mundo, e ela está aqui, erroneamente pretendendo sair, e brava comigo! -"o que aconteceu?" Pergunto. Me encosto no batente, de forma que ela não poderá sair sem passar por mim. Vic, em uma quase engraçada cena de fúria, atira o vestido em mim. Com cabide e tudo. Eu o seguro quanto atinge meu peito, e me pergunto se foi realmente inofensivo. Por que, Vic Blanc, está familiarizada com a ação de jogar coisas em mim? -"cínico" ela rebate. Cínico? Sério? Seus olhos, por um instante, descem até meu peitoral. Imagino que esteja se culpando pela tentativa de me machucar, mas logo ela mascara a preocupação. -"o que aconteceu?" Pergunto novamente, um tom mais grave e dois níveis mais lento. Bom, eu sinto um p**a t***o na minha mulher com raiva. Quando ela não responde, me aproximo lentamente. É como se fosse um alvo que não me darei a opção de perder. Seus olhos apenas me acompanham, talvez supondo o que pretendo fazer quando lhe alcançar. Posso ver as engrenagens da sua mente brilhante trabalhando nas possibilidades. Vic entreabre os lábios, e não posso deixar de tentar adivinhar onde seus pensamentos estão enquanto seus olhos me fuzilam. Estou próximo, não o suficiente, mas perto. -"responde" ordeno. Ela me desafia apenas com um olhar, duvidando que possa fazê-la fazer o que mandei. Linda, pensei que me conhecesse melhor. Vic ruma para a saída do closet, como se pudesse fugir de mim. Está fodidamente errada. Seguro seu pulso e lhe puxo de volta antes que se afaste. Ela não parece tão relutante quanto seu olhar desafiador transpareceu. Quando à toco, minha mente viaja para o momento irreal onde ela estava sendo ferida, e não pude sentir sua pele. Afogo o pensamento antes que ela perceba a angústia em minha expressão. -"Christopher, me solte" Victoria usa um tom baixo. Então, ela está toda educada esta manhã? Ao contrário do seu pedido, seguro sua cintura e pressiono seu corpo contra a porta do armário. Ela suspira com o susto repentino, o que automaticamente silencia sua próxima frase autoritária. Agarro suas mãos e coloco acima da sua cabeça, segurando apenas com uma das minhas. m*l posso raciocinar com todo este vermelho em contraste com sua pele. Olho para ela, agora presa contra o armário. Me peça para soltá-la, linda. Atreva-se... -"está com raiva de mim?" Pergunto. Como ela havia me chamado? Ah, cínico. Sei o quanto minha voz, e minhas mãos, podem afetar seus sentidos. Sua respiração altera-se sutilmente, mas ela sabe como mascarar bem. É quase imperceptível a elevação dos seus s***s para acomodar o oxigênio, porém estou muito atento ao seu sutiã para ignorar isso. Porra, e como estou atento! -"como descobriu, Sherlock Holmes?" Ela ironiza. Tudo bem, vamos jogar. Empurro o quadril contra o seu. Por mais que esteja usando a calça do pijama, e somente ela, meu p*u está tão duro que claramente ela sente o contato. Ao contrária da relutância que espero, ela inclina a pélvis, aceitando e devolvendo minha ação. Aproximo os lábios da sua garganta, distribuindo beijos por toda extensão. Minha mão relativamente livre desce da cintura até o meio das suas pernas. Sinto sua excitação através do tecido fino, pronta como sempre está. -"Não…" Vic sussurra. O que? Ela está me dizendo não? Nem fodendo! -"o que?" Cesso meus movimentos para lhe encarar e perguntar. Ela esqueceu quem eu sou e está me negando o que me pertence? -"Não quero que me toque" ela diz calmamente. Sim, suas palavras me ferem, por mais mentirosas que sejam. -"Não é ético mentir quando ainda tem parte de mim dentro de você!" Vocifero, me referindo a todas as vezes que fodi ela na noite anterior. -"ético?" Ela arqueia uma sobrancelha. Eu amo e odeio quando ela me enfrenta de igual para igual. Ainda tenho seus pulsos presos contra o armário, e minha ereção está firme em sua barriga. Linda, podemos brigar por um monte de coisas, e ainda assim vamos resolver todas elas quando eu estiver dentro de você. -"ético" afirmo, percebendo que sua pergunta sarcástica ainda não foi respondida. -"Pare com seu jogo sedutor, Christopher. Não vou dormir com você enquanto sonha com outra!" Sua explosão me surpreende. Agora está falando comigo? -"Não estou propondo que durma comigo" digo, brincando, sabendo que ignorar a parte do sonho irá fazê-la ferver de raiva. Vic não responde, então decido soltar seus pulsos para que possamos conversar. Bem, parece que não vamos resolver isso nos perdendo um no outro. Parte do meu sonho foi esquecida com toda a agitação desde o primeiro momento do dia, talvez eu possa falar sobre isso. Eu lhe solto, mas não me afasto. Vic desce suas mãos, e posso estar engVicdo, mas seu olhar expressa decepção por ter sido solta. E conhecendo minha mulher, sei que não me enganei. -"eu preciso de mais espaço" ela pede. Não gosto do tom medido que está usando, como se realmente estivesse me pedindo afastamento. Em meu, como posso dizer? jogo sedutor, coloco uma das mãos ao lado da sua cabeça, pressionando a madeira do armário. Seus olhos acompanham meu braço até o peitoral, onde ela Viclisa por alguns segundos antes de se dar conta que está me admirando. -"Assim está melhor?" Ironizo. -"Christopher" não sei se está chamando ou repreendendo, porém eu posso viver com esta dúvida. -"vamos conversar" digo. Seus olhos sobem até meus lábios enquanto eu falo. Ainda me admirando, Sra.Blanc? -"você sonhou com Ellen" Vic afirma, magoada até. Não que esteja mentindo, mas me preocupo com o quanto deste sonho ela ouviu. Quão profundo e obscuro ela pensa que sou, agora que sabe parcialmente sobre o sonho que tive? -"Também" respondo. Um lindo "v" se forma entre suas sobrancelhas enquanto as possibilidades da minha resposta rondam sua mente. -"Você... grávida, Ellen e eu" hesito ao lhe informar sobre a gravidez, mas talvez isto mude seu foco. Não quero, nem fodendo, ter que contar todos os detalhes do pesadelo. -"como grávida? Tipo... grávida?" O "v" continua em sua tez, algo realmente adorável de se contemplar. Significa que seus pensamentos estão trabalhando a todo vapor. -"grávida pra c*****o" respondo da forma mais branda que posso, o que faz Victoria comprimir os lábios para evitar gargalhar. -"Como sabe sobre Ellen no sonho?" Antes que possa evitar, a pergunta está fora dos meus lábios. -"Você disse o nome dela" Vic tenta, mas não consegue disfarçar a inquietação com este fato. -"Não estava fodendo Ellen nos meus sonhos" afirmo, sabendo que isto é exatamente o que ela está pensando e evitando perguntar. Apenas a menção me enoja, ainda mais depois de vê-la machucar Vic enquanto estava inconsciente. Não era ela, mas f**a-se, era a imagem dela! Ela me encara com olhos brilhantes e indecifráveis por alguns segundos. Posso imaginar a quantidade de dúvidas que tem, e também posso perceber sua boca inteligente filtrando o que considera importante saber. -"me conte, então" ela opta por saber tudo, o que não me surpreende. -"certo..." limpo a garganta antes de pensar no que dizer. Bom, vou dizer a verdade, não quero mentir para a minha garota. Agora que a f**a pra resolver brigas foi cancelada, me contento com a Victoria racional me ouvindo. -"A princípio, o sonho era bom. Como um vislumbre do futuro. Eu e você... grávida pra c*****o. Eu fechei os olhos por um segundo, e quando voltei a abri-los, você não estava mais lá." Fixo meus olhos nos seus, com medo de piscar e voltar para o lugar que irei descrever. -"onde eu estava?" Ela pergunta. Não seria Vic se pudesse permanecer quieta e me deixar terminar. -"Em um quarto escuro e frio" não quero, e nem posso terminar esta frase. Dizer que ela estava nua e fria, quando está quente e protegida aqui, que seu corpo perfeito estava marcado e dolorido...como eu poderia? Preciso de distração! Olho para os lábios avermelhados de Vic, e logo minha mente cria uma agradável lembrança dessa boca ao redor do meu… -"Ellen estava comigo ou com você?" -"você" sussurro, m*l reconhecendo minha própria voz. -"ela estava com você" me corrijo. Vic abre minimamente a boca enquanto pensa no que dizer para me fazer continuar, mas eu me adianto: -"Ela estava segurando um chicote, machucando você e me acusando de gostar daquilo" explico o que espero ser suficiente. Arrasto meu dedo indicador em seu lábio e ela não pode conter um sorriso, então morde o lábio inferior. Puta merda! -"Feliz por estar engVicda?" Uso a única abordagem que funciona entre nós; distração. Salto o fato de ter me visto através do reflexo do vidro. Ela poderia pensar que era eu machucando seu corpo, e não Ellen. Faço uma nota mental para falar sobre isso com Flynn. -"Feliz pelo que acontece agora" ela murmura, e m*l sabe o quanto o que acontece agora me deixa feliz. Sorrio para minha garota pervertida, agradecendo pela excitação entre suas pernas falar mais alto que sua curiosidade. -"Seu sonho não foi mesmo sobre f***r Ellen?" Que p***a é essa agora? Eu odeio a possibilidade de ter qualquer outra mulher tanto quanto odeio o pensamento de outro cara tocando Victoria. Isso fode o inferno fora de mim! -"Não" é tudo que preciso dizer. -"Bem, eu fiquei irritada com você por dizer o nome dela" Victoria admite. -"Você foi injusta comigo" faço beicinho para dramatizar minha frase, e minha mulher sorri profundamente da minha atuação. -"Não seja tão sensível" Oh Sra. Blanc, você, mais do que ninguém, sabe que sensibilidade não é um dos meus atributos. Não posso deixar escapar a oportunidade de comentar. -"Talvez devêssemos f***r duro no meu quarto de jogos para que você veja o quão sensível eu sou" meu tom é firme, mas o clima leve ainda está presente. Ela me encara com espanto pela forma brusca como disse, mas o brilho em seu olhar...ah, ela nunca me decepciona.
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