Que garçom gato.

1004 Words
Não muito longe. Bar do Marinho. Hoje de manhã, logo que acordou, Angelos percebeu que seu tio estava muito agitado por causa da inauguração e ele imediatamente entendeu que seu tio não tinha idade para estar no bar desde cedo. Não lhe faria bem, por isso recomendou que ele poupasse energia para usá-las hoje à noite e que não era para ele se preocupar com nada, que tudo estaria sob seu controle. Graças a Deus ele o atendeu. Seu tio realmente confiava nele. Também, não era para menos. Angelos era um grande empresário, a Natus estava crescendo desde que se tornara presidente. Angelos passou o dia vendo o sol pela janela, organizando tudo. Hoje mesmo arrumou um ar condicionado. Entendeu que os ventiladores não dariam conta em refrescar o ambiente. O dia estava muito quente. Chegou a ameaçar chuva, mas as nuvens se dissiparam. O calor acabaria afastando as pessoas. Resolveu trocar as lâmpadas também. As normais de cor branca, deram lugares as de LEDs de cor amarela. Quando as pessoas entrassem teriam uma sensação agradável de aconchego e conforto, Não tinha jeito, acostumado com que a vida tinha de melhor, por causa de sua criação, não conseguiu se conter. E a grande festa que seria algo simples, tornou um evento gostoso e sofisticado. Para isso, contratou um buffet famoso que conhecia em São Paulo. Nada de freelancers, pessoas despreparadas e pesadelos na cozinha. Seu tio merecia o melhor e ele também se pouparia dores de cabeça. Agora estava acompanhando os homens do Brunetto decorando todo o bar. Colocando toalhas e arranjos de flores nas mesas e outros buques maiores em lugares estratégicos. Mais tarde recebeu também um caminhão refrigerado com tudo que precisariam para montar os petiscos que seriam feitos um pouco antes da festa. Os cardápios já estavam prontos. Ele havia pedido para caprichar nas descrições, fornecendo informações claras para vender bem as opções. Momentos depois chegaram as bebidas geladas que encheu a grande geladeira. Fora os barris das grandes máquinas de chope. Só às cinco horas da tarde, quando tudo estava organizado, que Angelos conseguiu ir para casa. Estava morto de cansado. Pretendia tomar um banho e descansar até umas seis horas. Sete horas, ele e seu tio estariam no bar para receber o pessoal que trabalharia na cozinha e os garçons que serviriam os clientes para que às nove horas da noite tudo estivesse pronto. Esperava receber uma cinquenta pessoas, mas fez tudo como se fosse receber cem. Hoje seu tio estaria na porta recebendo os clientes se apresentando, os recepcionando. Angelos se passaria por um cliente comum, mas estaria de olho em todo andamento da festa. Angelos sorriu ao ver o lugar se enchendo de pessoas, ocupando as mesas e outros os banquinhos em frente ao grande balcão. Foi até a jukebox e escolheu uma música gostosa. Resolveu ir até a cozinha para ver como estavam as coisas por ali. Confirmar se eles estavam se entendendo bem com os novos utensílios de cozinha que ele havia comprado para a produção dos petiscos. Quando estava para passar pela porta, levou um encontrão com um dos garçons que saía rapidamente com uma bandeja e tudo que estava nela se virou em sua bela camisa branca. —Deus! —Desculpe-me senhor. Eu...não vi que estava entrando. Angelos entortou os lábios e soltou o ar em resignação. —E eu que você estava saindo! Mas que droga! —Pior que não tinha outra camisa para colocar. Ficou por um momento sem saber o que fazer, se voltava para casa ou não. Teve uma ideia. — Você tem algum uniforme sobrando para eu vestir no lugar dessa camisa? —Sim, senhor. Vou pegar um para o senhor. —Estarei no escritório aguardando. —Sim, senhor. Momentos depois... Bianca foi a primeira a entrar depois de ter sido recepcionada pelo dono do bar. Foi então a vez de Maya e Heitor serem cumprimentados pelo senhorzinho simpático e pela maneira que Heitor o abraçou, ela entendeu que ele o conhecia muito bem. —Então era esse o seu bar? Pensei que fosse mais simples. —Ouvi ele dizer, mas não fiquei lá para ouvir toda a conversa e, curiosa, fui entrando devagar, avaliando o lugar. Até que ele era jeitoso. Já gostou pelo fato de ter um bom ar-condicionado. A iluminação também era ótima, nem muito clara, nem muito escura. A música agradável que saía de uma jukebox era de muito bom gosto. Outra coisa que lhe agradou foi a disposição das mesas. Bem espaçadas uma das outras e as cadeiras pareciam ser bem confortáveis. Resolveu ocupar logo uma perto da janela de vidro. Pela quantidade de pessoas que entrava, logo as mesas estariam todas ocupadas. Nessa hora ouviu um barulhão, como se uma bandeja tivesse caído no chão. O som parecia vir da cozinha que não ficava muito distante de onde estava. Riu. Eles deveriam estar loucos para atender todo mundo. Maya e Heitor surgiram e logo ocuparam a mesa. —E aí? Gostou? —Maya disse ocupando uma das cadeiras em frente a dela. —Sim, o lugar é bem agradável e eu gostei da música. Maravilhosa. Quem a escolheu tem muito bom gosto. —disse se referindo a música de Foreigner, I Want to Know What Love Is que saia de uma jukebox. —Sim, diferente, hoje em dia é só pagode e músicas agitadas. Heitor ocupou a outra cadeira exibindo um sorriso. —Eu também gostei do lugar, mas eu prefiro um pagode —Heitor disse e aproximou mais sua cadeira da de Maya. —Malandro... Ele riu e então falou algo no ouvido dela fazendo-a sorrir. Bianca desviou sua atenção deles e passou seus olhos pelas pessoas, pelo lugar. Havia muitos jovens, mais homens do que mulheres e alguns casais também. Reparou então no lindo arranjo de flores que combinava com o que estava enfeitando as mesas. Seus olhos passaram preguiçosamente por todos que conversavam animadamente, despretensiosamente e... foi então que o avistou. Deus! O que era aquilo? Que garçom gato!
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD