Capítulo 7

1388 Words
Ethan estava sentado junto a Kayte, ambos estavam de frente para Miguel. O ômega tinha pedido para terem uma conversa séria com o casal. — Eu chamei vocês aqui por um motivo. — Miguel falou. — Ravi sofre do que chamamos de síndrome do eterno filhote, ou seja, ele tem dezesseis anos, mas sua mente está entre oito e dez anos. — Miguel falou. — E vou direto ao ponto. — Por favor. — Ethan falou preparado para ouvir qualquer coisa. — A culpa é de um de vocês! — Miguel falou pegando ambos de surpresa. — Essa síndrome acontece quando o filhote é impossibilitado de crescer. — Miguel explicou. — Como assim? Nós sempre prezamos pelo bem estar dele. — Ethan falou. — Com todo respeito senhor, mas como médico acredito que ele tenha sido prejudicado com uma criação não compatível com a correta. — Miguel explicou. — Ravi foi criado normalmente, tudo começou quando ele entrou no internato. — Ethan explicou. — Com quantos anos ele entrou na escola? — Miguel perguntou. — Ele começou com dez anos! Ficou lá até dezesseis anos, que foi quando tivemos completa noção do que acontecia. — Ethan contou. — Seu filho foi para a escola justo na transição da infância para a puberdade. A escola afetou seu desenvolvimento e fez com que ele desenvolvesse a síndrome. — Miguel explicou. — Bom, como os senhores sabem, Ravi está muito atrasado mentalmente, ele consegue compreender coisas acadêmicas, mas em questões como sexuais, ele é completamente leigo. — E por que ele deveria saber sobre esse tipo de coisa? — Kayte perguntou e Ethan se virou para a esposa. — Ele tem quem ter educação s****l! — Ethan falou. — Não acho! Acredito que se ficar falando disso com ele, vai fazê-lo virar ideias e curiosidade. — Kayte argumentou. — Essas ideias e curiosidades já podem estar presente, a diferença é que ter uma educação adequada fará com que ele saiba se proteger, e assim nenhum alfa poderá abusar de sua inocência. — Miguel falou sério, vendo que Ethan concordava plenamente com ele. — E outra coisa, eu analisei o histórico do Ravi e notei que ele foi medicado desde quando entrou no internato, fazendo com que seu cio não viesse nenhuma vez. — Sim! — Ethan falou lamentando. — Ele nunca passou por um cio verdadeiro. — Como os senhores sabem algumas perguntas eu terei que fazer e assim mostarda um relatório que irá para o conselho tutelar. — Miguel explicou e Ethan estava ciente, já que ele tinha aberto a denúncia contra o internato. — E no histórico do filho de vocês, há uma coisa que me chamou muito a atenção. — E o que seria? — Ethan perguntou atento. — Bom... Nós ômegas temos organismo sensíveis, e não é todo remédio que podemos tomar, principalmente supressores e por isso passamos por exames específicos para que o supressor certo seja dado. — Miguel falou olhando bem o casal. — Ravi toma o mesmo supressor e acreditem quando digo que é um dos mais fortes, porém de alguma forma a diretora, sabia que esse supressor não iria fazer com que Ravi tivesse alguma reação. — O que está insinuando? — Ethan falou um tanto irritado. — Não há insinuações! Quero saber qual de vocês assinou e estava plenamente ciente do que acontecia naquele internato! — Miguel falou sério. — Esses exames precisam da autorização de um dos responsáveis, a diretora nunca conseguiria fazer esses exames sem a assinatura de um de vocês dois. — Nós não assinamos nada! — Ethan falou e Miguel suspirou. — Bom, o senhor deve responder apenas por você! — Eu não assinei! — Ethan falou. — Kayte? A ruiva encarou o marido e depois o médico que parecia a olhar com irritação. — Foi necessário... — A mulher murmurou. — O que? — Ethan falou surpreso. — Foi necessário! Ravi era muito novo para pensar nesse tipo de coisa, e talvez o cio dele atraísse algum alfa ou ele ficasse com desejo nesse tipo de coisa. — Kayte falou irritada. — Senhora Uzumaki-Horan, tem noção de que o corpo do seu filho foi reprimido por anos?! — Miguel falou. — E queria o que? — Kayte perguntou irritada. — Que eu permitisse que viesse o período dele e assim ele caísse nos desejos de qualquer alfa? — Senhora, ômegas entram no cio a partir dos seus quatorze anos. — Miguel falou. — Atrasar isso e fazer com que seu corpo retarde todo o resto, seu filho foi tratado com criança por anos, ele não teve o desenvolvimento necessário e agora quando entrar no seu período será extremamente doloroso, ele sofrerá quatro vezes mais do que o normal, apenas porque a senhora não quer que ele se envolva com alfas? — Ravi é muito novo para pensar nesse tipo de coisa! A única coisa que ele quer, é ficar brincando com suas bonecas. — A ruiva falou e Ethan se sentia paralisado demais para falar algo. — Você fez com que ele ficasse assim! — Miguel falou. — Tendo ele como meu paciente, acreditem quando digo que tudo que isso trouxe Lara ele, foram traumas que nem se quer são dele! — É grosseiro assim com seus pacientes? — Kayte perguntou irritada. — Vocês não são meus pacientes! — Miguel falou. — A senhora tem noção do que fez, ao seu filho? — Eu o protegi! — Protegeu? — Ethan rosnou. — Ravi é uma criança assustada, Kayte! Ele não comece nada no mundo, ele tem medo de tudo, ele literalmente está vulnerável a qualquer coisa. — Você que quis trazer ele de volta! Deveríamos deixar ele no internato! Lá ele estava seguro! Nenhum alfa podia chegar perto dele. — Kayte, o Ravi ficava assistindo desenho e brincando de boneca! Por deus, Kayte! Ele é um adolescente! — Ethan bradou. — Como pôde fazer isso com nosso filho? — E querer que ele crescesse é o certo? — Sim! — Ethan respondeu a esposa. — Ele não será um eterno filhote. — Eu não acho! Ravi está feliz! — Depois conversamos sobre isso! — Ethan falou indignado. — Tem algo a mais, doutor? — Sim! Nas últimas consultas eu passei algumas coisas para que ele fizesse em casa, algumas ele fez com vocês. — Miguel explicou pegando a pasta que tinha o nome do loiro. — Bom, a notícia boa é que o tratamento começa a apresentar melhoras, nos últimos desenhos ele tem incluído mais pessoas. — Miguel mostrou. — Porém, devo alertar principalmente a você, senhor Ethan, para que conversem e se resolvam, pois Ravi ainda continua sendo tratado como criança. Ethan sabia daquilo. Um claro exemplo era o café da manhã, onde Kayte servia a Ravi como se ele fosse um bebê. A ômega também arrumava seu cabelo e separava suas roupas, a ômega arrumava o quarto do filhote e para "distrair" o deixava brincando com algum ursinho. Ethan já tinha conversado com Kayte e tinha tentado entrar em acordo, mas a ômega continuava a fazer. Em contrapartida, Ethan vinha tentando trazer Ravi para o mundo mais adulto. Ele até mesmo tinha levado Ravi ao shopping e assim pai e filho passaram o dia, fazendo coisas normais, Ravi estava obedecendo mais, ele enfrentava a mãe quase sempre, mas com seu pai ele costumava abaixar o tom de voz e conversar. Ethan estava irritado com sua esposa. Afinal, fazer o que fizeram com Ravi, era maldade. Afinal, ninguém deve ser privado do crescimento. Ele queria apenas que seu filho estivesse preparado para sobreviver no mundo lá fora. — Quando se resolverem, voltem ao meu consultório para termos uma real conversa sobre o tratamento de Ravi. — Miguel falou e Ethan concordou. — Não há conversa! Ele nem mesmo voltará aqui! — Kayte bradou. — Kayte já chega! Você já fez o suficiente! — Ethan se levantou. — Até a próxima Miguel! O casal saiu e Miguel suspirou. Ethan andava na frente de tão puto que estava, Kayte não se achava errada e não entendia a necessidade do marido, em fazer Ravi crescer. — Você literalmente escolheu prejudicar nosso filho. — Ethan falou. — E isso, é algo imperdoável! Ethan falou sério e Kayte o olhou. — O que quer dizer? — Em casa, conversamos de verdade.
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