A madrugada na Maré não era silenciosa; ela tinha um som próprio, um zumbido constante de geradores, o estalo distante de rádios de comunicação e o vento uivando entre os vãos dos tijolos aparentes. Mas, dentro do que restara do "Espaço Ayla", o silêncio era de morte. Ayla abriu o único olho que não estava completamente inchado. A dor não era mais um grito; era um peso esmagador que pulsava em cada centímetro de sua pele. Ela tentou se mexer, e um gemido agudo morreu em sua garganta seca. Sua costela parecia um cristal quebrado dentro do peito, e cada respiração era uma facada. O cheiro de esmalte de morango, misturado ao cheiro ferroso do próprio sangue coalhado no chão, a fez marejar os olhos. Ela olhou para o relógio de parede quebrado: três da manhã. A hora dos espectros. A hora em qu

