O clima na sede da Maré era de um velório onde o defunto insistia em respirar. O silêncio nos corredores era interrompido apenas pelo som rítmico de um canivete batendo contra uma mesa de madeira. Abutre estava sentado nas sombras, com o rosto iluminado apenas pelo brilho de um cigarro que queimava até o filtro. A humilhação da Viela 12 e o enquadro que levara da cúpula ainda latejavam em sua mente como uma ferida aberta. À sua frente, sentado com a postura de quem domina não só o morro, mas o medo de quem vive nele, estava Cão de Briga. Cão de Briga era o tipo de relíquia que a facção mantinha em "reserva estratégica". Um homem que não sorria, com uma cicatriz que subia do pescoço até a têmpora, e que tinha a fama de ser o arquiteto das invasões mais sangrentas do Rio. Ele era o mesmo q

