O corredor do postinho de saúde do Turano cheirava a uma mistura metálica de sangue fresco e aquele desinfetante vagabundo que tentava, sem sucesso, mascarar o odor da morte que sempre rondava esses lugares. Eu estava encostado na parede de azulejos frios, com os braços cruzados sobre o peito e o fuzil pendurado no ombro, sentindo o peso do mundo nas minhas costas. Minha bota batia um ritmo impaciente no chão de cimento. Eu não sou homem de esperar. No meu mundo, a espera geralmente termina com um corpo sendo enrolado num lençol ou com o som de uma rajada que decide quem fica e quem vai. Mas ali, o silêncio era diferente. Era um silêncio que incomodava, que pinicava a pele por baixo da camisa suja de graxa e do sangue daquela garota. Eu ainda sentia o calor do corpo dela contra o meu

