Aluga-se Um Filme

2099 Words
Yoongi chegou um pouco mais tarde do que o previsto, se culpando ainda mais por estar tão ansioso. Ansioso para estar na companhia de um homem, isso era tão errado. Mas Jeongguk era tão bonito. Ansioso para sentir o abraço de um homem, isso era tão errado. Mas Jeongguk era tão atraente. Poderia justificar todas as ansiedades na beleza exorbitante do Jeon, e ainda sobrariam justificativas. Assim que abriu a porta foi rapidamente acolhido pelo abraço quente do mais novo, poderia se acostumar com aquele tipo de recepção. O cheiro do Jeon era incrível, e a forma como parecia se encaixar perfeitamente entre seus braços e corpo alto chegava a impressionar, era como se Jeongguk tivesse sido feito sob medida para ele. E isso era tão errado, era tão errado se sentir dessa forma, era tão errado se achar completo estando nos braços de um homem. Um homem. — Você demorou tanto, — o garoto sussurrou em seu ouvido — Já estava morrendo de saudades. Aquela voz, ele estava o seduzindo. Quando contratou os serviços do rapaz, sabia que a qualquer momento ele passaria a fazer tudo o que fazia com os seus demais clientes, por mais que Yoongi não tivesse demonstrando nenhum interesse em sexo. Não ultrapassaria seus limites, não deixaria aquilo acontecer, não queria ter relações sexuais com um homem. Com um homem. — Eu também senti a sua. — e isso era verdade, a mais dolorosa e c***l verdade, o Min estava mais do que ansioso para vê-lo, nem sequer queria ter saído de casa naquela manhã. Queria estar com ele, esse era o problema. — Preciso de um banho. Yoongi o largou e saiu em direção às escadas, adorou aquele abraço, e isso era um problema, gostou demais, e isso não era certo. Mas até quando lutaria contra si mesmo? E afinal, o que queria realmente provar? Sendo homossexual ou não, Jeongguk jamais contaria nada a ninguém. Qual seu verdadeiro medo, no fim das contas? — Quer que eu te ajude no banho? — o mais novo o surpreendeu o abraçando novamente pelas costas e o fazendo parar. O nariz do Jeon tocou a pele do pescoço do menor enquanto o apertava ainda mais forte em direção ao seu corpo. Yoongi sentiu um calor no pé da barriga, e isso não era bom. — Não precisa. — tentou se soltar do mesmo, mas ele parecia não querer larga-lo — Jeongguk, não insista. — Tudo bem. Mesmo aparentando não querer, Yoongi se afastou do mais novo e se pôs a subir as escadas, Jeongguk o acompanhava lhe dando certo espaço, poderia reconhecer um homem confuso de longe, e Yoongi estava completamente perdido em si mesmo, era óbvio o quanto aqueles momentos ao seu lado pareciam singulares demais para ele, provavelmente fosse algo incomum em sua vida, ou seu primeiro contato homoafetivo. O mais velho entrou no banheiro do quarto, e demorou bem mais do que o necessário para se estar limpo, o silêncio constante no banheiro dava a impressão de que não havia ninguém ali, e ver o mais velho reaparecer com os olhos avermelhados e bochechas vermelhas lhe dava toda a certeza que precisava. Yoongi havia chorado. Mas por que chorar? Eles estavam sozinhos, não haveria julgamentos para nenhuma de suas ações, ninguém ali lhe criticaria por ser gay ou qualquer coisa que fosse. Por que Yoongi aparentava sofrer tanto? Isso era algo que talvez Jeongguk nunca fosse entender, e o pior de tudo era ter que esperar suas ordens, ficar parado até o momento que o Min lhe desse uma brecha. Isso era torturante. Yoongi era seu cliente mais incomum, ele era frio demais e ao mesmo tempo carente demais, agindo como se lutasse internamente para não se libertar, como se um grande monstro habitasse em seu interior e fosse perigoso demais o deixar sair. Quem era Min Yoongi? — Eu trouxe o nosso jantar. — Jeon anunciou — Assim podemos comer juntinhos aqui, num ambiente mais aconchegante. Luhyun fazia isso quando queria ter algo a mais, era sempre assim que ela começava a insistir, nas raras vezes em que tinham relações, sempre por incentivo dela, após uma enorme insistência. Mas por que com Jeongguk aquilo parecia ainda mais atrativo? Yoongi sentou-se em uma das pontas da cama, bem ao lado da mesinha improvisava que Jeongguk havia arrumado, o mais novo havia até mesmo pedido para prepararem seu prato favorito. Aquilo era covardia, então isso era contratar o homem perfeito? Esses garotos eram caros justamente por conseguirem ser tudo o que seus clientes pediam, e quanto mais tempo o tinha por perto, mais certeza tinha que aquele foi seu dinheiro mais bem gasto. Não conseguiu negar quando o mais novo pediu para servi-lo na boca, por mais que ainda se reprimisse por dentro por estar cedendo tão rapidamente, quase como se estivesse hipnotizado. Merda! Ele estava o seduzindo, e o pior de tudo era que o desgraçado fazia isso de forma tão sutil que Yoongi se deixava levar como uma simples folha é carregada pelo vento. E Jeongguk era um furacão. Não conseguia parar de olhar, até a forma com que o Jeon levava a comida até sua própria boca era alucinante, se sentia o pior dos homens por imaginar como aquela boca ficaria colada à sua. Depois de terminar Yoongi correu para o banheiro novamente, porém desta vez deixou o Jeon entrar com ele, afinal, apenas escovariam seus dentes e nisso não existia m*l nenhum. A pia era dupla, assim como Luhyun queria quando se casaram, o que era perfeito. Observava o rapaz pelo reflexo no espelho, os olhos dele pareciam distantes, ele estava pensando em algo. No que Jeongguk pensava? Talvez passar por aquilo não fosse agradável para ele, talvez o Jeon odiasse a vida que levava, e fazia isso apenas por um motivo muito especial. Não tinha o direito de perguntar. Ou pelo menos coragem ainda não tinha. Jeongguk terminou, porém não saiu do banheiro, continuou ali ao seu lado até que terminasse de escovar seus dentes. E mesmo depois de ter terminado Yoongi ficou parado diante do espelho, se perguntando mentalmente sobre os motivos que o levavam a ser assim. — Tem pasta de dente na sua bochecha. — acordou de seus pensamentos aos avistar o rosto sorridente de Jeongguk diante de seus olhos. Não conseguiu reprimir seu próprio sorriso. — Ah, eu não vi. — levou uma de suas mãos até sua bochecha direita, porém teve sua mão segurada antes que seguisse limpar seu rosto. Não esperava que ele fosse fazer aquilo. Jeongguk lambeu sua bochecha para remover a pasta. Yoongi sentiu seu corpo gelar com o toque áspero da língua sobre seu rosto, com o susto seus olhos se abriram mais do que o costumeiro, ele quase deu um passo para trás, e teria corrido para longe se o Jeon não estivesse segurando seu braço. — Desculpe. É que sua pasta dental tem um gosto muito bom.   Yoongi ainda permaneceu no banheiro por mais alguns minutos olhando sua imagem no espelho, e tudo o que conseguia ver era um homem de 36 anos bem-sucedido, porém confuso e incompleto. Tinha um homem o esperando na cama, e não conseguia fazer nada, por ser covarde demais para assumir-se para si mesmo. Voltou para o quarto, e como o imaginado Jeongguk o esperava na cama, a TV estava ligada, e o Jeon o esperava com um espacinho entre suas pernas, onde Yoongi deveria sentar. Mas que merda! Queria ficar ali a noite toda, queria estar com ele como jamais quis estar com Luhyun. Que merda! — Vem cá, Yoongi, vamos ver um filme juntos. E ele foi, tentando concentrar-se ao máximo apenas no momento, e em como se sentia confortável no colo do Jeon. O corpo do mais novo era tão quente e confortável, poderia mandar toda a sua consciência ir se f***r só para poder estar ali com ele. E isso era tão errado. — O que você quer assistir, meu querido? — Jeongguk perguntou enquanto zapeava os canais da TV, Yoongi ainda se acomodava no peito do mesmo. Aquele era o melhor lugar do mundo. — Você pode escolher. Jeongguk procurou por algo que pudesse agradar os dois, e ao mesmo tempo que conseguisse passar qualquer mensagem que fosse para Yoongi. Qualquer mensagem que fosse. E ele acabou achando, talvez não fosse a melhor opção de todas, mas era a melhor no momento, um filme sobre dois rapazes que se apaixonam no colegial, mas apenas um deles estava disposto a lutar para ficarem juntos, enquanto o outro queria se manter escondido e manter seu status de pegador heterossexual. — Vamos ver esse aqui. — Tem certeza? — Tenho. Yoongi se sentia desconfortável por estar no colo de um homem enquanto assistiam a um filme gay, tudo o que ocorresse na tela da TV acarretaria em reações em seu corpo, e isso poderia não acabar bem, torcia para que nenhuma cena mais quente surgisse na tela. Tudo estava indo bem, o filme parecia bom, e a história era envolvente, estranhamente Yoongi conseguia se identificar com um dos personagens, o personagem que não queria que soubesse de seu relacionamento secreto com um homem, e isso não era bom. Se sentia estranho em relação aquilo tudo, e no fundo, se culpava, parte de sua repressão atual vinha de seu passado. Deveria ter entendido tudo o que se passava dentro de sua cabeça quando ainda era adolescente, e se entender depois dos 30 parecia ser a coisa mais impossível do mundo. Mas que merda! — Está gostando do filme, Yoongi? — Jeongguk perguntou lá pela metade, rodeando seus braços ainda mais forte pela cintura do Min. Aquilo era tão bom. — Estou, estou sim. Uma cena mais quente começava a acontecer, os personagens se despiam para que o parecia ser a primeira relação s****l que teriam. Um deles parecia estar inseguro com o que aconteceria, e o outro o incentivava a continuar. E quando os dois pareciam finalmente estar prontos tudo começou a acontecer de verdade. Yoongi não queria reagir da forma que estava reagindo, a medida que os personagens intensificavam aquele ato, mais quente o Min se sentia. Céus! Eles pareciam tão bem um com o outro, por que não conseguia se dar a chance de ter essas mesmas sensações? Pele com pele, boca com boca, os lábios desciam por toda a extensão do corpo de um deles. Sentia sua boca salivar, e isso era tão errado. Sentiu uma das mãos do Jeon deslizar por seu abdômen, enquanto a outra ia na direção de sua coxa. Yoongi se sentia quente, mais quente do que jamais se sentiu com Luhyun, se é que já havia se esquentado com ela. Os personagens agora se encontravam nus, um ao lado do outro, se encarando enquanto criavam coragem para dizer sabe-se lá o que. Jeongguk deslizou seu nariz por toda a extensão do pescoço do Min, lhe arrancando um arrepio involuntário, e foi somente aí que se deu conta do quanto estava se entregando. Estava se entregando para um homem, deixando que um homem o acariciasse e ficando bem com isso. Mas que merda! Estava ficando e******o pelo Jeon! — Acho... — Yoongi tentou falar — Acho melhor dormirmos. Yoongi se alarmou, afastou-se do Jeon e foi para uma das pontas da cama, ficando o mais longe possível do rapaz, queria se acalmar, estava ficando animado demais com toda aquela aproximação, e isso não era bom. Isso era péssimo, muito mais do que esperava sentir na segunda noite juntos. — Não quer ver o final do filme? — Jeongguk perguntou, tentando se aproximar de forma sutil. — Não. Jeongguk entendeu o que havia acontecido, Yoongi estava com vergonha, e ao mesmo tempo estava com medo, aquilo tudo era novo pra ele, e os toques do Jeon eram praticamente os primeiros toques que recebeu de outro homem. Aquilo era uma grande confusão! Desligou a TV, e ainda ficou alguns minutos parado observando as costas do Min, queria entender o que se passava em sua cabeça, por mais confuso que aquilo fosse, de certa forma, queria ajuda-lo. O Jeon deitou-se, e calmamente se aproximou do corpo pequeno de Yoongi, o abraçando pelas costas como na noite passada. O Min não se afastou. Beijou seu rosto de forma carinhosa, e sentiu as bochechas de Yoongi se contraírem, ele havia sorriso. Isso era bom. Continuou ali por mais alguns minutos, apenas dando pequenos beijinhos em seu rosto, descobrindo que isso era algo que o Min adorava. — Não tenha medo, meu pequeno, eu estou aqui apenas para te fazer bem.
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