Aluga-se Um Abraço

1891 Words
Abriu seus olhos, o som do despertador durava até ele estalar os dedos, que foi o que fez. As mãos grandes ainda estavam ao seu redor, seu interior ainda martelava a culpa, alugou um homem, ele estava ali, ele era seu, ele lhe havia obedecido, ele não o avia soltado, sentiu seu calor a noite toda e gostou disso. Era um depravado. Virou-se para ele afim de ver seu rosto, o Jeon estava com seus olhos abertos, apenas esperando pelo momento que o Min acordaria. E assim como lhe foi ordenado na noite anterior, o garoto beijou a testa do mais velho e abriu um sorriso. — Bom dia, querido. — ele disse, completando a ordem. — Bom dia, meu querido. — o Min respondeu, da mesma forma que respondia para sua esposa todas as manhãs, e pela primeira vez o meu não saiu de forma estranha. Afinal, Luhyun nunca havia sido sua, como Jeongguk era. Levantou-se da cama, deixando lá o rapaz, que ainda o encarava esperando por suas ordens, costumava dar banho em seus clientes pela manhã, a maioria deles gostava de ter suas costas esfregadas pelo rapaz, ou simplesmente faziam sexo antes que o mesmo fosse para o trabalho ou saísse para qualquer lugar. Porém, Yoongi não aparentava querer nada disso. — Não quer que eu esfregue as suas costas? — Não! — o cortou de imediato — Tomarei banho sozinho, você me espera aqui e depois escova os seus dentes, pode tomar banho depois que tomarmos café. Jeongguk apenas assentiu concordando. Yoongi estava sendo de longe o seu cliente mais peculiar, quase como se estivesse com medo de ser tocado, ou como se provasse algo para si mesmo o tempo todo. Porém não reclamaria, já havia estado com clientes desagradáveis, alguns até mesmo o machucaram, e se permanecer daquela maneira não o machucava, não reclamaria de nada, afinal, tinha a opção de aceitar ou não o cliente. O Min não demorou muito no banho, e depois que reapareceu o mandou escovar os dentes, ordenando que ficasse lá até que o permitisse sair. Yoongi não queria que ele o visse enquanto se vestia, nenhum homem jamais havia visto seu corpo, ele era magro e inseguro quanto a isso, enquanto o Jeon era forte e cheio de músculos, comparado ao dele, o corpo do Min era quase feminino. Deixou que ele saísse alguns minutos depois, o rapaz ficou sentado na ponta da cama esperando até que Yoongi terminasse, o mais penteava seus cabelos pretos enquanto se observava pelo espelho. Escolheu duas gravatas e as estendeu para o Jeon, esperando que ele apontasse uma delas. — Prefere a preta ou a azul? — o mais velho perguntou. — A preta combina mais com você. Luhyun sempre escolhia a azul. Yoongi ficou com a preta. Depois os dois desceram para tomar café, e Yoongi preferiu não se incomodar com a primeira mania notada, Jeongguk gostava de andar com os pés descalços. A mesa já estava posta, sentou-se em seu lugar de sempre, informando ao rapaz que deveria sentar-se bem ao seu lado. Quando a senhora que cuidava da casa apareceu segurando a última jarra de suco, ela quase a derrubou assim que notou o rapaz ali. Nenhum homem além de Yoongi jamais havia dormido naquela casa. — Bom dia, Sr. Min. — ela se enrolou para falar. Colocou a jarra sobre a mesa e praticamente correu para dentro da cozinha novamente. Porém foi parada no caminho. — Bom dia, Seungwan, este é Jeon Jeongguk. — Yoongi informou — Ele ficará aqui alguns dias, deve colocar um lugar a mais para ele na mesa. — Sim senhor. A mulher voltou com um prato e um copo minutos depois. Yoongi não conversou nada durante todo o café da manhã, apenas apreciou ter a companhia de alguém, o observou a forma como o garoto colocava açúcar demais em tudo, o Jeon ainda comia quase como uma criança, experimentando de tudo e fazendo careta quando não gostava de algo. Ele conseguia ser fofo quando fazia aquilo, e estranhamente ficava ainda mais atraente assim. Ao terminarem Yoongi foi o primeiro a levantar-se da mesa, o Jeon o seguiu até a sala, o vendo pegar sua maleta, que estava jogada sobre o sofá. — Estou indo trabalhar, pode ficar à vontade na casa, todas as senhas que precisar estarão na parte interna do meu guarda-roupa, pode entrar em todos os cômodos, apenas evite entrar no meu escritório, não quero que desorganize meu material de trabalho. — passou as ultimas informações, olhava o relógio no pulso verificando se não havia se atrasado — Volto para o almoço, esteja vestido de forma simples e me receba com um abraço assim que me ver. Jeongguk anotou tudo mentalmente. — Como quiser, Yoongi. O Min saiu.   [...]   Mesmo sendo um profissional, Jeongguk não deixava de ser um garoto curioso, assim que se viu longe dos olhos de Yoongi, tratou de verificar todos os cômodos do apartamento, o lugar era enorme, uma cobertura cara, a qual não conseguiria pagar nem em cinco vidas. Passou pela porta do escritório do Min, observando apenas da porta, era de longe o cômodo mais organizado da casa. Ao entrar na cozinha se deparou com duas senhoras, uma delas era a que havia lhe trazido o prato, e a outra aparentava ser a cozinheira da casa. Por saberem que Yoongi não estava mais na casa, uma delas, a cozinheira, não resistiu em perguntar. — É algum amigo do Sr. Min? Costumeiramente, quando ficava com seus clientes, eles o levavam para locais desertos, ou viajavam para alguma praia, o apresentando como um amigo, as mulheres o apresentavam como namorado, algumas até mesmo diziam ser seu filho. Mas como se portar com Yoongi? Estavam em sua própria casa, com pessoas que conviviam com ele diariamente, o que disse ficaria pra sempre. — Dormiram no mesmo quarto. — a outra, provavelmente a que fazia a limpeza de tudo, respondeu antes dele — Duvido que sejam apenas amigos, e você é novo demais para ser algum sócio ou algo do tipo. — ela parecia ser o tipo de mulher que não deixava passar nada — É algum garoto de programa? Pode dizer, meu bem, não nos arriscaríamos a espalhar nenhum boato, trabalhamos com o Sr. Min há anos, conhecemos o sigilo dessa casa. Seungwan se referia a falta de amor entre ele e sua antiga esposa, algo que já havia sido notado por todos que trabalharam ali, eles eram apenas amigos, algo claro, e aquela informação jamais saiu dali. — Fui contratado para ser o que o Sr. Min quiser que eu seja. — era uma resposta automática, Jeongguk odiava ser chamado de garoto de programa. Por mais que no fundo fosse isso, não havia nenhuma diferença no fim das contas, ele acabava transando com seu cliente, pegando seu dinheiro e indo embora, os termos de uso e as regras impostas pela empresa Adote, eram apenas uma forma de deixar os programas mais caros. E a quem enganaria? Ele era um bonequinho de luxo caro. — Um acompanhante de luxo. — a cozinheira concluiu — Você é muito bonito, deve ser bem caro. E ele era, a empresa sempre lucrou muito com o seu valor exorbitante, pena que apenas uma pequena porcentagem ia para ele, daria para ter uma vida de luxo mesmo com essa pequena porcentagem, se gastasse tudo consigo mesmo. Aquelas mulheres não aparentavam querer ofende-lo e muito menos o tratar m*l, pareciam apenas curiosas, era a primeira vez que viam um rapaz ali pela manhã, era algo fora do comum e completamente inesperado vindo de Yoongi. Jeongguk conversou com elas boa parte da manhã, as mulheres o disseram das coisas que Yoongi gostava, e de uma forma sutil, o Jeon lhe explicou a vida que vivia. Não esperava encontrar empatia ali. Sentou-se no sofá da sala esperando pelo momento em que Yoongi chegaria, o almoço já estava quase pronto, e a cozinheira lhe disse que essa era a hora que Yoongi costumava chegar. E não demorou muito até ver a porta abrir, o Min passou por ela, jogando sua maleta sobre o sofá no momento, tirando seu paletó de forma agoniada. Jeongguk o abraçou no momento seguinte, e por aqueles pequenos segundos o Min se permitiu apenas sentir o odor masculino do mesmo, misturado com o frescor do banho recente do mesmo. Nunca imaginou que estaria tão inebriado por o cheiro de um homem, e descobriu que perfumes amadeirados eram os seus favoritos. — Eu vou tomar banho, me espere na mesa. Yoongi sumiu pela porta do quarto. Jeongguk o esperou na mesa até que Yoongi reaparecesse, novamente de terno, e com a mesma gravata que avia colocado de manhã, Jeongguk pôde notar que o Min gostava de ternos cinzas. O mais ocupou seu lugar na mesa e esperou até que fosse servido pela empregada, o lugar de Jeongguk já havia sido posto como o ordenado. O garoto também foi servido, porém aparentava não ter gostado nada da comida, mas mesmo assim comeu, era inevitável não notar a expressão de desgosto do mesmo. Todavia, por que ele não reclamava? Como já havia dito, nem sempre os clientes o tratavam bem, alguns deles ficavam irritados quando o Jeon reclamava da comida, sendo que até mesmo já foi agredido por uma simples reclamação. — Não precisa comer o que não gosta, tem mais coisas na cozinha, caso não goste do que foi feito. — o Min resolveu se manifestar, se sentia incomodado por saber que Jeongguk estava se forçando a comer algo que não queria. O garoto sorriu e assentiu, empurrando o prato para longe. Seungwan apareceu minutos depois com outra coisa, algo que o Jeon comeu sem reclamar, pois estava de seu agrado. No fundo, se sentia com sorte por ter pego um cliente como Yoongi, que aparentava se importar com suas vontades, por mais que algumas vezes parecesse ser alguém frio que agia de forma automática. Yoongi estava carente por um calor que esquentasse toda aquela frieza, foi essa a conclusão do Jeon. Não tinha tanto tempo, então de comer Yoongi levantou-se da mesa deixando Jeongguk lá, informou que escovaria seus dentes e depois queria encontra-lo da porta de saída antes de ir. E depois que acabou de comer, Jeon foi direto para sala, esperando Yoongi por lá. O Min apareceu, seu rosto estava molhado, porém não faria perguntas. — Chego ao anoitecer, já sabe o que deve o que não deve fazer. — ele disse — Agora me abrace e beije minha testa, diga que estará me esperando para o jantar. Mais uma ordem completamente carente do Min, era claro que isso era tudo o que ele queria, Jeon já havia sacado, Yoongi queria carinho, e não sexo, por isso evitava toques íntimos. Mas por que aparentava vergonha diante seu corpo? Se o Min era um homem gay que se escondia da sociedade preconceituosa, por que se esconder mesmo estando dentro de casa e longe dos olhares? Afinal, o que Min Yoongi estava tentando provar? Sem nenhuma indagação, Jeongguk o abraçou e sentiu o Min esconder-se naquele abraço, ele era muito menor, e se encaixava da melhor maneira, Jeongguk imaginava que aqueles abraços fizessem Yoongi se sentir mais calmo, como um pedido mudo de proteção. — Estarei te esperando para o jantar, não demore, sentirei sua falta.
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