CAPITULO 7

1395 Words
KLAUS PETROV Chegamos há pouco à boate. O lugar está uma verdadeira loucura. Eu já quase tinha me esquecido de como a vida noturna na Itália é maravilhosa — não que na Alemanha ou na Rússia fosse r**m, mas a Itália tem um diferencial inegável, tenho que admitir. Estou ali, fingindo beber e conversar com o Caio e o Enzo... ou melhor, ouvindo os dois falarem praticamente sozinhos na minha cabeça. Consigo focar zero na conversa porque meus olhos estão hipnotizados pela Leila, que se move na pista de dança daquele jeito. Quando cheguei na sala mais cedo e a vi arrumada me esperando — tão pontual —, por alguns segundos eu perdi o ar completamente. Minha mente foi direto para uma análise milimétrica de cada curva do seu corpo esbelto. Leila é linda demais, e esse vestido de cetim colado está esculpido nela. Nunca na minha vida senti tanta inveja de um pedaço de tecido quanto estou sentindo desse vestido agora. — Klaus, você está nos ouvindo? Não, claro que não estava! — disparou o Enzo. — Sim, Enzo, só que você fala demais, cara — respondi de qualquer jeito. Caio começou a rir da cara de tacho que o Enzo fez, e o i****a me mostrou o dedo do meio. — Boa noite, senhores — uma voz enjoativa anunciou. Era a Samantha, a p*ta fixa do Enzo. Eu jurava que, depois de casar, ele criaria vergonha na cara e pararia de sair com ela, mas pelo visto eu estava redondamente enganado. Enzo se levanta no mesmo segundo e some com ela em direção às salas coloridas do camarote. Caio solta um suspiro pesado, mas prefere não dizer nada. — O Enzo não sabe com quem está brincando. A Beatrice pode até amar ele, mas o dia que ela decidir fazer ele sofrer de verdade, ele vai sentir na pele tudo o que está causando... — comento, balançando a cabeça. — O Enzo é um babaca, Caio. É nítido que ele gosta da Bea, mas prefere viver na ilusão de que todas as mulheres são iguais à vagabunda da ex dele. Estou torcendo fervorosamente para o dia em que a Beatrice acorde e coloque esse i*****l no lugar dele. Aguardo por esse dia sentado e ansioso. Caio e eu nos levantamos e ficamos debruçados na grade do camarote, observando Louise, Beatrice e Leila se acabando de dançar na pista. Rogo todo o meu foco para a Leila: ela sobe e desce no ritmo da batida, passando as mãos pelas coxas de um jeito que faz o vestido subir levemente. Pego-me imaginando a cor da calcinha dela, o tecido, se é de renda, se é fio dental... Sacudo a cabeça com força, mandando esses pensamentos pecaminosos para longe antes que eu perca o controle. — Olha, Klaus... de todos nós aqui, você foi o último que eu achei que casaria de verdade na vida — Caio diz, me olhando com um sorriso torto. — E, quando sugeri que fosse você a se casar com a Leila, confesso que não achei que aceitaria tão rápido. Mas agora, olhando para o jeito que você não tira os olhos dela, vejo que você já tinha essa decisão tomada no fundo da mente... só não sabia ainda. Nesse exato momento, Louise chama as meninas para irem até o bar, e eu vejo a Leila pedir mais uma dose de gin. Pelo andar da carruagem, hoje eu vou ter que carregar uma mulher muito linda e perigosamente bêbada de volta para casa. Caio e eu engatamos em uma conversa mais agitada sobre os negócios na Rússia quando a Louise reaparece no camarote, respirando fundo. — Cansou foi? — Caio pergunta, erguendo uma sobrancelha. — Sem álcool é absolutamente impossível acompanhar o ritmo da Beatrice. Ainda bem que agora eu tenho a Leila para dividir o fôlego da Bea comigo. — Quer ir para casa? — ele pergunta, já suavizando o tom. — Sim! — Então vamos — Caio se levanta, despede-se de mim com um aceno rápido e pede para que eu deixe a Beatrice em casa depois, já que ele prefere não cortar a onda e a diversão da esposa. Passado mais de um tique-taque de relógio, decido que já deu a hora de recolher a tropa. Desço até a pista de dança e noto que a Bea ainda está bem consciente, mas a Leila... bom, a Leila já está entregue aos encantos do álcool. — Vamos — sussurro bem rente ao ouvido dela, segurando de leve em seu braço para tirá-la do meio da muvuca. — Klau-sus... vem dançar comigo, ué! — ela resmunga, rindo e me puxando de uma vez. Seu corpo choca-se contra o meu com força, me obrigando a envolvê-la pela cintura para evitar que ela caísse ali mesmo. — Leila, já está tarde da madrugada e temos que deixar a Beatrice em casa. Vamos, outro dia a gente volta — falo, tentando manter a voz firme apesar da proximidade absurda. Ela concorda com a cabeça meio tonta e seguimos para o carro. O caminho inteiro foi um festival de risadas: ela e Beatrice foram conversando sem parar, com a Bea se divertindo horrores com as tiradas da Leila, que falava tudo embolado por causa das doses a mais. Deixamos Beatrice na casa dela. Leila acabou capotando e pegou no sono ali mesmo, no banco do carona. Beatrice dá um beijo carinhoso na testa dela antes de descer do carro, mas antes de fechar a porta, inclina-se para mim com um olhar cúmplice: — Obrigada pela carona, Klaus. E, se me permite um conselho de amiga: não seja um babaca igual ao Enzo. Nenhuma mulher merece ser tratada daquele jeito, principalmente uma que já passou por tantos traumas na vida... Ela tem toda a razão. A Leila já sofreu o pão que o d***o amassou... — O Enzo ainda vai se arrepender amargamente por estar te fazendo passar por isso. — Vai mesmo, Klaus. E te garanto que não vai ser de um jeito brando — ela diz, abrindo um meio-sorriso melancólico antes de entrar. Fico parado esperando ela atravessar todo o jardim iluminado, e só quando perco sua silhueta de vista é que arranco com o carro. Chegando ao prédio, assim que o carro entra na garagem subterrânea, Leila acorda de supetão. Ela me olha meio perdida, piscando contra a claridade fraca do painel. — Já chegamos? — pergunta com aquela voz manhosa de quem estava nos braços de Morfeus. Respondo que sim com um gesto de cabeça. — Obrigada pela noite, Klaus. Faz tanto, tanto tempo que eu não me divirto de verdade assim... Fico observando-a se espreguiçar no banco. Suas bochechas estão levemente coradas pelo efeito do álcool, os lábios carnudos avermelhados pedindo atenção, e o cheiro dela... Caralho. Que cheiro maravilhoso, inebriante e fudidamente viciante. — Vamos? — ela pergunta, abrindo a porta. — Sim... — murmuro. Subimos em silêncio pelo elevador privativo direto para a cobertura. Quando abrimos a porta, o apartamento está mergulhado em uma penumbra densa, cortada apenas pela luz prateada da lua que entra pelas janelas de vidro da sala. — Boa noite, Klaus. É tudo o que ela me diz antes de girar os calcanhares e começar a subir as escadas, proporcionando-me a visão absolutamente implacável do seu traseiro rebolando suavemente a cada degrau. — Boa noite, Leila... — respondo num sussurro tão baixo que duvido seriamente que ela tenha escutado. Caminho até o pequeno bar montado na sala e viro de uma vez duas doses seguidas de The Macallan, tentando queimar a garganta e aplacar o fogo que começou a subir. Minha mente traiçoeira insiste em povoar meus pensamentos com imagens sujas: imagino como seria a sensação de ter a Leila rebolando exatamente daquele jeito em cima de mim, de explorar cada centímetro daquele corpo perfeito sem nenhuma barreira atrapalhando a trilha pecaminosa que os meus dedos traçariam. “Primeiro, Klaus, você precisa ter a decência de contar para ela que vocês estão noivos.” A voz da razão me dá um bote. Droga. Eu preciso contar logo essa merda para ela. Não sei por que estou hesitando tanto, sendo que, no fim das contas, assim como eu, ela também não tem escolha nessa porra... “Ah, larga de mentir para si mesmo, Klaus. Você teve escolha sim... e no fundo escolheu ela.”
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