Entre a Vergonha e o Desejo

2621 Words
Aviso: Este capítulo contém linguagem e cenas de teor adulto (hot) com caráter tóxico, porém consensual entre personagens maiores de 18 anos. Leitura destinada a leitores(as) adultos. Uma Rotina Difícil de Engolir Bianca saiu da suíte de Gabriel ainda com as pernas trêmulas e o coração disparado. Tinha acabado de viver um dos momentos mais humilhantes de sua vida e, ao mesmo tempo, ainda sentia o corpo tomado por uma mistura desagradável de vergonha, culpa e — algo que detestava admitir — uma sombra de prazer involuntário. Ele não perdera tempo em reivindicar seu “direito” sobre ela. E agora, tudo que conseguia pensar era em como encará-lo novamente no andar de baixo. Desceu as escadas mansão afora, até chegar ao salão onde Gabriel a aguardava, sentado em uma poltrona de couro próxima à lareira apagada. A postura dele era altiva, os botões da camisa já fechados, compondo a imagem impecável de um CEO. Quando a viu se aproximar, ergueu levemente o rosto, indicando que ela tomasse lugar na cadeira à frente. — Venha. Temos assuntos a tratar — disse, sem rodeios. Ainda um pouco zonza, Bianca parou a uns passos de distância. A lembrança do que acontecera naquela cama — o ritmo firme do corpo dele contra o seu, as ofensas, o toque insensível — tudo pulsava em suas memórias recentes. Engoliu a seco e forçou as pernas a se moverem, acomodando-se na cadeira. Tentou manter a coluna ereta, mas o olhar não conseguia se fixar diretamente no de Gabriel por muito tempo. — Se vista adequadamente na próxima vez — ele comentou, entrelaçando as mãos sobre o joelho. — Vou providenciar algumas roupas novas para você. Prefiro evitar… vexames. Bianca sentiu o estômago embrulhar. A insinuação de que suas roupas simples eram “vexames” soava como outro tapa na cara. Ainda assim, conteve a vontade de rebater. Precisava manter controle, pelo bem da filha e pela própria segurança financeira. — Certo… — murmurou. — O que mais quer discutir? Gabriel ergueu uma sobrancelha. — Sua rotina, por exemplo. A partir de agora, sempre que eu mandar, você vem. Pode ser de dia, de madrugada, em qualquer circunstância. Se eu quiser encontrá-la fora da mansão — em um hotel, numa viagem — você não questiona. Estamos entendidos? As palavras “não questiona” ardilavam nos ouvidos dela. Mas, novamente, era o acordo que assinara. Um nó formou-se em sua garganta. — Sim… eu entendi. — Bom. Fico satisfeito. — Ele descruzou as pernas e se inclinou um pouco. — Quanto à questão da sua filha, Letícia… você cuida para que isso não interfira em nada. Se precisar, pagarei uma babá, uma creche em período integral. Não me importa. Mas não aceito desculpas ou atrasos. Fui claro? A menção à menina fez o peito de Bianca doer. A ideia de deixar Letícia ainda mais tempo sob os cuidados de estranhos a incomodava. No entanto, ela não estava em posição de recusar. Precisou concordar com a cabeça, sentindo-se menor que uma formiga. — Outra coisa — Gabriel prosseguiu, agora com um sorriso enviesado. — Quero que você pare de usar esse sutiã e calcinha ridículos. Eu gosto de algo mais… apropriado. Vou enviar uma estilista ao seu apartamento. Ela vai medir, escolher lingeries decentes e roupas que combinem com meus gostos. Isso é uma ordem. Bianca crispou os lábios, de novo tentando não demonstrar a raiva e a humilhação. — Se é o que… você exige — respondeu, baixinho. Gabriel levantou-se, caminhando até ela. Abaixou-se ao seu lado, tomando o queixo de Bianca entre os dedos para obrigá-la a encará-lo. O gesto fez a espinha dela gelar. — Exijo, sim. Aliás, lembre-se de como me tratou hoje no quarto. Não se engane: você é a minha p**a, Bianca. Está me devendo obediência total. E se eu notar qualquer sinal de traição ou resistência que ultrapasse meus limites, eu arranco tudo que dei. Inclusive a segurança que você e sua filha têm agora. Entendeu? O tom dele atingiu-a como uma garra no peito. Precisou fechar os olhos para não deixar lágrimas escaparem. Era aterrador pensar em voltar ao tormento das dívidas e das ameaças de agiotas. Precisava segurar firme o pouco que Gabriel oferecia. Precisava, sobretudo, manter Letícia fora disso. — Entendi… — repetiu, a voz abafada. — Não vou… trair você. Só quero resolver minha vida. Ele soltou o queixo, acariciando de leve o rosto dela antes de se afastar. O gesto quase pareceu um esboço de ternura, mas logo virou desprezo, como se a tocasse para confirmar sua posse. — Então cumpra o contrato — murmurou. Ela assentiu em silêncio, sem força para discutir. Retorno ao Apartamento Pouco depois, Gabriel a dispensou. Um motorista a levou de volta ao apartamento, onde Letícia aguardava com a vizinha. Quando Bianca entrou em casa, encontrou a menina desenhando no chão da sala, traçando rabiscos coloridos que lembravam flores e casinhas. O simples sorriso que Letícia abriu ao vê-la quase fez Bianca desabar de choro. Precisava se manter firme — por ela. — Oi, minha princesa. — Sentou-se ao lado da filha, puxando-a para um abraço. — Tudo bem, amor? — Tô com saudade, mamãe. Por que você some tanto? A pergunta inocente esmagava o coração de Bianca. Pensou em quantas vezes ainda teria de mentir para esconder a relação doentia que vivia com Gabriel. Forçou um sorriso, acariciando os cabelos finos da filha. — Eu… tô trabalhando, meu amor. Mas vai dar tudo certo. A gente tá bem, não estamos? — Tentou passar confiança. A menina anuiu, voltando a rabiscar um sol enorme no papel. Bianca suspirou, erguendo-se para cuidar do almoço. Precisava manter a rotina da casa, fingir alguma normalidade. Mas no fundo da mente, os ecos da voz de Gabriel não paravam de atormentá-la: “Você é minha… minha puta.” A Intromissão da Estilista Na tarde seguinte, o toque do interfone a surpreendeu. Uma mulher apresentou-se como Renata, enviada por Gabriel. Trazia uma mala e uma fita métrica — a “estilista” que ele prometera. Bianca abriu a porta com relutância, desconfortável em receber uma estranha na sala. — Boa tarde, dona Bianca — Renata sorriu, embora de forma profissional. — Tenho instruções para cuidar do seu guarda-roupa. O senhor Cavalcanti me passou algumas referências de estilo. Só de ouvir o nome dele, Bianca sentiu um calafrio. Desejava saber o que, exatamente, Gabriel definira como “referências”. Mas se limitou a conduzir Renata até o quarto, pedindo que Letícia ficasse brincando na sala. Por quase duas horas, a estilista tirou medidas, fez anotações e abriu catálogos de lingeries sensuais que deixaram Bianca envergonhada. Diversas peças com rendas, transparências e cortes provocantes que ela jamais escolheria para si. — O senhor Cavalcanti deixou claro que prefere cores escuras, especialmente preto e vermelho — Renata explicou, apontando um dos catálogos. — E comentou também sobre modelos mais ousados. Gostaria de experimentar algo? Bianca trincou os dentes. A ideia de “experimentar” lingeries diante dessa desconhecida, sabendo que seria para satisfazer os gostos do homem que a tratava como objeto, era sufocante. Mas não tinha saída. — Vamos… ver alguns, então. — Tentou manter a voz calma. — Não tenho muita escolha. Renata, embora profissional, parecia notar a tensão no ar. Mas não fez perguntas. Limitou-se a concluir as medições e se despedir, prometendo retornar com as peças em poucos dias. Quando Renata saiu, Bianca desabou na cama, abraçando o travesseiro, sentindo-se invadida. Agora, cada centímetro de seu corpo estava catalogado para agradar os caprichos de Gabriel. Um Intervalo Incômodo Passaram-se mais três dias sem qualquer mensagem ou visita de Gabriel. Uma trégua estranha, pois Bianca temia a qualquer momento o celular tocar e ouvir a voz fria dele exigindo que fosse até a mansão. Enquanto isso, ela tentava criar uma rotina digna para Letícia: levava a menina à creche pela manhã, voltava para casa, cozinhava, faxinava o que dava, e torcia para a vida seguir sem grandes sobressaltos. Em algumas noites, no entanto, ela se pegava acordada na cama, recordando o contato áspero de Gabriel — as mãos grandes dele explorando seu corpo, os insultos sussurrados ao ouvido, a forma brutal como a possuíra no quarto. Uma parte dela queria vomitar de ódio. Outra, para seu horror, lembrava-se de como o corpo reagira, chegando até a sentir prazer na confusão do momento. “Estou ficando louca”, pensava, culpada. “Não posso gostar disso.” Reencontro Inesperado Na manhã do quarto dia, o interfone tocou. Uma voz masculina informou que Gabriel Cavalcanti estava na portaria, perguntando se podia subir. Bianca quase derrubou o aparelho ao ouvir o nome. Estava sem tempo de se arrumar direito, mas não podia negar a entrada. Autorizou, sentindo o coração disparar. Assim que abriu a porta, deu de cara com a figura dele: terno escuro, relógio caro, expressão levemente impaciente. Aquela postura autoritária de sempre. — Pensei que fosse me deixar esperando no saguão — Gabriel ironizou, entrando sem pedir licença. Lançou um olhar rápido ao redor, verificando se o apartamento estava em ordem. — Onde está sua filha? — Na creche. — Bianca fechou a porta, cruzando os braços. — Ela fica lá até às quatro. — Ótimo. Então temos tempo. O tom dele fez um arrepio percorrer a espinha de Bianca. Gabriel espiou a sala, como se checasse cada canto. Em seguida, voltou-se a ela. — Você não me procurou nesses últimos dias. — Você não me chamou — ela rebateu, tentando não demonstrar tremor na voz. Ele apertou os lábios, aproximando-se. — Interessante, achei que fosse rastejar atrás de mim, implorando por dinheiro ou algo assim. Mas parece que está confortável aqui. — Você já pagou minha dívida, me instalou neste lugar. Não tenho o que reclamar nesse sentido… Gabriel deixou escapar um riso seco. — Então, Bianca, que tal me mostrar se está mesmo “agradecida”? Tire a roupa. A ordem foi direta, desprovida de qualquer jogo de sedução. Bianca engoliu em seco, olhando ao redor — o quarto de Letícia ficava no corredor, mas não havia ninguém ali. Mesmo assim, se alguém batesse à porta, seria um caos. Entretanto, a voz de Gabriel não demonstrava paciência para objeções. — Aqui? — ela murmurou, com o coração na garganta. — Aqui mesmo. Você assinou o contrato, lembra? Este é o nosso apartamento. — Ele enfatizou o “nosso”, como se tivesse total direito sobre cada cômodo. Bianca inspirou, fechando os olhos por um instante. Era mais uma humilhação, mas a alternativa era enfrentar a ira dele — e isso podia custar caro. Por fim, começou a desabotoar a blusa que usava, revelando um sutiã bege simples. Gabriel a deteve com um gesto de mão. — Cadê as peças que a estilista trouxe? Achei que já estivesse usando lingerie decente. Ela corou. — Ela veio tirar medidas, mas ainda não me entregou nada. — Hm. Então faça o melhor que puder com esse trapo mesmo. Mas depressa. Bianca terminou de tirar a blusa e, depois de hesitar, soltou a calça de moletom. Estava com uma calcinha sem graça, combinando com o sutiã. Sentia-se terrivelmente exposta ali no meio da sala. Gabriel tirou o paletó e jogou sobre o encosto do sofá, aproximando-se para observar cada detalhe do corpo que se revelava. — Vire — comandou. Bianca obedeceu, de costas para ele. — Agora fique de quatro no sofá. Vamos ver se você aprendeu algo desde aquela noite na mansão. A humilhação atingiu-a em cheio, mas a voz seca de Gabriel não permitia discussões. Tremendo, ela apoiou os joelhos no assento do sofá, apoiando as mãos também. Sentiu o estofado sob a pele e o ar frio tocar as nádegas expostas quando ele baixou a calcinha, deixando-a por volta das coxas. — Assim que eu gosto. Quietinha, obediente. — A mão dele deslizou pelas costas dela, descendo até o cóccix. — Sabe o que é engraçado? Você finge que me odeia, mas teu corpo sempre reage. Ela soltou um gemido abafado quando ele apertou suas nádegas, abrindo espaço para ver o sexo úmido que já respondia involuntariamente ao toque. Era uma tortura mental sentir o próprio corpo traí-la dessa forma. — Gabriel… — ela balbuciou, quase implorando para que fosse mais rápido, para acabar logo. Ele se inclinou, roçando a pélvis nas coxas dela. Em pouco tempo, Bianca ouviu o barulho do cinto sendo solto. Com movimentos apressados, Gabriel livrou-se do mínimo necessário para expor o m****o rijo. Segurou a cintura dela, encaixando-se sem cerimônia. — Tá molhada, hein? — Ele sussurrou, deslizando-se dentro dela de forma bruta. — Sabia que você gostava disso. A pressão repentina fez Bianca soltar um gemido. O prazer vinha misturado à humilhação, uma contradição enlouquecedora. Ele começou a estocar num ritmo firme, cada investida gerando batidas audíveis contra o corpo dela. A sala, vazia, ecoava os sons dos gemidos e da respiração acelerada. — Fala pra mim, Bianca — ele instigou, a voz rouca. — Diz que adora ser minha p**a. Ela quis gritar “não”, mas as palavras não saíam. O calor subindo por suas pernas, os m*****s roçando o tecido do sutiã. O corpo reagia com espasmos de t***o, mesmo que a mente negasse. A cada investida, sentia o quadril de Gabriel chocando-se contra ela, arrancando gemidos involuntários. — Fala, c*****o! — Gabriel intensificou as investidas, segurando-a pelos cabelos agora. — Você ama que eu te coma assim, não ama? Bianca, tremendo, deixou uma lágrima escorrer pelo canto do olho. Detestava a si mesma por sentir ondas de prazer surgindo naquele ato doentio. E ainda assim, a contragosto, a boca abriu-se: — E-eu… gosto… — As palavras saíram quase mudas, mas foram suficientes para satisfazê-lo. Gabriel soltou um rugido grave, enterrando-se até o fundo. Em seguida, seu corpo inteiro retesou, e um gemido surdo confirmou que chegara ao ápice. Ela estremeceu, sentindo um turbilhão de sensações e finalizando com espasmos que a deixaram totalmente sem fôlego. Foram segundos eternos até ele se afastar, deixando-a ofegante, ainda de joelhos sobre o sofá. Bianca se sentia suja, as pernas bambas e o peito arfando. Gabriel arrumou a calça, passando a mão pelos cabelos como se nada tivesse acontecido. — É isso que espero de você daqui pra frente — ele disse, num tom frio. — Sempre pronta. Sem desculpas. Entendido? Sem forças para responder em voz alta, ela apenas assentiu, os olhos marejados. O sentimento de impotência e repulsa consigo mesma era insuportável. Gabriel vestiu o paletó, sem ao menos olhar novamente para Bianca, que ainda tentava se recompor no sofá. Ele pegou as chaves e se dirigiu à porta, deixando apenas um aviso final: — Semana que vem tem um evento corporativo em que preciso de companhia. Vou mandar avisar o dia e a hora. Prepare-se — e não ouse me envergonhar em público. Então, saiu, batendo a porta atrás de si. No silêncio que se seguiu, Bianca deixou o corpo escorregar até o chão, abraçando os próprios joelhos, sentindo os vestígios daquele ato escorrer entre suas pernas. O coração ainda disparado, a mente caótica. Precisava se recompor antes que Letícia voltasse da creche, sem deixar vestígios do que acontecera. Era como viver em um inferno particular, onde o único alívio era a segurança financeira temporária que a prendia a Gabriel. E, ao lembrar que em breve estaria num “evento corporativo” ao lado dele, um aperto tomou seu peito: como seria encarar pessoas, fingir normalidade, enquanto o homem que a submetia a atos tão degradantes lhe exigia aparências e “bom comportamento”? A pergunta sem resposta pairava no ar, junto ao cheiro amargo de suor e humilhação que impregnava a sala.
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