Apollo estava deitado ao lado de Aria, observando as sombras dançarem na parede da cabana. A chuva lá fora caía com uma intensidade que parecia querer devorar o mundo, mas na cabana, o som era apenas um sussurro distante.
Ele se perguntava o que a levou até ali. Aria parecia carregar um peso invisível em seus ombros, algo que ela tentava esconder atrás de olhos insondáveis. Havia algo misterioso nela, algo que o intrigava profundamente.
Enquanto contemplava a desconhecida ao seu lado, os pensamentos de Apollo vagueavam para longe, para o seu reino. A iminência da guerra pairava como uma sombra sobre sua mente. Ele sabia que seu irmão, Luk, estava lutando para manter a paz e a ordem enquanto ele estava ali, preso, incapaz de ajudar.
A necessidade de encontrar ajuda pesava em seus ombros. Os Dragons eram conhecidos por sua força e sabedoria, e Apollo sabia que precisava buscar sua aliança se quisesse ter alguma chance na batalha que se aproximava. Mas agora, com a chuva forte mantendo-o cativo naquela cabana, seus planos pareciam distantes e inatingíveis.
Apollo virou-se para encarar Aria, observando-a por um momento. Ela parecia perdida em seus próprios pensamentos, seus olhos fixos em algum ponto além das paredes da cabana. Será que ela também tinha seus próprios fardos para carregar?
— Você está bem? — Apollo perguntou, rompendo o silêncio que os envolvia.
Aria hesitou por um momento, seus olhos encontrando os dele em um breve momento de vulnerabilidade antes de desviar o olhar.
— Estou… apenas pensando. — ela respondeu vagamente.
Apollo assentiu, compreendendo que havia mais naquele silêncio do que ela estava disposta a compartilhar. Ele voltou seu olhar para o teto da cabana, sentindo o peso de suas próprias preocupações pressionando sobre ele.
Algum tempo depois…
Apollo ainda estava perdido em seus próprios pensamentos quando foi despertado pelos resmungos de Aria. Ela se remexia na cama ao seu lado, murmurando palavras incompreensíveis. Intrigado, ele observou enquanto ela repetia as palavras “não” e “mamãe” em um tom angustiado.
Curioso, Apollo se inclinou mais perto e notou que as mãos dela estavam pressionadas contra a coberta, onde ela parecia estar queimando-a. Um franzir de preocupação cruzou seu rosto quando ele viu o tecido começar a se contorcer sob o calor de suas mãos.
Decidido a acordá-la antes que ela se machucasse, Apollo sacudiu gentilmente o ombro de Aria, chamando-a suavemente pelo nome. Ela se sobressaltou, os olhos se abrindo lentamente em confusão.
— Aria, você está bem? — Apollo perguntou, sua voz cheia de preocupação.
Aria piscou algumas vezes, tentando se orientar enquanto olhava ao redor da cabana. Seu coração começou a bater mais rápido quando percebeu a expressão preocupada no rosto de Apollo.
— O que aconteceu? — ela perguntou, sua voz trêmula.
Apollo indicou as mãos dela e a coberta queimada.
— Você estava se mexendo na cama e parecia estar tendo um pesadelo. E suas mãos… elas estavam queimando a coberta.
O rosto de Aria empalideceu quando ela olhou para suas mãos, vendo os vestígios do calor que ela havia involuntariamente liberado. Pânico se instalou em seu peito quando ela percebeu estar prestes a ser descoberta.
— Eu… eu não sei o que aconteceu. — Ela murmurou rapidamente, sua mente trabalhando freneticamente em uma desculpa plausível. — Deve ter sido um pesadelo r**m, eu… eu não costumo ter essas reações.
Apollo estudou-a por um momento, seu olhar penetrante buscando respostas que ela não queria dar. Mas antes que ele pudesse questioná-la ainda mais, Aria desviou o olhar e começou a se desculpar, desejando voltar ao sono como uma maneira de evitar mais perguntas.
No entanto, enquanto ela tentava se acalmar, o coração de Aria estava pesado com o peso de seu segredo ardente, sabendo que Apollo em nenhum momento poderia descobrir sobre ela.
O que deixava ela aliviada era que a chuva passará em alguns dias e logo ela irá embora. Cada um seguiria seu próprio caminho e nunca mais iriam se ver.
[…]
Apollo estava mergulhado em um sono profundo quando foi despertado pelo som de móveis sendo arrastados. Confuso, ele abriu os olhos e viu Aria empurrando uma pequena mesa para o lado, abrindo espaço no centro da cabana.
— O que está acontecendo? — ele perguntou, esfregando os olhos para clarear a visão.
Aria virou-se para ele, uma expressão determinada em seu rosto.
— Preciso de espaço para treinar um pouco. — explicou-a. — Treinar alguns movimentos de luta irá me distrair e ajudar a clarear minha mente.
Apollo observou enquanto ela se preparava, movendo-se com uma graça surpreendente enquanto começava a praticar seus movimentos. Ele ficou impressionado com a fluidez de seus movimentos e a determinação em seus olhos.
— Você tem ótimos reflexos e movimentos — ele disse, surpreso.
Aria assentiu, sua concentração continua fixa em seu treinamento.
— Meu pai me ensinou algumas técnicas de autodefesa quando eu era mais jovem. — Ela explicou.
Apollo observou-a por um momento, impressionado com sua determinação em encontrar uma maneira de lidar com o que quer que a estivesse incomodando. Ele se levantou da cama e se juntou a ela no espaço aberto, oferecendo-se para ajudar.
— Você gostaria de lutar comigo? — ele perguntou, esperando que ela aceitasse o desafio.
Aria relutou por um momento, seu olhar indeciso refletindo a incerteza. No entanto, após uma breve pausa, ela finalmente assentiu.
— Talvez um pouco de treinamento prático seja útil — ela concordou. — E ter um oponente parece bom.
Eles se posicionaram no pequeno espaço disponível na cabana, prontos para começar. Os movimentos eram rápidos e fluidos, cada um tentando antecipar os ataques do outro. Apollo ficou impressionado com a agilidade de Aria e a rapidez de seus reflexos.
No entanto, em um momento de descuido, Apollo escorregou e caiu, levando Aria com ele. Eles acabaram em uma pilha desajeitada, com Aria por cima dele, seus rostos tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro.
O clima na cabana mudou instantaneamente, tornando-se carregado com uma tensão elétrica. Os olhos de Apollo encontraram os de Aria, e por um momento, o mundo ao seu redor parecia desaparecer, deixando apenas os dois ali, presos em um momento de i********e inesperada.
O coração de Aria batia descontroladamente em seu peito, e ela podia sentir o calor irradiando do corpo de Apollo sob o seu. Ela engoliu em seco, tentando afastar os pensamentos tumultuados que ameaçavam dominar sua mente.
Por um instante, nenhum dos dois se moveu, cada um preso em seu próprio mundo de emoções conflitantes. Mas então, lentamente, eles se afastaram um do outro, quebrando o contato visual e se levantando do chão.
Aria limpou a garganta, tentando disfarçar a intensidade do momento.
— Acho que já treinamos o suficiente por hoje. — Ela disse, sua voz um pouco trêmula.
Apollo assentiu, sua mente ainda girando com a proximidade que acabara de compartilhar com Aria. Eles voltaram para seus lugares na cabana, mas o calor daquele momento único continuou a pairar no ar.