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1073 Words
— Para de me olhar! — diz Aria pegando uma blusa seca e ainda de costas para Apollo, a vestindo. — Eu não estou olhando. — diz ele, tirando sua camisa molhada. Aria se vira no mesmo momento e dá de cara com o peitoral exposto de Apollo. Ele era completamente definido, com tatuagens de raios pelo peitoral, ele parecia estar rachando. — Pare de olhar. — diz ele sorrindo. — Eu não estou olhando. — diz ela. — Agora vira, preciso tirar minha calça e vestir outra seca. Apollo sorri e se vira para a janela. Ele observou as gotas pesadas de chuva batendo contra a janela. O som era ensurdecedor, ecoando pela pequena cabana e trazendo consigo uma aura de tristeza e melancolia. — Por que essa chuva é tão forte e turbulenta? — Apollo perguntou, sua voz m*l audível, sobre o rugido da tempestade lá fora. Aria suspirou profundamente antes de responder, como se cada palavra pesasse sobre seus ombros. — Isso tudo aconteceu há muito tempo, Apollo. Havia uma antiga deusa, uma mãe amorosa, que tinha sete filhos. Mas o destino lhe foi c***l, pois seus filhos foram brutalmente mortos por inimigos. Apollo sentiu um aperto no peito ao ouvir sobre a tragédia. — E o que aconteceu com ela depois disso? — Ao saber da terrível notícia, ela não suportou a dor da perda. Seu coração se partiu de tristeza e ela partiu deste mundo para se juntar aos seus filhos na eternidade. — respondeu Aria, sua voz repleta de pesar. — Então, essa chuva… — Apollo começou, sua mente tentando juntar as peças. — Sim. — interrompeu Aria, completando seu pensamento. — A chuva forte que cai durante sete dias seguidos é uma manifestação da tristeza da antiga Deusa. Dizem ser na data em que seus filhos foram mortos. E chove durante uma semana, um dia por cada filho, enquanto ela chora por sua perda. Apollo olhou para o horizonte, vendo as lágrimas do céu inundando a terra. Ele imaginou a angústia da deusa, sofrendo pela perda de seus amados filhos. E, mesmo que nunca tenha conhecido essa deusa, sentiu uma tristeza profunda por sua história. — É uma história triste. — murmurou Apollo, suas palavras perdidas entre o barulho da tempestade. — A vida é cheia de tragédias, Apollo. Respondeu Aria. — pronto, pode se virar. Apollo se vira e é surpreendido com um tecido preto voando na sua direção. Porém, graças aos seus ótimos reflexos, ele a pegou antes que batesse em seu rosto. — Veste isso. — diz ela. — Por que tem calças masculinas aqui? — perguntou ele, fazendo um sinal para ela se virar. Ela bufou sem paciência e se virou, ficando de costas para ele. — Apenas veste logo. Separei uma camisa para você também — diz ela. — Vamos ter que ficar aqui durante os sete dias. — Não posso ficar aqui por todo esse tempo… tenho motivos para seguir viagem. — Você não pode, ninguém consegue sair durante os sete dias, é perigoso. — diz ela agora se virando para ele. — Ainda bem que abasteci a dispensa com frutas e algumas outras comidas, água também. Apollo olha novamente pela janela e resmunga um “לְחַרְבֵּן(m***a)”. Aria sorri e diz “התוכניות שלך נהרסו(Seus planos estão arruinados)”. — Estou curioso sobre você… — Sério? Continuará curioso. Não falarei nada sobre mim. Apollo sorri de lado enquanto pega a camisa e começa a vesti-la. Ele anda em direção à única cama do quarto, mas é parado por Aria. — Espera aí! Você vai dormir no chão. — diz ela. — Eu não vou dormir no chão! — diz ele. — Ah, você vai sim. Aqui só tem uma única cama e eu não estou afim de dividi-la com você. — diz ela. — Acontece, docinho, que quando quero uma coisa, eu consigo. E eu não vou dormir no chão. — diz ele, se deitando ao lado dela. — Sai, Apollo. — diz ela, empurrando ele, que continua deitado como pedra na cama. — לך לעזאזל(Vá para o inferno) — Quer vir comigo? — diz ele, sorrindo de lado, deixando Aria ainda mais enraivecida. Ela sentiu um calor subindo pelo seu corpo, uma mistura de frustração e raiva que ameaçava transbordar. Ela fechou os olhos por um momento, tentando se controlar. Apollo ficou em silêncio por um momento, observando. Aria abriu os olhos e encontrou o olhar de Apollo. Por um instante, algo nos olhos dele a fez hesitar. Ela podia ver a curiosidade e a preocupação misturadas ali, como se ele estivesse prestes a perguntar algo mais. — O que foi aquilo? — ele finalmente perguntou, sua voz suave e cheia de cautela. Aria engoliu em seco. — Aquilo o quê? — ela respondeu, tentando soar casual. — Seus olhos. — disse Apollo, sua expressão se tornando mais intensa. — Eles ficaram vermelhos como fogo por um momento. O coração de Aria disparou em pânico. Ela não podia deixar Apollo descobrir sobre seus poderes. — Deve ter sido só um reflexo da luz. Não se preocupe com isso. — Ela tentou tranquilizá-lo, forçando um sorriso. Apollo parecia não totalmente convencido, mas decidiu não pressionar o assunto. — Tudo bem. Se você diz. Aria soltou um suspiro de alívio enquanto observava Apollo se acomodar na cama novamente. Ela sabia que tinha escapado por pouco, mas também sabia que teria que ser mais cuidadosa no futuro. Seu segredo era sua maior fraqueza, e ela faria qualquer coisa para protegê-lo. — Amanhã irei arrumar um maldito lugar para você dormir, não quero passar todos esses dias na mesma cama com você — diz ela. — Aqui está tão confortável. Adoro ficar deitado com mulheres bonitas — diz ele, fazendo Aria soltar um baixo rugido. — Apenas hoje, Aria. Você só precisa aguentar esse i****a hoje. — diz Aria para si mesma enquanto virava para o outro lado da cama, ficando de costas para Apollo. Apollo sorri após ver que conseguiu irritar Aria, ele não sabia explicar, mas estar ali com ela não era r**m, apesar dele estar preso sem poder sair e uma guerra se aproximando. Estar ali com Aria o fez esquecer um pouco seus problemas, e até acabou se divertindo um pouco com o modo como ela se irritava facilmente. Mas ele ainda estava intrigado com a tatuagem em suas costas e seus olhos vermelhos como fogo.
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