PRÓLOGO

279 Words
(Trecho do diário de Lana – entrada sem data) “Nunca pensei que o silêncio pudesse gritar tanto. Estar em outro país parece incrível nos vídeos e nas fotos, mas ninguém fala sobre a parte em que você senta na cama de um quarto estranho, com um cheiro estranho, e sente como se tivesse deixado um pedaço seu do outro lado do mundo. Aqui, tudo é lindo — e solitário. A língua, os olhares, os gestos. Tudo é novo, tudo é diferente. E por mais que eu tenha sonhado com a Coreia por anos, o que eu encontrei é mais duro que o sonho permitia. Mas… a música me entende. Mesmo quando as palavras me faltam. Nos dias em que me senti pequena demais para esse lugar, me escondi em melodias. Quando quis desistir, escrevi. Quando doeu, desenhei em palavras o que não conseguia dizer em voz alta. A arte me salvou antes — e achei que salvaria de novo. Até ele chegar. Ele tinha música nas veias, caos no olhar e um sorriso que dava medo. Me enxergou quando eu ainda me escondia. E mesmo quando eu sentia que ele era o tipo de problema que entra pela porta como uma música alta demais, que embriaga e sufoca… Eu deixei ele ficar. Talvez porque parte de mim soubesse que algumas notas quebram a gente antes de curar. Talvez porque eu queria ser salva de novo. Mas ninguém me avisou que algumas canções acabam sem refrão. E que certos encontros mudam quem a gente é — para sempre.” (A caneta falha no final da última linha. Há um borrão, como se uma lágrima tivesse caído sobre a página.)
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