Voo com o skate por cima de um Maybach Exelero preto, um carro de luxo a julgar pela aparência.
As pontas dos meus dedos tocam o teto do tal carro, e já ouço alguém me xingando.
Não vejo quem, mas como a boa adulta que sou, mostro meu dedo do meio para o tal.
O cara é cego? Só pode para não ter visto uma criança parada no meio do trânsito. O stronzo não viu a bambina e ainda me xinga?! É cego filho de uma égua!
Mil vezes stronzo!!!!
Salto na frente da pequenina, que mesmo assustada me dá os bracinhos. Ela chorava parecendo muito amedrontada.
A pego nos braços e sem hesitar corro com ela até a calçada. Ela chora e se agarra no meu pescoço.
— Oi docinho.
— Oi doçula. — Fala soluçando, acho graça da careta que a pequena faz. Dou risada e ela gargalha lindamente se acalmando. Nesse instante sinto como se o meu coração se abrisse e dele desabrochasse um sentimento inexplicável...
Limpo suas lágrimas, tadinha estava tão assustada. Dou um sorriso, com certeza um belo sorriso.
— Bom eu sou a Micaela. E você docinho, como se chama?
— Clala. Tala...não sei fala dileitinho.
— Bom eu entendi. — Ela acaricia meu rosto e dá sorriso mais lindo e puro que já vi. — Prazer docinho de Clara.
— Pazei mímica.
Dou beijinho no rosto dela, e a protejo da chuva com meu corpo e a minha mochila. Ela me dá um beijo na minha face e faz minha bochecha sorrir.
— Onde estão seus pais?
— Não sabolo onde tá mamma. E o meu papà tá a tais boce.
Antes que eu me vire, sinto uma mão grande agarrar meu braço. E, antes que eu possa olhar quem é, sou jogada para o lado, caindo na calçada de costas no chão molhado. Que filho da p**a! Caramba!!