CAPÍTULO 03

317 Words
 Voo com o skate por cima de um Maybach Exelero preto, um carro de luxo a julgar pela aparência. As pontas dos meus dedos tocam o teto do tal carro, e já ouço alguém me xingando.  Não vejo quem, mas como a boa adulta que sou, mostro meu dedo do meio para o tal. O cara é cego? Só pode para não ter visto uma criança parada no meio do trânsito. O stronzo não viu a bambina e ainda me xinga?! É cego filho de uma égua! Mil vezes stronzo!!!! Salto na frente da pequenina, que mesmo assustada me dá os bracinhos. Ela chorava parecendo muito amedrontada.  A pego nos braços e sem hesitar corro com ela até a calçada. Ela chora e se agarra no meu pescoço.  — Oi docinho. — Oi doçula. — Fala soluçando, acho graça da careta que a pequena faz. Dou risada e ela gargalha lindamente se acalmando. Nesse instante sinto como se o meu coração se abrisse e dele desabrochasse um sentimento inexplicável... Limpo suas lágrimas, tadinha estava tão assustada. Dou um sorriso, com certeza um belo sorriso. — Bom eu sou a Micaela. E você docinho, como se chama? — Clala. Tala...não sei fala dileitinho. — Bom eu entendi. — Ela acaricia meu rosto e dá sorriso mais lindo e puro que já vi. — Prazer docinho de Clara. — Pazei mímica. Dou beijinho no rosto dela, e a protejo da chuva com meu corpo e a minha mochila. Ela me dá um beijo na minha face e faz minha bochecha sorrir. — Onde estão seus pais? — Não sabolo onde tá mamma. E o meu papà tá a tais boce. Antes que eu me vire, sinto uma mão grande agarrar meu braço. E, antes que eu possa olhar quem é, sou jogada para o lado, caindo na calçada de costas no chão molhado. Que filho da p**a! Caramba!!  
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