capítulo 8

1033 Words
# Capítulo 8 Pedro Alcântara Montenegro... A pressa é o erro dos amadores. O segredo da dominação duradoura é permitir que a outra pessoa acredite, mesmo que por alguns minutos, que ainda possui segredos ou que está um passo à frente no tabuleiro. Quando entrei na sala de servidores e vi o ritmo acelerado com que Laura fechou a sessão do terminal, não precisei olhar para o histórico para saber que ela tinha encontrado algo que não devia. O suor frio na linha do cabelo dela, a dilatação quase imperceptível das pupilas e a postura rígida entregavam tudo. Ela achava que havia descoberto um ponto fraco. Achava que tinha aberto uma janela para o meu passado. O que ela não compreendia é que naquele servidor não havia vazamentos acidentais. Eu deixei o acesso à partição Suíça ligeiramente mais fraco de propósito. Eu *queria* que ela visse os laudos. Queria que ela soubesse exatamente o tipo de monstro com quem estava lidando. A esperança de que existe uma saída ou uma explicação lógica é o combustível da dor; quando essa esperança morre, resta apenas a aceitação. Às oito em ponto, o som suave de saltos altos contra o piso de mármore do salão anunciou a chegada dela ao terraço. Virei-me com a taça de vinho tinto na mão. A visão de Laura fez minha respiração congelar por uma fração de segundo. O vestido que escolhi para ela era de seda preta, com alças finas e um decote profundo nas costas, moldando cada curva do seu corpo com uma perfeição quase indecente. Os cabelos castanhos estavam soltos, caindo em ondas suaves sobre os ombros. Mas o que realmente a tornava deslumbrante era o brilho de desafio e pavor nos olhos dela. — Você está impecável, Laura — disse, caminhando na direção dela. A mesa do jantar estava posta sob a pérgula de madeira, de frente para o mar escuro e agitado. O vento da noite trazia a maresia e o som das ondas se quebrando contra as rochas do penhasco. — Você deixou aquele arquivo lá para eu encontrar, não foi? — ela perguntou, sem preâmbulos, recusando-se a sentar quando puxei a cadeira para ela. Apertei o riso. A inteligência dela era realmente fascinante. — Do que você está falando, querida? — O laudo psiquiátrico de Zurique. A garota... Helena — a voz dela estremeceu no nome, mas ela manteve o queixo erguido. — O que você fez com ela, Pedro? Aproximei-me devagar, dando um passo lento até que meu corpo quase tocasse o dela. Segurei uma mecha do seu cabelo, enrolando-a devagar no meu indicador antes de puxar suavemente sua cabeça para trás, forçando-a a olhar diretamente nos meus olhos cinzentos. — Helena cometeu o erro de achar que podia me chantagear com as minhas próprias fraquezas — murmurei, a voz tão fria e calada quanto a noite ao nosso redor. — Ela não entendeu que eu não tenho fraquezas. Apenas alvos. — E onde ela está agora? — ela sussurrou, arfando contra o meu peito. — Onde ninguém jamais vai encontrá-la — inclinei-me e morde levemente o lóbulo da orelha dela, sentindo um arrepiado violento percorrer sua espinha. — E se você continuar tentando jogar o meu jogo no subsolo, Laura... o seu nome será o próximo na lista de buscas. Laura Vasconcelos...... A confirmação implícita de que ele fez algo horrível com Helena me fez sentir o ar sumir completamente dos pulmões. A mão dele segurando meu cabelo, o hálito quente com cheiro de vinho contra a minha pele e a ameaça velada dita com uma tranquilidade aterradora deixaram claro o tamanho do abismo onde eu havia caído. Pedro não era apenas um executivo controlador; ele era um sociopata clínico sem limites morais. — Sentada — ele ordenou, soltando meu cabelo e apontando para a cadeira de veludo. Sentando-me com as pernas trêmulas. Ele se acomodou do outro lado da mesa, servindo uma taça de vinho para mim com movimentos elegantes, como se não tivesse acabado de admitir um crime terrível. — Por que eu? — perguntei, a voz saindo rouca enquanto olhava para a taça, sem coragem de tocar em nada que ele me servisse. — Com todo o dinheiro e poder que você tem, por que perder tempo me caçando, mudando a minha vida, me trazendo para cá? Pedro deu um gole lento no vinho, apoiando os cotovelos na mesa e me encarando com uma intensidade que parecia queimar minha pele. — Porque todas as pessoas que conheço são previsíveis, Laura. Elas se vendem por dinheiro, por status ou por medo — disse ele, os olhos cinzentos brilhando sob a luz fraca das velas. — Mas você... no primeiro segundo em que me viu naquele evento, não viu o meu dinheiro. Você viu a minha mente. Você me olhou com desprezo e desconfiança. E isso atiçou um desejo que eu não sentia há anos. — Isso não é desejo. É doença. — Talvez — ele deu um sorriso frio, o contorno dos lábios perfeitamente desenhado. — Mas é a doença que agora governa a sua vida. Ele se levantou da cadeira e caminhou até a minha lateral. Antes que eu pudesse reprimir o movimento, a mão grande e quente dele pousou no meu ombro exposto, deslizando pela minha pele até a curva do meu pescoço. O contraste entre o pavor psicológico que eu sentia e a resposta traidora do meu corpo ao toque dele me fazia querer chorar de raiva. — O jantar acabou — sussurrou ele, inclinando-se para agarrar minha cintura e me puxar para cima, fazendo meu corpo colar ao dele. — O seu verdadeiro trabalho esta noite começa agora. — Eu não quero... — tentei dizer, mas a minha voz falhou quando a mão dele desceu até a minha coxa por baixo do f***a do vestido de seda, apertando a pele macia com uma força possessiva. — Você não tem escolha, querida — ele disse contra meus lábios, antes de tomar minha boca em um beijo feroz, me erguendo nos braços e me carregando em direção ao quarto principal, onde a escuridão do mar e o som das ondas seriam as únicas testemunhas da minha completa capitulação.
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