capítulo 2

768 Words
# Capítulo 2 Pedro Alcântara Montenegro ... O nome dela é Laura Vasconcelos, 25 anos. — A voz de Marcos, meu chefe de segurança e homem de confiança para tarefas que não deixam rastros, soou limpa e baixa através do viva-voz do meu escritório. — Ela é técnica de suporte e analista de dados júnior na empresa contratada para o evento de ontem. Mora sozinha em um apartamento modesto no Bairro Fundinho. Sem histórico criminal, sem dívidas exorbitantes, sem namorado. Apenas uma vida simples e ridiculamente previsível. Sorri, encostando-me na minha cadeira de couro italiano. Diante de mim, na tela do meu monitor de alta definição, estava a ficha completa de Laura. Fotos tiradas à distância, extratos bancários, histórico de navegação, rotina de horários. Em menos de doze horas após o fim da festa de gala, eu já sabia mais sobre Laura Vasconcelos do que ela mesma. — Previsível para os outros, Marcos. Para mim, ela é uma anomalia — murmurei, deslizando o dedo sobre a tela, parando na foto da carteira de motorista dela. Os olhos na imagem eram atentos, desafiadores. — Quero o contrato da empresa de TI dela cancelado até ao meio-dia. Compre a empresa se for necessário. — E em relação a ela, senhor? — Contrate-a. Crie uma vaga exclusiva no meu andar executivo. Analista de segurança de dados do meu escritório pessoal. Triplique o salário dela. Torne a oferta irresistível. — Entendido. Algo mais? — Certifique-se de que ela não tenha outra opção além de aceitar. Desliguei a chamada. Fui até a imensa parede de vidro do meu escritório no 40º andar, observando os carros em miniatura trafegando na avenida lá embaixo. A maioria das pessoas acharia que estou sendo apressado. Mas um verdadeiro caçador não espera a presa se distanciar para armar a armadilha. Ele prepara o terreno com antecedência. Laura achava que podia me decifrar, que podia ver o monstro por trás das minhas roupas elegantes. Ela achava que estava segura no seu pequenino mundo ordinário. Ela não sabia que, a partir do momento em que nossos olhares se cruzaram, sua liberdade deixou de existir. Eu ia puxar as cordas, uma a uma, até trazê-la exatamente para onde eu queria: debaixo das minhas mãos. Laura Vasconcelos.... — Como assim a empresa foi comprada?! — perguntei, incrédula, olhando para o meu supervisor, que parecia prestes a ter um colapso nervoso no meio do escritório. — Exatamente o que você ouviu, Laura! Uma holding gigante adquiriu a nossa firma logo no primeiro horário. Reestruturação total. Metade da equipe foi demitida nesta manhã — disse ele, passando a mão pela testa suada. — Mas você... você deu uma sorte inexplicável. Senti um nó se nó nó no meu estômago. Um mau pressentimento, gelado e pesado, começou a se espalhar pelas minhas entranhas. — Sorte? O que você quer dizer? Ele me entregou uma pasta preta com o logotipo em relevo prateado. O mesmo logotipo que eu tinha visto por toda a decoração do evento da noite anterior. **Holding Montenegro.** — Eles requisitaram a sua transferência imediata para a sede principal. Você vai trabalhar diretamente no andar da diretoria executiva. O salário é três vezes o que você ganha aqui. É a chance da sua vida, Laura. Minha respiração falhou. O ar parecia ter ficado subitamente rarefeito na sala. *Não pode ser coincidência.* A imagem dos olhos cinzentos e gélidos de Pedro Montenegro veio à minha mente com uma clareza assustadora. A forma como ele me encarou, o sorriso inexistente por trás de sua máscara impecável. Ele me descobriu. Ele sabia que eu o tinha visto de verdade. — Eu... eu não posso aceitar — recusei, dando um passo para trás e deixando a pasta sobre a mesa. — Eu prefiro ser demitida e procurar outro emprego. Seu supervisor soltou uma risada nervosa. — Laura, você não entende. Eles compraram a cláusula de não-concorrência do seu contrato. Se você recusar, terá que pagar uma multa rescisória equivalente a dois anos do seu salário atual. Você tem esse dinheiro? Senti o chão fugir sob os meus pés. Dois anos de salário? Eu m*l tinha reservas para pagar o aluguel do mês seguinte se fosse demitida. Era uma armadilha. Uma gaiola perfeita, construída sem que eu disparasse um único alarme. Pedro Montenegro usara seu poder financeiro para me encurralar, não me deixando saída a não ser caminhar direto para a sua toca. Engoli em seco, sentindo minhas mãos tremerem ligeiramente. — Quando... quando eu começo? — perguntei, a voz m*l passando de um sussurro. — Agora mesmo. O carro da empresa já está lá embaixo te esperando.
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