capítulo 3

1118 Words
# Capítulo 3 Pedro Alcântara Montenegro.... A antecipação é uma das sensações mais fascinantes da mente humana. Eu estava de pé atrás da minha mesa de madeira maciça, observando a porta dupla de carvalho do meu escritório no quadragésimo andar. Tudo na minha sala transmitia poder absoluto: as paredes de vidro com vista panorâmica da cidade, a iluminação suave, o silêncio pesado. E, pontualmente às nove horas, a porta se abriu. Minha secretária abriu passagem e Laura Vasconcelos deu um passo para dentro. Ela usava um terno simples, o mesmo olhar analítico da noite anterior, mas agora havia algo a mais: um vinco sutil entre as sobrancelhas e a respiração ligeiramente descompensada. Ela sabia que fora encurralada. — Pode nos deixar a sós, Sílvia — ordenei com a voz calma, sem tirar os olhos de Laura. A porta se fechou com um clique suave, selando o destino da garota naquele espaço. — Senhor Montenegro — disse ela, a voz firme, embora a pulsação acelerada em seu pescoço entregasse seu nervosismo. — Acredito que houve um engano na minha transferência. Minha qualificação é para suporte de infraestrutura e análise de dados júnior. Não tenho bagagem para o escritório executivo. Caminhei devagar ao redor da minha mesa. Cada passo meu era medido, aproximando-me dela com a lentidão de um predador que sabe que a presa não tem para onde correr. Parando a menos de um metro de distância, inclinei a cabeça, permitindo que meus olhos cinzentos percorreram cada detalhe do seu rosto: a pele macia, os lábios entreabertos, a postura ereta que tentava disfarçar o medo. — Não há engano algum, Laura — murmurei, a voz grave e aveludada. — Eu vi o seu trabalho no evento de ontem. A forma como você monitorou as falhas no sistema antes mesmo que elas acontecessem. Você tem um olhar para detalhes que raramente encontro nas pessoas. — O senhor comprou a minha empresa apenas para me trazer para cá? — ela perguntou, indo direto ao ponto. A audácia dela me fez sorrir. — Eu compro o que me interessa — respondi, dando mais um passo. Senti o calor do corpo dela emanar contra o meu. Ela era tão pequena perto dos meus 1,90 m, tão vulnerável, e ainda assim recusava-se a abaixar a cabeça. — E você me interessou. — Isso é chantagem. A cláusula de rescisão que colocaram no meu contrato... — É apenas negócios, querida. — Estendi a mão e apertei sutilmente o queixo dela com dois dedos, forçando-a a encarar o fundo dos meus olhos. Senti um estremecimento percorrer a pele dela ao meu toque. — Você agora trabalha para mim. Ficará nesta sala, nesta mesa ao lado da minha, e analisará cada relatório confidencial que entrar nesta empresa. — E se eu me recusar? — ela desafiou, a voz falhando ligeiramente com a proximidade. Aproximei meu rosto do dela, até que meus lábios quase roçassem na sua orelha. Pude sentir o cheiro suave de baunilha e sabonete que vinha da sua pele. — Você não vai se recusar — sussurrei com uma frieza cortante. — Porque você é esperta, Laura. E sabe exatamente o que acontece com as coisas que tentam resistir a mim. Laura Vasconcelos....... O toque dos dedos de Pedro no meu queixo fez uma descarga elétrica percorrer a minha espinha. O calor da mão dele, o perfume amadeirado e marcante, e a presença física avassaladora daquele homem me deixavam sufocada. Ele era gigante. Frio. Lindo de um jeito perigoso e distorcido. — O seu trabalho começa agora — disse ele, soltando meu queixo devagar, deslizando o polegar pelo meu lábio inferior antes de se afastar. Aquele toque na minha boca fez meu ventre se contrair involuntariamente em um arrepio quente. — O que exatamente o senhor quer que eu faça? — tentei manter a voz neutra, recompondo a postura enquanto ele caminhava de volta para a sua mesa de couro. — Quero que você observe — ele respondeu, sentando-se e cruzando as mãos sobre a mesa. Os olhos cinzentos e predatórios fixos em mim. — Exatamente como você estava fazendo ontem à noite. Só que, a partir de hoje, você não estará escondida nos bastidores. Estará aqui, debaixo do meu nariz. Trabalhar a menos de três metros de Pedro Montenegro foi a pior tortura psicológica que já enfrentei. Durante todo o dia, ele ditava ordens, atendia chamadas milionárias e assinava papéis com uma calma assustadora. Mas eu sentia o olhar dele sobre mim a cada segundo. Toda vez que eu me movia, toda vez que ajeitava os cabelos ou cruzava as pernas, os olhos dele acompanhavam cada gesto. Ele estava me mapeando, estudando minhas reações, consumindo o meu espaço aéreo. Quando deu dezenove horas, a equipe do andar já havia ido embora. A luz da noite de São Paulo invadiu o escritório através das paredes de vidro. Levantei-me para guardar meus pertences, ansiosa para sair daquela prisão de luxo, quando ouvi o som de passos firmes atrás de mim. Antes que eu pudesse me virar, as mãos pesadas de Pedro pousaram nos meus ombros, prendendo-me contra a borda da minha própria mesa. — Indo embora tão cedo, Laura? — a voz dele ecoou baixa no meu pescoço. O hálito quente dele roçou na minha pele sensível, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. — O meu expediente acabou, senhor Montenegro — respondi, tentando manter a calma, mas meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele podia ouvir. — O seu expediente só acaba quando eu decidir que acabou — ele murmurou. Com um movimento rápido e firme, ele me virou de frente para ele e me ergueu, sentando-me na borda da mesa. Fiquei presa entre o corpo atlético dele e a madeira fria. Pedro deu um passo para frente, encaixando-se no meio das minhas pernas, e segurou minha cintura com uma força possessiva que me fez arfar. — O que você está fazendo...? — tentei protestar, mas a mão dele subiu pela minha coxa, levantando o tecido da minha saia sem nenhuma hesitação. — Tomando o que é meu — ele respondeu, com os olhos queimando em uma intensidade sombria. — Você passou o dia inteiro tentando me decifrar, Laura. Mas a única coisa que você precisa entender é que eu comando você agora. Seu corpo, sua mente... tudo. A pele da mão dele era quente contra a minha coxa nua. O contraste entre a frieza do olhar dele e o calor agressivo do seu toque fez minha razão se esfarrapar. Eu devia empurrar, devia gritar, mas meu corpo traidor congelou em uma mistura perigosa de pavor e um desejo primitivo e avassalador que eu jamais havia sentido antes.
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