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Blurb

Ruby é uma garota de personalidade introvertida e enigmática que se vê obrigada a mudar de escola e de turno repentinamente. Nesse novo ambiente, ela se depara com o desafio de se adaptar e enfrenta a antipatia de Dean, seu novo colega de turma rebelde e problemático. Segredos de Ruby vêm à tona, e ela e Dean descobrem que têm mais em comum do que imaginavam.

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01 Ruby
!Livro não concluído! Sozinha no único banco vago do ônibus faça uma longa viagem muito divertida. Estou indo para a escola, o lugar onde ou você faz ser a melhor época da sua vida, ou a mais traumática. Ou os dois. Existe pessoas - como eu - que conseguem fazer os dois. A escola pode ser o lugar onde você encontra o amor da sua vida, ou a amizade da sua vida. Eu nunca consegui nenhum dos dois, mas já acreditei que tivesse. E adivinha... Eu não tinha! — Posso sentar aqui com você? — Uma garota com miopia e astigmatismo- usa óculos - pediu para sentar ao meu lado. — Não. — Respondi com a expressão e tom de voz neutros. Ela sorriu e sentou ao meu lado. Olhando a janela eu podia ver uma linda paisagem, carros passando e bastante mato. Minha vida não é um exemplo de coisas mais belas do mundo, percebe-se. Moro longe da cidade, e eu estudo na cidade. Todos os dias me arrumo duas horas mais cedo, pego o ônibus e o motorista pisa fundo para chegar na escola antes do meio-dia. Parece ser angustiante mas não é tanto. É, é um pouco. — Você fez o trabalho de matemática? — A garota de óculos questionou com seu semblante pálido, sua expressão estava assustado como se estivesse visto um cadáver. Línea é uma das únicas duas amigas que consegui fazer nesse lugar em um mês nesse bendito lugar. Abby não veio hoje. Não me surpreende que ela tenha faltado na segunda-feira, isso é muito coisa de Abby. Vem um dia para a escola e falta 3. — O professor havia pedido um trabalho? — Minha expressão deve estar igualmente a dela agora. — Ruby! — Línea me encara com reprovação. — Eu estava dormindo, não tenho culpa. Línea me olhou como se dissesse "fala sério, eu preciso responder?". É claro que eu tive uma parcela de culpa, mas não consigo me interessar com a escola. Já fui uma garota que levava os estudos a sério, e conseguia ver um futuro para si mesma. Mas não consigo mais, sinto que a vida não me reserva mais nada. Então atualmente estou assim, de casa para a escola e da escola para casa. Em casa fico vendo as redes sociais o dia inteiro, e na escola durante a aula toda pensando em voltar para casa e ficar vendo as redes sociais o dia inteiro. Quando me tornei isso? Esse assunto ainda é delicado para mim. — Ruby! — Línea gritou comigo. A olhei sem entender, uma raiva fervia o meu sangue por ela me chacoalhar sem necessidade mas tentei ignorar. Ergui a sobrancelha rapidamente como se pedisse para ela dizer o que queria falar. — O ônibus já está quase indo embora, não vai descer? Vai ficar na garagem presa dentro do ônibus até a aula acabar? — Línea resmungou me dando "bronca". Revirei os olhos e levantei do banco indo em direção à porta. O motorista sorriu para mim, creio que sorri para todas as meninas do ônibus. Velho enxerido. A pior parte de se morar fora da cidade e estudar na cidade, é chegar na escola uns 45 minutos antes do portão abrir e não ter um lugar fixo para ficar. Todos os dias, maioria dos alunos do turno da tarde sentam nos bancos da pracinha. Línea, Abby e eu fazemos parte dessa maioria. O turno da tarde é um pouco mais injusto, digo isso porque o turno da tarde é mais desvalorizado. Geralmente, ou pelo menos nessa escola, no turno da tarde estudam apenas as pessoas "excluídas". E com excluídas me refiro a pessoas que moram fora da cidade, que não vem de boa família, não é super extrovertido, não é rico... Ah! E não é dono de uma beleza e desumildade alarmante. Já fiz parte do turno da manhã a um tempo atrás. Não voltarei nunca mais. Os alunos do turno da tarde são vistos como os "sem futuros", "bandidos, criminosos e marginais". Se a vida fosse um filme, diriam que são "Sem classe". Enfim, vêem os alunos do turno da tarde como a "perdição do colégio", e por mais indignante que possa parecer... A quantidade de alunos do turno da manhã sola a quantidade de alunos do turno da tarde, isso é realmente algo que nem se discute. Chega a ser humilhante. É claro que por esse motivo de quantidade de alunos, que os alunos do turno da manhã são mais "queridos" pelos funcionários. Quer um exemplo? Ficamos no lado de fora da escola esperando o portão abrir, faça chuva ou faça sol, o problema é inteiramente seu. Se você se molhar na chuva ou desidratar no calor, a escola não é responsável já que você não estava na escola. É... Indignante, injusto... O que mais me deixa com raiva, é que eu fazia parte desses alunos "privilegiados" só que em outra escola. Me transferi de escola no começo desse ano. — Que horas são? — Questionei para Línea me abanando com um leque de papel improvisado que fiz por conta do calor. Lina que estava com as bochechas vermelhas igual tomate tirou o celular da mochila, e então virou a tela para mim. 12h40m — Eu só queria aquele ar-condicionado agora. — Resmunguei derretendo no banco da pracinha. — Queremos. — Línea complementou tirando força de não sei onde para falar. A vida de paz depois de tanto tumulto era chata demais, eu não estava mais acostumada a levar essa vida de uma simples estudante na pracinha há uns 100 metros do colégio, derretendo de calor a espera do portão abrir. Eu estaria agora, há um quilômetro de casa. Em uma rua que não conhecia, fumando um cigarro que um homem 50 anos mais velho do que eu me ofereceu. Línea levantou do banco sacudindo a poeira e caminhando, eu só a seguia. Não conversamos muito, eu apenas a sigo. Geralmente quando Abby está aqui costuma conversar comigo, mas ela está sempre faltando. Sempre que Lina sai andando assim quer dizer que já deu a hora. Atravessamos a rua olhando sem muita atenção para os dois lados, um carro passou buzinando como se nos desse sermão por atravessar sem olhar. Sinto falta da adrenalina pura. Viver essa rotina não é algo que me encanta. Atravessar a rua sem olhar é o mais radical que tenho feito esse ano. Mais uma vez caminhamos pelo portão, passamos por aquele corredor de testosterona - cheio de garotos - e seguimos até a sala. Desde que cheguei, desde tudo o que aconteceu sinto como se todos me olhassem com olhares negativos. É como uma marca que ficou em mim.

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