Pode me beijar

2436 Words
Havíamos sentamos em um banco da praça, com o urso enorme ao meu lado esquerdo e Pedro Rodríguez ao meu lado direito. Para comemorar a minha vitória, ele comprou vinho quente para nós, claro que pedido para seu irmão comprar. Descobri que ele tem a idade de Carlos, um ano mais velho que eu, completou seus dezesseis anos no mês anterior. Cheguei a dar parabéns atrasado, o vi com as bochechas coradas e um sorriso bobo por eu ter me felicitado. — Desde a morte de meu pai, paramos de comemorar aniversário. — comentou depois de ter dado um gole da sua bebida quente. — Deve ser muito difícil perder os pais, não consigo imaginar como irei viver sem os meus — fiquei balançando meus pés suspensos no ar. — A minha sorte é que tenho Joaquin, ou não saberia o que fazer da minha vida — dando um suspiro audível, colocou sua mão sobre a minha coxa dando leve apertão com as pontas dos dedos — Tenho que pedir desculpas pelo o que aconteceu mais cedo. — seus olhos encontraram os meus, mordi o interior de minha bochecha ao sentir meu rosto esquentar por inteiro, seu olhar é intenso. — Não precisa se desculpar, você não tinha ideia do que realmente aconteceu — dei o último gole do meu vinho quente, sentindo já ele morno. — Não fazia, eu só tinha o conhecimento que o lago fazia parte da nossa fazenda — sorriu de canto —, devo pedir desculpas para o rapaz que estava contigo… — Pedro limpou a garganta antes de perguntar —, ele é seu namorado? — Não — franzi o cenho. — Pensei que fosse, a forma que ele te protegeu e te olhava. — passou a língua entre os lábios sem desviar dos meus. — Oh, não é nada disso… — dei uma risada anasalada — Carlos é filho do capataz, meu pai pediu para que ficasse atrás de mim como cão de guarda — dei de ombros —, somos amigos desde sempre e agora ele vive na minha cola para ficar de fofoca com meu pai pra saber onde tenho andando. — Mas ele não está aqui no momento… — Pedro olhou em nossa volta e encontrou novamente os meus olhos —, digo, ele não está aqui espiando nós dois juntos, está? — Não, eu não o vi até agora. — levantei a cabeça para procurar por Carlos no meio das pessoas da feira. Sentindo a mão de Pedro em meu rosto, fazendo-me voltar a olhar para ele, sorri meio sem graça com sua atitude, abaixei o olhar sentindo minhas maçãs corarem. — Eu quero te beijar, posso? — as pontas dos seus dedos acariciavam minha bochecha. Nunca beijei ninguém antes, sempre vi em novelas aqueles beijos românticos, lia em livros cada detalhe como seria um beijo. Cheguei a fingir que a laranja fosse a boca de um príncipe encantando que vinha me buscar da fazenda e me beijava com tanta ternura, paixão e desejo. Na escola não tinha nenhum garoto que chamava a minha atenção, sempre acreditei que o meu primeiro beijo deveria ser com aquele que fazia as borboletas do meu estômago voarem. Pedro Rodríguez faz sentir um gelo na boca do estômago, será que isso seriam as borboletas despertando do seus casulos? Meu coração perde totalmente o compasso de vê-lo tão próximo de mim, sua respiração tocar em minha pele. Quando estava frente a frente com Carlos hoje mais cedo, não senti essa vontade tão grande de tocar em seus lábios, de sentir seu toque quente. Agora com Pedro parece que só existe nós na feira, como se tivéssemos em um mundo paralelo, sem som nenhum, sem vozes, apenas sentindo a brisa fria tocar minha pele fazendo todos os meus pelinhos do braço se arrepiar. — Pode… — respondi deixando meus lábios entreabertos. Ele aproximou mais o rosto do meu e tocou seus lábios úmidos e macios aos meus, pedindo passagem com a língua, sem entender muito bem o que estava fazendo, lembrei do que eu li nos livros e como treinei na laranja. Deixei que sua língua encontrasse a minha, levei meus braços em volta do pescoço dele e passei a acariciar sua nuca com as pontas dos meus dedos, enquanto nossas línguas se encontravam e dançavam lentamente em movimentos circulares. Sentindo o gosto de vinho, maçã, cravo e canela, o frio no estômago aumentou mais ainda, apesar do meu corpo esquentar por estar nos braços dele, me sentindo única ao seu lado. Mordendo levemente o meu lábio inferior, o beijo foi parando com vários beijos rápidos. — Você é tão linda, Fabiana Torres — abro os olhos lentamente para poder ver os dele, que está brilhando com um sorriso enorme e bobo. — Você também é lindo, Pedro Rodríguez. — contrai meus lábios em uma fina linha e logo sorri toda sem graça com o toque da mão dele no meu rosto colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. O som do show que acabou de começar fez com que virássemos nossos rostos em direção ao palco, de princípio não conhecia a música, com alguns versos cantados reconheço que é da Maiara, Maraísa e Marília, Quero Você do Jeito Que Quiser. Consigo me ver nessa música ao lado de Pedro, voltei a olhar para ele e percebi que fazia um tempo que seus olhos me fitavam. — Conceda-me essa dança? — perguntou levantando e estendendo a mão para mim. — Sim, mas preciso levar primeiro o urso na barra dos meus pais. — Certo, te esperarei na frente do palco. — assenti como resposta pegando o urso. Dando passos largos com medo de cair com esse negócio gigante e quente, cheguei na barraca e minha mãe veio atrás de mim. — Não acredito que você conseguiu! — exclamou toda orgulhosa — Finalmente ela conseguiu, querido — ela olhou para o meu pai toda empolgada e orgulhosa de mim. Todos os anos eu dizia que iria conseguir, minha mãe acreditava fielmente na minha capacidade, papai sempre achou bobagem esse tipo de coisa. Vivia perguntando o que eu iria fazer com um urso daquele tamanho. — Não acredito. — Fabiano se aproximou de nós duas e pegou o urso dos meus braços — Nem vendo ele não meus braços consigo acreditar, como conseguiu? — papai olhou para mim. — Pedro Rodríguez me passou umas dicas. — minha voz soa orgulhosa demais por ter entendido a tramóia do Ulisses. — Pedro é um bom rapaz, fico feliz que tenha se dado bem. — papai beijou minha testa — irei guardar no carro, Carlos está te procurando, não viu ele ainda? — Não, desde a hora que chegamos. — dei de ombros. — Logo vocês se esbarram por aí. — comentou mamãe. — Eu preciso ir até o palco, essa música é muito linda. — os cantores estavam já chegando no final da letra, preciso correr a tempo para chegar no Pedro e dançar um pouco com ele. — Vai querida. — mamãe sorriu para mim de forma doce — Tenha cuidado. — Assenti e sai correndo em direção do palco. Chegando perto de Pedro, vestido de calça jeans, camisa simples branca e tênis, pude admirar um pouco de longe enquanto ele se virou para me procurar. Abrindo um sorriso ao me ver, corro em seus braços que se abriram para me aconchegar neles. — Achei que não voltaria para mim, minha flor. — Pedro beijou o topo da minha cabeça e sentiu o cheiro adocicado do meu shampoo. — Eu não iria deixar você sozinho. — seus olhos brilharam quando encontrou o meu. — Eu nunca vou deixar você, minha doce flor. Com os corpos colados, ficamos dançando o que restava da música. Quando começou a outra, Pedro pegou em minha mão e me conduziu em direção ao estacionamento dos carros, não havia ninguém por perto, só podíamos escutar a música no fundo quando ele me encostou em um dos carros, que acredito ser do irmão dele. Suas mãos tocaram em meu rosto, fechei os olhos deixando que me beijasse novamente. Desta vez o beijo foi mais rápido, com mais desejo, algo que acreditava que só em livros acontecia. Sua mão desceu na minha cintura enquanto as minhas ficavam sobre os seus ombros. Levantou a saia do meu vestido e sua mão foi parando entre as minhas coxas, o tecido da minha calcinha tem um tecido fino e posso sentir o calor da mão atravessar até a minha carne sensível. O frio do meu estômago aumenta junto com a da minha espinha que foi se espalhando como uma onda e misturado com o calor que vinha do meu ventre. Não impedi que a mão de Pedro colocasse minha calcinha de lado e seus dedos deslizarem entre meus lábios maiores até tocar em meu c******s, massageando com maestria enquanto nossas línguas movimentavam em círculos. Do frio na boca no estômago começou tudo a esquentar em meu corpo, gemi entre o beijo e Pedro sorriu com seus lábios colados ao meu. Não percebi quando ele abriu a porta de trás do carro e me fez entrar, deitando-me no banco e ficando por cima de mim. Pedro fechou a porta e o ar de dentro ficou quente. Não paramos de nos beijar, mas sua mão já tinha parado de me provocar, queria mais daquilo. Eu já sabia o que fazer para sentir aquela sensação gostosa, mas não sendo o meu toque é diferente. — Gostaria de fazer amor com você, Fabiana.. — a voz rouca de Pedro me deixou mais excitada. — Eu também quero… — mesmo sem saber o que exatamente posso fazer nessas horas, o queria tanto. Percebi que ele pegou algo da carteira dele, era um quadradinho parecendo ser feito de plástico. Colocou entre os lábios enquanto abria sua calça, não conseguia ver o que exatamente ele estava fazendo, até abrir o pequeno pacotinho e tirar algo de dentro. Minha mãe nunca falou muito sobre fazer amor, o que eu sei li em livros de romance que pegava escondido da biblioteca dela. Como essa seria a minha primeira vez, não tinha muita noção do que poderia fazer, além de que a única vez que vi um rapaz nu foi hoje de manhã, e era ele. — Se doer me fala que eu paro. — falou encostando a testa na minha, seus lábios tocaram nos meus com ternura. Sua mão levantou meu vestido e puxou minha calcinha para o lado novamente. Senti algo encostar na minha carne sensível, deslizando entre os lábios maiores e menores, até encontrar uma passagem. Mordi o meu lábio inferior ao sentir uma ardência, não é nada confortante quando Pedro entrou, não sei dizer se queimava ou ardia. Coloquei minhas mãos na lateral do corpo dele e cravei minhas unhas, queria amenizar a dor que aumentava quando ele entrava mais ainda. — Está doendo? — perguntou preocupado tocando suavemente a mão no meu rosto, acenei com a cabeça confirmando, seus lábios tocaram novamente nos meus — Eu vou tentar ajudar a amenizar — seus olhos não desviavam dos meus e isso me fez sentir tão bem e relaxar um pouco. Não havia percebido o quão tensa estava, deve ser um dos motivos de doer dessa forma. Mordi meu lábio inferior quando sua mão encontrou meu c******s novamente, massageando ele lentamente. Sem movimentar o seu quadril, para que eu pudesse me acostumar com seu m****o dentro de mim. — Melhorou, amor? — escutar me chamando de amor fez meu coração disparar, como se estivesse galopando no Fúria Branca. A mesma sensação que tenho de estar livre montado no meu cavalo passei a sentir nos braços de Pedro. A dor foi diminuindo e fui relaxando com o toque da mão dele que movimentava com maestria. — Melhorou — minha voz saiu em um gemido. — Vou mais devagar, você é tão apertada que não vou conseguir me segurar muito tempo. — a voz rouca me estimulou mais ainda. Não demorou muito tempo para Pedro desabar em cima de mim, os vidros do carro embaçar, nossa respiração ficar ofegante. Sentido meu corpo tão quente em êxtase, não senti o prazer que todos os livros falam, mas foi tão bom curtir cada momento com ele. Pedro Rodríguez foi paciente, como já soubesse o que fazer, foi atencioso e carinhoso cada segundo comigo. — Eu preciso procurar Carlos, antes… — parei de falar quando vi meu amigo se aproximando de nós dois. Já havíamos saído do carro do irmão de Pedro, estava ajeitando minha roupa e ele a dele. Quando Carlos se aproximou de nós, com o punho fechado e partiu para cima de Pedro com fúria. — O que você está fazendo, Carlos? — desesperada tentei segurar o braço do meu amigo. Minhas mãos começaram a tremer, puxando o braço dele para trás, mas sua força é muito maior. A raiva correndo em suas veias me assustava tanto que eu perdia completamente as minhas forças — Não faça isso com ele, o que deu em você? — gritei para que ele pudesse parar. Pedro se esquivou de vários socos, mas o primeiro o tinha derrubado no chão batido de terra, sujando toda a sua camisa branca. — O que esse desgraçado fez com você, Fabiana? — Carlos me olhou com ódio nos olhos. — Não fez nada, para com essa atitude i*****l. — não havia percebido que estava chorando até escutar minha voz falhar. — Por que está fazendo isso? Foi quando ele olhou para Pedro, que estava assustado com os braços no rosto se protegendo. — Eu vi tudo, Fabiana … — Carlos estava chorando. Como se estivesse de coração partido, levantou de cima de Pedro e saiu correndo. Ajudei o Pedro a se levantar, quando senti seus braços me abraçarem, me puxando com força no seu peito me apertando, senti seu coração batendo forte. Não conseguia parar de chorar mesmo sabendo que estava tudo bem. — Estou bem, fica tranquila, meu amor. — Pedro limpava minhas lágrimas — Eu estou bem, olha para mim. — Ele não te machucou muito? — abri os olhos para ver se havia ferido o seu rosto, mas só vi uma linha fina de sangue escorrer do seu supercílio. — Precisa ver isso, Pedro. — Eu já vou ver, quero me certificar que você está bem. — Eu… estou sim — soluço tentando controlar minha respiração e meus batimentos cardíacos. — Eu pensei que … — Que exagero — ele riu e beijou minha testa. — Não vou te deixar tão cedo, minha doce menina.
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