Capítulo 2- Ellen Philips

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Capítulo 2 Antes da viagem para Aruba Ellen Philips -Filha, você falou que viria nos visitar nesse final de semana. O que aconteceu para mudar de ideia? Meu Deus Ellen, você nunca mais veio em sua cidade natal, parece que não temos mais filha... Temos saudades de você, minha menina. Não pode continuar nessa vida de escravidão. - Minha mãe fala com a voz triste. Pela milésima vez cancelou a viagem para o Texas. Meu coração se aperta por não poder ir ver meus pais mais uma vez. Nesses dois anos isso virou moda em minha vida. Eu não aguento mais ver pelo vídeo do celular a tristeza dos meus pais ao não me ver nas datas comemorativas e aniversários, eu sempre tenho que inventar um motivo para não ir visitar eles. - A mãe, não tenho porque mentir para você. Apareceu uma viagem de última hora e não podia negar, afinal sou a secretária executiva de um grande CEO. - Minhas lágrimas começam querer cair sem aviso. - Estou com tanta saudade que chega a doer em meu peito, mas vou ter que adiar essa viagem mais vez. - Eu sei meu amor, sei que seu esforço é para ajudar a fazendo e seus velhos, mas não pode se matar de trabalhar Ellen. Você não tem folga, não tem vida, somente vive vinte e quatro horas para atender seu patrão, isso não é vida minha filha! Se quiser, pode voltar e daremos um jeito de nos sustentar aqui. A fazenda está linda! Estamos com bastante pedidos e seu pai já tem dois empregados que estão nos ajudando, tudo está indo para um caminho tão bom. Não precisa mais se matar nas garras desse homem, Ellen, não quero perder você para o seu trabalho. Acabo sorrindo, pois minha mãe não gosta do meu chefe, acho que ninguém gosta dele além dos mesmos da sua classe social. - Prometo arrumar um tempo para ir aí, nem que eu peça demissão. Agora preciso ir, pois a minha hora de almoço está acabando. - Ele ainda deixa você almoçar? - Acabo rindo sem graça. - Sim mãe, te ligo quando chegar em Aruba. - Ok, minha menina, que Deus te proteja e te guardar e nada de m*l te aconteça. - Amém! - Desligo e volto para o prédio onde fica meu martírio, o lugar que habita meus pesadelos recorrentes. Vou a passos largos para o prédio espelhado que é o maior do quarteirão. Ao passar pelas portas, vejo as meninas da recepção que me cumprimenta com seus sorrisos profissionais, os seguranças e ao chegar no elevador o ascensorista. - Está tão triste menina, o que aconteceu? - Olho para Jorge que é um brasileiro simpático que já me viu chorar, rir e gritar de raiva nesse elevador. Ele veio para os Estados Unidos tentar a sorte e foi contratado como ascensorista, trouxe a família a pouca tempo e está radiante. - Não vou ver meus pais mais uma vez, estou morrendo de saudades deles, Jorge. Não sei até onde eu vou aguentar essa situação. Jorge me olha com pena, ele sempre me olha assim, mas me dá um bombom e tenta me animar. - Mês que vem você tentar, vou torcer para você conseguir, está bem? - Concordo com a cabeça, tem como não ficar feliz com chocolate? - Obrigado Jorge...- Chegamos no meu andar e não quero sair. - Vamos menina, ele já deve está te esperando...- Sorriu, pois é verdade. Saio arrastada do elevador e passo pelo corredor assustador que é esse andar da presidência. Tudo é moderno mais escuro igual ao seu dono. Quando estou chegando em minha mesa, vejo em pé ao lado dela mexendo em meus pertences Arthur Morratti, meu chefe. - Muito bem, ao finalizar o turno de trabalho vamos direto para meu jatinho com destino a Aruba, então esteja pronta a cinco e ponto. Arthur fala tudo olhando minha mala e a minha frasqueira, o que falar se ele já disse tudo não é mesmo? - Sim Senhor...- Digo colocando a minha bolsa no lugar e me sentando na cadeira para começar a minha tarde. - O que aconteceu com você? - Oh, meu Deus, não acredito que ele está me perguntando algo pessoal. - Como Senhor? - Ele coloca as suas mãos no bolso e me pergunta novamente. - O que aconteceu com você, sinto que está chateada...- Ele me olha esperando a resposta. - Não é nada, o Senhor tem...- Ele estende a sua mão, como eu queria corta essa mão que se levanta para me calar. - O que está acontecendo? - Jura que logo hoje ele quer falar? - Estou chateada porque queria ver a minha família, estou a meses idealizando essa viagem de três dias, mas como o trabalho vem em primeiro lugar, vou a Aruba com o Senhor, pois assinei um contrato de comprometimento com o meu trabalho. - Digo a última palavra me arrependo amargamente. Senhor Morratti me olha surpreso, nesses dois anos, eu nunca tinha aviso assim. Eu nunca tinha respondido. - Quando assinou o contrato sabia que estava à minha disposição Ellen. Não abro mão da minha secretária em uma viagem de negócios, então mude essa cara e espero que saiba separar o profissional do pessoal. - Ele diz tudo de forma serena, ele é sempre assim. É exatamente isso que mais me irrita em Arthur. Ele não perder a classe nem para dar bronca! - Entendi Senhor Morratti...- Digo pegando meus papéis que são muitos e o i****a do meu chefe voltou para a sua sala. Quando eu ouço a porta se fechar, sufoco um grito de raiva com a minha mão. Engulo o choro, e xingo mentalmente meu chefe de tudo quanto é nome. Arthur tem prazer em acabar com o sonho e desejo de todos. Eu nem sei porque ainda insisto em viver nessa situação, acho que fico mais porque quando estamos sozinhos no escritório, ele é atencioso, protetor e até um pouco cavalheiro nos seus melhores dias. Apesar que isso não é recorrente, logo ele veste a armadura de CEO i****a e vive para me fazer chorar de raiva. Estou a três meses tentando voltar para a fazenda dos meus pais. Desejava ver o progresso das obras na fazenda. Queria sentir o ar puro do campo novamente e estar com a minha família sem pressa e hora marcada para voltar. Mas infelizmente não posso viajar, não com o meu chefe exigindo a minha presença em uma viagem que não estava nos nossos planos. Senhor Nakamura está em Aruba e exigiu que meu chefe fosse para assinar logo os papéis, ele faz a vontade do cliente, ele era muito correto com o seu trabalho. Fico pensando em como meu chefe é, Arthur Morratti sorriu pela primeira vez na vida após ouvir essas palavras fechar um grande negócio envolvendo milhões de dólares, claro que ele iria viajar ao ser convidado para realizar o fechamento do acordo. Me fez cancelar minha folga de três dias, são meses pedindo essa folga, meses implorando algo que é meu por direito, mas com Arthur Morratti não tem essa de conversar. Não tem choro, não tem vela, quando ele diz "não", realmente não há ser vivente que o faça convencer do contrário. Então peguei a minha raiva, escondi atrás de um sorriso profissional e fui para o banheiro chorar o dia que aceitei essa loucura. Na época eu precisava muito do dinheiro, a fazenda estava em péssimo estado e meus pais eram velhos que precisavam de ajuda. Eles não tinham mais força para tocar a fazenda, então me restou tentar a sorte em outra cidade, era formada, tinha o curso de secretariado, vim com a cara e a vontade. Mal sabia eu que estava entrando na caverna do lobo m*l que quer comer a minha carne, destruir meus ossos e fazer de mim p*!
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