Capítulo 6
Arthur Morratti
Me manter afastado dela é a melhor opção tanto para mim, quanto para ela.
Ellen tem o poder de me tirar do meu centro de gravidade, de me deixar à margem de algo desconhecido e eu detesto não saber onde eu piso.
Sempre com um argumento na ponta da língua, nunca fica para trás com os seus pensamentos e me deixa louco por saber me dar as melhores respostas, parece que tem prazer em saber me desafiar.
Ellen me lembra que sou de carne e osso, que me machuco, que sangro, que a dor pela perda pode me atormentar novamente e isso não sei se aguentaria novamente.
Somente eu sei quantas noites fiquei acordado após pesadelos com o acidente dos meus pais.
O pior é acordar sozinho e sem nenhuma proteção.
Está sozinho com apenas sete anos de idade, foi muito difícil, meu tio nunca foi até o meu quarto ver como eu estava e se tive ou não uma boa noite de sono.
Fecho os olhos porque dói lembrar do passado, dói-me lembrar o quão fui sozinho a maior parte da minha vida.
Acabo me lembrando da sua presença marcante, mesmo que ela também esteja perdida em seus pensamentos e suas lutas, Ellen me chama atenção mesmo em silêncio.
Ellen Philips é tão transparente que posso ver suas emoções através de suas fisionomias. Nunca falei, pois é uma grande arma contra mim. Eu por esse motivo que sei quando ela está brava, calma ou querendo me matar.
Ellen, Ellen, Ellen...
Ela sempre invade a minha cabeça com as suas atitudes, não consigo focar em mais nada.
Esse nome não sai da minha cabeça, por mais que eu tente arrancar com toda a minha força. Realmente não sei mais o que fazer para esquecer Ellen da forma que a minha cabeça pinta na tela em branco que eu tento manter a todo custo.
Quanto mais nós nos mantemos distante das pessoas, menos sofremos com surpresas e ordens sobrenaturais.
Eu realmente tento levar ao pé da letra esses ensinamentos que a vida fez questão de me ensinar na marra. Não sei se sobrevivo se perder mais alguém na minha vida, então me manter parcial a tudo é o melhor remédio.
Até porque para dor da alma não tem remédios, não se tem tratamento para amenizar e não podemos esquecer porque sempre a falta da pessoa volta para te lembrar o quanto você foi fraco e sem força de vontade.
Depois da nossa conversa eu me mantive distante de Ellen, mesmo o seu cheiro invadindo as minhas narinas o tempo todo naquele maldito avião. Como se alguém me lembrasse que por mais que eu tente, por mais que eu fuja, sempre terei ela para me trazer a dura realidade.
Ao chegar finalmente ao nosso destino, eu sabia que tinha que ter o mínimo de contato com Ellen, então mandei uma mensagem diretamente para o Senhor Nakamura. Queria convidar ele para algo e me manter afastado de Ellen. Eu preciso manter a minha sanidade e não fazer nenhuma loucura na minha vida.
Moratti: Vamos beber algo antes do jogo?
Mando a mensagem e desfaço as minhas malas que não eram muitas, mas tomo muito cuidado com meus ternos e minhas roupas de linho.
Ellen conseguiu os melhores quartos, mesmo o hotel dizendo que já estavam ocupados. Claro que meu sobrenome e influência ajuda muito, mas ela sempre tem as palavras certas para impor a minha vontade.
Dois quartos maravilhosos no mesmo andar, tive que a obrigar a escolher um quarto perto com a desculpa que poderia precisar dela em algum momento.
Nakamura: Estou saindo do hotel com a minha esposa, a mesma me pediu para conhecer a cidade e não posso recusar pois já tinha prometido fazer esse passeio. Volto para a nossa partida de golfe mais tarde.
- Desgraçado! – xingo com raiva.
Morratti: Te aguardo no final do dia.
Não posso xingar meu cliente, queria entender melhor onde estava me enfiando, Nakamura era um grande dono de hotéis de luxo em Cingapura, China e Japão.
Trabalhar diretamente para ele me abriria ainda mais portas para o mundo ocidental e europeu. Mesmo meu tio morando e sendo conhecido em Londres, ele m*l me ajudou em todos esses anos, sou um grande CEO por mérito próprio.
Queria resolver logo essa situação e voltar para casa hoje mesmo, não tenho um bom pressentimento em ficar no mesmo corredor em que Ellen esteja hospedada.
Sinto que meus pés podem tomar meu corpo e arrumar algum problema somente para ficar perto dela e isso não é nada prudente.
Ouço meu celular tocando e ao ver o nome de Levi brilhar na tela do aparelho de última geração me traz uma sensação de que algo vai me irritar profundamente. Meu primo tem esse dom, me deixa irritado, m*l humorado e cheio de raiva por muito tempo.
- Pensei que deixaria cair na caixa postal... – Ouço a sua voz irritante.
- Não me faltou motivos para fazer exatamente o que você acabou de me descrever, mas me lembrei que pode ser algo da empresa que você queira me falar, então tive que ter o desprazer de ouvir a sua voz no sábado de manhã.
Ouço sua risada do outro lado da linha.
- Pode falar que você não vive sem mim, sei que já estava com saudades. Não te culpo, sou realmente inesquecível. - Faço careta com a sua falta de senso.
Levi é um filho bastardo do meu tio, fomos criados distantes, pois meu primo nunca quis seguir os passos do seu pai e sim cuidar de sua mãe bem longe de Londres.
Digamos que ele cresceu cercado do amor da sua mãe. Levi sempre foi muito amado pela sua família que agora mora em peso na grande cidade de Nova York.
O amor de um pai não lhe fez falta, meu tio não era nem exemplo de um grande homem. Ele é cheio de alegria para máscara a dor.
Levi é com toda certeza meu oposto, tudo que meu primo tem de animação, eu tenho de odiar ser o centro das atenções.
- Não, tenho pena da Senhora Nicole que tem o seu filho estampando as notícias dos sites de fofocas todas as semanas. Quando vai tomar jeito Levi? - Ouço sua gargalhada.
- Sabe que ela é a sua fã número um, não sabe? Minha mãe quer que eu me torne sua cópia e seja um homem sério igual a você. - Acabo sorrindo, pois tenho um carinho pela Senhora Nicole.
A pequena Senhora cuidou de mim até os dez anos, somente me deixou, pois meu tio a mandou embora da casa deles após saber sobre a gravidez que já estava bem avançada.
Eu peguei uma parte pequena da minha fortuna e ajudei os dois e agora Levi é um grande empresário e um grande sócio.
- Seria bom você dar ouvidos a razão pelo menos uma vez na vida Levi, sua mãe tem razão pois você só me dá problemas.
- Mentiroso! Quem te dá dor de cabeça é a sua linda secretária...- nem posso xingar a mãe de Levi.
- O que você quer comigo em um sábado Levi?
Ignoro totalmente a sua fala sobre Ellen.
- Fugindo do assunto proibido? A menina precisa viver seu i****a! Que eu saiba era para ela ter viajado para o Texas.
- Vou desligar Levi, tenho uma reunião daqui a pouco. - Digo querendo matar Levi com as minhas próprias mãos.
- Ok, ok, não quer falar comigo sobre a Ellen, mas sabe que pode se abrir comigo Arthur, tenho você como a minha família, mesmo morando em outro estado.
- Não tenho nada para falar sobre Ellen e já que você não tem o que fazer aí em Nova York, tenho alguns...- Ele bufa do outro lado da linha.
- Tá bom, você venceu mais uma vez, quero falar com você sobre a venda de um shopping...
Meu primo me aluga por meia hora, mas Levi tem as melhores estratégias de investimentos e acabou que eu não saí tão irritado dessa conversa.
- Venha passar o final de semana em Nova York, é feriado prolongado...
- E vou trabalhar...- Ele fala algo que me deixa angustiado.
- Se ficar sufocando a Ellen dessa forma, ela vai cansar e vai embora...
Será que ela seria capaz de me deixar? - Penso comigo
- Traga ela para Nova York e mostre que você não morde Tutu... não se ela não pedir...
Desligo antes de mandar Levi ir para um lugar impróprio para meu linguajar.
Não queira nem pensar nessa possibilidade, mas Ellen anda tão rebelde...
- Odeio quando ele tem razão!