Capítulo Doze — Não resisto a ela...

1188 Words
“Por mais que eu tente fugir do passado, ele sempre encontra um jeito de me alcançar. Às vezes, o verdadeiro desafio não é esquecer o que aconteceu, mas aprender a conviver com as marcas que ficaram.” Christopher Davis Eu estava encostado no balcão da Empire Nights, fingindo que revisava relatórios, mas na verdade meus olhos estavam fixos nela. Victoria Ashford caminhava pelo salão com a naturalidade de quem nasceu para estar ali. O ambiente parecia se curvar à sua presença. Seu cabelo longo e castanho escuro caía em ondas sobre os ombros, refletindo a luz suave das luminárias. Cada movimento fazia os fios balançarem como se obedecessem a um ritmo próprio, e eu me pegava hipnotizado. O rosto dela era uma contradição: delicado e forte ao mesmo tempo. Olhos claros, intensos, que pareciam enxergar além das aparências. Havia algo neles que me desarmava, como se pudessem ler cada segredo que eu tentava esconder. Os lábios carnudos se curvavam em sorrisos discretos quando ela cumprimentava alguém, e eu sentia uma pontada de ciúme por não ser o motivo daquele sorriso. O corpo de Victoria era esguio, mas com curvas que chamavam atenção sem esforço. A jaqueta amarela — uniforme da casa, mas que nela parecia uma peça de alta costura — realçava sua silhueta. O jeans justo moldava suas pernas longas e torneadas, e cada passo era uma provocação silenciosa. Ela se movia com confiança, equilibrando bandejas, atendendo clientes, resolvendo pequenos problemas como se fosse dona do lugar. E talvez fosse, ao menos na minha mente. Eu a via como alguém que carregava uma força natural, uma mistura de sensualidade e profissionalismo que me deixava dividido entre admiração e desejo. — Senhor Davis, precisa de mais alguma coisa? — perguntou um dos garçons, interrompendo meus pensamentos. Balancei a cabeça, sem realmente ouvir. Minha atenção estava presa em Victoria. Ela se inclinou sobre uma mesa para recolher alguns copos, e eu percebi o contorno perfeito de sua cintura, o movimento suave de seu corpo. Era impossível não imaginar como seria tê-la novamente nos meus braços, sentir aquele calor, provar aqueles beijos que ainda queimavam na minha memória. Mas eu não podia. Não devia. Eu a observava de longe, fingindo que estava ocupado com relatórios, mas cada gesto dela me prendia. Victoria caminhava pelo salão com a bandeja nas mãos, o corpo se movendo em uma cadência que parecia feita para me provocar. Não era apenas desejo. Era algo mais profundo, algo que me assustava. Ela tinha uma aura que me desarmava, como se pudesse atravessar todas as minhas defesas. Quando nossos olhares se cruzaram, senti um impacto. Ela desviou rápido, mas eu vi: havia dor, havia mágoa, e ainda assim havia fogo. Não aguentei. Caminhei até ela. — Victoria… — chamei, minha voz rouca. Ela parou, surpresa. — Senhor Davis… precisa de alguma coisa? — Preciso de você. — as palavras escaparam, cruas, sem filtro. Ela respirou fundo, tentando manter a postura. — Depois do que você fez… da última vez, não sei se devo acreditar. E acho melhor não misturarmos as coisas, senhor. Eu preciso muito desse emprego e não quero criar um problema para mim aqui dentro. As pessoas podem começar a falar. O senhor é o dono eu sou apenas uma hoste e garçonete de vez enquanto. — Eu sei que fui um i****a. — Aproximei-me, meu olhar fixo no dela. — Mas não consigo parar de pensar em você. E não me importo com o que as pessoas falam.. Ela hesitou, mordendo o lábio. Esse gesto me enlouquecia. — Eu não quero ser só mais uma. — disse, firme. — E eu me importo com o que as pessoas falam. Não quero que me vejam como um promiscua. — Você não é. — respondi, segurando sua mão. — Nunca foi. O silêncio entre nós era pesado, carregado de eletricidade. Eu a puxei para o corredor, e antes que ela pudesse protestar, a encostei contra a parede. Nossos lábios se encontraram com violência. O beijo era urgente, desesperado, como se estivéssemos tentando apagar todas as mágoas em uma explosão de desejo. Minhas mãos deslizaram por sua cintura, sentindo cada curva, cada tremor. — Christopher… — ela murmurou entre beijos. — Isso não é certo. — Nada em mim é certo. — respondi, minha boca percorrendo seu pescoço. — Mas você me faz esquecer disso. Ela se entregou. Seus dedos se cravaram em meus ombros, puxando-me para mais perto. O calor do corpo dela me consumia, e eu não queria mais nada além daquele instante. — Eu pensei em você a noite inteira. — confessei, minha voz baixa, quase um sussurro. — Quando estava com Annely… naquele banheiro, era você que eu queria. Ela fechou os olhos, como se quisesse acreditar. — Então por que me afasta? — Porque eu não posso te dar nada além disso. — respondi, antes de tomar seus lábios novamente. O momento foi intenso, visceral. Cada toque era uma explosão. Eu a levei para o meu escritório, fechei a porta. Despi cada peça de roupa que ela usava e a levantei contra a parede, sentindo seu corpo se encaixar no meu. O gemido dela ecoou na sala, e eu perdi qualquer noção de controle. Era mais do que sexo. Era uma necessidade, uma urgência que me dominava. Eu a queria inteira, e naquele instante, ela era minha. Quando tudo terminou, quando nossos corpos se separaram e o silêncio tomou conta, a realidade voltou como um soco. Ela me olhou, ainda ofegante, os cabelos bagunçados, os olhos brilhando. Parecia tão inocente, tão cheia de esperança. E isso me destruiu. — Não devia ter acontecido. — falei, frio, afastando-me. — O quê? — sua voz tremeu. — Você acabou de dizer que me queria… — Eu quis. — corrigi. — Mas não quero mais. Ela me encarou, ferida. — Você não pode brincar assim comigo, Christopher. — Eu não estou brincando. — endureci o tom. — Só não quero criar expectativas. — Expectativas? — ela riu, amarga. — Você acha que eu não sei quem você é? Eu só… eu só queria acreditar que podia ser diferente. — Não sou diferente. — respondi, seco. — Sou exatamente o que você viu por aqui desde que chegou. Um cafajeste. Os olhos dela se encheram de lágrimas. Eu senti vontade de abraçá-la, de pedir desculpas, mas me forcei a permanecer firme. Se eu cedesse, seria pior. — Volte ao trabalho, Victoria. — ordenei, virando as costas. Saí sem olhar para trás. E a deixei em meu escritório, ainda nua. Cada passo era pesado, como se eu estivesse carregando uma culpa que não conseguia soltar. Eu sabia que a havia magoado. Sabia que a havia desprezado. Mas era necessário. Meu coração estava endurecido pelas mágoas do passado. Nunca me permitiria ficar vulnerável por causa de ninguém outra vez. Ainda assim, enquanto caminhava pelo salão, não conseguia apagar da mente o calor do corpo dela, o brilho dos seus olhos, o sabor dos seus lábios. Victoria Ashford era minha tentação. Minha ruína. E eu sabia que, por mais que tentasse, não conseguiria mantê-la longe de mim.
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