Cassandra Barker
Sempre fui uma garota que se apega facilmente nas pessoas, a pior parte disso é que não faço de propósito, e aprendi da pior forma possível que eu não posso confiar nesses sentimentos.
Eu não tenho um relacionamento r**m com os meus pais, na verdade eu acho que a essa altura eu não tenho relacionamento nenhum com eles.
Estamos agora dividindo o mesmo cômodo, mas eles olham para seus celulares, notebooks e agendas, mas não olharam se quer uma vez para mim desde que cheguei na escola.
O que eu quero dizer é que sempre senti que faltava algo, e automaticamente me tornei uma pessoa que abre seu coração muito fácil para as outras.
Eu adoro a sensação de gostar de alguém, de poder ser tudo para aquela pessoa, mas isso mudou quando eu fiz 16 anos.
A minha infância foi repleta de amigos, até hoje minhas melhores amigas permaneceram na minha vida, mesmo depois de tudo elas não foram embora, mas ele foi.
Nathaniel Benson costumava ser meu melhor amigo, o garoto que buscou a minha boneca no galho de uma árvore no primário, o garoto que dormia na minha casa aos fins de semana para maratona de filmes e o garoto que me levou ao meu primeiro baile não existe mais.
As vezes eu me pergunto onde eu errei para afastá-lo assim, se talvez eu não tivesse mandado fotos comprometedoras do meu corpo ao meu ex namorado, ele não teria espalhado para toda a escola.
Ele ainda seria meu amigo se isso tivesse acontecido?
Então eu lembro de como ano passado foi o pior ano da minha vida, as pessoas apontavam para mim, falavam das fotos para onde eu ia, e me lembro do quanto eu quis algumas palavras dele, do quanto eu precisei dele, e ele simplesmente não estava lá.
Ele não foi a pessoa que eu esperava que fosse.
Eu passei da fase em que sentia culpa, mas a raiva e amargura que eu sinto em saber que ele puniu um por um dos responsáveis por minhas humilhações diárias, saber que ele cuidou de tudo pelas minhas costas, mas não veio até mim faz com que eu queira enfiar uma faca nos seus olhos.
Por causa dele as pessoas pararam de me olhar torto, de cochichar enquanto eu passava, porém quando eu passava por ele, ele virava o rosto para não me olhar.
Qual a droga do problema dele? Ele é retardado ou algo assim?
Coloquei a mão sobre a boca para evitar um suspiro frustrado, mas aposto que nem isso chamaria atenção dos meus pais.
— Acho que vou dormir na casa da Harper hoje, tudo bem? — perguntei aos meus pais, sabendo que eles não negariam.
— Na verdade queremos você em casa hoje — meu pai disse, digitando freneticamente em seu notebook.
— E para que? — questionei confusa.
— Vamos jantar com a família Benson, precisamos colocar o papo em dia, além do mais, faz tempo que você e o Nathaniel não se veem — mamãe explicou, gesticulando com a mão.
Ah, por favor, é só o que me faltava!
— Acontece que eu não quero ver o Nathaniel — resmunguei, levantando do sofá em um pulo.
— Eu começaria a aceitar o fato, eles chegam em 30 minutos — mamãe respondeu, olhando seu relógio de pulso.
Saí da sala batendo os pés, uma atitude infantil eu sei, apenas queria que eles tivessem certeza que não gostei nada disso, não que eles liguem de qualquer maneira.
Depois de um banho que com certeza durou mais do que o tempo necessário e uma passada básica pelo closet que também não levou pouco tempo, eu estava arrumada e pronta para descer.
Mas eu não queria descer.
Mandei mensagem para as minhas amigas avisando que caso eu não fosse para a escola amanhã, é porque eu enterrei o corpo do Nathaniel em alguma vala e fugi para a Espanha.
Meio irritada, minha mãe apareceu na porta do meu quarto e simplesmente apontou para fora, um ato indicando que eu estava atrasada, que ótimo.
Arrumei minha saia jeans por cima da blusa, não coloquei nada muito elaborado, não quero que esse i****a pense que eu me arrumei para ele. Quase choramingando eu atravessei a sala e fui em direção a sala de jantar, sendo recebida com sorrisos.
Eu não fui capaz de dar um sorriso sem ser forçado, estou odiando esse momento e nem mesmo meus dois anos em teatro me salvaram agora, cumprimentei o casal e fiz questão de ignorar a presença do Nathaniel.
Sabia que ele estava lá, podia sentir sua presença e o perfume que altera meus sentidos, estava trêmula por dentro ao passar por perto da cadeira dele, mas empinei o nariz e me sentei.
Não olhei para ele, não queria.
Meus pais e os dele começaram uma conversa animada, e eu aproveitei disso para enfiar a cara no celular, por que em nome dos céus a Harper não veio? Que tipo de traidora ela é?
— Por que a Harper não veio? — aproveitei o silêncio para perguntar.
— Ela disse que tinha algumas coisas para fazer querida — Gisela, mãe do Nathaniel explicou.
Imagino que tipo de coisas ela tenha que fazer.
— Como você está, Cassy? Faz tempo que não a vemos, sentimos sua falta lá em casa.
Como vou explicar ao pai do meu ex melhor amigo que ele é um i****a, e que por sua culpa não nos falamos mais?
— Estou bastante ocupada ultimamente.
Usei a mentira clássica, porque definitivamente não sabia como explicar um ano de sumiço.
— Consigo imaginar, os últimos anos no colégio são os mais intensos, e com a chegada da faculdade tudo se duplica — Gisela completou, e eu só pude assentir enquanto sorria.
Tomara que eu morra antes desse jantar acabar.
O jantar se iniciou, eu estava comendo em um silêncio absurdo, isso não é do meu feitio, todos nessa mesa me conhecem bem o suficiente para saber que posso falar mais do que um vendedor em época de fim de ano normalmente.
Eu quase sobrevivi, se em um momento de deslize eu não tivesse levando os olhos e encontrado os dele.
[.........]
Nota da Autora: Me sigam no i********: para conhecer mais sobre a história @rbwqueen