Bem-vindos de volta a Academia Yancy
O verão chegou ao fim e as aulas na Academia Yancy estão prestes a começar. A Yancy é um internato privado, bastante prestigiado na cidade de Nova York e nos Estados Unidos, sendo reconhecida mundialmente. Apenas os filhos de um grupo seletivo de pessoas podem frequentar a escola. Todos extremamente ricos.
Annabeth está extremamente ansiosa para seu último ano na escola. Não faria nada de diferente, seu planejamento anual está impecável e ela deseja concluir ele com êxito, sendo aprovada na universidade de Yale.
Seu sonho sempre foi ser uma arquiteta tão boa quanto a mãe. Ela admira muito a profissão do pai, mas é a arquitetura que tira todo o seu fôlego.
Ela sempre foi esforçada e focada nos seus objetivos. Com pais extremamente inteligentes, a garota não quis ficar atrás, buscando sempre dar orgulho para os dois. Annabeth é filha da melhor e maior arquiteta do país, conhecida mundialmente e de um excelente professor de história da universidade de Columbia. O motivo de sua família ter se mudado de São Francisco para Nova York foi um convite da Columbia para seu pai ministrar aulas na faculdade. Eles se mudaram um pouco antes de Annabeth começar no ensino médio.
–Não vai querer se atrasar no seu primeiro dia de aula, não é mesmo? – Atena segura nos ombros da filha, a observando pelo reflexo do espelho.
–Não, mamãe. – Sua atenção está toda voltada para sua imagem: uma garota loira, com cachos longos e loiros, de intensos olhos cinzas. Com um corpo atlético, por causa do voleibol e uma pele bronzeada, graças as viagens de verão para países ensolarados. Ela veste o uniforme vermelho extremamente alinhado a seu corpo.
–Seu pai vai te dar uma carona. Não poderei ir, tenho uma reunião com os sócios da empresa. Espero que entenda.
–Sem problemas – Annabeth dá um pequeno sorriso, sem descolar os lábios.
–Nervosa com o discurso de hoje?
–Não vai ser o meu primeiro discurso, mãe.
–Sim, é verdade. Mas vai ser seu último discurso de boas vindas, ano que vem você não estará mais lá.
–Espero que encontrem alguém bom o suficiente para o cargo. Não quero qualquer pessoa para assumir meu lugar.
Atena sorri, a filha é igualzinha a ela. Convencida.
–Garanta que você seja bem representada depois da sua partida.
–Irei fazer isso.
–Então vamos logo – Atena se afasta. Está linda como sempre, com suas roupas de grife e acessórios caros, mas sem perder a elegância e a sutileza; os cabelos presos em um coque frouxo – Sua mala está no carro?
–Sim. O papai veio buscar mais cedo.
Atena e Frederick Chase amam a filha mais do que qualquer coisa, porém estão sempre ocupados, nunca dando a atenção que Annabeth merece. Por esse motivo eles decidiram colocá-la em um colégio interno, se organizando para terem todo o tempo do mundo pra ela nos finais de semana.
Annabeth sempre soube da condições dos pais e nunca culpou eles, tudo o que eles faziam e fazem, é para dar o melhor pra ela. Ela entende bem, desde pequena entendia, mas ainda assim era doloroso não ter os pais em determinadas situações de sua vida. Frederick sempre foi o mais próximo de Annabeth, por ser menos ocupado, ele era o responsável por levar a filha na escola e buscá-la, desde sempre. Foi ele quem cuidou dela desde o nascimento, sempre dando o apoio que ela precisava. Annabeth o ama demais por isso, porém sem odiar a mãe pela ausência.
–Você vai ficar bem essa semana? – Frederick pergunta, tinha acabado de estacionar na frente da escola.
–Claro que vou! – Ela garante.
–Promete que vai se divertir? Esse é o seu último ano. Quero que aproveite, se divirta. Saia com seus amigos. Você viu como passou rápido, vai sentir falta disso depois. Não quero que se arrependa de não ter aproveitado a fase do colégio.
Annabeth quis responder que a diversão ao qual o pai estava se referindo, é uma completa bobagem e uma perda de tempo, mas apenas assente, para não magoar os sentimentos dele.
–Pode deixar, papai. Prometo que vou me divertir. – Ela abre um pequeno sorriso.
–Boa sorte com o discurso. – Ele pisca para a filha.
–Não preciso de sorte. Eu ensaiei. – Annabeth sai do carro.
–Sejam todos bem-vindos a Academia Yancy – Dionísio, o diretor da escola, pronuncia. Todos os alunos, professores e funcionários da escola, se encontram no enorme auditório. – Para os antigos alunos, fico feliz que tenham voltado e espero que se comportem; estou me referindo a você mesmo: Peter Johnson.
A maioria dos alunos gargalha. Dionísio nunca acertava o nome de Percy Jackson, ou errava de propósito. Percy acena e sorri para o diretor, atraindo olhares de diversas garotas, deixando as novas alunas excitadas e com o corações apaixonados. Ele sempre causa esse efeito nas mulheres.
–E para os novatos, obrigado pela preferência. Espero que se encaixem na Yancy, tenho certeza que irão gostar. Eu sou o Diretor Dionísio e estarei a disposição para o que precisar. Agora chamo a presidente do Grêmio Estudantil para dar algumas palavrinhas inspiradoras pra vocês, Annabeth Chase! Uma salva de palmas.
Annabeth se levanta, indo em direção ao palco, enquanto os alunos aplaudem.
–Bom dia, como o diretor mesmo disse anteriormente, me chamo Annabeth Chase. Sou a presidente do Grêmio Estudantil desde o meu segundo ano. Meu maior compromisso com a Academia é representar os alunos e fazê-los se sentirem bem com a escola. Eu sou a ponte de conexão entre os dois grupos.
“Para os novos alunos, espero realmente que se sintam confortáveis e dispostos a receber o que a Yancy tem de melhor para lhes oferecer. É uma ótima instituição, somos privilegiados de estarmos aqui. Quero que saibam, que qualquer dúvida que tiverem ou problema, podem me procurar, com certeza irei ajudar e tentar guia-los.
Esse é o meu último ano na Academia, é com grande pesar que deixarei está escola que foi e é muito importante na minha vida acadêmica. Aqui criei amizades verdadeiras, adquiri conhecimentos enriquecedores e conheci pessoas extraordinárias. Novos alunos, espero que suas histórias sejam magníficas e belas aqui, assim como a minha foi. E para os meus colegas do último ano, vamos aproveitar esse ano como se fosse o último de nossas vidas.”
As palmas são avassaladoras e continuam por um bom tempo, Annabeth está emocionada com a retribuição, não imaginava que reagiriam assim.
–Acho que esse é o primeiro discurso que você faz, que eu gosto – Thalia comenta.
Thalia Grace é a melhor amiga de Annabeth, as duas são colegas de quarto e seus pais também trabalham juntos. As duas são quase inseparáveis, apesar da diferença absurda de personalidade. Thalia é rebelde, não se importa com as regras, só quer curtir o máximo possível e não dá a mínima pra escola. É com a ajuda de Annabeth que ela conseguiu passar nos testes e chegou ao último ano.
As duas estão no seu dormitório, aproveitando o tempo livre para arrumar suas coisas.
–Sério, Thalia? – Annabeth pergunta, incrédula – Obrigada pela parte que me toca.
Thalia solta uma gargalhada.
–Tá bem, desculpa. É só que eu nunca imaginei ver você falar as palavras : aproveitar esse ano como se fosse o último de nossas vidas.
–Nossa, qual o problema em dizer isso?
–Não tem problema nenhuma em dizer isso. O problema é você dizendo isso. Cara, você é a garota mais careta e certinha que eu conheço.
Annabeth não sabe se leva o comentário como um elogio ou xingamento.
–A verdade é que meu pai me disse uma coisa, que me fez refletir.
–Tudo o que o Sr. Chase fala, é pra fazer refletir.
Annabeth joga uma almofada na direção de Thalia, que desvia, achando graça.
–É sério. Ele me fez prometer que eu me divertiria esse ano.
Thalia arqueia uma sobrancelha, surpresa.
–Então vamos fazer essa promessa se concretizar – Thalia possui um sorriso travesso no rosto.