Prólogo
Prólogo
Uma guerra entre noivos estava prestes a começar.
O problema era que apenas um deles sabia disso.
Bianca Bellini passou a vida desejando algo que, para qualquer outra garota de sua idade, pareceria simples: ser normal.
Queria sair com as amigas, aproveitar a juventude, frequentar festas, conhecer pessoas e talvez se apaixonar. Queria ter histórias para contar, cometer alguns erros e descobrir, por conta própria, quem desejava ser.
Mas Bianca nunca teve esse privilégio.
Seu futuro havia sido decidido antes mesmo de ela nascer.
Prometida a Dom Dário Santoro ainda no ventre da mãe, cresceu sabendo que, ao completar dezoito anos, se tornaria esposa de um homem que nunca havia visto.
O que ela não sabia era que Dário já fazia parte de sua vida havia muito tempo.
Mesmo sem jamais ter se apresentado, ele sabia onde Bianca estava, com quem saía e quem ousava se aproximar dela. Homens de sua confiança a acompanhavam discretamente vinte e quatro horas por dia, garantindo que ninguém ultrapassasse os limites estabelecidos pelo Dom.
Principalmente homens.
Dário poderia ocupar a cama de outra mulher e entregar a ela tudo o que jamais prometera à futura esposa, mas havia uma coisa sobre a qual nunca admitira discussão:
Bianca Bellini era sua noiva.
E ninguém tocaria nela.
Talvez por isso, aos dezessete anos, apesar de já frequentar a faculdade graças à inteligência que lhe permitira adiantar os estudos, Bianca ainda não tivesse dado sequer o primeiro beijo.
E ela estava cansada.
Cansada das regras.
Cansada da vigilância que nem sempre conseguia provar, mas sentia sobre si.
E, acima de tudo, cansada da contagem regressiva para um casamento que nunca escolhera.
Faltava apenas um mês.
Um mês para completar dezoito anos e ver a própria vida mudar para sempre.
Então, em uma sexta-feira, Bianca decidiu que, pelo menos por algumas horas, faria exatamente o que quisesse.
E quis beber.
Quis dançar.
Quis esquecer que carregava o sobrenome Bellini.
Quis fingir que Dário Santoro não existia.
A escolha da boate, porém, não poderia ter sido pior.
Bianca não fazia ideia de que o estabelecimento pertencia à família Santoro.
E naquela noite, tudo o que poderia dar errado pareceu determinado a acontecer.
Depois de algumas doses a mais — muito mais do que estava acostumada —, ela já não tinha condições de voltar para casa sozinha. Lorenzo, um colega da faculdade, ofereceu-se para levá-la.
Para Bianca, não havia m*l algum.
Para os homens que a observavam de longe, havia todos os motivos do mundo.
— Eu consigo entrar sozinha — resmungou ela, afastando a mão de Lorenzo enquanto tentava manter o equilíbrio.
— Claro que consegue — ele respondeu, segurando o riso. — É por isso que quase beijou o chão duas vezes desde que saímos da boate.
— O chão veio na minha direção.
Lorenzo riu.
— Entra no carro, Bianca.
Ela revirou os olhos, mas aceitou a ajuda.
Lorenzo abriu a porta de sua Bugatti Chiron Super Sport preta e esperou até que Bianca se acomodasse no banco do passageiro. Ela deixou a cabeça cair contra o encosto e fechou os olhos por alguns segundos.
Finalmente iria para casa.
Ou era o que pensava.
Lorenzo estava prestes a fechar a porta quando uma voz masculina surgiu atrás dele.
Fria.
Grave.
E perigosamente calma.
— Tire as mãos da minha noiva.
Bianca abriu os olhos.
Lorenzo congelou.
Ela virou lentamente o rosto na direção daquela voz e encontrou um homem parado a poucos metros do carro.
Alto. Imponente. Vestido de preto.
Havia algo em sua postura que fazia parecer que todos ao redor já sabiam quem ele era.
Todos, menos ela.
Bianca franziu a testa.
— Sua o quê?
O olhar do desconhecido encontrou o dela.
Não havia dúvida. Não havia hesitação.
— Minha noiva.
Por alguns segundos, Bianca apenas o encarou.
Então a compreensão chegou.
E, junto dela, a raiva.
— Você…
Um canto da boca de Dário Santoro se ergueu.
Depois de quase dezoito anos observando Bianca Bellini à distância, finalmente havia chegado a hora de se apresentar.
— Prazer, Bianca.
Ele fez uma breve pausa, mantendo os olhos presos aos dela.
— Dário Santoro. Seu futuro marido.
E foi exatamente naquele instante que Bianca decidiu uma coisa:
Se aquele homem realmente pretendia se casar com ela dali a um mês, ele conheceria o inferno antes de chegar ao altar.