Depois de alguns instantes, ela ouviu a voz de Gino falando com seu português carregado de sotaque italiano, seu idioma natal.
— Olha a garota que te falei, Adélia, ela não é linda? — disse Gino quando entrou na sala com uma mulher que parecia ter uns trinta anos, muito bem vestida. Mas ele não estava com nenhum contrato na mão, o que Lívia estranhou, mesmo estando zonza e sem conseguir firmar os olhos nele, pois de repente sentiu um sono profundo.
— Sim, ela é perfeita. Com certeza, querido, vamos lucrar muito com ela, ainda mais que é muito jovem, do jeito que aqueles velhotes cheios da grana adoram. Vão pagar o que pedirmos para tê-la em suas camas — disse a mulher com um brilho de ganância nos olhos, olhando para Lívia.
— Do que estão falando? Eu quero ir para casa agora mesmo. Eu não sou uma mercadoria para ser leiloada. Sou uma dançarina e nunca vou fazer o que está dizendo — disse ela, com raiva e a voz fraca pela droga que ele lhe deu.
— Cala a boca, garota! Você vai fazer o que eu quiser. Eu não a forcei a vir aqui; veio com suas próprias pernas, porque, como as outras, tudo o que te importou foi o dinheiro. Então, você o terá, mas terá que ser boazinha com o cara que a comprar. E se me desobedecer, quem vai pagar por isso é a sua querida vovozinha — disse ele, com um sorriso c***l.
— Como sabe da minha avó? Eu não te disse nada — disse Lívia, com a voz fraca, quase fechando os olhos, pois a droga que, com certeza, estava no vinho a deixou quase sem forças e com muito sono.
— Eu investiguei sua vida antes de lhe abordar, gracinha. Porque, como acabei de dizer, quando chegarmos à Itália e você quiser bancar a rebelde e não fazer tudo que eu mandar, quem vai pagar é a vovozinha. Coloquei gente minha para vigiá-la — disse ele, se aproximando rapidamente dela e agarrando com força seus cabelos longos e escuros.
— Não. Não faça nada à minha avó. Eu vou aceitar tudo que quiser, mas...Lívia nem conseguiu terminar a frase, pois a droga fez efeito e ela desmaiou em cima da mesa. Quando acordou, estava em um quarto estranho que nunca tinha visto, mas havia luxo e requinte por toda parte.
Ao olhar pela enorme janela de vidro, viu que já estava escuro e, claramente, não era mais dia.
Ela pensou que, com certeza, dormira demais após ser dopada por Gino. Não estava mais vestida com o vestido que usara na casa dele; estava com uma lingerie sexy, um espartilho vermelho com uma calcinha de renda minúscula e meias arrastão da mesma cor, como as que usava em seu show de stripper.Muito assustada, ela se perguntou quem teria trocado sua roupa, se foi o próprio Gino ou aquela mulher que estava com ele. Em seguida, sentou-se na cama e refletiu sobre o quanto fora ingênua em acreditar cegamente naquele homem.
Tudo por causa de sua avó, ela nem quis saber de investigar mais sobre ele; foi logo arrumando suas coisas e indo atrás dele, acreditando em sua promessa de uma vida melhor.
Lívia não conseguia chorar, pois já chorara tanto na vida ao perder os pais ainda muito nova e também quando foi iludida por Vitor, o homem que só queria levá-la para a cama, que ela acabou se tornando uma mulher muito dura e não via nas lágrimas alívio para suas aflições.Mesmo assim, estava muito preocupada e angustiada, especialmente por se lembrar de que a mulher com Gino falara que ela seria leiloada e vendida como escrava para um desconhecido.
O pior era que ela não podia fazer nada para sair daquele lugar sem colocar a vida de sua avó em risco e, na verdade, nem estava mais no Brasil, mas na Itália, pela paisagem totalmente estranha lá fora. Quando se levantou novamente e olhou pela janela, viu que já não estavam mais em seu país.De repente, a porta do quarto se abriu. Como estava praticamente nua, correu para a cama e se cobriu com o lençol. Estar nua na frente de quem quer que fosse, longe da boate, era totalmente diferente para ela. Lá, não tinha vergonha porque era seu trabalho; já ali, naquele lugar, era totalmente diferente. Mas não foi Gino quem entrou e sim a mulher loira de cabelo curtinho que estava com ele no Brasil.
— Bem, bela adormecida. Você dormiu um bocado. Eu até pensei que exagerei no sonífero que coloquei em seu vinho — disse ela em português, mas com um forte sotaque italiano, como Gino.
— Já faz quase dois dias que você está dormindo desde que chegamos à Itália. Eu ia até chamar o nosso médico de confiança. Eu te dei banho, troquei suas roupas e, nem assim, você acordou completamente, só ficava um pouco desperta, depois dormia novamente. Tenho que te dar os parabéns. Você é linda, garota, com um corpo perfeito. Com certeza, os homens lá na boate vão fazer fila para comprar você — disse ela, com um sorriso malicioso.
— Cadê as minhas roupas? Eu não vou ficar vestida desse jeito — disse Lívia, com muita raiva.
— Ao contrário, é exatamente assim que vai ficar. Os homens precisam ver o quanto é linda, o que fará com que paguem o valor que o Gino vai cobrar por você no leilão.
— E não tente se fazer de pudica. O Gino me falou que você praticamente ficava nua lá naquela boate no Brasil na frente de vários caras. Até ele queria fazer algo que nunca fez com as outras meninas: experimentar a mercadoria antes de vender você. Mas, claro, que não deixei. Mesmo que tenha ficado louco por você, ele tem que saber que eu sou a única mulher da vida dele e ele nunca vai f**der você ou quem quer que seja, senão eu mato ele, você e qualquer uma que ele se engraçar — disse ela, com raiva. Lívia também estava tomada pela raiva daquela mulher e de Gino, que estavam tratando-a como se fosse uma mercadoria deles.