CAPÍTULO 10 — ARREPENDIDA

984 Words
Emily Narrando. O jeito que ele me olhava depois do beijo fez algo dentro de mim tremer. Não por sentimento. Foi algo mais estranho. Algo que eu não conseguia explicar. Ele não demonstrou sentimento nenhum, como se fosse um robô. Seu olhar era frio, duro e assustador. Muito assustador. E isso me fez me arrepender, no exato momento, do que eu tinha feito. Sentia meu rosto esquentar pela vergonha. Abaixei a cabeça, sem mais conseguir sustentar o seu olhar. Mas, em um movimento rápido, ele segurou forte no meu braço e me encostou na parede. Meu corpo tremeu ainda mais quando meu olhar cruzou com o dele mais uma vez. — Você não devia começar o que não tem coragem de terminar — ele falou, olhando dentro dos meus olhos. Desviei o olhar quase que no automático. Ele colocou a mão no meu queixo, me obrigando a olhar para ele. Se aproximou tanto que eu conseguia sentir sua respiração se misturar com a minha. Meu coração começou a bater descontrolado. — Só que, dessa vez, você vai terminar. Não hoje, não agora, não aqui, mas essa dívida eu vou fazer questão de cobrar — ele sussurrou, com seus lábios quase encostados nos meus. Fechei os olhos, esperando pelo beijo. Mas não veio... Ele se afastou. Respirei fundo e, quando abri os olhos novamente, ele já estava passando pela porta. Como se eu fosse nada. Talvez seja isso mesmo. O que eu sou para ele. Além da louca que sujou sua camisa e beijou ele sem pedir permissão. A Isis entrou com tudo na salinha e veio rápido até mim. — Como você está? Ele te machucou? — ela perguntou. — Estou bem. Vamos sair daqui — falei. — Vamos — ela falou e segurou minha mão. Saiu me arrastando o mais rápido que conseguiu em direção à saída. E, quando finalmente saímos, pude sentir o ar voltar para os meus pulmões. Minha mente começou a voltar ao lugar. E o arrependimento pelo que fiz invadiu meu corpo inteiro. — Quer me contar o que aconteceu? — a Isis perguntou. — Nada demais. Só conversou. Nunca mais eu piso em um lugar desses, Isis. Eu achei que realmente iria morrer — falei nervosa. — Tem sorte que está inteira. O cara saiu com as mãos quebradas — ela falou sorrindo. — Bem-feito — falei séria. Eu nem tinha coragem de pôr em voz alta o que tinha acabado de fazer. E, claro, ela ia querer me matar. Então preferi guardar para mim essa merda toda. Cheguei em casa e fui direto para o banho. Coloquei um pijama e me deitei. Mas não conseguia dormir. O jeito que ele me tocou. A intensidade do beijo. Nossos lábios se envolvendo um no outro. O arrepio que senti com um simples toque. Tudo ficava voltando para a minha mente. Cada detalhe. Cada sensação. E, junto com tudo isso, vinha o sentimento que eu estava começando a sentir por um cara desconhecido. Era uma piada. Sentir aquilo por um cara que parecia não ter sentimento nenhum. Eu ouvia falar da fama dele mesmo sem saber quem ele era, mas sentir tudo na pele tornou aquilo muito mais real. Muito mais assustador. Eu precisava ficar longe dele. Era o que minha razão dizia. Mas o que minha mente gritava, meu coração implorava para ignorar. Para me aproximar. Eu juro que não conseguia entender o porquê de tudo aquilo. Por que aquele homem mexia tanto comigo? Por que um simples beijo tinha conseguido bagunçar completamente a minha cabeça? Virei de um lado para o outro na cama, mas nada fazia meus pensamentos pararem. Vi o dia clarear pela janela. O sol já começava a esquentar, e eu nem tinha conseguido pregar os olhos a noite inteira. Me levantei. Como hoje estou de folga, o melhor lugar para esfriar a cabeça seria ir à praia e me distrair. Coloquei um biquíni vermelho, um short e uma blusa por cima. Arrumei minha bolsa. Coloquei um óculos escuro para esconder a cara de acabada e saí. Parei na entrada e chamei um táxi. Pedi para me levar à primeira praia mais vazia possível. Alguns minutos depois chegamos. desci Quando meus pés tocaram a areia, que já estava quente pelo sol, respirei fundo, sentindo uma sensação que eu amava. Continuei andando e olhei em volta. Não sei se era pelo horário, mas ela estava realmente vazia. Se tivesse três pessoas ali, era muito. O motorista acertou em cheio. Coloquei minha bolsa no chão, tirei o short, o chinelo e a blusa. Coloquei o óculos dentro da bolsa e corri em direção à água. Mergulhei, sentindo meu corpo relaxar quando a água entrou em contato com ele. E realmente era disso que eu estava precisando. Fiquei mais alguns minutos curtindo a sensação antes de finalmente sair. Fui caminhando de volta para onde tinha deixado minha bolsa. Parecia que toda a tensão da madrugada o mar tinha levado embora. E isso realmente fez meu coração desacelerar por um momento. A sensação era boa. Pela primeira vez desde a madrugada, minha cabeça parecia silenciosa. Me aproximei da minha bolsa e me inclinei para pegar uma toalha. — Fica bem de vermelho... Escutei uma voz que fez meu coração voltar a acelerar. A voz que, mesmo sem olhar, eu sabia que pertencia ao homem que estava me deixando louca com esse turbilhão de sentimentos. Virei a cabeça devagar. E lá estava ele. Sentado a um metro de distância de mim. Só de bermuda, sem camisa, com o corpo molhado e o cabelo pingando. Com aquele olhar frio e, ao mesmo tempo, intenso. O mesmo olhar que tinha me assustado horas atrás. O mesmo olhar que não saía da minha cabeça. Senti minha respiração ficar presa no pulmão. Meu coração disparou novamente. E toda aquela tranquilidade que eu tinha acabado de encontrar no mar desapareceu em um segundo. — Rei...
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