16. Desejado e rejeitado (PT.1)

1386 Words
Minha cabeça girava, atônito, deitado no sofá de casa brincando com uma de minhas palhetas, submerso num devaneio distante. Poderia jurar que senti seu cheiro, e de fato ele estava presente ali, mesmo a dona dele estando distante de meus braços. Talvez, em retiro a razão, me coração soubesse que aquela mulher não era para mim, eu, minha juventude, eram passatempos para sua vida monótona. Mesmo assim, por que eu sentia meu peito esquentar? por que meu coração doía? Por que eu me corroía de ciúmes ao vê-la com outro homem? Eram tantas dúvidas. Talvez nosso amor tivesse nascido destinado a morrer. Amor? Era amor? Minhas mãos cobriram meus olhos, levantei-me, apoiando os cotovelos nos joelhos ainda escondendo minha face. Como eu poderia sentir algo assim? Não... isso não podia ser amor. Era algo mais simples, um homem feito eu não poderia se dar ao luxo de amar uma mulher igual ela. Mas então por que eu queria tê-la em minhas mãos? Nua, deliciando-me com suas curvas, sentindo seu gosto, seu cheio... ouvindo seus gemidos aos pés dos meus ouvidos, suplicando por mais. Eu tinha que fazê-la ser minha, apenas minha, daria mil mundos em prol disso. — Está passando m*l? — A voz de Vivian chegou tão rapidamente, que me assustei em meio aos pensamentos. — Bebeu demais? Fumou erva demais? Eu falei pra esses caras pegarem leve com você! — Parou de falar abruptamente, ao me ver levantar o corpo para se sentar, aproximou-se de mim, levando uma de suas mãos até meu ombro, encarando-me como se esperasse que eu lhe dissesse algo. — Está precisando de alguma coisa, Carter? — Sim. Preciso ir embora daqui! — Ah, não! Vamos ficar mais um pouco! Conheci um cara muito talentoso no baixo... estamos numa cidade nova e você quase nunca sai do seu quarto de hotel! Tem várias garotas lá fora que não tiraram os olhos de você quando chegou. — Eu só não tenho vontade de sair, Viv... Ela puxou meu queixo com ambas as mãos, tinha olhos profundos e preocupados. Eram grandes, pretos como turmalinas, envoltos por uma fina camada de lápis de olho, contrastando com seus lábios que eram naturalmente vermelhos, seus cabelos já se soltavam em cachos desenfronhados que caiam por sua face, seu rosto carregava o mesmo tom de marrom bronzeado, era como se o sol se fizesse presente o ano todo em seu corpo. — Como pode já estar bronzeada se o verão acabou de começar? — Pensei alto demais, deixando-a confusa com minha observação, minha mão estava repousada na lateral de seu rosto, afagando num de seus incontáveis cachos. — O que? Avancei em sua direção, com uma as mãos já correndo para sua cintura, puxando seu corpo junto ao meu. Esperei que ela fosse estapear meu rosto, se afastar de mim, xingar até minha quarta geração, mas não. Ela estava retribuindo o beijo, vindo para cima de mim com um desejo desenfreado de continuar o que estávamos fazendo ali. Talvez eu realmente tivesse bebido demais, ou os pensamentos dentro de minha cabeça eram tão turvos, que qualquer luz me tiraria deles. Julguei eu, erroneamente, que está luz tiraria. O beijo continuou, com cada vez mais intensidade, minhas mãos passavam por suas curvas, sentindo o contato com sua pele quente, ela ardia, ardia instigada pelo toque que eu lhe causava. Porém, assim como minhas mãos corriam pela extensão de seu corpo, as dela também passeavam por mim. Estavam em buscava dos teimosos botões que pareciam de perder enquanto nossos corpos se tocavam. Quase estava rasgando o tecido da camisa, o que me fez sorrir em meio aos beijos, o suficiente para meus lábios descerem para seu pescoço. Imerso, dentro de nosso beijo, minha mão livre correu para a camisa que ela usava, rasgando-a com um toque selvagem, o máximo que consegui canalizar, eu não poderia levar a raiva que sentia para o sexö com ela. Quando dei conta de meus pensamentos, depois de ser arrebatado pelos lábios de Vivian, ela já estava com a saia levantada, cavalgando sobre mim. Senti sua cintura movimentar-se intensamente, mas ainda assim faltava algo, eu sentia algo diferente nela também. Porém, quando o rosto dela virou-se para o meu, na pouca luz que entrava no quarto, ou por culpa d minha mente submersa em devaneios, vi entre os meus braços a mulher que eu desejava peneträr uma noite inteira. Aquilo era como acender um vulcão adormecido, não queria que ela estivesse em cima de mim, queria fazê-la sentir prazer, senti como dentro dela ardia de prazer. Levantei-me segurando seu corpo, procurando a primeira parede que pudesse me ajudar a sustentá-la, a pressão que eu sentia cada vez que a adentrava em si era tão boa, como podia um corpo belo e quente como aquele, estar completamente inundado de desejo. Seus dedos corriam por meus cabelos, os puxavam de acordo com a satisfação que sentia, e toda vez que meu päu a sentia por dentro, era como se o inferno estivesse por entre suas pernas. Havia fogo ali, havia um sentimento de jubilo tão sincero, que julgo dizer que nenhum outro homem a fazer gözar como eu fiz. ... Saímos do prédio em seguida, eu ainda carregava uma garrafa de cerveja que tinham me entregue na saída. Vivian estava vestida com meu casaco, já que eu havia destruído a que ela estava usando. Me surpreendi quando ela buscou um molho de chaves dentro da bolsa, com uma delas sendo a de sua moto. Pensei que uma moça tão pequena quanto ela não fosse capaz de pilotar uma Davidson com o dobro de seu tamanho, mas quando ela subiu na moto, soltou os pedais traseiros com o calcanhar e ligou o motor sem nenhuma dificuldade, tive a surpresa diante de meus olhos. — Não vai subir? — Perguntou ela passando um capacete para mim, com o dela já ajeitado em sua cabeça. — Sempre trás dois capacetes? — Não, só nos dias em que eu sinto que vou ter que dar uma carona. Que no caso hoje era o Eduardo, mas ele não vai sair dessa festa tão cedo. — Pus o capacete e subi em sua garupa agarrando sua cintura. — Aposto que nunca esteve atrás de uma mulher dessa forma. Gargalhei, seu senso de humor era ácido, como sempre. Partimos noite adentro, aquela cidade parecia nunca adormecer, havia muita luz, muitas pessoas ainda em bares, cada vez mais adentro da selva de pedra, eu percebia sua estranheza, e sentia falta de casa. Por sorte o hotel não ficava tão longe, um percurso de 10 minutos de moto, e já havíamos chegado. Viv desceu as motos, tirando o capacete e soltando seus cachos balançando os cabelos, sem perder sua postura dominante. — E então, cowboy, o que achou? — Da moto? Poderia correr mais! — Ela não corre muito porque não tem uma direção macia. Deve ter ficado muito tempo parada na locadora de carros... se fosse a minha, estaríamos aqui em 5 minutos! Entregou a chave ao manobrista, adentramos a portaria do hotel, seguindo em direção ao restaurante 24h que funcionava próximo ao saguão. Já estávamos sentados, havíamos pedido tortas de morango e café, acomodados em nossas cadeiras tragando uma parte dos cigarros cravejados de Vivan, quando um dos trabalhadores do hotel veio até meu ouvido. — A senhora Amélia Montenegro pediu que assim que chegasse, fosse vê-la imediatamente. — E saiu, deixando-me na dúvida se eu corria até onde Amélia estava, ou esperava mais um pouco para encontrá-la. Tudo que se correu em seguida, fora a surdez que minha mente, atordoada pelo simples nome daquela mulher, me causou. Eu via os lábios de Vivian se moverem, ela devia estar falando algo importante, mas meu lado racional estava afogado pela loucura que eu sentia por Amelia. Será que Viv sabia de nós? E Dantas? Será que ele estava no hotel, espreitando a mulher que ele julgava ser dele. Nada disso importava. Nada importava, apernas vê-la. Desejava tocar sua pele, ter em minhas mãos a sensação irradiante de ter aquela divina mulher para mim. Levantei-me abruptamente, Vivian se calou, seus olhos percorreram até meus dedos apagando meu cigarro no cinzeiro da mesa. — Não vá! — Insistiu. Elevei minha mão, com os dedos fechados, acariciei sua face, deixando-a ali com um olhar fatalmente triste.
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