Parecia que estávamos nos afastando aos poucos da estrada para o paraíso. Campos de flores e o lago dourado pelo início da manhã tomavam formas à distância, uma mistura de aromas preenchia o carro e as árvores faziam portais curvados por onde passávamos. Ethan estava sentado no extremo oposto do banco do passageiro. Tinha perdido o banco do carona ao lado do motorista para o primo, Hugo, que alegou que aquele lugar pertencia somente a ele e à mãe. O menino passou grande parte do caminho conversando com o pai sobre o que aprendeu na escola na semana anterior. As vozes deles quase ficaram secundárias, como o ruído distante de uma televisão, até o momento em que percebi que falavam de mim: — Papai, sabia que essa moça pensou que eu era burro? — Hugo contou ao pai, ofendido. Desviei os ol

