Urubu Narrando Cheguei em casa com a cabeça fervendo. A notícia de que a ex tava escondida numa favela protegida por um bandido só jogou gasolina no fogo que já queimava por dentro. Andei de um lado pro outro no escritório, encostei a palma da mão na testa e senti a pressão subir. Joguei pastas, canetas, uns papéis no chão, foi um gesto bruto, mais de quem tenta expulsar o nó da garganta do que de ódio racional. A minha mulher tinha acabado de chegar da pousada e viu a cena. Ela parou na porta, os olhos arregalados. — O que está acontecendo? — perguntou. Respirei fundo, a voz saiu curta. — Sabia que a minha ex tá viva. Sabia que ela virou uma vagabünda, que se enfiou com bandido. E tudo isso é culpa tua. Ela fez um passo à frente, a mão tensa. — Para, por favor. Não tem nada a ver

