Urubu Narrando Cheguei no Rio com o pé pesado e a cabeça quente. Quando a van parou na garagem da casa de um dos meus aliados, senti aquele ar conhecido: homem entrando, rádio no bolso, promessa de serviço e cheiro de coisa grande no fundo. Aqui é outro jogo, outro piso e eu sei andar nele. Me receberam como um irmão que voltou pra ativa, um café quente e a pergunta óbvia: — E aí, Urubu, como tu quer fazer? Respirei fundo e falei reto. Aqui a gente não perde tempo com teatro. — Vim me encostar. Preciso de abrigo, informação, apoio. E quero ir pegar a minha mulher de volta. Me encararam de um jeito que quer dizer “tu tá maluco” e também “fala mais”. Aí me explicaram tudo como sempre: onde é forte, quem manda, quem é fantasma e quem tem nome aberto. Me botaram a par do pedaço onde a pa

