King Narrando O sol veio manso, rachando o céu de cinza e dourado, e eu tava ali imóvel, sem conseguir pregar o olho. Levantei devagar, joguei água fria na cara até a pele esquentar de novo, banho curto, respirando a casa que ainda meio dormia. Fui pra janela do quarto, abri só o suficiente pra sentir o ar da manhã bater no rosto e acendi um beck, trago curto, sem pressa. O cheiro subiu, o pulmão queimou e a cabeça, doida de pensamentos, começou a clarear. A fumaça me deu uma espécie de foco, como se cada tragada puxasse as ideias pra ponto certo. Lá embaixo o morro acordava típico: alguém batendo panela, mercadinho abrindo a lona, menino pulando muro, roupa rodopiando no varal com cheiro de sabão. O barulho da praça vindo lá de longe, o café sendo derramado, carro de som anunciando coi

