82 - King

1108 Words

King Narrando O dia nasceu cinza, abafado, o tipo de manhã que parece carregar o peso da noite anterior. Desci da laje com o corpo ainda tenso, o som do helicóptero ainda rodando na cabeça, como se o barulho tivesse grudado dentro do ouvido. Cada passo pelo beco era pesado, cheiro de pólvora, fumaça, poeira misturada com suor e medo. Os meninos tavam espalhados, alguns sentados no chão, outros encostados nos muros, sujos, cansados, mas firmes. O Braço veio vindo com o rádio na mão, o rosto suado, o olhar cansado. — Tá tudo sob controle, chefia — ele falou. — Dois dos nossos tão feridos, mas vão ficar bem. Só o Maneco que sumiu do mapa. Assenti, passando a mão no rosto, tentando entender o tamanho do estrago. A rua principal tava marcada, parecia cena de guerra. Portas de ferro amassa

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