Priscila Narrando Eu tava encostada na parede da vendinha, esperando o Dinho terminar o cigarro, quando soltei a real logo de cara, porque comigo não tem papinho doce. — Você tem que dar em cima da songa monga — eu disse, cruzando os braços. — Aquela ali não tá acostumada com homem nenhum olhando pra cara dela. Vai se deslumbrar rapidinho. Ele riu, achando graça, e eu continuei, porque quando começo, ninguém me segura. — Ela é acostumada a ser escorraçada, tratada como lixo que é o que ela é, né? Um tanto faz na vida. Tá até bonitinha esses dias, arrumadinha, mas não adianta. A filha da bêbada fedorenta continua sendo a filha da bêbada fedorenta. Isso tá impregnado nela. Dinho soltou a fumaça devagar. — Se ela der mole, eu pego — ele disse, todo convencido. Eu sorri, o tipo de sorri

