King Narrando Já passava das quatro da tarde quando o inferno resolveu abrir as portas da comunidade. Eu fiquei parado na minha sala olhando a rua, sentindo o ar pesado de sempre, parecia até que o morro respirava raiva. Chegaram uns corre de confiança do comando trazendo notícia que eu já sabia no osso: tem patrulha querendo entrar com conversa de pacificação. Pacificação é desculpa, mano, quando eles vêm é pra guerra mesmo, pra derrubar a quebrada. A gente não é bobo, e eu juro que se tocaram no meu lugar vão levar igual, eu não tenho pena, também não tenho dó de derrubar esses arrombados. Veio o Maneco, todo metido, com aquele sorriso de quem comeu a felicidade alheia. Ele ficou me olhando como se fosse obra de arte, e eu tratei de cortar o barato. — Quer foto, Maneco? Ou Quer ficar

