King Narrando O vento cortava o rosto lá em cima, mas o frio era o de menos, nada chegava perto do calor que vinha do corpo dela colado no meu. Fiquei ali, observando. O cabelo dela dançava solto, levíssimas mechas batendo no rosto, e toda vez que o vento puxava eu queria prender cada fio com a mão. Quando ela falou que queria vingança, pörra, foi como se alguém tivesse acertado meu peito com um soco bom: o coração deu uma baqueada e ficou batendo torto, forte. — Tu quer vingança? — repeti, mais pra mim do que pra ela, só pra ouvir de novo aquele desejo ardendo na voz dela. Ela me encarou, com os olhos brilhando sob a luz da lua. O rosto dela tava frio ainda, as bochechas coradas pelo vento, mas havia fogo ali. Fiquei olhando pra ela, e quanto mais olhava, mais a cabeça pedia coisa abs

