Capítulo 6

2813 Words
Desde que me lembro, meu pai e minha mãe sempre trabalharam enquanto estávamos na escola. Quando éramos crianças, eles pagavam uma garota do final da rua para vir ficar de babá. Ela era um verdadeiro porre, não nos deixava fazer quase nada, além de dar duas ou três voltas na calçada, sob seu constante olhar. A maior parte do tempo, então, eu passava trancado no quarto com meu irmão, brincando de bonecos. Ele sempre era o super-herói mais forte, o mais bonito e sempre vinha me salvar. Eu gostava quando ele jogava todos os bonecos para o alto, gritava que o vilão do dia iria nos matar, vinha me abraçar e me levava para debaixo do lençol. Quando Cleiton completou quinze anos, eles acharam que ele já poderia tomar conta da casa e finalmente cortaram a babá, mas naquela época eu já havia me acostumado a ficar com Andrew em nosso quarto. *** Hoje me pergunto se, talvez, não foi aí que tudo começou. And me abraçando, jurando me proteger para sempre e eu com medo que algum vilão o levasse para longe de mim, para onde eu não pudesse segui-lo. *** Acostumado a ficar sozinho com Andrew nos dias de semana, estranhei ver minha mãe deitada no sofá da sala, com uma toalha sobre a testa e pijama, em plena quinta-feira. “Vocês já chegaram? Que horas são?” Carmen se levantou. Notei que teve certa dificuldade para realizar a simples tarefa de tirar a b***a do sofá. A toalha que usava caiu aos seus pés, mas ela nem sentiu. “É quase uma e meia,” respondi vendo Andrew passar pela sala com nossas mochilas como se ainda estivéssemos a sós. “Preciso almoçar, deve ser por isso que me sinto tão indisposta,” Carmen começou a caminhar lentamente para a cozinha. Permaneci na sala, examinando com atenção a cena. Havia algumas embalagens de medicamentos sobre a mesinha de centro, um copo d'água ao lado de um sofá e a roupa de serviço de Carmen no outro. O rosto dela também estava diferente, não havia mais toda a frieza habitual, só parecia cansada, abatida por algum m*l. Talvez fosse uma enxaqueca. Quem diria que brigar até de madrugada poderia te deixar doente! “Você não vem?” levei um susto com a voz de Andrew. “Já vou. Viu a cara dela?” indaguei ao meu gêmeo. “A única pessoa que me importa é você, Fernando. E, até ontem, aquela mulher estava desejando a sua morte, então, por favor, não a mencione,” assim que entramos, Andrew começou a tirar o uniforme, de costas para mim. Seus ombros tensos enquanto ele se curvava para tirar as calças. Ficou apenas de cuca, era verde com detalhes em marrom. Sua b***a exibindo-se para mim. “Sobre a mãe, eu sei o que ela disse, mas...” a lembrança daqueles remédios não me trouxe uma sensação boa. “Quer deitar um pouco?” And ofereceu a mão para mim. Eu aceitei, sentindo seus dedos se entrelaçando aos meus, sua pegada era forte. Olhei novamente para ele. Alguma coisa havia mudado ali, poderia jurar que a cueca estava uns dois dedos mais alta. “Depois, And. Tenho que saber o que tá acontecendo. Viu as cartelas de remédio?” Meu gêmeo segurou com mais força na minha mão. “Não vi, e nem quero saber. Se você for lá, não poderei te proteger, para isso você precisa vir até minha cama. Aqui ninguém vai te fazer m*l, lembra?” Disse "sim" movendo a cabeça. “Volto já,” saí às pressas do quarto. Misteriosamente, a cueca de Andrew estava um dedo mais baixa. Encontrei Carmen na pia da cozinha, estava tomando mais um comprimido. O fogão estava aceso, esquentando o almoço. “Mãe, o que aconteceu com a senhora?” perguntei com a voz baixa, receando que ela arremessasse o copo na minha cabeça. “Não é nada. Só uma indisposição, falta de vitamina, por isso os comprimidos,” ela indicou a caixa sobre a mesa. Caminhei em direção a cartela de vitaminas, desejava conseguir, ao menos, ler qual ela estava tomando. Depois poderia pesquisar no Google a finalidade. Carmen estava ciente dos meus pensamentos. Antes que eu chegasse até a cartela sobre a mesa, ela pegou e colocou dentro da algibeira do seu pijama. “Não é nada, eu já falei,” sua voz soou um pouco como o normal, insensível. Talvez os remédios já tivessem fazendo efeito. Sem dizer mais nada, saí da cozinha. De volta ao quarto, joguei-me sobre a cama, And fingia dormir na dele e deixei que continuasse com o teatrinho. Não estava com fome, então achei melhor dormir. Comecei a tirar o tênis, logo depois minhas meias. A blusa saiu com um rápido puxão, já a calça precisei levantar a b***a para ela escorrer pelas pernas. Em poucos segundos, lá estava eu, atirado sobre os lençóis. Entrava luz pela janela, que fazia todo o quarto ter um tom avermelhado. Cruzei meus braços e coloquei a cabeça em cima dos mesmos. Os olhos se fechando sozinhos. Não sei por quanto tempo eu dormi, se é que posso chamar aquilo de dormir. Acordei sentindo algo entre minhas costas, gelado e escorria suavemente sobre a pele, deixando-a molhada, mas não como água, era um tipo de óleo. A coisa não parou em apenas um ponto específico, saiu do meio das minhas costas e subiu até os meus ombros. Quando se aproximou mais do meu nariz, pude sentir o cheiro do óleo que era passado em meu corpo, o aroma era gostoso, lembrava.... eu não conseguia recordar o que ele tanto se assemelhava. Todavia, continuava relaxante, não me cansava daquela boa sensação aromática. Junto com o aroma, que provinha dos meus ombros, notei que também havia um par de mãos delicadas e cuidadosas, espalhando o líquido sobre minha pele. Variava entre grandes e pequenos círculos sobre o óleo, até que o mesmo estivesse passado por completo. Eu nem ao mesmo estava pensando em nada em específico, apenas sentindo as mãos enquanto mantinha os olhos fechados, a respiração suave, mas a constrição contra meu corpo começou a me excitar de um modo que eu nunca tinha experimentado antes. Para mim, só se ficava duro quanto via um grande pênis pendurado diante dos meus olhos, mas eu estava eretamente errado. As mãos chegaram a minha cueca, abri o olho esquerdo, mas não pude ver nada além de uma sombra, a de Andrew, olhando para a minha b***a. Meu coração bateu mais forte, a lembrança do beijo viva, contudo, também, lembrava de Igor. Eu não era o único na vida do meu gêmeo, não mais. Ele poderia não estar assim tão interessado como eu, ou nem ao menos ter uma ereção. Depois de um tempo, que não ousei respirar, ele apalpou acima da cueca, sem a tocar. O óleo escorreu, sozinho, para as bordas do elástico que a prendiam em meu corpo. Senti um pouco de óleo cair na lateral das costas, logo depois um par de mãos começou a massagem, para cima e para baixo, fazendo muito carinho e um pouco de cócegas. Estava ficando mais e******o a cada segundo, prendendo meus lábios entre os dentes. Senti os dedos de And irem até o osso do ombro, o óleo em seus dedos dava uma sensação ainda mais prazerosa ao seu toque. Perguntei-me se ele já havia feito isso com alguém antes, estava se saindo muito bem! Não tive coragem de perguntar, pois isso só deixaria claro o meu sentimento de inferioridade, e não queria que ele me visse como um ciumento, isso poderia nos afastar. Eu quem era novo nesse negócio. Tudo que ele fazia, cada aperto aqui e outro acolá, me fazia sentir um t***o enorme por ele. Meu gêmeo, meu And. Ele dizia me amar da mesma maneira. Eu acreditava nele, no brilho dos seus olhos quando disse gostar de mim e pegar a minha mão. Senti uma de suas mãos indo até meu ombro direito, ele começou a pegar com mais violência, pressionando meus músculos magros. Depois foi descendo na mesma intensidade no centro do meu corpo, sua outra mão começou a acompanhar a primeira, fazendo uma fila. Ele parou impotente no final da estrada, as margens de um terreno branco, deserto desde o inicio dos tempos. Tenho certeza que, quando ele chegou ao limite permitido, ouvi um pequeno suspiro. Em seguida, para não deixar a peteca cair e o corpo esfriar, And subiu pelo lado esquerdo do meu corpo, dando o mesmo tratamento rude ao ombro. Juro pela minha vida, a cada aperto que ele me dava, me segurava ao máximo para não gemer tipo ator pornô, praticamente comendo os lábios e sentindo a cueca ficar perigosamente pequena. Sempre acreditei que And e eu tivéssemos uma conexão, tipo filme da sessão da tarde: o que um gêmeo sente, o outro percebe. Não que tenhamos a alma conectada, mas passar a vida toda — desde o óvulo que foi clonado, formando dois de nós — ao lado de alguém, te da a capacidade de saber tudo o que ela está pensando ou sentindo, apenas com uma rápida olhadela. Enfim, acho mesmo que Andrew estava entendendo pelo que eu estava passando, sob a tortura constante de suas mãos sobre o meu pobre corpinho. Ele parou, sorrindo para mim. Deu uma piscadela e buscou uma toalha de rosto, onde limpou as mãos. “Só consigo pensar em que inferno foi buscar esse óleo. Tomara que não seja óleo de cozinha, eu te mato!” minha ameaça não tinha muito valor, se formos considerar que minha insistente ereção me mantinha preso a cama. “Eu fui atrás desse óleo no pior inferno possível: a internet. Fiquei com medo que visse a caixa chegando na semana passada,” And colocou o frasco sobre o criado mudo, entre sua cama e a minha, e onde guardávamos os celulares. Era dourado, o frasco, com tampa preta e o slogan em azul marinho. “Queria te fazer uma surpresa.” Não sei se foi o modo como ele disse, ou as covinhas ao sorrir, talvez tenha sido todo o seu cuidado para fazer algo especial para mim, qualquer que tenha sido o motivo, eu nunca senti tanto amor por alguém como naquele momento. Era como se ele fizesse qualquer coisa de r**m, e ainda assim seria o meu And. Andrew abriu a tampa preta e colocou algumas gotas sobre a palma da mão, depois passou sobre o peitoral. Sua pele começou a brilhar com o efeito do sol, conforme ele diluía o líquido sobre os músculos. Sabendo que tinha minha total atenção, And não se limitou apenas ao peitoral, foi descendo pelos gominhos do abdômen. Senti vontade de tirar aquele óleo com a língua e uma expressão bem safada estampada no rosto, chupando todo o peitoral de And até mesmo depois que estivesse limpo. Queria deixá-lo louco como havia me deixado, a glande do p*u pulsando ao sentir uma lágrima de sêmen escorrer lentamente para molhar ainda mais a cueca. “Você me surpreendeu, e como,” confessei sem saber como tirar os olhos do p*u de And, onde suas mãos estavam prestes a chegar. Ele tirou as roupas quando chegamos da escola, foi dormir sem elas e não as colocou para vir até a minha cama, não sei porquê. Então, agora estava somente com a cueca verde. O meu soldadinho com chumbo lá embaixo. O problema é que eu encaro as pessoas demais, nos lugares errados. And não precisava de muito para saber em que parte do seu corpo eu olhava. Ele sorriu, se divertindo comigo, levou um dedo para dentro da cueca, puxando o elástico para baixo. Estava prestes a descê-la... Alguém bateu à porta. Tomado pelo susto da visita inesperada, And soltou o elástico novinho da cueca. Ouvi ele estralar contra o seu corpo e meu gêmeo engolir o choro, poderia até mesmo sentir a sensação de ardência em mim, direto contra a glande do seu pênis. Imediatamente, levei o dedo sobre os seus lábios, pedindo que ele fizesse silêncio. Bateram de novo. Sentei sobre a cama e olhei para a porta. Pelo menos And teve a sensatez de nos trancar, antes de vir com essas sem-vergonhices pro meu lado. Obviamente era Carmen do outro lado, querendo nos importunar. Deixei que ela batesse pela terceira vez. Após o terceiro toque, nos deixou. “Ela deve achar que estamos dormindo,” disse ouvindo os passos pela casa, do outro lado. Por mim, quanto mais passos estivessem entre nós, melhor seria. “Você está bem?” perguntei fitando o meu gêmeo, com pena da sua cara vermelha. Ele fez um “Aham” pelo canto da boca, com as mãos sobre a cuequinha. “Pelo visto a festa acabou por hoje,” a cada palavra, dava uma pausa, segurando a imensa gargalhada que acordaria o d***o no centro da terra. Fiquei de pé, enquanto a dor do elástico novo e, pelo visto, superforte, obrigava And a se sentar no chão mesmo. “Eu não quero ser chato nem nada, mas acho que uma massagem resolveria o problema, não?” “Pode fazer, se eu ainda tiver alguma coisa depois dessa,” And tinha lágrimas nos olhos. Me curvei atrás dele, colocando meu rosto de frente para o seu, de cabeça para baixo. “Ah, tadinho do meu bebezinho, gente,” dei um pequeno beijo na sua testa. Senti que ele ficou mais animado, revelando uma pequena covinha na bochecha esquerda. “p**a merda cara,” ele tinha os olhos fixos em mim. “Passei a vergonha de comprar esse óleo, que o carteiro deve ter pensando 'Olha só, temos um punheteiro profissional aqui', levei uma pancada no p*u, e como presente ganho esse beijinho medíocre?” Eu pensei em xingá-lo, então lembrei da cantina. “Obrigado, And,” me curvei ainda mais, descendo os lábios ao nível dos de And. Não foi como no jogo da garrafa, ele não penetrou a minha boca como se fosse um p*u e um cu famintos, apenas selamos os lábios. Ele riu, sua respiração aqui, no meu rosto. Enrubesci imediatamente, como t**o adolescente que era. Gentilmente, como se eu estivesse prestes a desmanchar, ele puxou meu lábio superior para dentro da sua boca, senti o calor da sua saliva, o gosto dele. “Obrigado por existir,” foi tudo o que ele disse, ao abandonar meus lábios. “Eu era bv, sabia?” maldita onda de sinceridade repentina. “Desconfiava, e ficaria triste se não tivesse me contado que deixou de ser. Ficou feliz por eu ser o seu primeiro?” fala sério p***a. O cara sabia ser perfeito até com o p*u doendo. Eu só pude rir. O que realmente queria dizer era: “Você não é o primeiro, é o único.” Mas isso daria confiança demais ao Andrew, e eu sabia o tipo c*****o que ele era, então disse: “Até que não foi r**m. Você gostou? Quer dizer, praticamente me estuprou!” “Eu segurei seus braços pra você não correr. Sabia que ficaria nervoso, e todo mundo iria caçoar de você. Mas respondendo... eu não diria que nunca tivesse beijado alguém antes. Não sabe como fiquei, fico e ficarei feliz pelo resto da vida sabendo que fui o primeiro”. Depois desse ponto não havia mais palavras, nada que pudesse descrever o que nossos olhos transmitiam um para o outro. Sabe aquele negócio de conexão? Agora estávamos em outro nível. Endireitei o corpo quando meu celular começou a tocar, obviamente era o despertador. Ninguém nunca me ligava, senão algum programa filha da p**a de outro estado que iria desligar na minha cara assim que atendesse. O celular estava numa gaveta do criado mudo, berrando aos quatro ventos. Abri a gaveta o mais rápido possível, para que Carmen não voltasse a nossa porta. O meu braço voou pelo ar, movendo a gaveta, e acertou algo sólido atrás de mim. “Aí,” gemeu Andrew, caindo de b***a no piso. Meu cotovelo tinha entrado no seu pênis e testículos. “Você é burro, cara?” indaguei após deligar o alarme. “Fica atrás dos outros, sem dizer nada!” “Eu queria saber quem estava te ligando, c*****o” choramingou And, agora realmente caía algumas lágrimas dos olhos castanhos. “Logo não terei um gêmeo. No máximo ganho uma gêmea. Quanta burrice pra uma pessoa só,” mesmo assim fui até ele novamente. Sentei ao seu lado e And colocou sua cabeça cobre o meu colo, pedindo que fizesse carinho no seu cabelo. Passados alguns minutos, fui tomado por uma sensação estranha. “E o que eu faço com esse óleo seco no meu corpo?” As cinco horas, depois que Cleiton foi para a faculdade, Andrew e eu fomos para a academia.
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