Na quarta-feira, eu tive um horário livre antes do intervalo, então aproveitei esse momento para adiantar o trabalho de segunda, que nem havia começado direito. Após sermos dispensados da aula, fui até a sala dos professores e, com a minha chave, peguei todo o material que iria precisar. Desta vez levei alguns pincéis e tinta, precisava de alguma cor naqueles cartazes, para chamar a atenção no dia da palestra.
Assim que cheguei na quadra, com os braços cheios de cartolina e tinta, encontrei o recém-formado time de basquete se aquecendo no chão, alguns com camiseta regata vermelha e outros de azul. Avistei Pietro levantando-se e correndo com os amigos, sem dúvida ele era o maior cara dali, no entanto, como algumas pessoas, ele não era desengonçado pelo tamanho, ao contrário, ágil. Bonito até mesmo correndo de costas para mim.
Depois de verificar a b***a dele escondida no calção largo, fui para o meu cantinho. Quando estava quase chegando, um dos rolos de cartolina escapou dos meus braços e saiu rolando com o vento frio da manhã. A quadra era dividida, por uma grade de ferro, entre dois campos, futebol e vôlei, e eu estava exatamente onde elas se encontravam, por isso foi fácil para Pietro sair da roda de corrida, no fim da quadra, e ir buscar a cartolina que rolava tranquila em direção ao muro.
“Valeu,” agradeci colocando o restante sobre a mesa, com a tinta por cima, para evitar que ficassem voando. Não queria ficar encarando o rosto de Pietro, eu sabia que não conseguia só olhar para ele, sem babar.
“Não tem de quê,” ele coçou o queixo preguiçosamente. Desde o nosso último encontro, na segunda, ele havia deixado a barba crescer. Pietro ficava bonitão de barba, charmoso.
“Você não precisa voltar pra corrida?” indaguei indicando os outros alunos, que agora chegavam no fundo da quadra.
“O professor gosta de você, ele não vai ficar bravo se ver alguém ajudando o favorito dele.” A regata azul de Pietro estava suada, pegajosa em seu peitoral, o calção marcando demais a frente. Limpei a garganta, tentando fingir que não ligava para como ele ficava sexy de uniforme.
“Não sou favorito de ninguém,” fiz cara de quem não ligava para aquelas palavras.
“Oh, então me informaram errado a respeito do aluno perfeitinho da escola?”
“Perai. Andou perguntando sobre mim?” agora eu o olhava com bastante interesse.
“Só para uns caras do time que estudam de manhã,” Pietro me mostrou aquele sorriso charmoso dele, que fez meu coração acelerar. Andrew continuava vendo Igor, mesmo depois de dizer que gostava de mim, então eu não me sentia culpado, mesmo gostando dele e sentindo uma forte atração por Pietro.
“Pietro, é melhor voltar para o aquecimento. Logo vamos escolher as posições do time e pode ficar de fora!” o professor de educação física, Ricardo, se aproximou da grade de ferro, apoiando-se nela e gritando com o grandalhão.
“Eu avisei,” disse com um sorriso.
“Parece que só você é o preferido. Eu juro que ele gosta de mim, se me esforçar posso ser o capitão do time!” Pietro ostentava um sorriso soberbo.
“Boa sorte, cara.”
“Caso eu não consiga a posição até o final da aula... você poderia... sabe... conversar com ele...” não importava o seu tamanho, agora Pietro era somente um garoto inseguro, como eu.
“Eu sabia,” disse bufando. “Não queria só me fazer um favor. Some daqui, Pietro, ou minto para o professor e te faço ser expulso do time, já que, segundo você, tenho alguma voz na escola.”
“Valeu,” ele piscou para mim, me deixando culpado se não o ajudasse.
Após Pietro voltar a corrida, peguei o celular da algibeira e coloquei a pasta da Lana Del Rey para tocar. Então, foi a vez de passar o pincel sobre o texto que já havia preparado na segunda. Pelo menos hoje não haviam muitas distrações. Andrew não mencionou o nosso beijo em nenhum momento durante a semana, como se nunca tivesse acontecido. Meus pais pararam de brigar em casa, mas eu vi, um ou o outro, secando o canto dos olhos quando chegavam em casa.
Consultei o horário no celular, para não ter que correr como da última vez. Faltava quinze minutos para o final da aula. Eu já havia colorido o cartaz sobre camisinha feminina, pílula do dia seguinte e começado o cartaz sobre Doenças s****l Transmissíveis. Satisfeito com o resultado, guardei as tintas, separei os cartazes coloridos para secarem sem borrar. No final tinha os pincéis sujos entre os dedos, ainda mais encardidos.
Ouvi o time de basquete comemorar ruidosamente. Era a vez de Pietro lançar a bola para dentro da cesta, e ele não errava uma, mesmo com os outros vindo para cima dele, com tudo. Pietro desviava habilmente dos jogadores, estes vinham roubar a bola, que já ganhava o ar, direto para a cesta.
“Preciso ir lavar essas mãos,” disse olhando como havia me sujado. Levei os olhos de Pietro até a saída da quadra, os banheiros dos alunos ficavam muito longe para deixar os cartazes sobre a mesa. E, o real motivo, poderia encontrar Andrew no banheiro, junto com sua amiguinha, fumando unzinho. “Você vai ter que servir,” arrastei a b***a para fora do banco de concreto e corri até o banheiro da quadra. Era minúsculo, com uma pia e um vaso sanitário.
Entrei, abri a torneira e mergulhei os pinceis debaixo da torrente de água quente, por estar há tanto tempo parada. Nesse meio tempo, em que aproveitava para me limpar também, apareceu alguém, correndo para dentro do minúsculo banheiro e ficando de costas para mim. Sem espelhos, não pude saber quem era. Só continuei o que fazia, porque se virasse, sabia o que iria encontrar. E o cara poderia me chamar de bicha nojenta, que fica espiando os homens mijarem.
“O que aquele Pietro tem de tão especial, não é mesmo?” disse o cara, ouvi quando moveu o calção pra baixo. Um instante depois, a urina mergulhou para dentro do vaso.
“Do que está falando?” arrisquei olhar por cima do ombro. O que vi foi um Fernando com o calção abaixo do joelho, a cueca boxer cinza pendurada na b***a, e uma mão na frente do corpo. Essa mão, provavelmente, mantinha a glande do seu pênis para baixo, fazendo com que o mijo não caísse fora do vaso.
“O jeito que você olha para ele,” explicou Fernando, também olhando sobre o ombro. “O que Pi tem de tão especial, afinal de contas?” ele balançou o braço, entendi que havia terminado. Voltei a encarar os pinceis parcialmente limpos.
“Não é o que ele tem, e sim como usa. Fernando, você faz as pessoas perderem o interesse em você, com suas atitudes imaturas,” gostava de jogar limpo.
“Eu sei que ainda tem interesse em mim,” ele dizia com um nítido sorriso. “Poderia me ajudar?”
“Com o qu...” cometi um erro ao me virar. Fernando continuava com o pênis solto, uma mão na cintura e a outra ele colocou no meu ombro. Quase disparei um “tira essa mão de p***o de mim”, entretanto uma ardência subiu pelo meu pescoço, impedindo as palavras.
Mesmo flácido, ele tinha consistência lá embaixo. A glande era carnuda, um grande cogumelo na extremidade volumosa. Uma pequena gota de urina escorreu do orifício no topo da glande, caindo na cueca cinza. O saco de Fernando era de acordo com todo o seu tamanho dormente, com o calor que o treino produziu em seu corpo, a pele escrotal estava bastante flácida, deixando as bolas bem abaixo da base do pênis. A base do pênis era coberta por pequenos pentelhos emaranhados um ao outro, numa coloração castanho escuro. Vendo-o nu, eu confirmei o que suspeitava no outro dia: Fernando era mais dotado que Andrew.
“Quero que me ajude a tirar o excesso de urina, assim ó,” Fernando demonstrou levando sua mão em volta do m****o, então o girou na minha frente, gotas de urina escorrendo da glande.
“Co-como,” eu só conseguia gaguejar. “Como-mo pode ser tão grande, Fernando?”
“Entre meus amigos, eu estou no topo,” ele fechou a cara, rabugento, “Mas eu não sou o líder.”
“Líder? Quem?”
“Não vou dizer, agora, vai me ajudar com o Nandinho ou vai só olhar e babar?” Fernando deu um passo em minha direção. Naquele cubículo minúsculo, não havia espaço para tanto movimento.
Eu comecei a rir, mordendo os lábios para me controlar. “Nandinho?”
“É assim que eu chamo ele, e pode me chamar de Nando, deixe o Fernando para quem não tenho intimidade.”
“Desculpe, eu até quero ajudar o Nandinho, mas, infelizmente, esqueci a minha piça em casa. Não posso ajudar sem ela.”
Voltei a encarar a torneira. Nando deu o último passo que faltava para encontrar-nos. Senti toda a sua extensão flácida sobre minha b***a, caindo até o inicio da batata da perna. Imediatamente, soltei um grito, ao mesmo tempo em que dava um pulo.
“Qual o problema com o meu p*u?” sua voz parecia alarmada. “Eu nem fiz nada. Até parece que você é virgem...” Nando parou de falar, percebendo o efeito que essa palavra causou em mim, congelando meus movimentos. “Ah, mano, eu não sabia mesmo,” Nando colocou a cueca e o calção num passe de mágica.
“Qualé, agora vai me tratar feito criança?” involuntariamente, encrespei os lábios como uma criança teria feito.
“Não! Eu não ligo para isso, quer dizer é legal e tudo mais. Nunca conheci um virgem, todos os meus amigos já tinham fodido até o p*u arder quando os conheci. É legal, Fernando, de verdade,” o olhar dele parecia sincero, assim como o sorriso que deu.
“Se contar isso para alguém, eu digo ao meu irmão mais velho que tentou me estuprar. Ele já foi preso por traficar, sabia? O cara aprendeu como quebrar alguns ossos e não tem medo de voltar pro xadrez,” arqueei uma sobrancelha, encorajando Nando a continuar os gracejos.
“Que isso mano, sou da paz. Se soubesse que ainda é... se soubesse, não teria sido tão i****a. Vamos começar do zero, O.K.?” Nando estendeu a mão para mim, a mesma que segurou o pênis.
“i****a,” disse molhando os dedos dele com o meu aperto.
“Quer ajuda com aquelas tralhas lá fora? O treino já deve ter acabado mesmo. Eu te ajudo.” Nando saiu correndo do banheiro, e eu fui atrás, antes que ele mijasse nos cartazes.
Até que a ajuda de Fernando foi muito bem-vinda. Na volta para a sala dos professores, ele permaneceu do lado de fora, eu entrei e guardei tudo no devido lugar. Não havia nenhum professor na sala, todos deveriam estar na cantina, se preparando para o intervalo.
“Obrigado,” agradeci a Nando. Encostamos a porta atrás de nós.
“Sabe que não existe nada que eu não faria por você,” dessa vez ele falou sério, sem seus gracejos que se tornavam habituais.
“Não precisa bancar o bom moço, meu irmão não mata, só causa ferimentos graves,” dei um sorriso para ele, que retribuiu no mesmo instante. De repente, senti que Nando mudara diante dos meus olhos.
“Não banco o bom moço para ele, faço por você,” para completar suas palavras, Nando colocou um braço na parede, impedindo que eu fugisse, e se aproximou sorrateiramente de mim.
Ele estava perto demais. Da última vez em que um rapaz tinha chegado tão perto assim, eu descobri o que ele queria dos meus lábios. Seu pescoço se inclinou para o grande final, eu o olhei apavorado.
“Olha só, não é a ANA VITÓRIA?!” meu grito assustou Nando, seu braço escorregou pela parede, desequilibrando-o a ponto de quase beijar o piso do corredor.
Eu m*l conhecia aquela guria da festa, mas foi a única pessoa que reconheci diante dos meus olhos, debruçada sobre o balcão da secretaria.
Ana Vitória olhou apreensiva pra mim, o louco que andava gritando em locais públicos, depois seus olhos se recaíram sobre Nando. Sua expressão demonstrou alegria em nos reconhecer.
“Ora, ora, se não é o irmão beijoqueiro!” disse ela em resposta ao meu grito.
“Vamos lá falar um oi,” segurei na mão de Nando e o arrastei comigo até a secr. Ele havia me enfiado nessa, teria que pagar o preço.
Ana Vitória acompanhou nossa chegada, em particular o fato de Nando não soltar a porcaria da minha mão. Fiquei completamente constrangido e arrependido por ter dado um incentivo a ele.
“Namorado novo, Nandinho? O que aconteceu com a Jennifer, achei que você gostasse pelo menos dessa?” compreendi totalmente o significado da ênfase de Ana Vitória ao dizer “dessa”. Soltei a mão de Nando e o olhei com desaprovação.
“Não somos namorados, totalmente não,” forcei um sorriso.
“Totalmente não é da sua conta, Ana Derrota,” Nando nem tentou disfarçar a cara de zangado ao perder o contato físico comigo, o que havia lhe custado uma péssima cantada.
“Minha lista de preocupações não inclui em que buraco enfia o seu pintinho murcho,” Ana Vitória molhou suavemente os lábios com a língua felina, passou a ignorar a existência de Nando. “Sabe, cara beijoqueiro, estou há horas plantada aqui sem que nenhuma velha venha me atender. Preciso falar com a diretora, estou planejando montar uma equipe de líderes de torcida para o time de basquete. Estou te contando isso porque, se mais gente souber e me apoiar, a diretora pode aprovar a minha ideia. MAS NENHUMA VELHA VEM ME ATENDER.”
Nando soltou uma risada pelo canto dos lábios. Acertei uma cotovelada em suas costelas. Naquele momento, a sirena do corpo de bombeiros explodiu acima de nossas cabeças. Esperei o sinal terminar, não dava para ouvir nada durante o longo grito.
“Conte com o nosso voto, de nós dois, totalmente,” disse após o sinal. Nando me lançou um olhar mortal, que dizia mais ou menos: “Se não tivesse um irmão traficante, iriamos resolver isso na bolacha.”
“Ótimo. Fico felicíssima com sua colaboração, agora, se me permite, quero falar com este traste” Ana Vitória sequestrou Nando pelo braço, se afastando do balcão da secretaria.
“Eu não suporto mais essa mina enchendo o saco de todo mundo!” esbravejou Nando, voltando para mim, dizia as palavras baixo o suficiente para Ana Vitória não nos ouvir, deixando a secretaria para trás, mas com tal ferocidade que cuspia fogo.
“Não achei ela tão m*l assim,” opinei lembrando da festa e do beijo. Ana Vitória parecia o tipo de garota que gostava de comandar, talvez quisesse ser a líder da equipe que planejava criar. Fora esse desejo pelo controle, parecia ser bem legal.
“Uhum,” fez Nando, desaprovando com a cabeça. “Pietro já namorou com ela no ano passado, saca? Não foi nada como ela faz parecer. Enfim, o nosso garotão perdeu o t***o muito rápido, agora eu sei o porquê.”
Pietro já namorou Ana Vitória?
Pisquei algumas vezes, tentando tirar aquela imagem da frente dos meus olhos. Pietro era bonito o suficiente para despertar o interesse de uma garota gostosa como Ana Vitória. Todos os garotos deveriam tentar ficar com ela, se não ficavam, era porque ela nutria esperanças em relação a Pietro. Com certeza ele deve estar apaixonado por ela, ainda.
“Ana Vitória é uma garota que não se pode esquecer com tanta facilidade,” disse encarando o chão.
“Não que eu saiba, e sei tudo o que há pra saber sobre o meu melhor amigo.”
Chegamos no final do corredor, quer dizer, o final para nós que tomaríamos a porta em direção a cantina e o restante da escola, mas o corredor continuava, com algumas salas de aula, de ambos os lados. Assim que cruzamos a porta, vislumbrei Pietro caminhando junto com os outros três amigos.
“Sabe tudo mesmo, é? Então me responde: Pietro toma anabolizantes? Não consigo acreditar que um cara da idade dele conseguiu ficar daquele tamanho,” eu ainda não havia me acostumado com esse fato.
“Acho que ele tomou só uma vez, há anos, mas depois parou. Ele nem é tão forte assim,” Nando lançou um olhar zangado para o grupo de amigos e depois para mim. Segurou no meu braço e voltamos ao corredor da direção, entramos numa sala vazia. “Segura aqui, por favor. Acho que machuquei as costas, pode olhar pra mim?” ele me entregou a camiseta vermelha toda suada do time, assim que a tirou pelo corpo.
Nando ficou de costas para mim, a um passo de distância, com as cadeiras a nossa volta. Comecei a procurar por possíveis machucados, não encontrei nada além de músculos que ele enrijecia de propósito. A pele dele era bastante bronzeada, isso só o deixava ainda mais bonito. A cueca boxer estava visível acima do calção folgado, que pendia um pouco. Nando não era muito maior do que eu, como eu já tinha notado, mas sua b***a era, e como era. O tipo de b***a que faz você morder os lábios quando passa.
Me contive para não dar um tapa no traseiro dele.
Fernando também não era nenhum monstro da musculação, notei, quando ele ficou de frente para mim. Tinha só um pouco mais de corpo do que eu, o peitoral dele saltava aos olhos, os bíceps nada decepcionante e começam a apontar gominhos por sua barriga. Uma pequena camada de pelos castanhos cobria desde o peitoral até sumirem dentro da cueca. Ele, acompanhando meu olhar, forçou a peça um pouco mais em direção ao chão. Exibiu os pentelhos que eu tinha visto mais cedo, mas agora eu os encarava mais fixamente que antes. Em cada mamilo havia um piercing prateado em formato circular, nada exagerado, eu gostei deles.
Quando estávamos dentro do banheiro, eu não tinha conseguido olhar o quanto ele tinha um corpo legal, bastante saudável. Minha atenção ficou totalmente presa ao seu pênis naquela hora.
“Então?” ele sorria, pois tinha plena consciência do quanto chamou minha atenção. O rosto com uma fina indicação de barba, pentelhos perdidos no queixo e sobre o lábio superior.
“Então o quê?” precisei de muita força de vontade para encarar os olhos negros de Fernando e não o seu corpo.
“Encontrou algum machucado? Tenho certeza que uma daquelas bolas do Pietro bateu pra valer.”
“Não,” ele me abordou para pegar a camiseta. Nossos dedos roçando um no outro, minha respiração falha. “Droga,” xinguei quando a camiseta caiu entre nossos dedos. Me abaixei para recolher a peça, antes que a poeira grudasse no suor.
Nando permaneceu parado com ambas as mãos na cintura. Ao me levantar, percebi que estava próximo do seu corpo, particularmente da sua cueca. Ele não tentou fazer nenhuma gracinha, o que me deixou ainda mais nervoso, levantando o rosto rente a ele. O cheiro dele começava a ficar em mim, o perfume causando tanto estrago quanto seus pentelhos ainda à mostra.
“Vamos, se não os caras vão vir aqui, e pensar o pior de nós,” eu esperava que ele segurasse na minha mão e esfregasse contra os seus pentelhos, como antes, estava pronto para jogar uma cadeira em sua cabeça se isso acontecesse. No entanto, Nando apenas segurou a minha mão, olhando para meu rosto com um sorriso, e deixamos a sala. “Não se preocupe, não vou contar nada sobre o banheiro,” assegurou-me ele.
Os corredores estavam cheios de alunos famintos. Logo eles estavam por todos os lugares, definitivamente, perdidos em pequenos grupos afastados das dez longas mesas da cantina.
De fato, os amigos dele estavam nos procurando. Pietro queria falar comigo e Wandallaton, Ishaan e Jamilton queriam arrancar o pescoço de Fernando por deixar o treino mais cedo.
“Já posso chamá-lo de capitão?” indaguei para um Pietro muito desconfiado.
“Ainda não,” ele estava olhando as minhas roupas, tentando achar indícios de que andei dando uns amassos em Nando. Talvez quisesse encontrar a camiseta vestida do avesso ou a cueca por cima da calça? “O professor quer fazer três jogos, com os possíveis capitães. Queria que você assistisse...”
“Tenho que assistir, porque se precisar dar um voto de apoio a você, preciso conhecer também os outros caras,” aquele olhar estava começando a me deixar nervoso, de um modo nada legal. “Algum problema?”
“Comigo? Não. Com você também não. Só estava olhando o... Ah, deixa para lá, já vi que não aconteceu nada. Tá com fome?” o ruído dos alunos se reunindo na cantina aumentava a cada instante.
“Não, valeu,” eu não iria lanchar com um cara que me olhava daquele jeito, como se eu fosse um qualquer que cairia na lábia de Nando tão facilmente. “Preciso procurar o meu irmão,” inventei na hora.
Dei as costas para Pietro e seu grupo de amigos e percorri toda a cantina em busca do meu gêmeo. Era fácil encontrá-lo, ele seria o cara idêntico a mim, da cabeça aos pés, a única diferença seriam as calças e tênis. O localizei na fila do barzinho.
No impulso, ao fugir de Pietro, eu não percebi que meu gêmeo não estava sozinho. Muito pelo contrário, atrás dele, apoiando a mão em seu braço, estava um cara baixo, magro igual palito de dente e com um cabelo em chamas, hoje penteado para trás, até parecia gente.
“Comprando lanche pro aluno novo? Ninguém nunca compra nada para mim,” disse com os olhos grudados nas duas latinhas de refrigerante que Andrew acabara de comprar, uma ele guardou consigo, a outra entregou a Igor. Vi que eles já tinham comprado duas coxinhas, cada.
“Você quem nunca come,” a amiga de Andrew estava ali também. Se eu soubesse disso, teria ficado na quadra. “Você só fica enfiado naquela quadra, Fefe.”
“Deixe-o quieto, Miley,” pediu And vendo minha cara de nervosismo crescente e do sorriso largo e alegre da amiga. Ela só vivia sorrindo, um sorriso i****a.
“Sabia que essa é a pior escola da cidade, né?” Ignorando Miley, abordei Igor, talvez ainda houvesse tempo de me livrar dele. “Você poderia pedir transferência para aquela tal de Severino, uma das melhores do Estado.”
“Eca, só tem riquinho lá,” Miley fez um gesto de quem iria vomitar.
“Eu estou gostando dessa escola,” Igor deu um suspiro apaixonado. “E já tenho amigos, é difícil fazer amizade com gente rica, quando se é pobre.”
“Então vamos mandar você pra Suíça, Igor. Bem longe do meu irmão, seu o****o,” o pensamento só ficou na minha cabeça mesmo. Por fora, apenas sorri e concordei.
“Cadê o Andrew?” Miley foi a primeira a notar a ausência do meu irmão.
Olhamos ao redor, para saber onde ele havia se metido. O vi dar dinheiro na mão de uma garota, que estava prestes a ser atendida, e dizer algo a ela. Quando chegou a vez da guria, ela pegou duas coxinhas e uma tala de refrigerante e entregou ao Andrew, que veio trazer para mim.
“Sabe que não precisava ter feito isso, olha só!” peguei uma das latas que já caía da sua mão. Com o seu lanche e o meu nas mãos, Andrew não conseguia manter tudo entre os dedos por muito tempo.
“Não precisava, mas por você: faço qualquer coisa,” p**a que me pariu! p**a que me pariu mil vezes!!!
Evitei olhar ao redor, obviamente Igor e Miley estariam olhando para a gente com os olhos arregalados, ou uma expressão de nojo, para dizer o mínimo.
Senti vontade de beijá-lo como na festa, sentir seu gosto novamente, os braços dele pressionando o meu corpo, com força. Sua respiração soando rude no meu pescoço, o perfume de sua pele. Entretanto não poderia fazer nada ali, teria que esperar até chegar em casa para dar-lhe uns cascudos.
“Não adianta querer me agradar, sai pra lá,” dei um empurrão no ombro de Andrew, para disfarçar o clima que ficou entre nós. Aqueles olhos castanhos fixos nos meus, apagando todo o resto do mundo.
“Se já acabaram com a viadagem, vamos sentar pra comer. Tô morrendo de fome,” Miley deu uns tapas na barriga e saiu na frente. Igor foi logo atrás dela.
“Obrigado,” agradeci ao meu gêmeo.
“Um beijo paga,” ele sussurrou para mim. Só dele aproximar sua boca do meu ouvido, fiquei todo molhado. “Mas tem que pagar com juros, tive que furar a fila por sua causa.”
“Andrew, você...” eu não sabia se teria coragem para perguntar sobre o nosso beijo. Por que ele não dizia nada? Talvez não mencionar aquilo faria com que nunca tivesse existido? Ele tinha vergonha do nosso beijo? Então por que dizia gostar de mim, afinal? Eu não conseguia pensar direito. Quando passei alguns minutos com Nando, ele foi legal comigo e tudo fluiu numa boa, menos a parte em que ele tentou me estuprar. Então, se com outro cara era tão fácil, por que, justamente com quem eu mais queria estar, o mundo parecia estar prestes a ruir sobre a p***a das nossas cabeças???
“O que foi?” And olhou preocupado para mim, que não disse mais nada. Miley e Igor se sentaram num banco de concreto do lado de fora da cantina, com uma árvore fazendo ventania do lado.
“Você lembra daquilo?” em casa eu não teria coragem de perguntar, pelo menos aqui ele não iria surtar.
“Eu não chamaria daquilo, foi mais que aquilo. E te respondendo: eu nunca esqueceria nada com relação a você,” And mordeu os lábios inferiores, onde meus dentes roçaram, e riu.
Se era possível morrer com um sorriso, eu estava morto.