Lilith estava cansada. Se fosse por escolha dela, já teria ido para casa.
Casa... Se é que ela podia chamar o apartamento de Garret, sobre a American Dream de casa. Era a sua prisão, seu castigo por amar demais.
Aproveitando que Garret e James haviam sumido, sabe lá Deus porque, Lilith se afastou do salão de baile, pensando em qual lugar poderia se esconder, nem que fosse por cinco minutos. O banheiro era sempre uma boa opção.
- Senhorita Savóia. – Luis Martinez apareceu a sua frente, assustando-a. – Desculpe, mas para onde está indo?
- Ao banheiro, cachorro sarnento. – Respondeu, com raiva. – Será que nem fazer xixi em paz eu posso?
Luis balançou a cabeça, negando.
- Por favor, me acompanhe, senhorita.
Lilith queria gritar, espernear e declamar todos os xingamentos que conhecia, quem sabe mais alguns até em outros idiomas. Mas, do que adiantaria?
Irritada, Lilith começou a seguir o segurança. Quando voltasse, ia procurar Garret e exigir ir embora. Brianna ia entendê-la. Do que adiantaria ficar e ver Jackson sorrindo para uma mulher que não era ela?
- Martinez. – Chamou Lilith ao perceber que o banheiro ficava na direção contrária ao que o segurança estava indo. – Eu disse que queria ir ao banheiro. – Mas, o segurança continuou andando, o que só a deixou ainda mais brava. – Seu i****a, estou falando com você. O banheiro feminino é no corredor da esquerda.
Luis a ignorou e parou mais frente, abrindo uma porta que Lilith não fazia ideia do que era. Estava escuro e ela se arrepiou. Deu um passo para trás.
- O patrão está esperando pela senhorita.
Oh d***a! Garret estava lá?
Com certeza, ele queria punia-la pela discussão no carro.
Lilith olhou para trás, para o corredor vazio. O som da festa nem conseguia ser ouvido dali. O que quer que Garret fizesse com ela, ninguém ficaria sabendo. Sem saída, Lilith caminhou para dentro da sala escura.
Quando a porta fechou, ela pode ouvir o som da chave sendo virada, trancando-a lá dentro.
Depois de passar todo plano para as pessoas certas, finalmente, ele iria fazer algo que queria a muito tempo. Viu quando Garret e James sumiram, procurou por Joanne, que também deveria estar na missão dela. Era o momento perfeito para ele agir.
Enviou uma mensagem para a pessoa certa e escutou as vozes no corredor vindo na direção dele. Fechou os olhos, se escondendo em um canto da sala, perto do único ponto de luz que havia ali, um abajur.
A porta foi aberta e ela entrou. Sua expressão era de medo. Ela achava que era Garret. Ele não queria que tivesse mais medo. Foi quando ligou acendeu o abajur e ele iluminou bem de leve a sala.
- Senhorita Savóia. – Disse Jackson, sem tirar os olhos de Lilith. – Eu espero não ter assustado a senhorita com o pedido que fiz ao seu segurança de trazê-la aqui.
A voz sumiu.
Lilith não conseguia pronunciar nenhuma palavra. Jackson O’Brien estava mesmo a sua frente, só ela e ele, em uma sala? Lilith olhou a porta fechada e se lembrou bem do que Luis dissera.
- Martinez disse que o patrão estava me esperando. – Lilith disse, baixinho, como se por mais que tentasse entender o que estava acontecendo, não conseguia. – O patrão dele não é você.
Mal terminou a frase, Lilith deu um passo para trás, se encostando na porta. Tinha medo das suas pernas falharem por estar tão perto do homem que amava. Medo de Garret invadir aquela sala e matá-lo.
Ele sorriu e deu passos até ela. Tocou o rosto carinhosamente.
- Você realmente acha que pode se sacrificar por mim e Chuck e eu não colocar alguém de olho em você, me passar tudo o que acontece contigo? – Ele perguntou, sabendo que ela não lhe daria a resposta. Lilith estava completamente confusa. – Não é só você quem tem segredinhos, Lili. Eu não via a hora de poder estar perto de você de novo.
- Jackson...
As lágrimas começaram a correr pelo rosto de Lilith sem que ela pudesse controlar. Deus, se aquilo fosse um sonho, ela nunca mais queria acordar.
Munida de toda a sua coragem, Lilith se jogou nos braços de Jackson e o beijou.
Um beijo que esperou cinco anos para acontecer. Um beijo que ela desejou por todos os dias que se viu prisioneira de um maníaco que a fazia sofrer.
- Espera, espera... – Ela se afastou, sorrindo e chorando. – Chuck! Mateo disse que Chuck está na clínica. Eu quero vê-lo. Você tem que me levar até ele.
Jackson só queria aproveitar aquele momento. Tentou beija-la de novo,mas ela não deixou. Por isso, riu.
- Chuck está se desintoxicando. Infelizmente, ele aceitou um programa que ninguém pode visitá-lo, nem mesmo eu.
Ele a abraçou de novo, pegando em sua mão e se levantando até duas cadeiras que ele havia separado para conversarem.
- Escute, eu não sei quanto tempo Garret vai estranhar seu sumiço, mas... Eu quase surtei na reunião e eu espero que você me perdoe pelo o que eu fiz.
Lilith acertou um t**a forte bem no rosto de Jackson.
- Da próxima vez que você se colocar na frente da arma do Garret, eu juro por Deus, O’Brien eu arranco seu p*u e jogo para os porcos comerem. – Bradou, com a expressão séria. Parecia a velha Lilith. Aquela antes de Garret Ottman. – Por cinco anos, eu tenho aguentado cada humilhação, cada ameaça, cada toque daquele nojento para manter você vivo e aí, em um belo dia, você resolve caminhar justo para a toca do lobo? O que você tinha na cabeça?
Jackson virou o rosto com o t**a, mas ele não ficou bravo. Pelo contrário, ele sorriu. Aquela era a mulher dele de volta.
- Às vezes, é bom se arriscar para poder se sentir vivo, não acha? – Falou, sorrindo. Sua mão foi para o rosto dela. – Por que você fez isso? Sabe muito bem que eu e Chuck lidaríamos muito bem com Garret. Não deveria ter se arriscado assim.
- Você e Chuck estavam quebrados, meu amor. – Lilith olhou para Jackson. Colocou sua mão sobre a dele. Era tão bom poder sentir de novo um carinho de verdade. – As drogas separaram vocês e isso estava nos separando. – De repente, as lágrimas voltaram a rolar pelo rosto dela. – Se você fosse preso, Chuck ia se culpar e as drogas iam vencer de vez. Então, teve o ataque... Garret disse que podia m***r vocês. Eu não ia suportar. Se pelo menos, eu pudesse manter os dois vivos, se pelo menos, eu pudesse dar a você a chance de se reconciliassem...
Lilith sabia que os laços de sangue de Chuck e Jackson eram fortes demais. Além de gêmeos, eles tinham uma conexão única, que só eles entendiam como funcionava. Ela se encaixou como uma luva, como um pedacinho de um quebra cabeça, que os completou.
- Você e Chuck... – Lilith parou. Estava com receio de fazer uma pergunta, mas ela tinha que saber. Para continuar lutando, ela precisava saber se tinha para onde voltar. – Vocês ainda me amam? – O choro aumentou ainda mais e ela se encolheu um pouco na cadeira, com vergonha. – Eu entendo se desistiram de mim. Eu sei que Garret me sujou com aquelas mãos imundas, então vocês não devem nada. Não posso cobrar nada de vocês, já que me deito todas as noites com outro homem.
Jackson levantou seus olhos para a ruiva, que esperava uma resposta certa dele. Então, fez algo que não pensou duas vezes. A beijou. Ele queria bem mais que um beijo. Queria levá-la dali, esconder ela e Garret nunca mais colocaria as mãos nela. O beijo foi demorado, com saudades e amor. Quando se separaram, Jackson olhou nos olhos dela.
- Não tem um dia que eu e Chuck não pensamos em você, que não pensamos em como fazer Garret pagar por ter nos tirado o mundo. – Então, se levantou e puxou ela pra ele. – Aguente mais um pouco, agora que Mateo está de volta, a cidade vai voltar a ser nossa e todo mundo vai pagar por tudo. – Ele olhou para a porta. – Agora vamos ter que voltar para a festa e agir como se nada tivesse acontecido. Eu espero que Garret não tenha sentido a sua falta. Consegue aguentar mais um pouco? Por nós.
Por nós...
Lilith abriu o sorriso mais feliz que já tivera em cinco anos.
- Meu amor, por nós eu sou capaz de tudo.
Lilith o beijou de novo e de novo. Não queria parar. Mas, ela era forte. Ela era uma deusa da guerra por seus homens. Se separou de Jackson e enxugou as lágrimas. Agora sim ia precisar ir ao banheiro de verdade.
Ela bateu com os nós dos dedos na porta. Se Martinez estava do outro lado, ia saber que devia abrir. Quando Lilith viu a maçaneta da porta virar, ela olhou Jackson.
- Prometa que vai trazer Chuck de volta para nós dois. – Pediu, com a voz firme.
Jackson sorriu.
- Mas é claro. Ele vai estar melhor do que nunca.
A porta se abriu e Luis entrou, olhando de Lilith para Jackson. Este viu o segurança sorrir, parecendo satisfeito.
- Luis, leve a Lili ao banheiro e depois de volta ao salão. Aliás, se puder, tente ver se está tudo corre conforme combinamos. – Olhou para Lilith. – Vá com ele e se cuida. Lembre-se, eu amo você.
O coração de Lilith se encheu de vida com a declaração de Jackson. Será que se ela saísse dançando como uma boba pelo salão, iam desconfiar?
- Eu também amo você. – Sussurrou e soprou um beijo para ele.
Já no corredor, seguindo com Luis atrás dela, ela suspirou apaixonada. Os beijos de Jackson fizeram Lilith renascer. Finalmente, sua família estaria junta de novo.
Desta vez, seguindo para o corredor certo, Luis abriu a porta do banheiro feminino para Lilith e deu espaço para ela passar
.
- Se a senhora precisar de algo, eu posso...
- Escuta bem, seu cachorrinho sarnento. – Ela falou, com o dedo em riste bem no meio do rosto do segurança. – Não é porque eu descobri que seu verdadeiro dono é meu homem, que eu vou gostar de você. Odeio que me vigie e odeio que tenha mentido para mim todos esses anos. Quando matarmos Garret, vou fazer você limpar cada gota do sangue dele do meu sapato com a língua. Estamos entendidos?
Luis arregalou os olhos, por um segundo e depois voltou a sua expressão neutra, como um bom segurança faz.
- Perfeitamente, senhorita.
Foi só quando Lilith entrou no banheiro que ele sorriu. Pegando o celular para cumprir as ordens do seu verdadeiro chefe, Luis fez uma anotação mental para avisar a Jackson que ele precisava de p******o. Mesmo tendo certeza de que ele só fez o seu trabalho, era melhor que o patrão acalmasse o pequeno furacão ruivo sobre suas funções.
***
Ela passou por todos na festa, que queriam conversar, puxavam seu braço, mas não queria falar com ninguém. Ela simplesmente continuou o seu caminho, focada em apenas uma coisa.
Seu coração batia bem forte quando avistou o garçom de costas. Tentou alcançá-lo, mas ele andava rápido demais. Já era a segunda vez em muito tempo que ela via Mateo em alguém, mas aquela vez, ela não estava louca.
Brianna seguiu para a cozinha, onde todos a olharam, enquanto ela procurava pelo homem. Todos voltaram a trabalhar e a servir pratos e os quitutes. Ao fundo, ela avistou uma porta e logo, andou até lá e saiu. Não se importou com o lixo do lado, nem mesmo a brisa fria. Ela só queria ter certeza de que ela o vira.
O fundo era um beco sem saída. Não tinha como se esconder ali, nem muito menos sair correndo a tempo de ninguém ver. Mais uma vez, tudo foi visão da sua cabeça, sentiu se triste. Abaixou a cabeça e suspirou. Ela só queria sua felicidade de volta.
Mateo estava tão acostumado com as sombras que ele podia ter ficado quieto e deixado Brianna voltar para dentro do prédio da Prefeitura, mas, ele já havia esperado tempo demais.
Aquela mulher era o motivo dele ainda respirar. Ela era o centro gravitacional de sua vida. Mateo deu um passo a frente, o uniforme de garçom já faltando a gravata e o cabelo solto.
Ele abraçou Brianna por trás, cheirando o cabelo dela, sentindo o corpo dela.
- Diga que me ama, meu amor. – Pediu, tentando não avançar nela com tanta fome pelos seus lábios. – Diga que eu ainda sou o homem que possui seu coração.
Aquela voz. Aquela voz que ela reconheceria em qualquer lugar no mundo. Não... Não era possível. Ela ficou imóvel com o abraço, seu coração acelerou a ponto de quase sair pela boca. Sem saber de onde tirou forças, ela abriu os braços dele e se virou.
Seus olhos arregalaram. Ela estava vendo um fantasma. Era o fantasma do seu marido morto. Mais um ano que aquilo se repetia, mais um ano em que ela o via no dia do aniversário de casamento.
- Não... Você é só uma visão. – Disse, baixo, fechando os olhos, que já naquele momento escorriam lágrimas. – Eu vou abrir os olhos e você vai sumir. Você... Você está morto... Você só é coisa da minha cabeça. – Ela repetia, entre o choro.
Mateo não queria fazer Brianna chorar, mas não tinha como revelar a verdade sem ferir os sentimentos dela. Quando ela entendesse tudo o que passou, Brianna ia perdoá-lo.
- Sou eu, Brie. – Mateo falou, com calma. Quando tomou o rosto dela nas mãos, percebeu que estava tremendo. – Eu voltei para você. Voltei para a minha mulher.
E fazendo a única coisa que faria Brianna entender que ele não era um fantasma e estava bem vivo na sua frente, Mateo a beijou.
O beijo a fez flutuar. Ele tomou completamente sua boca como se estivesse faminto por ela. Brianna deixou-se beijar e mais lágrimas caíram. Ela não conseguia acreditar que...
Mateo. Estava. Vivo.
Eles se separaram, mas seus rostos ficaram perto. Ele estava diferente, o brilho dos olhos dele eram diferentes. Ela olhou cada centímetro, como se nunca tivesse memorizado o desenho do rosto dele.
- Não... Não pode ser... – Ela disse, pegando nos braços e depois não mãos dele em seu rosto. – Como? Eu te enterrei, chorei por você... – Sua mente estava confusa. – Como?
- Eu fiquei em coma por quase três anos.
Não tinha jeito fácil para ele contar o que acontecera de verdade. Mateo sabia o quanto Brianna era forte, então ela ia absorver todas as informações de maneira rápida.
- Jackson e Chuck não sabiam quem tinha atirado em mim, quem havia atacado nossa mansão e, por isso, fingiram minha morte. Era só uma maneira de pegar quem nos traiu, mas McLean se apossou de tudo, Garret chantageou Lili... Quando eu voltei do coma, tive que passar por uma longa fisioterapia. – Mateo levou as mãos de Brianna ao seu peitoral, no lugar onde os tiros o tinham atingido. – Eu queria ter voltado para você, mas do jeito que eu estava, um inútil que m*l podia comer sozinho, era impossível. Agora, eu voltei e vou recuperar tudo o que McLean me tirou.
Brianna ofegava do choro. Ela não conseguia acreditar que Mateo estava realmente vivo e estava a sua frente. Queria gritar, queria dizer para todos e jogar na cara de James que Mateo estava vivo.
Foi quando ela se lembrou de algo. Da promessa de paz com James. Ela tinha acabado de aceitar a maldita vida dela e agora, Mateo estava a sua frente. Ela não pensou duas vezes e lhe deu um t**a no rosto.
- Mateo Leati Hale, você tem ideia do que eu passei nesses cinco malditos anos achando que você estava morto? – Ela disse, um tanto alto. Havia se esquecido que tinham pessoas na cozinha, perto dali. – Eu vendi a minha alma ao demônio, perdi de ter nossa filha por perto... – Falou, ofegante e brava. – Eu aceitei hoje o meu destino e você resolve aparecer na minha frente? É assim que você diz me amar? Meu Deus, Joanne vai ter um ataque ao saber que eu menti para ela sobre o pai.
Mateo levou a mão ao queixo, sentindo-o dolorido pelo t**a que recebeu. Havia se esquecido de como a mão de Brianna era pesada.
Ele sorriu sem graça.
- Meu amor... Sobre isso... – Ele sabia que podia tomar outro t**a, embora não fosse reagir, Mateo não queria perder tempo brigando com Brianna. – Eu fui ao colégio de Joanne há uma semana. Ela já sabe que estou vivo. E, antes que pergunte, também contei para Lili ontem. Foi ela quem me disse onde eu podia conseguir o uniforme de garçom.
Brianna abriu a boca e não disse nada. Precisou de um tempo para digerir tudo o que Mateo acabara de falar. Todos sabiam da sua volta e ela foi a última a saber. Foi quando acabou rindo.
- Meu Deus... – Disse, andando de um lado para o outro, com uma mão na cabeça. – Então, quer dizer que eu fui a última a saber? A cidade inteira já sabe? Aquelas pessoas ali dentro já sabem da sua volta? – Perguntou, apontando para o prédio. Mateo ia falar, mas ela apontou o dedo para ele em riste. – Eu juro que mato você e me certifico de que você, desta vez, realmente está morto só por me deixar sofrendo.
A fala dela foi interrompida quando a porta dos fundos abriu. Os dois olharam desesperados e viram Tom parado, olhando para Mateo. Brianna arregalou seus olhos, assustada.
- Ah não... Não, não, não... – Ela falou, entrando na frente de Mateo. – Você precisa fugir. Ele vai contar ao James que está vivo! – Falou, abrindo os braços como se protegesse Mateo no desespero. – Vai Mateo! Corre!
Mas, nenhum dos dois homens se mexeu. Brianna estava desesperada e isso fez Tom cerrar o cenho. Ele olhou para Mateo, confuso.
- Senhor? – Perguntou, olhando dele para Brianna.
Brianna abaixou os braços e virou para Mateo, apontando de um para outro.
- Senhor? – Perguntou, surpresa.
Mateo suspirou. A história só se complicava e ele tinha a certeza de que Brianna cumpriria a promessa. Tentando proteger a si mesmo e Tom da fúria de Brianna, Mateo abraçou-a por trás.
- Brie. – Ele falou, com o rosto rente ao da mulher. – Tom nunca me traiu. Ele foi um dos primeiros a perceber o plano de James e só ficou ao lado dele para poder te proteger. – E já olhando para o segurança, Mateo emendou: - Eu disse para não me atrapalhar.
Tom fechou a porta, verificando antes se alguém tinha lhe seguido.
- McLean está voltando ao salão, ele vai procurar pela senhora.
Mateo estreitou o olhar, ainda segurando Brianna.
- f**a-se o traidor. – Falou, com sua voz de comando. – Volte para lá e distraia ele. Quero ter mais um tempo com minha mulher.
Tom apenas assentiu e entrou. Brianna ficou olhando para a porta, ainda sem acreditar no que acabava de ouvir. Tom nunca fora um traidor, as pessoas mais importantes sabiam que Mateo estava vivo e ela? Em sua mente, lembrou-se da promessa que havia feito a James, ao maldito traidor.
Brianna se afastou e cruzou os braços, magoada.
- Tem alguma coisa a mais que eu não saiba, Hale? – Perguntou ela, tentando levantar seu queixo e não mostrar sua chateação. – Quero saber agora antes que eu vire as costas e volte para minha vida de m***a.
Não fora assim que ele imaginou o reencontro com o amor de sua vida. Não era assim que ele queria que aquela noite terminasse.
- Brie... – Ele deu um passo na direção dela, mas ela recuou e isso o deixou irritado. – Eu fiz tudo para proteger você! Fiz tudo para proteger nossa filha e nossa família. Eu levei dois tiros, Brie! Dois tiros e um deles quase atingiu meu coração. Não houve um só dia, depois que eu acordei do coma que eu não quisesse voltar para você. Todos os meus pensamentos eram sobre ter perdido você e nossa filha. Você tem todo o direito de ficar irritada comigo, todo o direito de me odiar por não ter te salvado desse canalha antes. Mas, se você quiser, eu esqueço qualquer plano. Eu desisto de tudo, entro lá agora e atiro na cabeça daquele filho da p**a.
Brianna olhou nos olhos de Mateo e sentiu raiva, mas não dele, de si mesma.
- Você não sabe o quanto eu desejei que tudo que aconteceu fosse só um pesadelo, onde eu pudesse acordar e ter você do meu lado, Joanne acordando, entrando em nosso quarto sorrindo e sermos felizes como antes. – Foi ela quem deu passos na direção dele, seus olhos já cheios de lágrimas. – Eu sofri demais e por mais que eu queira ver ele morto rápido, eu quero que McLean sofra muito por tudo o que fez a nossa família. Eu sei que ele quem atirou em você, que ele arruinou essa cidade e não tem nada que me faria feliz do que ver ele no chão, pagando por isso.
Ela não esperou por mais nada e o beijou. Teve medo de mais uma vez ser apenas sonhos, teve medo de acordar. Sua vida ia voltar ao normal e ela faria qualquer coisa para proteger o único homem que amava na vida.
Mateo beijou Brianna como se aquele fosse o primeiro beijo de um recomeço. Um beijo que simbolizava a volta do amor deles. Juntos, Mateo e Brianna eram como pavio e pólvora. Quando acessos, eles poderiam explodir e queimar quem eles quisessem.
Eram almas gêmeas.
Mateo se separou de Brianna, segurando o rosto dela entre as mãos.
- Você precisa continuar protegendo Lili e Joanne. Nossa filha tem algo para lhe dar. – Disse, dando mais alguns selinhos nela. – Faça James confiar mais em você, manipule ele ao seu favor. – Ele olhou bem nos olhos da única mulher que já amou, a única para quem ele entregou seu coração. – Preciso que você volte a ser a minha parceira, meu amor. Quero minha rainha de volta.
Brianna não queria, mas se fosse para destruir James, ela faria. Ela tinha a chance de destrui-lo.
- Eu vou tentar, mas não pense que eu vou esquecer o que aconteceu hoje, senhor Hale. – Lhe deu um último beijo e pôs-se a caminhar de volta a porta. Antes, voltou a olhá-lo. Ele estava vivo e na sua frente. Sorriu. – Bem-vindo de volta, Rei de Royal Echo.
E assim ela abriu a porta. A cozinha estava vazia, mas ela encontrou dois pares de olhos em cima dela. Um, era Tom, parecendo orgulhoso. O outro, era Joanne, que tinha um belo sorriso nos lábios. Ela cerrou os olhos para os dois.
- Vamos ter uma conversinha assim que tivermos um tempo. – Falou, toda orgulhosa.
Joanne sorriu e trocou olhares com Tom. A menina pegou o celular dentro do vestido e entregou a mãe.
- Papai pediu para entregar.
Brianna pegou e escondeu o celular dentro do decote do vestido, acompanhando os dois de volta ao salão. Ela queria explodir de felicidade, mas iria conseguir se conter.
***
A festa aconteceu do jeito que ele desejou. James McLean tinha o maior dos sorrisos estampado no rosto. Um pouco depois da meia noite, depois que o prefeito discursou enumerando a importância de James para a cidade e se gabando de poder chamá-lo de amigo, o irlandês tomou o microfone em uma das mãos e enlaçou a cintura de Brianna com a outra.
- Muito obrigado, senhor prefeito. – James disse tomando o centro do palco para si. – Hoje é um dos melhores dias da minha vida. Quando eu cheguei a essa cidade, eu ganhei um lar. Um emprego. E, logo depois,fui agraciado em me casar com a mulher mais especial do mundo. Cada ano que completo ao lado desta mulher, me faz ter mais certeza ainda do quanto eu sou um cara de sorte. – Ele sorriu para Brianna e depois, pousou o olhar em Joanne. – Até uma filha eu ganhei. O que mais eu posso pedir?
Cada palavra do discurso de James fazia o estômago de Lilith embrulhar. Garret estava meio bêbado e, agora que ela sabia que Martinez era um aliado, Lilith não teve medo de procurar por Jackson entre os convidados.
Seu homem estava ao lado de Lexi, que permaneceu com o vestido manchado, mas sem reclamar. Jackson tinha a expressão de quem não engoliria uma só palavra dos agradecimentos de James. O homem era mais falso que uma nota de três dólares.
- Então, tudo o que faço é retribuir a Royal Echo toda a sorte que ela me trouxe. – James soltou Brianna e pegou uma taça de champagne que estava próxima. Ele ergueu o copo, incitando um brinde. – A minha família que eu tanto amo e a esta cidade que eu conquistei como minha.
Na porta que dava acesso na cozinha, Mateo ainda vestido garçom, pressionou os dedos na bandeja que segurava. Em breve, Royal Echo não ia mais se curvar ao fingido James McLean. Ele estaria morto e pagaria por sua traição no inferno.
Nem que fosse a última coisa que Mateo faria na vida.