Capítulo cinco

4313 Words
O portão da clínica de reabilitação se fechou as suas costas. Nenhum tapinha nas costas, nenhum tipo de desejos de boa sorte... Chuck não se importava. Não dava para dizer que sua estadia naquele lugar tinha sido das melhores. Na primeira semana, foi como arder no mármore do inferno. Chuck sentiu tanta a falta da cocaína que quase bateu a cabeça na parede em um dos surtos de abstinência. As coisas começaram a melhorar na segunda semana, embora, ele ainda sentisse muita vontade de cheirar. Ou beber. Seu santo whisky lhe fez falta. Os remédios até funcionaram, mas o que manteve Chuck firme em sua decisão foi uma única foto de Lilith. Era aquela foto que ele tinha nas mãos, enquanto andava até a calçada da clínica. Ele olhou para a foto, sorrindo ao ver a mulher de cabelos vermelhos e pele branquinha soprando um beijo. Como amava aquela mulher... Por ela, foi ao fundo do poço. Por ela, ele reviveu. E, por ela, ele ia m***r Garret Ottman, arrancando m****o por m****o e depois enterrando em partes diferentes que era para nunca mais fosse achado. Chuck reconheceu o Jeep Cherokee do irmão gêmeo ao longe. É claro que seria Jackson a vir buscá-lo. Eles não dividiram a mesma placenta, embora fossem gêmeos. E, mesmo compartilhando a data de aniversário, eles eram diferentes como o dia e a noite. - Cara, você parece que vai chocar um ovo. – Chuck zombou, assim que se aproximou do irmão, que andava de um lado para o outro, agitado. – Quando é que você vai relaxar, nem que seja por uma vez na sua vida? Jackson parou ao escutar a voz do irmão e o olhou. Chuck parecia diferente. Cabelo raspado, rosto não inchado e seus olhos azuis estavam brilhando. Ele segurava a mochila, olhando para ele. O brinco na orelha era o charme do irmão mais velho. Ele quis correr e abraçá-lo. Nas últimas semanas, depois da festa, tudo o que ele mais desejou era ver Chuck. Era poder contar para ele tudo o que havia acontecido. Chuck ficaria surpreso com o que ele tinha preparado. Foi então que deu passos à frente e abraçou o irmão. Demorou muito, mas Chuck respondeu. Não era normal aquele abraço, já que eles não estavam bem da última vez que se viram. - É muito bom ver você, meu irmão. – Disse Jackson, ainda abraçado a ele. – Eu estou muito feliz por você estar bem. Chuck retribuiu o abraço, sentindo-se como uma criança de seis anos. Foi nessa idade que eles perderam a mãe e Chuck se lembrava de ouvir Jackson prometer a ela que cuidaria do seu irmão gêmeo. Não que Chuck fosse fraco desde pequeno, mas sempre fora o que se enfiava em confusão. Na escola, na rua do bairro, na adolescência. E Jackson o salvava. Chuck se afastou, tentando esconder que se emocionou com o braço. - Eu também estou. – Respondeu, ajeitando a jaqueta de couro. – Mas, vamos logo. Quero voltar para Royal Echo. – Ele jogou a mochila dentro do carro. – Mateo já deu a ordem para m***r Ottman? Quando vamos quebrar a cara do McLean? Jackson sorriu. - Calma meu irmão, as coisas vão agir conforme a nossa dança. – Disse já entrando no carro. Ele só esperou Chuck entrar no carro para continuar a falar. – Eu acho que vai querer saber o que rolou até aqui, não é mesmo? – Jackson contou as coisas que aconteceram até o momento da festa e da sua conversa com Lilith. – Bom, acho que teremos que ser bem fortes agora e saber agir minuciosamente contra James e Garret. Mateo tem um plano e quer distribuir as missões para cada um. Por isso que ele quis reunir as pessoas que vão ajudar no plano hoje na mansão antiga dele. É para lá que vamos. Chuck estava com o olhar perdido na estrada. Tudo o que o irmão contou, foi permaneceu em silêncio. Doía muito saber que Lilith estava sofrendo todo aquele tempo por culpa dele. - Jackson... – Ele limpou a garganta, virando o rosto na direção do irmão gêmeo. – Lili, vai se recuperar? – Vendo a confusão no semblante de Jackson, Chuck explicou. – De tudo isso o que ela tem passado por nossa culpa. Antes de vir para a clínica, eu fui a boate. Eu vi com meus próprios olhos o modo que Garret a trata. Ela não merecia isso, Jackson. Jackson suspirou. - Sendo sincero? Eu não sei, mas o meu maior medo era que ela nos abandonasse e não foi isso. Ela se sacrificou e agora, temos a oportunidade de salvá-la. Jackson colocou a mão na chave e ligou o carro, olhou para frente e logo desligou o carro novamente, se virando e olhando o irmão. - Antes de tudo, eu quero te pedir perdão, irmão. Eu não soube lidar muito bem com o seu vício e não te ajudei quando era preciso. Eu deveria ter sido mais paciente e te ajudado, mas eu deixei os problemas me dominar e agi de um modo que não deveria. – Respirou fundo. – Eu tive medo de perder, Chuck. Você é meu irmão e me doeu todos os dias ver você se entregando a bebida e as drogas, eu queria te bater a cada dia para ver se isso melhorava, mas o desprezo foi o que me encontrou conforto para não me apegar. Eu te amo demais, te perder, seria como parte de mim morrer. Espero que você me perdoe um dia. Chuck olhava para Jackson, estático. Eles sempre foram ligados, mas nunca foram muito bons em admitir sentimentos um para o outro. Foi Lilith quem os ensinou a se abrir, quem os mostrou que não precisavam usar máscaras. Chuck fungou. p***a, ele não queria chorar. Colocando a mão sobre a nuca de Jackson, Chuck o puxou, fazendo sua testa colar na dele. Seus olhos estavam marejados. - Eu te amo, cara. – Disse, com a voz embargada. – Me perdoa por todas as merdas que eu fiz, por todas as vezes que eu não te ouvi, me perdoa... Ah, Jackson! Me perdoa por sentir ciúmes de você com a Lili. Eu sei que ela tem amor dentro dela o bastante para nós dois, eu só... – Chuck precisava confessar tudo que tinha guardado no peito. – Eu só tive medo. Medo de que vocês me deixassem. Que vissem o quanto eu sou fraco. Escutar aquilo fora um alívio. Depois das palavras de Lilith, ele sabia que ninguém estaria sozinho naquela história. Ele sorriu. - Você não tem que pedir perdão por nada. – Ele se afastou, respirando fundo. – Agora precisamos ir parava mansão. Eu tenho uma surpresa para você. E assim, ligou o carro e dirigiu pelas ruas de Royal Echo. *** O caminho até a mansão de Mateo foi bem divertido para Jackson e Chuck. Eles conversavam alegremente, mesmo que o assunto fosse como foi a recuperação de Chuck e toda a sua abstinência. Os dois estavam gostando da proximidade que tiveram, se sentiam até mesmo motivados a tomar a cidade novamente para eles. Ao chegar na mansão, eles pararam na porta e trocaram olhares. Chuck respirou fundo e abriu a porta, abrindo os braços. - Papai chegou, crianças! – Falou, sorrindo. Mateo, Brianna, Lexi, Tom e Luis estavam na mansão, envolta de uma mesa, conversando sobre o plano que iriam usar contra James. Ao ouvirem a voz de Chuck, todos se viraram e sorriram para ele. Brianna foi a primeira a ir até ele e abraçá-lo. - Chuck! – Exclamou ela, sorrindo. Logo depois, se afastou e lhe deu um t**a no braço. – O que você pensa que estava fazendo, garoto? – Perguntou, brava. – Quantas vezes, todos nós já te falamos que não deveria ter ido para esse mundo? Você é teimoso demais. Chuck reclamou do t**a de Brianna. - Eiiii! – Passou a mão no braço. – O que você andou comendo? Não era tão forte assim até eu estar na recuperação. – E ele olhou para Mateo. – Cuida da sua mulher aqui, eu não quero outro t**a. Mateo riu baixo, já abraçando Chuck, o cara que ele considerava como seu irmão mais novo. - Eu nem preciso dizer que sei bem como a mão dela está pesada. Você não foi o único que apanhou. – Disse Mateo, mexendo no queixo. – Acho que ela tem feito aulas de boxe ou defesa pessoal, porque a direita dela anda muito boa. Enquanto Brianna revirava os olhos, Lexi também se aproximou e cumprimentou Chuck com outro abraço. Tom e Martinez foram mais contidos, trocando com o recém-chegado um aperto de mãos e tapinhas nas costas. - É bom te ver de novo, patrão. – Luis falou, com sinceridade. – Rezei muito a Santa Muerte para que o senhor se recuperasse. – Ao falar o nome da santa, o segurança pegou o crucifixo que tinha sobre o peito e beijou-o com os lábios. Chuck sabia que os dois seguranças não eram tão próximos, mas ficou feliz de ver que tudo deu certo. Ao ver Luis ali, ele se lembrou de algo. - Obrigado. Você poderia buscar a Lilith para... Para que possamos ter essa reunião mais completa. – Falou, parecendo nervoso. – Eu sei que você pode convencer aquele m***a do Garret a liberar ela. Jackson me contou e eu juro que se dependesse de mim, eu colocava uma bala na cabeça dele hoje. - Chuck? O chamado de Lilith cortou o ar como mágica. De repente, parecia que ninguém mais estava dentro da sala da mansão, exceto por Lilith, Chuck e Jackson. A ruiva só enxergou seus amados e correu diretamente para eles. Os outros que estavam na sala, se afastaram, dando um tempo para que o casal a três ficasse junto. - CHUCK! Lilith pulou no colo do homem loiro, abraçando-o e chorando, dando vazão a todo o sentimento de saudade, culpa e amor que apertou dentro do peito pelos últimos anos. Enquanto apertava ele com seu corpo, Lilith esticou a mão no ar. Como se soubesse exatamente o que ela esperava, Jackson segurou na mão dela e Lilith o olhou por sobre o ombro de Chuck. - Obrigada. – Sussurrou. Jackson sorriu e logo, se afastou, deixando que os dois tivesse um momento entre eles. Foi tudo muito rápido. Chuck escutou a voz da mulher e virou os olhos brilhantes na direção dela, logo ela estava nos seus braços, o apertando. Ele tentou aproveitar cada segundo ali. Então, sem tirá-la do seu colo, ele a olhou, passando a mão carinhosamente em seu rosto. - Minha ruiva. – Falou, quase em sussurro. Seus olhos brilhando ainda mais. – Você não sabe o quanto senti sua falta e o quanto você me motivou a ir me recuperar. Fiz isso por você, tudo por você. As lágrimas rolaram pelo rosto de Lilith. Seu coração estava batendo tão forte que parecia que ia explodir no peito. Chuck era seu, todo seu... De novo, era o seu Chuckathan O’Brien. Então, ela o beijou. Quando seus lábios se tocaram com os dele, Lilith sentiu como se tudo se encaixasse dentro de si. Todas as partes quebradas, todas as cicatrizes que não fechavam, cada minúsculo pedaço que fora arrancado, estava de volta. Lilith se afastou de Chuck, descendo do colo dele. E, para a surpresa de todo mundo, a ruiva acertou um t**a forte no rosto do loiro. - Escuta bem, O’Brien! Da próxima vez que resolver me trocar pelas drogas, você ficará incapacitado de ter filhos para sempre. – Ralhou Lilith. – Seu irmão já está avisado e aí dele sair da linha também. Mais uma vez, o t**a foi rápido. Ele virou o rosto e depois olhou Lilith, surpreso. Sua mão foi até o rosto, que ardia. Ele olhou para todo mundo, que segurava o riso. - O que acontece com essas mulheres? – Perguntou, olhando para o irmão. Jackson por sua vez, apenas suspirou. - Como o Mateo te disse... Você não foi o único que levou um desses de presente. Brianna apontou para todo mundo. - Vocês mereceram. Nós fizemos de tudo para proteger a b***a de vocês e acabam nos fazendo toda essa bagunça? Deveriam eram estar pensando em como nos tirar dessa enrascada toda. Mateo suspirou. - É exatamente por isso que estamos reunidos aqui. – Ele assumiu o lugar de destaque da mesa, fazendo um gesto para que todos os outros presentes ocupassem os seus. – Eu já vi o vídeo que Joanne gravou da conversar de McLean e Ottman e vamos ter que ser mais espertos que eles. - Joanne gravou um vídeo de uma conversa deles? – Perguntou Lilith, preocupada. – De quem foi a ideia de colocar minha sobrinha em perigo? - Na verdade... – Começou Jackson, tentando ser cauteloso. Não queria levar outro t**a. – Nós não queríamos usá-la, mas Joanne era a única que poderia se esconder no armário da prefeitura e nos ajudar nessa parte do plano. A propósito... – Ele se virou para Brianna. – Eu acho que sua filha deveria parar de ver tantos filmes de ação. Ela perguntou quando iriamos cortar a cabeça das pessoas. Brianna abriu a boca e fechou, se reação. - Eu não sei de nada disso. Ela deve ter puxado ao pai ou aos tios. Eu não tenho culpa se ela deseja vingança também. – Ela voltou a olhar a todos. – Bom, primeiramente, temos que mandar Lexi ao shopping fazer algumas compras para que eu e Lili tenhamos um álibi, certo? Jackson sorriu. - Tom e Luis vão acompanhá-la. Passaremos a vocês todo o plano que vamos traçar. Precisamos muito de vocês nisso. Lexi fechou a expressão. - Eu não preciso de babás para comprar roupas, O’Brien. Lilith deu uma risadinha, baixa. - Não, mas eu e Brie precisamos, amiga. – Falou, tomando as mãos de Lexi nas suas. Estava muito grata por ter alguém apoiando suas mentiras para ficar o quanto tempo pudesse, longe do seu carrasco. – Garret vai querer ver todas as sacolas, então exagere. Compre muitas roupas caras e bonitas. Curtas e bem chamativas. Não esqueça dos sapatos. Aquele t****o é louco por saltos. Por favor, se ele desconfiar, nunca mais vou poder sair da American Dream e sabe lá Deus o castigo que ele vai inventar dessa vez. - E eu estarei em maus lençóis. – Completou Luis. – A senhorita Savóia é minha responsabilidade. Se, qualquer olheiro, me ver no shopping ou ver Tom, já será o bastante para que Ottman e McLean acreditem que as duas estão conosco. Mateo assentiu com a cabeça, voltando ao presente. Sua mente ainda estava em Joanne querendo a cabeça de James. Até que a ideia não era de todo m*l. Ele só não falou em voz alta. Já tinha problemas demais com Brianna para adicionar o desejo de sangue da filha pelo maldito traidor. - Voltem em duas horas. – Mateo ordenou. – Nathan e Samuel vão ficar conosco, por segurança. – E vendo, os dois seguranças e Lexi já se preparando para sair, Mateo emendou: - Por duas horas, Lexi é a prioridade de vocês, Alkmmar e Martinez. Nada acontece com ela, entendido? Tom e Luis olharam um para o outro e depois para Lexi. A baixinha estava se preparando e pegando sua bolsa. Nenhum dos dois falou nada. Apenas acompanhou a garota, que saiu saltitando. Os cinco ficaram sozinhos na mansão, um olhando para o outro. Era hora de conversarem sobre como fazer os homens pagarem por tudo. - Vocês duas terão que aguentar mais um pouco com aqueles dois. – Falou Jackson, olhando de Lilith para Brianna. – Nesse momento, vocês duas serão essenciais nesse plano. Queremos que manipulem eles um contra o outro. Brianna suspirou. - Eu não sei. Garret é praticamente o braço direito de James. Para fazê-lo acreditar que Garret fez algo, vamos precisar criar provas muito reais. Mateo pousou sua mão sobre a de Brianna. Por mais difícil que fosse ele pedir aquilo a mulher de sua vida, era necessário. - Vamos virar o jogo deles, meu amor. – Falou, calmo, olhando diretamente para ela. Mateo queria que Brianna se sentisse segura com o plano. – Tudo acontecerá como James e Garret querem. As mercadorias vão ser desviadas, mas serão colocadas no depósito da boate. Luis já conseguiu colocar funcionários nossos dentro do quadro de funcionários do Ottman. Só que isso só vai funcionar, se você continuar manipulando seu maridinho e Lili vai ter que fazer a parte dela também. Lilith sabia que todos os pares de olhos que sobraram na sala estavam sobre ela. Se encolhendo na cadeira, Lilith estremeceu. - Não tem outro jeito, Mateo? – Perguntou, cheia de dúvidas. – Eu não sei vou conseguir fingir mais por muito tempo. Só de pensar nele colocando as mãos em mim, achando que estou gostando dele... Chuck fechou a mão em punhos e todos perceberam. Foi ele quem olhou para ela. - Será apenas por pouco tempo, Lili. Muito pouco tempo. – Ele também pegou a mão dela. – Não me sinto confortável em te ver tendo aquele sujo te tocando, mas acredite, vamos ter nossa oportunidade de nos vingar e será breve. Brianna olhou de um para o outro e depois para Lilith. - Não tem nada no mundo que eu queira mais do que ver esses nojentos morrendo por tudo o que nos fizeram. É um plano arriscado, mas... – Olhou para a ruiva. – Eles só confiam em nós. Então talvez seja fácil essa manipulação. Eles acreditarão em qualquer coisa que falarmos. Ela sabia que era o certo, sabia que boa parte de ter sua vida de volta, seria concordar com o plano. E o que seria mais algumas semanas depois de cinco anos se sujeitando a viver com Garret? Lilith recolheu sua mão da de Chuck. Percebeu que achou estranho, mas não disse nada. Então, ela mexeu a cabeça, acenando positivamente. Mateo observou calado, a inteiração entre os amigos. As consequências dos atos de Garret seriam uma grande barreira para que Chuck, Lilith e Jackson superasse. Ele queria ajudar, mas já tinha sua cota de pingos nos is para colocar no lugar com Brianna. - Fergal vai chegar à cidade na próxima semana. – Declarou. – Com ele ajudando a pôr lenha na fogueira, tudo o que temos que fazer é riscar um fósforo. – Foi quando Mateo sorriu, enigmático. – A gente só precisa fazer com que Speno colabore. Acho que nosso antigo amigo está precisando de uma visitinha. Chuck e Jackson trocaram olhares. - Fergal? – Perguntou Chuck, tendo os olhares inquisidores em cima dele. Arrumou a jaqueta, tentando disfarçar seu comportamento. – Eu só espero que ele fique bem longe de certas pessoas. Brianna sorriu, disfarçando o clima tenso que ficou entre o gêmeos e a confusa cara de Lilith e Mateo. - Bom, eu espero que vocês não maltratem Keith como pensam. – Ela respirou fundo. – Ele é um bom homem e pode ser de grande ajuda. Jackson olhou para Brianna. - Eu soube que seu bom homem quis que você largasse o James e voltasse com ele. Brianna deu um t**a em Jackson, que riu. - Como é que é? – Mateo perguntou, batendo o punho na mesa. – Eu não posso acreditar que aquele desgraçado fez isso. Speno pensa que é quem? - Mateo, Keith foi nosso amigo e protetor por muitos anos na adolescência. – Lilith explicou, saindo em defesa do eterno apaixonado por Brianna. – Vocês sabem... A zona leste é uma das piores da cidade. Keith manteve eu e Brie com comida na mesa e longe de problemas. Sim, sim... Mateo conhecia aquela história muito bem. Quando Lilith e Brianna eram duas adolescentes sem pais e prestes a ir parar em um orfanato, Speno agiu como um salvador. Colocou as duas para morar com ele e manteve ambas sob suas asas. - E até quando vocês serão gratas a ele? – Sem ouvir uma resposta das mulheres, Mateo insistiu. – Até quando vão fingir que ele também não me traiu? Traiu a todos nós? Jackson balançou a cabeça. - Eu não acredito que eu vá dizer isso, mas se não fosse por ele, Garret teria realmente metido uma bala na minha cabeça quando eu fui distrair o i****a para você falar com a Lili, Mateo. - Ele suspirou. - Keith foi pego em uma ganância que não é dele, merece pagar e ele vai, mas ainda acho que ele pode ser muito útil para nós. - Ainda mais se mostrar essa gravação a ele, Mateo. – Completou Brianna. – Eu acho que não temos muito o que falar. Todos já têm seus de papeis a fazer. – E olhou para Lilith e os gêmeos. – Temos algum tempo antes de Lexi voltar com nossos seguranças. Sem dizer nada, Mateo se levantou e saiu do salão principal da mansão, entrando nas sombras de um corredor. Ninguém entendia a dor que ele sentia. Sua pele sob o peito começou a queimar. Era como se Mateo tivesse recebido outros tiros. Lilith mordeu o lábio. O silêncio na sala ficou pesado. Mateo tinha de aprender que não estava mais sozinho para lutar contra seus fantasmas. - Vai falar com ele. – Sugeriu, olhando para Brianna. – Mateo tem seus motivos para querer a cabeça de Keith também. Ele sabia de tudo. Foi ele quem ajudou James. Respirando fundo, Brianna se levantou, mas antes pegou na mão de Lilith e saiu. Assim, ficaram os três apenas ali, olhando um para o outro. Lilith abaixou a cabeça e foi quando Chuck estendeu a mão para ela. - Aceita andar pelo jardim desta mansão conosco, Senhorita Savóia? *** A entrega das remessas de mercadorias do mês havia chegado, dessa vez, no tempo certo. O que quer que Jackson O’Brien tinha acordado com os colombianos, eles cumpriram. Por um lado, Garret gostou. Mercadorias chegando na data certa, significavam dinheiro entrando. Entretanto... Havia a questão da qual conversara com James McLean no dia da festa do aniversário de casamento, um mês antes. Garret abriu uma das caixas, conferindo os celulares contrabandeados. Do outro lado do depósito, Keith Speno conferia as caixas de computadores. Aparelhos eletrônicos sempre davam um bom dinheiro, mas o foco dele era o que estava escondido dentro das caixas: fuzis AK47, AR15 e outros modelos. Aquilo sim valia muito mais. Dando início ao plano que formou com James, Garret limpou a garganta. - Que estranho. – Falou em voz alta, fingindo que estava confuso. – Tenho certeza que o combinado eram dois fuzis em cada caixa, mas nas de celulares só há um em cada. Keith olhou em cada ima das caixas, distraído na contagem dos produtos. Ao falar, ele olhou para Garret, cerrando o cenho e olhando novamente para as caixas. - É sério? – Perguntou, se juntando ao lado do homem. – Eu não me lembro do acordo, pode repetir o que foi falado? - O’Brien combinou que seriam enviadas duas armas por caixa. Pagamos quase 50 mil por cada uma. – Garret empurrou uma das abas de papelão da caixa e deu dois passos encurtando sua distância de Speno. – Ou os colombianos nos enganaram ou temos um ladrão entre nós, Keith. Garret colocou sua mão sobre o ombro de Speno. - Aquele filho da puta... Deve ter precisado de mais dinheiro para pagar as dívidas do irmão drogado dele. Keith fitou Garret. - Eu acho que deve ter havido algum erro. Tantos anos com ele trabalhando no recebimento das cargas e logo agora, vai começar com tudo isso? Keith voltou a olhar as caixas e ficou pensativo com o que Garret havia dito. Nos últimos tempos, era difícil confiar em qualquer um. - Tem como descobrir se O’Brien está realmente desviando dinheiro ou mercadorias? – Perguntou, passando a mão em sua cabeça raspada. – Talvez tenhamos que ter uma conversinha com ele. Ali estava algo que não podia acontecer. Para que o plano desse certo, Garret tinha que fazer Keith confiar nele. - Não seja burro, meu amigo. – Garret tentou sorrir. Ser amável não era a melhor de suas facetas. – Se você falar com O’Brien é claro que ele vai negar, vai até se fingir de ofendido. Você não o conhece? Sempre com aquela pompa de homem de negócios, correto. Mas... – Ele suspirou. – O irmão gêmeo dele sempre virá em primeiro lugar. Como é que Hale dizia quando estava vivo? – Fingiu pensar por alguns segundos, observando como a menção do falecido líder da cidade mexia com Speno. – Nada acima da família deles. Keith balançou a cabeça e refletiu sobre as palavras de Garret. - Se O’Brien está mentindo, ele vai ter o que merece. – Virou-se de costas, com as mãos na cintura e de repente, bateu com a mão em uma das caixas. – Como eu fui burro! Eles são da mesma laia. – Olhou para Garret. – Eu vou atrás de O’Brien e cobrar o nosso dinheiro de volta. Isso não vai ficar assim. Peça aos seus homens que empacotem o que temos e leve ao meu armazém. Esse assunto não vai ficar assim. Segurando um sorriso de satisfação nos lábios, Garret fez um gesto para os homens que o acompanhavam. - Guardem tudo e levem para o armazém da zona leste. – Ordenou, passando a mão sobre a tatuagem de águia no pescoço. – Cuidado com nossas mercadorias, senhores. Ninguém quer perder o emprego hoje, não é? Os funcionários começaram a trabalhar, enquanto Garret enviava uma mensagem de texto para James. Até que ter permitido que Lilith fosse ao shopping com Brianna serviu para alguma coisa. Pobrezinha da sua ruivinha quando voltasse para casa. Ele teria uma notícia muito triste a dar ela. ***
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