Capítulo nove

4513 Words
Passara-se uma semana dos últimos acontecimentos e descobertas, mas Royal Echo continuava em uma paz um pouco fora do normal. As negociações continuavam, produtos chegavam, mas a inquietação permanecia no ar. Garrret acordou de bom humor naquele dia, mesmo que Lilith continuasse um pouco longe dele. Toda a dor de estômago e gastrite que ela sentia permaneceu, ele a ouvia indo ao banheiro. Não queria deixá-la estressada, pois ela parecia bem mais carinhosa e Garrret não queria estragar aquilo. Naquela manhã tão ensolarada, ambos estavam na entrada da mansão. Luis esperava com um carro para levar Lilith em uma consulta que Brianna havia marcado para a amiga. No fundo, Garrret não entendia por que ele precisava ficar longe e não a ajudar no que precisava. - Eu ainda acho que deveria ir com você. – Falou ele, passando as mãos nos braços de Lilith. – Sabe que eu não confio em nenhum desses médicos daqui da cidade. Eu poderia te levar para um dos melhores médicos e logo estaria curada. Lilith queria gritar para que Garrret tirasse dela as mãos sujas que ele possuía. Ele era o maior causador de todas as desgraças que a vida lhe trouxe. Mas, pelo bem de todos e do bebezinho que ela carregava no ventre, Lilith só sorriu. - Garrret, estamos tentando ser um casal normal. – Disse ela, se afastando um pouco. – Eu agradeço por tudo que tem feito por mim. Você tem sido carinhoso, paciente e eu gosto disso. Mas, ainda não chegamos ao ponto de total confiança, onde você me acompanha ao médico. As mentiras iam saindo pelos lábios de Lilith, mas ela não se sentia nem um pouco culpada. Royal Echo era assim, olho por olho, dente por dente. Foi só por isso que ela ergueu a mão e acariciou o pescoço tatuado do loiro. Em seu rosto, uma expressão de total sinceridade. - Eu estou me comportando, não estou? Eu não tenho feito tudo o que você quer? Garrret sorriu e depositou um beijo na testa de Lilith. - Sim e eu espero estar te respondendo à altura, minha querida. – Logo depositou um selinho na boca dela. – Apenas me prometa que vai me ligar e dizer tudo o que o médico disser. Se ele sair da linha, faço questão de ir confrontá-lo. Quero a minha mulher bem. Lilith sentiu um calafrio quando Garrret disse "minha". Ela nunca seria dele, nunca mesmo. - Então, me deixe ir. Voltarei logo. – Ela forçou outro sorriso e se caminhou para o carro. Quando Luis abriu a porta do carro, ela se virou e deu um tchauzinho para Garrret. No fundo, ele não a queria deixar ir. Garrret sentiu dentro de si uma preocupação bem forte dentro do peito, mas ele só precisava se distrair. Nada melhor do que ir ao escritório da boate, onde ele conseguia fazer suas coisas e não se preocupar com mais nada. Assim que entrou, pegou o caminho para a boate. Era de manhã e a equipe de limpeza ainda não havia chegado. Estavam atrasados, para variar. Subiu as escadas que davam para seu escritório e se sentou em sua cadeira alta. Estava tudo bem escuro e ele não via nada. Mexeu nos papéis, vendo todo seu lucro do mês. Mais uma vez, os zeros em sua conta haviam aumentado. Garrret se levantou e se serviu de um whisky, sorrindo e indo até a janela enorme que dava para o salão. Ele sentia orgulho do que havia se tornado. Braço direito do homem que comanda a a cidade e logo, ele se livraria dos seus maiores inimigos, assim tendo a mulher dos seus sonhos toda para ele. Lilith um dia, iria agradecê-lo por tudo. Ele sentia isso. O que Garrret não contava era que em seu escritório, já havia alguém esperando apenas para dar o bote. Ele não viu quem o acertou na cabeça. O copo de bebida caiu primeiro e logo depois, seu corpo desmaiado encontrou o chão. O homem atrás dele estava vestido de preto e com máscara, então foi fácil se infiltrar nas sombras. Logo que checou os batimentos de Garrret, o homem pegou um celular e discou um número, tirando sua máscara. Era Tom. Do outro lado da ligação, ele não escutou nenhuma voz. Só a ligação sendo atendida. - Está feito senhor. Estamos com Ottman. *** Era engraçado como a população de Royal Echo vivia suas vidinhas alheias de todo o sangue e caos os quais as bases daquela sociedade eram sustentadas. Lilith tinha seus olhos vidrados na janela do carro, acompanhando aquele movimento da manhã, nas ruas da cidade, desejando ser como aquelas pessoas. Só assim, ela não estaria na posição que estava. Lutando pelo seu bebê e renunciando aos homens que amava, mais uma vez. Ela acariciou a barriga, sorrindo sozinha. Será que seria uma menina? Algo lhe dizia que sim. Joanne ia fazer dela uma bonequinha, com certeza. E com o apoio de Brianna e Mateo, Lilith ia ter a coragem de continuar lutando por aquele serzinho. - Luis. – Chamou Lilith, enrugando a testa ao perceber que o caminho para o médico não era o correto. – Brianna disse que a obstetra fica na zona sul da cidade, por que estamos entrando na zona norte? O caminho todo, Luis pensava no que falaria a sua patroa quando ela percebesse que estava desviando o caminho. Ela estava distraída, pensativa e só minutos depois que viu algo de errado. Ele a olhou pelo retrovisor. - Não se preocupe, senhorita. Tenho certeza de que vai gostar da surpresa. – Respirou fundo. – Ou não. – Falou baixo, só para ele. Ele continuou a dirigir pela cidade, dando voltas para que despistasse qualquer olhar das ruas. Logo, avistou a mansão alvo de seu caminho. Jackson e Chuck estavam ansiosos na porta da mansão. De onde estavam, conseguiam ver o carro se aproximar. Eles estavam tensos, não queriam ser desprezados mais uma vez pela mulher que amavam. - Vai dar tudo certo, irmão. – Falou Jackson, vendo Chuck apertar os dedos. Lilith estava inquieta no banco de trás do carro. - Surpresa? – Insistiu Lilith. – Que porcaria de surpresa é essa, Martinez? – Sem nenhuma resposta e percebendo que o carro subia a alameda para a mansão de O’Brien, a ruiva cruzou os braços. Mais à frente, Jackson e Chuck estavam parados aguardando. – Claro, seus donos estalaram os dedos e você abanou o rabinho. Eu não vou sair daqui. Martinez não respondeu nada, apenas respirou fundo mais uma vez. Em sua mente, ainda tinha esperanças de que Lilith o veria como o segurança que salvou sua vida. Estacionou na frente das escadas e saiu, abrindo a porta para a ruiva, que se recusava a sair de primeira. Luis ficou de frente para a porta. - A senhorita pode me julgar o quanto quiser, mas o que prefere: ir ao médico e depois voltar para a vida que odeia tanto ou prefere passar o dia com os homens que tanto amam a senhorita e vice-versa? – Sua voz era firme, era a primeira vez que ele se impunha contra Lilith. – Acredito que prefere estar com os patrões a Ottman. – E saiu da frente do carro. – Não se preocupe com o tempo e nem com ligações. Ninguém irá incomodar os senhores. Lilith estreitou o olhar, sentindo uma raiva que a tempos não sentia. Quem Luis Martinez pensava que era? Ela saiu do carro, pronta para colocar o segurança em seu lugar. O problema eram os dois brutamontes, grandes responsáveis pelo dia acabar de mudar de direção, aparecerem na sua frente. - Quando é que vocês vão aprender a não se meterem na minha vida? – Perguntou, desafiadora. – Vocês já falaram tudo o que tinham para me falar, então, saiam da minha frente porque preciso demitir Martinez e dar um jeito de voltar para a American Dream. Chuck se pôs a frente, sorrindo com toda a relutância da ruiva. - Eu acho que você não vai querer voltar a American Dream, até porque você odeia aquele lugar e nós estamos nos mexendo para ajudar vocês a sair de lá. – Disse ele, apontando da ruiva para a barriga. Jackson olhou de Luis para Lilith. - E você não vai demiti-lo, ele trabalha para nós, então que tal você baixar essa guarda e ouvir o quão idiotas nós fomos por ter dito tantas bobagens àquele dia? – Ele estendeu a mão para a ruiva. Idiotas. Até que Jackson havia começado bem seu discurso de perdão. Se é que aquele fosse o objetivo dele e de Chuck: o perdão de Lilith. Ela suspirou. Seu coração gritava dentro do peito, já perdoando aqueles dois. - Eu odeio vocês. – A ruiva declarou sem aceitar mão de Jackson ou olhar para ele ou Chuck. Ela manteve o queixo erguido e começou a andar na direção da casa, dando as costas as dois. – Espero que tenham pelo menos me preparado um café da manhã, estou comendo por dois. *** Joanne arrastava a mala de rodinhas pelo caminho de ladrilhos do internato. Estava de muito bom humor naquele dia, pois era o último do semestre. Finalmente, suas férias chegaram e ela ia poder passar os próximos quinze dias com a mãe. Claro, seu padrasto ainda ia ser o chato de sempre, mas Joanne rezava a Santa Muerte para que seu pai já tivesse tomado seu lugar de volta. Na cidade e ao lado de Brianna. A menina acenou para as coleguinhas que também entravam nos carros de suas famílias. Então, um carro mais a frente lhe chamou atenção. - Mamãe! – Joanne exclamou, apressando o passo. A mala estava cheia de roupas e livros, por isso, pesada para uma garota de onze anos. Assim, ela largou a mala no meio do caminho e correu para abraçar Brianna. Ainda envolta pelo carinho da mãe, ela percebeu que não estavam sozinhas. - Cadê o tatuado m*l-humorado? – Joanne olhou para a mulher bronzeada, cabelos pretos amarrados em um r**o de cavalo. Ela usava terno, o que era bem legal, na visão da menina. Baixou mais a voz, puxando o braço da mãe. – McLean chutou a b***a dele ou foi o papai? Brianna riu com o comentário de Joanne, mesmo agarrada a ela nos braços. - Ninguém chutou Tom, querida. Parece que alguém ia precisar dos serviços dele e mandou a Dakota, prima do Tom, para cuidar de nós. – Brianna olhou para a mulher, com um pouco de desprezo. – Ela é tão legal quanto ele. – Disse, irônica. – Vamos, que tal um almoço e depois um passeio no parque? Assim com Brianna, Joanne olhou a nova segurança de cima a baixo, sem confiança. - Maravilha, mamãe. – Joanne de um beijo na bochecha de Brianna e sorriu, forçadamente para Dakota. – O Tom sempre carrega a minha mala, sabia? Ela é toda sua. Dakota era treinada para garantir a segurança de quem quer que lhe contratasse, não servir de seu capacho. Observando mãe e filha entrarem no carro, Dakota suspirou indo buscar a mala jogada no chão. Bem que seu primo lhe informou que ela precisaria de uma dose de paciência para conquistar a confiança da garotinha. Vinte minutos depois, Dakota parava o carro em frente a um parque arborizado. Como era verão, pais e filhos ocupavam o gramado. Alguns jovens jogavam bola e outros grupinhos se dividiam entre conversar e correr. Dakota saiu do carro e abriu a porta traseira, mas antes que Brianna pudesse sair, um homem com capuz sobre a cabeça passou pela segurança. - Vou precisar de alguns minutos para conversar com minha esposa, Dakota. – Mateo falou, segurando a porta do carro e sorrindo para a filha. - Oi JoJo. Oi, querida. - Papai! – Falou Joanne, mais alto e se jogou nos braços de Mateo. O homem a abraçou com força e saudade. – Achei que você não fosse aparecer. Já Brianna, saiu do carro e cruzou os braços, sua expressão carrancuda. - É, papai. – Disse, irônica. – Eu achei que você tinha entendido que eu não queria te ver por um bom tempo. – E logo olhou de Dakota para Mateo. – E que m***a é essa de vocês dois? Mais um capacho seu? Mateo abraçava Joanne com um braço e com outro, ele ergueu a mão e cumprimentou Dakota com um soquinho. - Eu te disse que O’Brien passou todos esses anos infiltrando gente nossa no bando do McLean. – Explicou Mateo e, sem rebater mais nada a esposa, ele fitou a filha. – Soube que seu boletim foi excelente. Fico orgulhoso, filha. Joanne sorriu, convencida. - Sou muito inteligente, pai. Isso não é novidade nenhuma. – E olhando entre a mãe e ela, Joanne resolveu dar uns passinhos para o lado. – O clima entre vocês não está nada bom. Querem que eu fique de juíza ou faço a Dakota me pagar um sorvete? - Eu? – Dakota arqueou a sobrancelha. - Sim, você. Ou me paga um sorvete ou fica e enfrenta a mamãe, porque ela vai comer seu fígado por mentir pra ela. Dakota olhou de um para o outro dos patrões, esperando alguma resposta. Brianna olhou para o lado, enquanto Mateo coçou a cabeça. A mulher respirou fundo. - Está bem, mimadinha. – E dando a mão para Joanne, sorriu. – Bem que Tom me alertou. Assim que saíram, Brianna olhou Joanne se afastar com Dakota, logo encontrou o olhar de Mateo, esperando alguma reação da parte dela. - O que você quer? – Perguntou, finalmente. Sua voz era de triste. – Já não basta o que você fez, ainda quer mais o que? Ainda estou querendo McLean morto, então ainda faço parte do seu plano de vingança. Ela começou a caminhar, deixando-o pra trás e se sentando em um dos bancos da praça. Mateo sabia que não seria fácil a conversa que teria com Brianna. Principalmente, a parte em que ele confessaria o que fez na semana anterior. Ele andou atrás dela, ciente que amava ainda mãos a força que ela possuía dentro de si. A força de alguém que nunca desistiu de viver. Mateo se sentou ao lado dela e baixou o capuz, revelando seus olhos. - Eu te amo. – Decretou, achando bom começar a conversa assim. Era a sua maior verdade. – Desde que Speno me apresentou você como a namorada dele, sei lá quantos anos atrás, eu te amei. Você era nova, ainda estava aprendendo como Royal Echo funcionava, mas.... Caramba! Você não deixava ninguém te dar ordens. Nem o Speno conseguia dizer não para você. Brianna riu, balançando a cabeça, sarcástica ao comentário do marido. - Isso não é justo. – Falou, finalmente olhando para ele. Mateo parecia estar com olheiras, o rosto cansado, a barba estava maior. Ela se perguntou a quanto tempo, ele não dormia direito. – Por que isso agora? Por que reviver algo de um passado como este? Você errou muito f**o, Hale. Você se deixou cegar, se deixou levar pela sua raiva e pessoas que não mereciam acabaram morrendo nas suas mãos. – Brianna respirou fundo e olhou para frente. – Eu entendo, está bem? Entendo mesmo, mas... – Ela fez uma pausa. – Deveria se questionar sobre algumas de suas ações. Mateo se ajeitou no banco, inquieto. - Brie... Eu sei o porquê Speno é importante para você. Sei que se sente em dívida com ele e, acredite, eu também me sinto em dívida agora que... – Ele suspirou, vendo a confusão passar pelos olhos de Brianna. Tinha que contar a ela, tinha que confessar que já sabia de tudo. - Eu ouvi sua confissão ao padre Ross. Quero dizer... – Mateo passou a mão no cabelo. O quanto a verdade ia lhe custar? – Eu estava no confessionário naquele dia. Brianna arregalou os olhos, sem acreditar no que estava ouvindo. Mateo havia ouvido sua confissão, se passando pelo padre. Ela não sabia o que fazer, o que sentir. Aquele era o segredo que ela carregava dentro de si por anos, nem Lilith havia traído sua confiança e contado a alguém. Como Mateo poderia ter feito aquilo? Ela se levantou, brava. - Você o que? – Perguntou, mas Mateo permaneceu sentado, de cabeça baixa. – O que você tem nessa sua cabeça, Hale? - Me perdoa! d***a, me perdoa, Brie. – Mateo balançou a cabeça, incapaz ainda de olhar para a esposa. – Eu queria entender o que você sentia pelo Speno. Você nunca dividiu comigo esse segredo. Eu sempre soube que tinha algo ali... Algo que ligava vocês, mas eu precisava saber! Tomando coragem, Mateo segurou as mãos de Brianna na sua, encarando-a finalmente nos olhos. - Eu tinha que saber se.... Mas, Brianna o surpreendeu com um t**a em seu rosto. Um t**a cheio de raiva, culpar que Mateo merecia. Por dentro, Brianna estava machucada, se sentia mais uma vez, traída pelo homem que amava. Seus olhos se encheram de lágrimas. - Tinha que saber o que? – Perguntou, magoada. – Se eu não estava interessada em Keith novamente? Se eu não estava te trocando por outro como fiz com McLean? – Mateo não respondeu e nem olhou para ela. – Eu acho que você não deve acreditar em mim, não é? Quando digo que o único maldito que eu amei e amo de verdade até hoje é você. Mais uma vez, Mateo ficou em silêncio. Brianna estava magoada e com razão. O que eles não perceberam foram os olhares de Dakota e Joanne ao fundo. As duas com expressão de dor em seus rostos por conta do t**a. Joanne ainda tomava seu sorvete. - Aquele t**a doeu mais do que o outro, tenho certeza disso. – Comentou a menina com Dakota. *** Lilith m*l colocou um pé dentro da mansão O'Brien e parou. Há algumas semanas, ela perguntou a Jackson e Chuck como estava a casa e pela resposta que eles lhe deram, Lilith esperava encontrar um lugar apático, largado no tempo. Mas, para a sua surpresa, encontrou um ambiente limpo, arejado e com uma decoração diferente da qual ela se lembrava. A sala estava com o piso lustrado, os sofás de couro tinham sido trocados por outros de veludo com cores claras, que contrastavam com as almofadas de tecido geométricos. Havia orquídeas em jarros de cristais e Lilith podia jurar que o ar cheirava a morangos. Ela foi andando adentrando na mansão e passando a ponta dos dedos pelos móveis. Seu coração parecia bater em um compasso totalmente diferente do normal. As janelas da sala, que iam do teto ao chão, exibiam o jardim, com a grama aparada e arbustos com flores de todas as cores. Borboletas voavam, dançando contra a brisa. Lilith parou em frente a varanda e sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto. Desta vez, de felicidade. Havia uma mesa lá fora, coberta por um guarda sol e recheada de todas as guloseimas que ela amava comer. Frutas da estação, leite, suco, pães e tipos diferentes de queijos. - Isso... Isso é tudo para mim? – Perguntou, emocionada. Os dois homens andavam atrás da ruiva, olhando todos os detalhes da mansão, que eles conseguiram arrumar até ali. Era exatamente como ela havia dito a eles que imaginava quando fora até ali. Jackson e Chuck sorriram ao perceber que Lilith não só havia se emocionado, mas também estava feliz por ter o que era seu lar também de volta. Os dois pararam cada um de um lado dela, com Jackson estendendo a mão. - Mas é claro, senhorita Savóia. – Disse, todo Cortez. – Espero que aceite tomar um belo café da manhã em nossa companhia. Ela o olhou e não demorou muito para aceitar a mão dele. Havia uma escada ali ai lado e eles desceram, com Chuck ajudando Lilith a se sentar e cada um dos dois assumindo seus assentos. - A mansão ainda não está fazendo completamente arrumada. – Falou ele, sorrindo. – E quando estiver 100%, poderá vir aqui todas as vezes que quiser. Só esperamos que tenha gostado da surpresa até aqui. Lilith sorriu. - Eu gostei, está tudo lindo. – Ela parou, mordiscou o lábio e olhou ao redor. - Do jeito que eu queria que tinha planejado quando íamos nos... "Íamos nos casar." Era isso que Lilith ia dizer. Então, as drogas e Garrret Ottman terminaram com seus sonhos. A lembrança a fez se remexer na cadeira. Tentou se distrair colocando algumas fatias de queijo no prato e uma torrada, mas sabia que, sem nem mesmo ter que olhar para os dois homens, que eles esperavam que ela concluísse. - Bom, era uma besteira. – Falou, tentando não demonstrar o quanto a magoava. Então, os olhos dela pousaram sobre a mão direita. – Garrret jogou fora o anel que me deram na época. - É, nós já imaginávamos. – Falou Jackson, bebendo seu suco de laranja até a metade. Ele estava nervoso pelo que todo aquele papo iria levar. Seu coração disparava tentando manter tudo mais calmo. Uma hora ou outra, eles teriam que falar de muitos assuntos pendentes. - Eu e Chuck conversamos sobre muitas coisas nesses últimos anos. – Falou, finalmente, levantando os olhos para a ruiva. – Cinco anos se passaram e foi tão devagar. Sei que não deve acreditar em nós, mas não tinha um dia que não nos perguntávamos sobre você, ou planejar qualquer coisa para te tirar das mãos de Ottman... - Mas eu vacilei. – Cortou Chuck, olhando para o seu prato. – Deixei as drogas me tomar, deixei toda essa m***a me consumir e deixei de lado o meu real propósito. Pelo visto, aquele era o momento da grande conversa. Onde Lilith, Chuck e Jackson colocariam em xeque sua relação. Ou o fim estava próximo, desta vez, em definitivo, ou eles poderiam se dar uma chance para um recomeço. - Eu não odeio vocês. – Lilith confessou, depois de mastigar um pedaço do pão. – Não por isso. Não por ter me sacrificado e feito um acordo com o próprio d***o. – Ela olhou para frente, encarando os dois homens. – Eu faria tudo de novo, quantas vezes fosse preciso para manter vocês vivos. O que me machuca é ter percebido que os dois não me amam da mesma forma, com a mesma intensidade que eu. E, tudo bem. Se não podem amar meu filho, porque ele possui o sangue do Ottman... – Lilith fungou. – d***a, ele é só um bebê. Ele não tem culpa de nada. - E esse é o maior motivo de você estar aqui, Lili. – Falou Chuck, em seguida. – O que não nos agrada nessa história toda não é você ter um bebê, é que... – Chuck abaixou a cabeça, pensando nas palavras certas. – É que seu primeiro filho não será nosso. Não terá o nosso sangue. – Chuck tentava ser o mais sincero possível sem machucar Lilith. – Mas, se existe uma coisa que nós não aguentamos mais é ficar longe de você. Jackson sorriu ao escutar o irmão se declarar e logo que ficou em silêncio, Jackson engatou. - Nós temos que retribuir tudo o que você fez por nós. Percebemos que fomos egoístas demais quando você fez sacrifícios e nós não conseguimos fazer o mesmo. – Ele se levantou e foi até Lilith, mais uma vez, estendendo a mão para ela. – Queremos te mostrar mais uma surpresa. Desta vez, Lilith não pensou muito e aceitou a mão de Jackson. Ele a ajudou a se levantar e a direcionou de novo para dentro da casa. Dava para entender o sentimento deles quanto ao bebê. Todo casal sonha com filhos, com uma família própria. Jackson e Chuck foram criados por pais amorosos, até onde ela sabia, eles tinham primos e tios espalhados pelo país. Pessoas com as quais, eles poderiam contar. Mas, Lilith cresceu sozinha, deixando a vida lhe apresentar pessoas que ela aprendeu a amar como se fosse do seu sangue. Brianna, Mateo, Joanne, Lexi, Finn... Chuck e Jackson. Até Luis Martinez e Tom Alkmmar começaram a entrar em sua lista de familiares depois que ela descobriu a verdade sobre eles. Lilith caminhou pelo corredor, com Jackson e Chuck trocando olhares suspeitos. Ela deu uma risadinha ao ver que eles estavam nervosos. Então, Jackson puxou sua mão, fazendo-a a parar em frente a uma porta. Quando ele a abriu, Lilith arregalou os olhos, totalmente surpreendida. Era o quarto principal da mansão, arrumado e decorado com perfeição. As cortinas eram rosa bebê, o carpete fofinho e a cama tinha o triplo do tamanho de uma normal. Lilith deu alguns passos para dentro e notou que havia um outro quarto, menor, ainda sem móveis, mas um berço de madeira, estava lá. - Eu não... Não entendo. – Gaguejou ela, sentindo as mãos ficarem geladas. Chuck deu de ombros. - Não entende o que? – Perguntou, olhando o quartinho que haviam preparado. – Que nós resolvemos aceitar essa criança como nossa também? Garrret estará morto daqui a pouco e você mesma disse que ela nem saberá que Garrret é seu pai biológico. - E nós também sabemos que você odeia ter crescido sem uma família e vai dar tudo o que não deve para essa criança. – Continuou Jackson, parando do lado de Lilith. – Então resolvemos ser os pais que o bebê não terá. É difícil crescer sem pai ou mãe, por isso, a adotaremos como nossa. Lá estava ela chorando outra vez. Mão aguentava mais ter lágrimas, não aguentava mais se sentir fraca assim. - Vocês estão falando sério? – Perguntou Lilith, com o coração aos saltos. - Vocês podem mesmo amar o bebê como pais dele? - Mas, é claro. Faremos de tudo o que for preciso para manter ela, porque eu aposto que vai ser uma menina, e você feliz. – Disse Jackson, virando Lilith e beijando ela. Aquele seria o momento deles e ninguém poderia atrapalhar. Nem Garrret, nem James, nem o plano de vingança. Eles queriam apenas ser eles e a Mulher de suas vidas. Passaram cinco anos sem falar com ela, sem ter nenhum contato, apenas sabendo da boca de outros o que acontecia com Lilith. É a cada dia que se passava, eles ficavam agoniado por não saber o que fazer. Agora, ali eles eram aquele trio forte, que todos admiravam. Assim que Jackson parou de beija-la, Chuck não demorou para tomar os lábios da ruiva. Era assim que eles mostravam como se completavam. - Ai, irmão! – Chamou Jackson depois de um tempo. – Que tal deixar a ruivinha descansar? Ela acordou cedo achando que ia em médico e quase nos bateu, deixa ela descansar... Claro, se ela quiser ficar conosco aqui, nessa cama enorme. - Sim, eu... O’Brien! Lilith gritou quando Jackson a pegou no colo, rindo em seguida. Por algumas horas, ela queria esquecer todo o mundo lá fora e repousar nos braços dos homens que tanto amava. Agora, ela tinha a certeza de que ficariam juntos. Sempre juntos. ***
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