Capítulo oito (continuação)

4738 Words
Brianna estava sentada no banco do confessionário, o padre não havia aparecido e ela esperava que Mateo havia ido embora. Não queria olhar para a cara dele de novo depois do que fez. Por um instante, ela pensou em contar a ele o motivo de ser tão protetora com Keith e se Mateo o matou mesmo, como ela pensou, Brianna se sentiria culpada demais por tudo o que Keith havia feito por ela e não conseguiu salva-lo. Brianna escutou quando houve movimentação no outro lado do confessionário. Ela respirou fundo. - Perdão Padre, mas eu pequei. – Falou ela, olhando para baixo. – Acredito que a muito tempo não me confesso, mas hoje eu não consigo mais guardar tanta coisa dentro de mim. Mateo forçou a memória tentando lembrar o que o padre Ross dizia em uma hora daquelas. O confessionário era antigo, então tudo o que ele enxergava da mulher amada, era parte das sombras que encobriam seu rosto. As frestas da janela do confessionário eram pequenas e feitas para dar privacidade ao pecador. Ele não devia estar fazendo aquilo. Mas, ele precisava saber o quanto Brianna escondia dele. Mudando o tom de sua voz, tentando deixá-la grossa e rouca como a do prazer Ross, Mateo decidiu que ia até o final. - Que o Senhor esteja em seu coração, minha filha. – Mateo falou rápido, mantendo a mão na testa e rosto abaixado. Talvez, a mulher não estranhasse. O Padre Ross era conhecido por seus sermões de fala enrolada. – Esvazie seu coração. Brianna fechou os olhos, suspirando baixo. A voz do Padre Ross sempre fora esquisita, mas naquele dia, ele estava pior. - Eu sei o quanto a cidade mudou nos últimos cinco anos e o quanto eu fui infeliz desde que eu fiz os benditos sacrifícios que fiz para tentar manter o que restou da minha família em ordem. Eu tentei de tudo para manter todos juntos, mas falhei. Hoje, descubro que meu marido está vivo, como o senhor sabe e estamos planejando que tudo volte ao seu normal. – Ela fechou os olhos. – Mas desde que Mateo voltou, a sede de vingança dele tem levado a um caminho que eu não estou gostando. Mateo está indo muito além, até mesmo matando gente que não merece. – Ela fungou. – Pobre Keith. - Speno é... Mateo ia dizer traidor, mas isso o entregaria. Ele rangeu os dentes, se obrigando a continuar a farsa. A sua frente, havia uma foto da imagem da Santa Muerte colada na parede do confessionário. Só podia ser um aviso de Deus. Limpando a garganta e mantendo o tom do Padre Ross, Mateo prosseguiu. - ... um bom cristão, minha filha. - Mas, ele não merecia... Quer dizer, eu sei que Keith errou em ajudar James no plano dele, mas... Keith nunca foi uma pessoa r**m. – Brianna levantou os olhos e enxugou as lágrimas. – Eu devo minha vida a ele. Se não fosse por Keith, eu não estaria viva hoje, não teria a vida que eu tive ao lado de Mateo. Mateo fechou os olhos. Então, havia sim um segredo. - Por que diz isso, minha filha? – Perguntou. Queria logo as cartas na mesa, mas não podia pressionar Brianna sem mostrar que era ele ali e não o Padre Ross. – Mateo e você são casados há tanto tempo. Você não deve nada ao Speno. Brianna refletiu muito nas palavras do padre. Ela não devia nada a ninguém, mas haviam muitos pela qual ela tinha gratidão. Então, era o mesmo que dever, não é mesmo? - Na verdade, eu devo muito padre. Quando ainda era de menor, com 15 anos mais ou menos, eu e Lilith fomos para um lar adotivo. – Brianna se arrepiou ao se lembrar da história. – Eram um casal muito bom, amoroso e pareciam longe de qualquer suspeita. Eles só queriam ajudar crianças como eu e Lilith a ter um lar e amor... Bom, a mulher pelo menos, porque o marido dela era um... – Brianna não completou, mas mais uma lágrima caiu de seus olhos. "O homem era um pedófilo, eles tinham mais meninas do que meninos adotados. Eu lembro ter pelo menos, 10 crianças naquela casa e todas as meninas morriam de medo dele. A mulher nunca parecia perceber que havia algo errado. O pior de tudo foi quando ele começou a ficar mais próximo de mim." Mateo olhou para a divisória do confessionário, interessado na história que sua mulher estava narrando. Ele conhecia seu passado. Sem pais, sem família, sem ninguém no mundo para cuidar dela e lhe dar carinho. Mas, ter ido parar na casa de um pedófilo? Por que ela nunca contou aquilo para ele? - Eu não sei o que acontecia, mas aquele homem ficava cada vez mais obcecado por mim. – Continuou Brianna. – Ele se sentava do meu lado, comprava roupas curtas para mim, até mesmo vestidos. Eu já sabia o que estava se passando e me afastava cada vez mais, mas ele me obrigava a sempre estar por perto. Lilith me defendia, dizia para fugirmos, mas como íamos fugir? Não tínhamos nada, nem ninguém. Íamos para onde? "Até que um dia, eu vi um homem na casa. Era Keith. Ele e o homem estavam discutindo na sala, parecia que estavam falando de dinheiro. Eu ouvi tudo, o cara devia a ele. Foi ali que Keith me viu pela primeira vez. Eu estava assustada, não sabia o que fazer. Pensei que eles eram iguais. Percebi que Keith me olhava de um jeito diferente. Quer dizer, não como aquele homem... Eu pensei em pedir ajuda, mas ninguém iria acreditar em mim." Mateo continuou em silêncio, mas fechou as mãos em punhos. Começava a imaginar o rumo o qual aquela história ia tomar. Talvez, ele não tivesse socado Keith Speno o suficiente. - Keith se aproximou de mim, disse que sentia que eu era retraída e ele não gostava do modo que aquele homem tratava as crianças daquela casa. Eu não consegui falar, mas Lilith contou tudo para ele. Keith ficou horrorizado e disse que nos ajudaria, mas precisávamos ajudá-lo com isso. Nós concordamos e ele deu um celular escondido para nós, mas nada saiu como planejado. "A mulher do lar adotivo precisou viajar alguns dias depois e deixou esse homem sozinho com todos. Foram os piores dias da minha vida." Ela fungou. "Ele passou de quarto em quarto, abusando de todas as crianças. Até que ele chegou no meu e da Lilith. Ele veio para a minha cama, mas eu não consegui me segurar. Eu caí da cama e comecei a me afastar, ele me segurava com força. Eu lembro que Lilith pegou algo e bateu nele, foi o tempo que tivemos para correr. Nenhuma das outras crianças nos ajudaram, era só eu e Lilith. Nós escondemos, Lilith conseguiu ligar para Keith, mas logo o cara nos achou. Ele prendeu Lilith no banheiro e me levou o quarto dele, me amarrou na cama e começou a tirar a roupa dele. Eu gritava, tentava me soltar, mas não conseguia." "Eu me lembro apenas de escutar um tiro, minha vista ficou embaçada e senti cheiro de sangue. Eu não me lembro de nada mais. Acordei algumas horas depois em um hospital, Lilith estava comigo e Keith estava lá. Eu não sabia o que tinha acontecido direito. Ele me contou que matou o homem e que levou a polícia até o local para poder dar um lar de verdade para as outras crianças que estavam na casa." "Keith acabou ficando conosco, já que éramos mais velhas e possivelmente poderíamos passar pelo mesmo problema de novo. Ele nos deu de tudo: casa, comida, pagou por nossa educação e eu até comecei uma faculdade." Brianna sorriu, se lembrando da parte boa da história. "Mas, eu cresci, me tornei uma mulher e Keith acabou criando interesse. Eu disse para mim mesmo 'por que não?'. Lilith ficou feliz por nós. Tempos depois, surgiu um rapaz alto, moreno e que se achava o gostosão do pedaço. E o que aconteceu? Acabei me sentindo muito atraída por ele. Tanto que larguei tudo e me casei com ele, tendo uma filha e hoje, ele anda como um fantasma vingador por aí." O final da história fez Mateo sorrir. Isso explicava os motivos de Speno ter sentido inveja dele. Não justificava, mas explicava. Assim como explicava, o porquê Brianna sempre defendeu Speno. O porquê ele ajudou Lilith na reunião no mês anterior e o porquê ele não podia matá-lo em retribuição. Mateo passou a mão no rosto. Agora, seu plano de se passar pelo padre Ross e ouvir a confissão de sua esposa já não lhe parecia tão bom. Quando Brianna descobrisse, ela comeria seu fígado. - Eu te absolvo. – Murmurou tentando ainda forçar a voz como o timbre do padre. Era aquilo que ele falava, certo? – Vá com Deus, minha filha. Mateo não queria dar tempo de Brianna desconfiar de algo e saiu do confessionário. Ele tinha muito a pensar. Brianna olhou de olhos cerrados para o lado oposto. - Padre? Mas não obteve resposta. Brianna então saiu da sua parte do confessionário e foi para o de o padre fica. Ao abrir a porta, não encontrou ninguém. Olhou pela igreja, mas também estava vazia. Ficou ali, parada, sem entender nada do que havia acontecido. Para quem ela se confessou? *** Lexi se sentia cada vez confusa com seus sentimentos sobre os dois seguranças das amigas. Ela havia apenas se interessado por Tom, mas depois que Luis a surpreendeu depois que a beijou. Ninguém havia feito aquilo por ela e agora, estava naquela confusão. O que pensou foi sair de casa e ir ao encontro da única pessoa que poderia lhe aconselhar. Estacionou seu carro na frente da American Dream, na esperança de que Garrret a deixasse ver Lilith. Lexi odiava Garrret com tudo o que fazia a amiga, de saber quem a visitava ou não. Por isso, a loirinha se sentia feliz de todo o plano estar dando certo para ele desaparecer. Ao entrar na boate vazia, logo visualizou Garrret e Fergal saindo do escritório. - Rapazes! – Falou, sorrindo para Fergal, o abraçando. – Achei que voltaria para o seu país e não fosse falar comigo. Também senti sua falta. Enquanto Garrret bufou, irritado pela aparição de Lexi, Fergal sorriu abertamente ao vê-la. Por ser baixinha e, ele sempre gostava de lembrar isso a Lexi, ele passou a mão pelo topo da cabeça dela, bagunçando seu cabelo. - Que ciumenta. – Brincou Fergal. – Jamais voltaria para a Irlanda sem falar com você. Allan me mataria. Vendo a interação entre Fergal e Lexi, Garrret esfregou a têmpora direita, já sentindo uma leve dor começar. - Depois que vocês terminarem de fofocar, será que você pode me dizer o que está fazendo aqui, de novo, Lexi? – Falou Garrret, grosseiramente. – Lilith está doente, lembra? Lexi revirou os olhos, ainda abraçada a Fergal. - Você sabe que ela é o único motivo de eu estar aqui, Garrret. – Falou a baixinha, bem afrontosa. – Então, se eu estou aqui, é para ver Lilith. Quero ver se ela está melhor. Garrret estreitou o olhar. Não gostava da loirinha rica. Ela sempre viveu a margem dos verdadeiros negócios da cidade, esbanjando sua herança de milhões. Sem necessidade de trabalhar, sem ter que se curvar a nada ou a ninguém. Merda de herdeira. - Ela está melhor. – Respondeu, Garrret com a intenção de encerrar a conversa. – Agora, por que não vai ao shopping, ao salão de beleza ou sei lá onde costuma gastar seu dinheiro e deixa minha mulher em paz? Lexi fechou sua expressão e foi para cima de Garrret, sem se importar com a diferença de tamanho. - Olha aqui, seu i****a, eu não vou aceitar que fale desse jeito comigo. – Falou Lexi, alto. – Lilith é minha amiga! Já chega de você afastando-a de mim ou eu vou acabar... Fergal segurou Lexi pela cintura e a afastou de Garrret. - Calma, Lexi, calma. – Ele riu baixo, tentando deixar a situação leve, mas tendo certeza de que a paciência de Garrret não era infinita. – Todos aqui querem o bem da Lili, certo? Amamos a ruivinha. Sei que você está nervoso, Garrret. Também tem muito trabalho a fazer e a Lexi só quer ajudar. - Fergal, eu... - Me escute, amigo. – Ele continuou. – Lili vai ficar feliz. Ela me disse o quanto você tem sido compreensivo e gentil com ela nesses dias, se mostrando um homem muito diferente que ela pensava ser. - Ela disse isso? – Garrret piscou, surpreso. Será que finalmente, Lilith o enxergava? Será que agora ela percebeu que tudo o que ele fez foi por amor? – Sim. Lógico! Acho que você tem razão. – Ele olhou para Lexi, forçando um sorriso. – Lili está no apartamento, você sabe o caminho. Diga a ela que eu permitir sua visita. Lexi estava ainda sendo segurada por Fergal. Ela olhou para ele, sem amenizar sua expressão. Respirou fundo, e se arrumou. - Vou pensar se falo isso. – Disse para Garrret, se virando para Fergal e o abraçando. – Obrigado. – Sussurrou, bem baixinho no ouvido dele. – Antes de voltar para a Irlanda, venha me visitar. Ou eu juro que conto tudo a Allen. Depois desse encontro, Lexi tratou de correr para o elevador que davam acesso ao apartamento. Ela respirou fundo, como Garrret poderia ser tão arrogante? Tinha raiva dele, queria matá-lo e por pouco, não o fez. Quando a porta do elevador se abriu, ela entrou no apartamento, sem ver ninguém. Será que Luis estava lá também? - Lili? – Chamou, olhando de um lado para o outro. – Sou eu, Lexi. Vim conversar com você. Lilith se surpreendeu ao ouvir a voz da amiga e tratou de levantar-se da cama, correndo. Depois que Fergal desceu para a boate, ela resolveu deitar-se mais um pouco. Os enjoos matinais estavam melhorando, mas ela ainda se sentia um pouco fraca. Aproveitou o tempo para pensar na promessa que fez a Devitt. Cogitou até a pedir a Luis para mandar um recado a Jackson ou Chuck, mas desistiu. Se houvesse uma chance de reconciliação, o primeiro passo tinha de ser de um deles. - Lexi? – Ela andou pelo corredor do apartamento, já sorrindo. – Depois de ontem, não esperava te ver ao cedo. – Ela abraçou a amiga e apontou o sofá. – Não me diga que Brianna ameaçou de novo Ottman para isso acontecer. Lexi abraçou Lilith, sorrindo. - Na verdade, eu resolvi aparecer de surpresa, Garrret não queria deixar, mas Fergal usou todas as artimanhas dele. Ela riu e ambas foram se sentar no sofá. Lexi olhou pelos lados, procurando uma pessoa. - Ahn, eu precisava conversar com uma pessoa e ela seria você... – Mordeu os lábios. – Seu guarda-costas está em casa? Lilith arqueou a sobrancelha. O que será que Lexi precisava conversar que Luis não podia ouvir? - Martinez? – Quando Lexi confirmou com a cabeça, Lilith deu de ombros. – Ou ele está fingindo lamber as botas do Ottman ou ele está, de fato, lambendo as botas do O’Brien. Não me importo muito. Por quê? Lexi respirou fundo. - Eu sei que vai estranhar a pergunta, mas eu preciso saber algo. – A loirinha parecia nervosa, mexia as mãos suadas, pois não sabia como seria a reação de Lilith com aquilo. Não queria ser invasiva. – Quando você percebeu que estava apaixonada por Jackson e Chuck? A pergunta pegou Lilith de surpresa. Por um minuto, ela pensou que Lexi estava ali para falar dos dois homens que quebraram seu coração na semana passada. Se fosse aquilo, se sua amiga estivesse do lado deles, Lilith não ia falar. Foi quando ela viu a urgência e confusão nos olhos de Lexi. A mesma que um dia, Lilith viu em seu reflexo no espelho. - Lexi... – Ela começou, se compadecendo da angústia que a loira estava sentindo. - Não tem uma regra. Eu só sabia. Eu só sentia que não podia ter um só. No início, eu achei que eu fosse egoísta. Eles são irmão e gêmeos! – Lili riu. – Eu achei que eles fossem chutar a minha b***a, me chamar de doida. Mas, eu não precisei dizer nada. Eles sabiam tanto quanto eu, que era para ser assim. Lexi prestou atenção em tudo o que Lilith falou, seu coração disparava a cada palavra que a ruiva dizia. - E quem foi que falou um com o outro? Você quem conversou ou foram eles? - Desde que conheci os dois idiotas, trocávamos olhares e piadinhas. Meu coração disparava quando eles chegavam e eu não parava de sorrir. Brianna brincava dizendo que nossa tensão s****l sufocava ela e Mateo. – Lilith explicou. – Chuck me beijou primeiro. Você sabe, ele não é muito paciente. Depois disso, Jackson se afastou. Acho que ele precisou de um tempo se questionando se deveria também estar interessado por mim. – Os olhos de Lilith ficaram desfocados, como se a lembrança fosse tão boa, que ela quisesse reviver tudo. – Mas, isso deixou Chuck irritado e as coisas já não eram mais como antes. Eu fui a casa deles um dia e quando Jackson se preparou para nos deixar sozinhos, eu pedi para ele ficar e beijei ele. Sabe o que Chuck fez? – Lexi negou com a cabeça e Lilith voltou a rir. – Gritou "finalmente" e abriu uma cerveja. Contar sua história para Lexi, fez Lilith se questionar para onde havia ido os homens que nunca se preocuparam com protocolos sociais ou quem amava quem. Será que eles tinham se esquecido de tudo o que viveram? - Mas, por que tantas perguntas, Lexi? O que está acontecendo? Lexi respirou fundo e olhou para a amiga. - Acontece que eu acho que estou passando pela mesma coisa. – Mordeu os lábios e se levantou do sofá, ficando de costas para Lilith. – Há algumas noites, eu acabei beijando Tom. Foi tão legal, tão diferente... Ele foi tão cavalheiro, diferente do que eu achei que ele seria. O todo tatuado tem um coração. Lexi sorriu, se lembrando de Tom, mas se virou ao lembrar do que contaria em seguida. - Na mesma noite, eu fui ao banheiro me preparar para ir embora e fui surpreendida com outro homem me beijando... – Ela se sentou de novo. – Parece que Luis também tem um interesse em mim e agora, estou eu aqui, confusa, porque eu acordei e simplesmente quero os dois na minha vida e não sei o que fazer. Lilith ouviu tudo o que a amiga relatou, mas continuou em silêncio por alguns segundos. Não é que fosse muito para absorver e quem era ela para julgar algum relacionamento, mas... - Lexi, você não poderia escolher dois homens menos diferentes? – Perguntou Lilith, voltando a rir. – O cachorro tatuado e o cachorro religioso são como água e vinho. Dia e noite. – Outra risada. – Espere só até Brianna ter certeza de que o segurança dela abana o rabinho para você. Ela vai pegar no pé do coitado para sempre. Lexi olhou para Lilith, mas começou a rir ao imaginar Brianna pegando ainda mais no pé de Tom. Depois, Lexi pegou nas mãos da ruiva. - O que eu faço? Eu quero tentar, mas não sei por onde eu começo, por quem converso primeiro... Acredito que Luis seja o mais ciumento, já que ele quem me beijou depois. E, eu sei que você tem lidado com alguns problemas, mas não vejo ninguém melhor para me ajudar do que você, Lili. Será que você consegue me dar uma direção? Com carinho, Lilith passou a mão no rosto de Lexi. - Primeiro, vamos fazer um chá e se acalmar. Depois, vamos aproveitar que Garrret está distraído e passar a tarde toda fofocando. – Ela se levantou, já indo na direção da cozinha. – Você vai precisar de muitos conselhos se quiser mesmo segurar aqueles dois. E, talvez, Lilith precisasse se lembrar dos próprios conselhos para agarrar de novo seus homens. *** Luis Martinez esperou por aquele dia por anos. O dia que Garrret Ottman ia começar a pagar por seus crimes. Desde que se infiltrou no bando de Ottman, ele fez coisas as quais não queria. Mesmo que no final das contas, estivesse protegendo Lilith, ele se questionou muitas vezes se o que fazia era certo. Viu a ruiva sofrer por cinco anos, um de seus patrões se afundar no vício da cocaína e o outro sucumbir a solidão. Royal Echo não era uma cidade feita para ser justa e, bem a verdade fosse dita, o crime era tão enraizado em suas bases, que Luis duvidava que um dia as coisas fossem como nas novelas românticas. Onde tudo fosse um mar de rosas. Luis observou Tom Alkmmar colocar mais uma caixa extraviada da remessa colombiana, no chão do depósito de bebidas da American Dream. Virar o feitiço contra o feiticeiro fora uma jogada inteligente. McLean ia se surpreender aquela noite. - É a última? – Perguntou Luis a Tom, mas o loiro de moicano o ignorou por completo. Então, ele disse a única coisa que faria o outro segurança lhe dar atenção. – Eu beijei a loirinha abusada. Tom estava preso em seus pensamentos, queria terminar aquilo logo e correr para o único lugar que ele conseguiria descansar: a casa de Lexi, mas foi o comentário de Luis que o fez despertar. Ele o que? Tom e Luis trabalhavam para o mesmo lado, mas não eram chegados. Apenas faziam o que seus reais patrões mandavam, proteger suas amadas. Tom só vivia para aquilo, até que conheceu a baixinha encrenqueira, que mudou muito dele. Agora, parecia que Luis queria desestabilizá-lo. Ele apenas sorriu. - E...? – Disse, continuando a arrumar a última caixa de armas. – A baixinha é livre para fazer o que quiser. – Ele sorriu de canto. – A propósito, foi ela quem me beijou, parceiro. Luis encostou na parede e levou a mão ao colar com pingente de cruz. Era de prata pura, seu único bem. - Eu sei. – Luis fez um segundo de pausa, antes de completar. – Eu vi. – Finalmente, Tom olhou para ele e, finalmente, Luis também sorriu. Ele continuou passando os dedos pelo pingente de prata. – Você não é o único que ficou fora do seu posto na noite passada. Tom deu de ombros. - Eu acho que já entendi. – Disse ele, dando passos lentos na direção do homem. – Você acha que dizendo isso, vai acabar me desestabilizando, me fazendo criar algum tipo de ciúmes pela Lexi, mas acredite, amigo... Vai perder seu tempo. Acredito que ela tenha escolhido o caminho dela, já que eu não precisei força-la a nada. Aquele dia na boate, apenas nos divertimos e confesso que ela foi sensacional ao me distrair quando viu o quanto r**m eu estava, por isso, o que eu puder fazer por ela, eu farei. Luis aprumou os ombros. Ele não devia estar brigando com o parceiro de trabalho. Não devia estar disputando com ele o amor de uma mulher que era proibida para os dois. - Pois, saiba que eu farei o mesmo. – Decretou Luis, encarando Tom. – Aconteça o que acontecer nesta cidade, darei minha vida pela senhorita Lexi. E, se ela me quiser, ela será minha. Tom sorriu. - Ótimo. Então deixaremos que ela escolha. – E, olhou para trás. – Vamos embora. Está tudo em seu devido lugar. *** A música eletrônica fazia os corpos dos clientes da American Dream se mover, bem suados e eletrificados. Fergal transitava entre eles, bebendo cerveja direto do gargalho e gritando alguns elogios, estimulando vários casais a beijar na boca. Era bom que Lilith tivesse convencido Garrret a ficar com ela no apartamento, dando a chance para Fergal gerenciar a noite da boate. Pulseiras brilhantes iluminavam a pista principal, com os braços das pessoas balançando de um lado para o outro. - Isso que é diversão! – Fergal gritou, vendo alguns homens trocando um beijo triplo. Ele ergueu a garrafa de cerveja e urrou. Uma garota baixou a blusa e mostrou os s***s cobertos de purpurina. Fergal mandou um beijo para ela e continuou andando. Ao se aproximar dos fundos da boate, viu que James McLean já o aguardava. - James, meu amigo. – Vibrou Fergal, abrindo os braços pronto para um abraço. – Que bom que você veio. James já não aguentava esperar Fergal, enquanto o homem parecia se divertir naquela boate. James até gostava da música e do clima, mas com os últimos acontecimentos, ele apenas queria saber se realmente estava sendo traído pelo seu braço direito. Quando o irlandês se aproximou e quis abraçá-lo, o homem alto colocou a mão na frente, sem esboçar nenhuma reação. - Você sabe para que eu estou aqui e não é para ver você se divertir nessa d***a de festa que organizou. – Falou, rabugento. – Quero ver o que tem para me mostrar e depois, quero voltar embora e ver se vale mesmo a pena o que tem me contado. Ignorando completamente o amigo, Fergal passou o braço sobre os ombros de James e começou a virar para os fundos da boate, em direção ao depósito. De perto, Tom os seguia. Mais à frente, Luis vigia a porta do depósito. - Meu amigo, você precisa aprender a relaxar. – Fergal falou, ainda se balançando ao som da música. – Devia aceitar meu convite e vir passar as férias comigo e Allen. Ele vai adorar ter Joanne por perto. Nem deu tempo de James responder a Fergal. Luis abriu a porta e acendeu as luzes. Lá, havia um carregamento desviado que James procurava a um tempo depois que enganaram Keith sobre Jackson. James deu de ombros. - Eu procurava por esse carregamento a muito tempo. – Disse, olhando para os lados. De repente, ele começou a olhar mais em volta, com seus olhos azuis caindo em uma das caixas. Nela, havia um celular. Ao clicar nos botões para ligar, apareceu a foto de Keith Speno. Logo, o aparelho começou a vibrar e o nome de Garrret apareceu. James se virou e viu Fergal com um celular. O homem ligou uma coisa na outra. - Então, agora eu tenho certeza de que Speno não desapareceu à toa. – Falou James. – Ottman matou Speno e ficou com o carregamento para que? Quem ele queria enganar. Fergal revirou os olhos, fazendo uma expressão de puro tédio. - A você, meu amigo. – Fergal cancelou a ligação e guardou o celular no bolso. Esperava que Lilith continuasse a distrair Ottman no apartamento e ele não desse por falta do aparelho. – Garrret Ottman viu em seu plano a chance de passar a perna em todos vocês. Ele matou Speno para incriminar O’Brien e assim, você o mataria. – Mentiu, Fergal. – Sendo você m***r O’Brien e supondo que O’Brien 2 fosse vingar o irmão, ele te enfrentaria e vocês acabariam matando um ao outro. Assim, toda a cidade ficaria para Garrret e Lilith nunca poderia culpá-lo pelo fim trágico de seus amados. – Finalizou ele com um suspiro dramático. – Viu como você precisa de mim para protegê-lo? Tão inocente... Garrret ia fazer exatamente o que você fez com o Hale. James olhou Fergal e sua mente começou a articular tudo desde que começaram a abrir seus olhos contra Garrret. Ele olhou as armas, se sentindo um dos piores líderes do mundo. Como não havia visto aquilo antes. Olhou para Luis e Tom. - Recolham essas armas o mais rápido possível, você... – Apontou para Tom. – Leve ao galpão e vá para a mansão, vamos ter uma pequena conversa. Assim, ele pôs-se a caminhar até a porta, mas parou ao lado de Fergal. Olhou para o homem, que era menor que ele. - Obrigado, Fergal. – Disse James, colocando a mão no ombro do compatriota. – Eu não sei o que vou fazer a partir de agora, mas acredito que você será muito útil para mim no futuro. Sem dar chance de resposta, James apenas virou as costas e saiu do lugar, atropelou algumas das pessoas pelo salão e saiu. A única coisa que tinha em sua mente era que precisava se vingar de seu ex-sócio.
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